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Capitulo 3: A garota certa

~Ryan Carter

Dois dias depois...

Bato o copo no balcão enquanto o Joe está com o cotovelo apoiado no mesmo. Olho para além da pista ainda vazia, mas com várias luzes piscando mantendo o clima de uma boate.

-Então o Marcus vai mesmo casar? - concordei com o cenho franzido. - Vivi para ver o meu maior predador de mulheres se casar.

-Vou fingir que não me ofendi. - ele riu e eu bebi mais um gole. - E pra ser sincero, você foi o primeiro abandonar o barco.

-E olha onde estou agora.

Joe estava evitando falar da maneira que acabou o seu casamento. Ele se diz forte e tenta ao máximo aparentar estar bem, mas no fundo ele está mal e bastante magoado com a maneira que tudo aconteceu. Também não é de se admirar que ele esteja assim. Sair do trabalho e encontrar sua mulher com outro em sua própria casa, não deve ser das melhores cenas para reviver para sempre na memória. Poderia dizer que em tudo o meu receio em relacionamento seja por esse motivos banais, seja por coisas ruins que acontecem em relacionamento, porém, não posso generalizar, o relacionamento também produz coisas boas, e meus pais são o maior exemplo disso.

O motivo que me faz ficar longe disso não é só o fato de não querer me envolver, a questão é que eu amo essa vida. Amo não dá satisfação a ninguém, amo não ter ninguém para me controlar, amo dormir com várias mulheres, amo curti a minha vida da maneira que eu gosto.

Eu sou um libertino e gosto disso.

Para que eu largue essa vida, a mulher precisa me mostrar que ela é melhor que tudo que eu gosto no momento.

-E sobre a cunhada dele, é gata? - revirei os olhos e olhei para ele.

-Se você gostar de ser babá, sim ela é. - falei fazendo pouco caso.

-É maior? - concordo. - Não a problemas, a menos que ela seja uma baranga. Ela é?

Estreitei os olhos e forcei minha mente a se lembrar dos detalhes dela. Baixinha, cabelos castanhos em sua predominância, olhos verdes, boca levemente carnuda e seu corpo é bem magrinho. Nada realmente atrativo. Na verdade, a Charlotte não possui nada que chame a minha atenção. Ela não faz meu tipo, além de ser nova de mais e age como uma criança vivendo em um conto de fadas.

-Digamos que... - meu celular toca em meu bolso. - Dona Vivian.

Aceno o celular para ele assim que identifico a minha salvadora desse assunto desnecessário, enquanto ele se afasta para dar ordens a algum barman.

-A seu dispor. - falo assim que atendo.

-Se lembra do Jantar né? - resmungo concordando - Preciso que busque a nossa convidada.

-Que seria... - falei com sobrancelha levantada.

-Charlotte.

-Tá de brincadeira? - Joe se aproximou enchendo meu copo de novo. - Ela pode pegar um táxi.

-Não, não pode. Ela é nova aqui e você sabe o quão perigoso é para uma recém chegada.

-Mãe, aqui é Nova York, não o Paquistão. A pirralha pode chegar muito bem aí sozinha.

-Ryan, é o seu caminho. A propósito convide o Joe, ele precisa de uma representação de família nesse momento. - bufei.

-Na verdade o que ele menos precisa é isso... Esqueceu que ele foi traído? - falei em um tom abaixo mas ainda sim recebi um olhar de repressão do Joe.

-Boate está longe de fazer alguém superar. Agora esteja aqui em vinte minutos e com a garota. - passei a língua nos dentes e bufei. - Amo você.

Desligou o telefone e eu encarei o Joe tomando um gole da bebida que ele colocou e balancei a cabeça.

-Até mais tarde. - recolhi o meu casaco no encosto do banco e me levantei deixando meu amigo parado com um sorriso idiota. Mais trouxa é ele em achar que eu poderia ter algum envolvimento com a pirralha. Eu havia prometido isso ao Marcus e de maneira alguma voltaria atrás em minha palavra.

Ando uns vinte minutos até chegar ao seu prédio. Estaciono na frente do prédio, comprimento o porteiro de cara fechada e quando estou subindo para o elevador percebo que eu nem mesmo me lembro do apartamento da Ruby e muito menos tenho o número da garota. Retorno para pedir a informação, quando vejo o elevador se abrir e como mágica a menina sai de lá.

Ela está com uma calça justa, e uma blusa branca com um decote e jaqueta jeans e uma sapatilha preta. Ela está diferente, a algo nela que parece diferente. Muito aliás.

-Vamos? - falei já me virando para sair desviando os meus olhos dela.

Ela não disse nada apenas me acompanhou até o carro em completo silêncio. Entramos e dei partida, mas ela parecia desconfortável, se mexia a casa um minuto.

-Há alguma coisa errada com o banco? - a olhei de soslaio.

-Não está tudo bem. - falou taxativa.

