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Capitulo 4: Esquecendo os motivos

~Charlotte Evans

Uma semana depois...

-Já vai!!! - passo pela sala feito uma sonâmbula.

Olho no relógio, vejo que são cinco e vinte da manhã. Ninguém deveria acordar essa hora, não quando está no final da faculdade, sem se preocupar em acordar de manhã e ter que aturar os professores mal humorados.

Caminho lentamente até a porta e paro com a mão na maçaneta, me dando conta de que não há ninguém que me visitaria a essa hora. A Ruby está a km de distância...

Poderia ser o Ryan? -Subitamente esse pensamento surge.

O barulho da batida na porta surge de novo e eu recuo imaginando que deveria estar mais apresentável. Passo a mão no cabelo, jogando-os para trás e prendendo de uma maneira frouxa. Passo a mão no rosto, tirando qualquer resquício de cara de cama. Confiro o mau hálito, e não está agradável, decido que irei responder somente de boca fechada.

-Dá para abrir essa bagaça. - O Ryan não falaria isso e eu conheço bem esse sotaque.

Avancei desesperada para a porta e abri quase a derrubando.

-Jessie!!!! - estava decepcionada, mas por que o Ryan viria aqui? E não há nada melhor que a sua melhor amiga.

-Pelo amor de Deus, a próxima vez que eu tiver que falar com aquele porteiro mal comido, eu vou matar você.

Bom, ela respondeu metade das minhas perguntas sem nem mesmo ter perguntado. Como ela chegou aqui? Tá certo eu havia mandado minha localização, mas o apartamento tenho certeza que o Sr. Gerald a informou com a sua disposição e bondade diária.

Só que não.

-Eu não imaginei que viria mesmo. - Ela se abaixou e colocou suas malas no chão e me fez questionar se ela tinha interesse de se mudar para cá. -Eu nem acredito!!!

-Querida, a gente não pode perder a oportunidade de sair do interior para cidade grande. - colocou a mão na cintura. - Já sinto que Nova York é meu lar.

Jessie sempre teve um ar de grandeza, sonhos em viver com homens luxuosos, de viver uma vida luxuosa e sempre reclamava que aquela cidade ofuscava toda a sua essência de luxo. Não me admiro que tenha pego o primeiro ônibus e vindo direto para cá na primeira oportunidade.

Rimos e nos sentamos no sofá. Ela me contou todo o seu trajeto no ônibus até aqui. Contou sobre cada parada, contou inclusive do seu caso de amor na cidade pequena do estado da Pensilvânia - não se surpreenda se eu disser que esse não foi o caso mais remoto que ela teve - Me contou de cada detalhe.

-E agora estou aqui. - suspirou jogando corpo para trás, mas logo voltou à posição inicial como se lembrasse de algo grave. - E o gato sem compromisso?

-Ryan? - suspirei cansada.

Depois da nossa pequena saída a boate do Joe, não o vi mais, nem tive notícias suas. Também, é de se esperar. Não duvido que assim que me deixou aqui foi se jogar nos braços daquela biscateira.

-Sim, o concunhado pervertido.

Conto toda a história para ela, desde do nosso primeiro encontro até o último que foi a mais ou menos uma semana. Contei cada detalhe, tendo que lidar com as caras e bocas que a Jessie fazia - não é para menos que a sua segunda paixão seja o teatro depois do sexo é claro. - Suas caras quase me faziam rir e esquecer do meu problema voluntário no amor.

-Então depois que ele te pegou pelo braço como um ogro dos braços de um outro cara, você nunca mais o viu? - Concordei - Claro que eu gostaria de ouvir esses relatos envolvendo nenhuma peça de roupa, talvez em uma cama discreta...

-Jessie, pelo amor de Deus.

-O que? - faz desentendida. -Quer conquistar o homem ou não?

Eu tinha todos os motivos do mundo para negar, para dizer que não queria. Para dizer que essa ideia de conquistar foi uma péssima ideia, para dizer que ele não vale a pena. Mas cada parte do meu corpo está dizendo que sim, dizendo para ir em frente então o faço.

-Quero, claro que quero. - suspiro.

-Então vamos começar. - ela se levantou batendo palmas. - A mamãe Jessie chegou. - seu sorriso se desmancha quando me olha. - Eu não disse para jogar esse pijama fora?