-Hum... Está quieta de mais. - constatei já que ela fala pelos cotovelos.

-Me lembro que você disse que eu falo muito, então preferi apenas ficar quieta. - concordei parando no sinal.

O silêncio é incomum. Mesmo em poucos dias, não estou acostumado está em sua presença e não se bombardeado de perguntas desconexas.

-Acho que prefiro você falante. - acelerei quando o sinal verde acendeu.

Ela riu discretamente e balançou a cabeça.

-Está dizendo que quer ouvir minha voz? - falou me olhando.

-O que? - ela riu. -Não foi isso que eu disse. - ele deu de ombros. - Mas não quero a ausência dela.

Eu nem sei que sentido fez o que eu falei, mas é uma verdade. Prefiro quando ela fala, mesmo que às vezes suas perguntas me irritam.

-Tudo bem... - jogou a mão para o ar. - Na verdade eu queria te fazer uma pergunta.

Olhei para ela de soslaio

-Não me faça me arrepender de pedir para você falar.

-Por que nunca namorou? - perguntou bem direta.

Sua pergunta me pegou de cheio. Eu nunca pensei nisso, mas não era algo difícil de responder. Mas não significa que nunca namorei, quer dizer se namoro de uma semana no sétimo ano conta como resposta válida para sua pergunta.

-Quem disse que eu nunca namorei? - devolvi a pergunta em um tom zombeteiro.

-Ué, você não parece do tipo que namora. - fala ainda com os olhos verdes fitos em mim.

-Que tipo seria esse? - pergunto realmente interessado na resposta.

-Bom, você sabe que eu sei sobre as notícias que saem de você, e as mulheres que você gosta de fazer rodízio. - aí está, a Charlotte faladeira que eu conheci. - E você disse na sua casa que casar não é para você, fora as noitadas que você vira...

Eu não quero saber de onde ela tirou tantas informações, já que no momento eu não tenho conquistado tantos fãs.

-Ok, eu já entendi. Não tenho o tipo que namora. - ela riu e eu também. - Eu nunca namorei por que eu não quis.

Ela revirou os olhos e eu consegui vê pelo canto dos olhos.

-Por que não quis? Ah vamos lá, me dê mais que isso.

Bufei.

-Eu não namoro por que eu gosto demais da minha vida assim. Eu sou um libertino, Charlie e gosto disso.

Ela ficou quieta de repente, o que me fez tirar os olhos da pista para lhe olhar, porque ela parece distante e emburrada com algo olhando diretamente para a janela fechada.

-O que foi? Disse alguma coisa muito errada? - faltava pouco para chegar em casa, e eu nem havia percebido.

-Não, mas acho melhor eu ficar quieta.

Eu não tenho interesse de descobrir o aconteceu, ou o motivo dela ter mudado de repente, então apenas concordo e deixo ela ficar em seu silêncio, provavelmente em seu mundo encantado.

Viro mais uma rua e já estamos na rua da minha casa, mas uma acelerada e já estamos entrando os grandes portões da mansão. Ela realmente se calou, cruzando os braços e batendo o pé constantemente no chão.

Ela sai do carro assim que estaciono e eu faço o mesmo vendo-a parada de costa nos degraus da escada de entrada da minha casa. Seu cabelo castanho, está em um efeito delineado em suas costas.

Cabelo castanho... Forço os olhos e me aproximo para vê melhor. O cabelo está castanho, mas todo castanho.

-O que houve com as mexas rosas? - Perguntei assim que parei atrás dela.

-Pintei. - disse taxativa.

-Ah, eu gostava delas. - falei sendo sincero. -Ela te dava um ar de rebeldia.

-Rebeldia? Eu tenho desenove anos. - fala se virando para mim.

-É eu sei, pirralha. - passei por ela colocando a mão em seu sedoso cabelo bagunçado- o como se faz um uma criança levada, enquanto ela afasta a cabeça e a porta se abriu.

Meu pai está parado, olhando para gente e penso que sua mente deve estar imaginando diversas coisas quando nada disso aconteceu, ou vai acontecer.

Passo por ele deixando os dois para trás e vou direto para a cozinha, onde minha mãe e Cecília estão ajeitando tudo para pôr a mesa.

-Querem ajuda? - pergunto atrás de Cecília que salta de susto.

-Quer me matar, menino? - Cecília joga uma toalha de prato em mim e eu sorrio.

-Pegue as taças. - andei até adaga e peguei cinco taça alocadas entre os dedos.

-A Charlotte está com você? - Revirei os olhos.

-Claro, mãe. Os seus desejos são uma ordem. - ela estreitou os olhos.

Seguimos até a sala de jantar, coloquei tudo na mesa enquanto ela começava arrumar do seu jeito, colocando tudo de sua maneira.

-Sabe que eu amo você, Ryan? - olhei para ela surpresa de sua pergunta.