Olho para o pijama e mesmo que tenha todos os motivos para não usar, para entender que não é pra mim, para jogar fora, como o Ryan, eu gosto e continuo insistindo. Talvez ser masoquista seja um dom. Será que é?

-Não vejo nada de errado no meu pijama.

-Pois eu vejo. - fez uma cara de nojo. - Agora vá tomar banho, tenho uma mala de coisas para você experimentar!

Ela está tão animada que parece que se esqueceu que são apenas cinco da manhã.

-Podemos fazer isso mais tarde, vamos dormir. - resmunguei.

-Querida, eu estou acordada desde a três porque o Senhor gatinho do meu lado tinha uma motosserra na boca, então não me venha com essa e já para o banho e não volte aqui com essa porcaria que está vestindo.

Rolei os olhos, então concordei sabendo que ela já teria seu voto ganho. Jessie tem uma agitação natural, uma que nem eu consigo acompanhar. Me fazer experimentar roupas a essa hora não é normal, mas em tudo estou feliz ter a minha amiga aqui comigo.

Me enrolo na toalha, deixo o cabelo úmido cair sobre as minhas costas e saio do banheiro a tempo de ouvir o celular tocando

Me enrolo na toalha, deixo o cabelo úmido cair sobre as minhas costas e saio do banheiro a tempo de ouvir o celular tocando.

Qual os problemas dessas pessoas com o sono?

Ando até a minha cômoda e vejo o celular tocando sem para.

Ruby.

-Ruby!!!! - falei quase gritando.

Estou a quase duas semanas sem falar com ela, óbvio que eu não queria atrapalhar o momento deles e como ela não me ligava imaginei que eles não queriam ser incomodados.

-Marcus, aqui. - falou sussurrando.

-Marcus? - Mas se ele está ligando do celular dela, o que pode ter acontecido?

-Não, o papa! Agora chega de perguntas idiotas e foca no dia de hoje. - respirei fundo e me sentei prendendo mais a toalha. - Estamos voltando hoje e quero que você seja responsável da festa da Cenoura.

-Festa? Que festa? - franzi o cenho - Por que sua cenoura quer uma festa de boas vindas?

Ele suspirou e pareceu um longo tempo até voltar a falar mais alto dessa vez.

-O aniversário dela, Charlie.

Meu Deus!!! Hoje é dia vinte e três.

-Você não esqueceu, certo? - me questionou.

Sim, eu definitivamente havia esquecido. Estou passando tanto tempo tendo ideias idiotas para conquistar o Ryan que a acabei esquecendo a minha localização no tempo e espaço.

Mas ele não tem que saber disso.

-Claro que não, eu sou irmã dela a dezenove anos. - tentei uma risada forçada. -Claro que eu me lembrei.

-Você esqueceu, certo? - seu tom sarcástico era tudo que eu queria evitar.

-Sim, mas não conte a ela. - me joguei totalmente na cama.

- Claro, você é uma péssima irmã. - ele riu.

-E você um péssimo cunhado. - me levantei indo para a minha mala.

-Não, eu me lembrei do aniversário. Agora faça tudo lá em casa, a chave está com minha mãe tudo que tem que fazer é pegar e arrumar tudo. Acha que consegue fazer isso? - Revirei os olhos diante da sua provocação.

-Não me provoca, Marcus! - ele riu mais alto.

-Agora eu vou para terminar de dá o melhor dia a sua irmã.

-Mas ainda são quase seis.

-Trabalhamos a noite inteira... - sua voz e as coisas que está falando é bem sugestiva.

-Meus ouvidos estão sangrando. - minha mente começa a pensar na possibilidade do que eles poderiam estar fazendo. -E minha mente também. Que nojo!!!

Ele ri e me dá as últimas instruções antes de desligar efetivamente. Como posso ter me esquecido que dia era hoje? Sou uma péssima irmã.

Peguei qualquer roupa que eu achei e tenho certeza que a Jessie reprovaria. Coloco um short jeans e uma blusinha folgadinha que havia sumido alguns tempo e eu encontrei o paradeiro dela no guarda roupa da Ruby.

Amarei o cabelo e ajeitei um pouco o rosto, não podia deixar de pensar na possibilidade de vê o Ryan em sua casa, então casualmente me ajeito caso o nosso encontro aconteça.

-Ok, Jessie. Temos uma festa para organizar. - ela estava de ponta cabeça no sofá mexendo em seu celular.

Ela se levantou e me olhou com brilho nos olhos.

-Festa? Já estou amando essa cidade.

Estamos a quase meia hora sentadas na cama revirando a mala de coisas que a Jessie trouxe, já que ela se nega em me deixar sair dessa casa sem trocar de roupa

Estamos a quase meia hora sentadas na cama revirando a mala de coisas que a Jessie trouxe, já que ela se nega em me deixar sair dessa casa sem trocar de roupa.

-Proto, agora está ótima. - ela me deu um shortinho jeans junto com uma blusa cinza meio cropped de ombro e o tênis preto que eu já tinha, que pelo visto era a única coisa que era de sua aprovação.

-Não acha que está um pouco demais? - me olho e não é que não gosto, só não estou acostumada.

-Claro que não, precisa explorar mais essas curvas. - sorriu me olhando no espelho.

A minha cama está repleto de roupas e de algumas lingeries que ela insistiu que eu estivesse usando uma sempre e abandonando as minhas de flanela já que poderia rolar algo íntimo a qualquer momento.

-Agora o gloss. - jogou o batom para mim .- Está super em alta e dá uma sensação de acabei de acordar.

Não sei como sobrevivi a esses dias sem os conselhos loucos da Jéssie. Ela tem um dom de transformar tudo, o meu humor, o meu dia, a minha risada, tudo mesmo. Ela é incrivelmente incrível.

Arrumei o cabelo de uma maneira pessoal, já que ela disse que o coque despojado deixava o look mais natural. Então pensando bem, levando em conta que essa sugestão tenha vindo dela, não há nada em mim que seja realmente meu. Jessie arruma algumas coisas de volta a mala quando um objeto inusitado cai ao chão.

Ela me olha desesperada, mas sou mais rápida em alcançar o tal objeto de borracha.

-Você usa isso? - era um pênis. Um pênis de borracha. Aqueles consolos, de cor verde claro e transparente.

-Claro, entre o intervalo do estudo e outro. - olhei assustada e ela riu. - Estou brincando, mas não significa que nunca aconteceu, ou que não vai voltar acontecer.

Ela lambe os lábios e pega o pênis da minha mão e o guarda em sua mala.

-Mulheres também precisam de paus, sem a encheção de saco de um homem real.

-Ok, eu entendi. - ela sorri pelo meu constrangimento.

Por nunca ter transado, falar desses assuntos me deixa um pouco constrangida. Muitas vezes a Jessie vinha com uma enxurrada de coisas e eu ficava vermelha como um tomate, porém isso não me impede de pensar nisso agora. Aliás isso é uma coisa que eu tenho pensado muito e exclusivamente com ele. Como será a sua boca, o seu toque, o seu pênis...

-Está pensando no pau do Carter Júnior? - arregalei os olhos. Ela pode ler mentes?

-N...não, quer dizer, sim. Talvez eu esteja. - tento parece confinante.

-Super normal... - ela me olha com o seu olhar maquiavélico - Como imagina que seja? Muito grosso ou fino? Um pouquinho curvadinho para a direita ou para esquerda que também não há p...

Eu nunca pensei que poderia ter tanta descrição para um pênis.

-Não quero falar do que eu imaginei, ok? - ele murchou e deu de ombros. -Não me sinto confortável.

-Não há problemas nenhum nisso. - se levantou orgulhosa. - Eu mesmo imagino claramente como deve ser o pau do Ian Somerhalder.

-Jessie!!!! - ela ri - Podemos esquecer esse assunto e ficar na festa?

Como eu queria que essa ideia fosse prática assim na minha mente. Eu não tinha pensado em detalhes, mas depois da lista da Jessie, eu estou imaginando cada detalhe, cada coisinha. Como será? Será que ele tem a pegada que aparentemente ter? Será que sua boca faz estragos como eu imagino que faça?

-Ok, Nova Pervertida... Temos uma festa para organizar. - ela está me olhando com um sorriso malicioso nos lábios.

Me questiono novamente, será que ela pode mesmo ler mentes?

-Vamos logo.

-Acha que tenho chances de encontrar o Ian Somerhalder? - perguntou pensativa.

-Quem sabe! Estamos em Nova York, muita coisa pode acontecer.

Estamos todos a espera do casal, que está quase trinta minutos atrasados

Estamos todos a espera do casal, que está quase trinta minutos atrasados. Bato o pé sem parar no assoalho da sua sala de estar. Estou ansiosa de mais para vê minha irmã, eufórica demais por vê o Ryan.

Ele está sentado da sua melhor maneira na poltrona a minha frente, com as pernas cruzadas e o olhar aleatória a situação. Eu não consigo parar de olhar para ele, como se fosse um ímã que atrai os meus olhos ao dele sem que eu perceba. De vez ou outra ele balança a cabeça e sorri ladino para mim, eu não consigo entender muito bem o que significa, mas ainda sim não desvio os olhos.

-Para!!! Você vai acabar furando o cara. - Jéssie que está sentada no braço do sofá cochicha. - Tenta disfarçar.

Reviro os olhos e então percebo que ele tem razão, talvez eu esteja secando demais.

-Desculpa, não consigo controlar. - olho para ela para que meus olhos traidores não me levem a ele novamente.

-Vai ter que conseguir. - ela se abaixou para que ninguém mais na sala ouvisse. - Já parou para perguntar por que nenhuma mulher o fisgou? - neguei. Nunca havia pensado nisso -Pensa comigo, por que vou querer pescar com a vara se todos os peixes simplesmente se jogam em meu barco?

-Não entendi. O que a pesca... - ela bufa. - Ah, estou sendo fácil demais. Está dizendo que preciso me fazer de difícil?

-Não, estou dizendo para você parar de babar nele a cada minuto.- eu não babo por ele. - Complique mais as coisas, deixe as coisas mais desafiante.

Olhei para ele novamente que estava concentrado em seu celular. Como eu posso me fazer de difícil se na primeira palavra que ele diz eu já tenho vontade de segurar sua mão e beija-lo? Ele precisa colaborar com a sanidade da mente das mulheres, colaborar com as audaciosas que querem o conquistar.

-Eles chegaram!! - Ryan se levantou mostrando o celular.

Me estiquei para apagar a luz e me concentrar em dar o melhor feliz aniversário a minha irmã, sem que os pensamentos do Ryan me atrapalhe. Ficamos todos quietos, ouvindo o barulho da tranca ser girada. Assim que a porta se abriu, acendi a luz assim que seus pés tocaram no chão da sua sala.

-PARABÉNS PARA VOCÊ, NESSA DATA QUERIDA, MUITA FELICIDADE MUITOS ANOS DE VIDA!!! - todos começaram a repetir essa canção enquanto eu busquei o bolo para levar ao seu encontro para que pudesse apagar as velas.

Minha irmã está irradiante. Por anos em minha casa a via chorar e eu tão pequena não entendia o que acontecia, mas ela sempre se escondia por que dizia que chorar era para os fracos e ela se proibiu de chorar, pelo menos não na minha frente. Vi a pequena lágrima escorrer e percebi que ela é a pessoa mais forte que eu conheço a minha vida inteira.

Levo o bolo a ela, deixo em suas mãos trêmulas. Ela fecha os olhos e apaga as velas do bolo.

-Feliz aniversário, irmã. - falei olhando para ela.

-O Marcus me contou que esqueceu. - lancei um olhar fatal ao Marcus ao seu lado.

-Traidor! - fingi está brava.

-Pacto de sinceridade, casamento e essas coisas. - Marcus é a pessoa que você ama ou simplesmente quer matar.

-Ok, chega dessa queda de braços. - Vivian nos afastou da Ruby, dando espaço para os demais a parabenizar. -Querida, como estou feliz que vocês tenham voltado...

Peguei o bolo e retornei com o mesmo para a cozinha para que fosse cortado.

-Ei, criança... - meu coração gelou ao ouvir a sua voz falando o apelido que ele me disse no sonho. - Acha que pode me servi um Whisky sem que fique embriagada?

Ele está encostado no batente da porta com as mãos no bolso, e o copo vazio estendido em minha direção.

-Clar... - já estava largando o que estava fazendo e cedendo as suas brincadeiras. Preciso ser difícil. - Você sabe onde fica a garrafa.

Falei e já me virei para continuar o trabalho em fatiar o bolo. Ele deu uma risada e eu me neguei a me virar para olhar o seu sorriso estampado no rosto. Continuei batendo a faca na bandeja sem nem cortar nenhuma fatia, quando senti sua presença atrás de mim, fazendo todos os meus pelos arrepiar. Talvez falar para ele pegar a bebida que fica atrás de mim, não foi uma boa ideia.

-Eu acho engraçado. - ele disse por fim. Me segurei para não perguntar o que. Então me mantive quieta, engoli um seco e esperei que sua voz preenchesse o silêncio de novo. -Você não faz os olhos brilhantes para o Christopher e nem para o Marcus. E você estava fazendo isso para mim a poucos minutos.

Olhos brilhantes?

-Do que está falando? - soltei a faca e lá estava ele apoiando no balcão só olhando pra mim.

-Você só tem os olhos brilhantes quando me olha. - ele bebe um gole. - Eles são só para mim.

Olhos brilhantes seriam interesse? Por que é claro que eu tenho e muito nele, mas eu não gosto que isso seja tão explícito a ele.

-Talvez seja por que o Christopher é esposo da amiga da minha irmã e minha aliás e o Marcus meu cunhado, espertão. - bebe mais um gole, mais não perde a sua postura pretensiosa.

-É... Eu já tive essa teoria, até vê que não faz isso também para o Joe. - engoli o seco.

-Pode ser por que eu não... - eu não havia argumentos. Que droga é se fazer de difícil quando ele fica falando da maneira que eu o olho para ele.

-Sabe Charlie, você é uma garota legal, falante demais, mas legal. - ele deu um passo em minha direção olhando bem nos meus olhos. - Então eu vou ser o cara legal. Eu não sirvo para você.

Ele fala e depois retorna a sua posição inicial, coloca o copo na pia e começa a se afastar.

-E porque não? Só por que a Ruby ou o Marcus o proibiu? - ele balançou a cabeça. -Achei que fosse mais corajoso que isso.

Ele me olhou, como se estivesse repensando nas palavras que eu havia dito, então me olha e volta a andar em minha direção ficando de frente para mim, cara a cara.

-Não, mas é por que eu sou um irresponsável , um grosso, ignorante, sem coração, frio e para finalizar eu sou um libertino.

-Eu já entendi.- falo entre os dentes.

-Ótimo, percebeu que sou tudo que você não é. - ele voltou a cabeça para trás e deu dois tapinhas no topo da minha cabeça. - Fica longe de mim, pirralha.

Encheu novamente o seu copo e saiu da sala. Ele está me dando tudo, todas as cartas? Por que eu simplesmente não pego esse desejo e corro para as montanhas? Isso seria o certo a se fazer. Mas o contrário desperta em mim outra coisa. Por que ele repele tanta as mulheres? Por que ele não deixa nenhuma menina se aproximar dele? Tem que ter um motivo, sempre tem. Eu posso fazer isso, posso fazer com que ele veja o seu lado bom, aquele que nem mesmo eu ainda consegui vê.

Término de cortar o bolo, e sirvo para a sala cheia de conversa jogada fora. No final, recebemos duas surpresa, o Marcus em especial quando descobriu o sexo do bebê.

É uma menina!!!

Ele passou por dois estágios, primeiro em negação e depois pirou ficando de boca aberta sem acreditar, logo depois que esses estágios passaram ele se ajoelhou arrancando suspiro de todos, quando ele beijou a barriga da minha irmã. Estou tão feliz por ela, tão feliz em ver que as coisas estão começando a dar certo. A sua vida está encaminhando e caminhando para melhor.

(...)

Chego em casa cansada, deixo a Jessie confortável no quarto do Mayra e me jogo na minha cama com o meu antigo diário nas mãos.

Me lembro de cada ponto que eu escrevi quando tinha quatorze anos, cada coisa que eu gostaria de encontrar em um homem, cada detalhe que eu pontuei de alguém que eu queria me entregar, me apaixonar.

Folheio as folhas do meu diário até chegar no lugar exato.

1- Responsável

2- Gentil

3- Sensível

4- Carinhoso.

5- Fiel

Fecho o diário e o jogo longe.

Ele não se encaixa em nada disso, ele mesmo falou olhando nos meus olhos. Mas eu sei que eu posso encontrar isso nele, eu só preciso cavar toda essa casca que repele as pessoas e me concentrar no homem que vai se revelar.

Estou esquecendo todos os motivos que ele me deu... Afinal, não existe homens perfeitos.

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