-Claro, mãe. Pelo menos eu espero que sim. - ela sorri e me olha nos olhos.

-Quero te pedir uma coisa.

-Não estou surpreso. - revirei os olhos e ela se aproximou de mim tocando meu braço.

-Não faça nada que machuque a menina. - falou olhando bem na minha cara.

Machucar? A menina? O que ela acha que que eu quero com essa garota?

-Mãe, para início de conversa foi você quem insistiu que eu a buscasse, eu não tenho nenhum interesse nela. Então, pode ficar despreocupada.

Ela suspirou e sorriu da sua maneira graciosa e concordou.

-Agora, vá chamá-los. Já iremos servi.

Se afastou e eu fiquei parado olhando ela se afastar.

Estou cansado de todos me pedindo para me manter longe da pirralha. O que ela é? a virgem Santa? Parece que ela é só uma presa indefesa e eu o lobo mau. Estou ficando irritado com todas essas restrições, eu não vou chegar perto da garota. Eles deveriam falar isso para ela, e não para mim.

Estamos sentados a mesa, enquanto eu brinco com o meu garfo no prato

Estamos sentados a mesa, enquanto eu brinco com o meu garfo no prato. O ponto mais irritante do jantar, foi eu descobri que a vinda da menina protegida aqui foi somente para servir de comparação. A menina prodígio, cheia de atividades extracurriculares no histórico, a garota formada, inteligente. Reviro os olhos entediado com a conversa, que só estou esperando a primeira oportunidade para cair fora.

-Ryan, pode me acompanhar até o meu escritório? - meu pai disse já jogando o guardanapo na mesa e se levantando.

-Posso te ajudar em alguma coisa? - Perguntei antes de me levantar.

-Eu esperava que sim. - disse passando por mim.

Me levantei fazendo o mesmo gesto que ele, olhei para todos a mesa que pareciam tensos com alguma coisa, menos a Charlotte que parecia a quem a situação. Ignorei os olhares, e segui o meu pai até o seu escritório. Passei pela porta aberta que e ele fechou me convidando a me sentar.

-Se for mais uma ordem de restrição a pirralha pródigo, eu não estou a fim. - falei me sentando na adeira a frente da mesa.

-Não. - negou né oferecendo um copo de Bourbon. - Na verdade, eu quero conversar sobre o inevitável.

Ele abriu a sua gaveta e retirou um grande envelope branco, escrito meu nome. Jogou na mesa, mas eu não tive a coragem de conferir, mesmo desconfiado do que se trata.

-Tive a autonomia de mandar a sua carta para a faculdade de Londres. Eu consegui uma vaga pra você. Lá é muito concorrido e ainda sim consegui um lugar...

-Calma, você escreveu para uma faculdade sem a minha permissão? - abandonei o copo e olhei o envelope com mais repulsa dessa vez.

-Marcus já havia falado com você sobre isso.

-E eu já havia encerrado o assunto. - me levantei - Eu já disse que não vou a lugar algum.

Ele se levantou e me olhou.

-E o que vai fazer? Ficar atrás da minha sombra o resto da sua vida?

Me levantei também ficando de frente a ele olhando bem em seus olhos.

-É isso que sou? Um fardo atrás da sua sombra? - ele continuou com a sobrancelha erguida. - Você nem ao menos se interessou em saber o que eu quero fazer.

-Você perdeu esse direito a anos, Ryan. Eu não estou perguntando o que você quer, estou falando que você tem dois meses para ir para Londres.

Engoli um seco e abandonei o copo na mesa. Eu sei o que ele quer, sei que o seu sonho é me tornar alguém como os seus brilhantes filhos. E se isso não for o que eu quero? Se minha ambição não tiver nada haver com uma empresas e seus capitais?

-E seu não fizer o que você quer? - eu sei que ele vai se opor.

-Você terá que viver a sua vida sem a nossa ajuda. - engoli um seco. - Estamos te dando opções, Ryan.

-Engraçado falar de opções, quando me sinto pressionado. - ele tenta chegar perto de mim. -Eu entendi o teatrinho do jantar, tudo isso era para no final me enfiar isso de goela a baixo. Tudo bem, Sr. Poderoso, você venceu.

Sai do escritório batendo a porta ardendo de raiva. Eu entendi a vinda dela aqui, foi para me tornar com um comparativo com ela. Mostrar que eu sou um merda que só dou desgosto. Caminho até a sala de jantar, todos cessam a conversa me olhando tenso como se estivesse esperando que eu berasse ou que gritasse, mas não faço. Me direcionou a única menina que parece sem saber o que está acontecendo na mesa.

-Estou caindo fora, se quiser carona, sugiro que se apresse. - falei pegando o meu celular na mesa.

Andei apressados até o meu carro, ouvindo os passos dela corrido o me alcançar. Entrei no carro batendo a porta com força. Estou com muita raiva. Raiva de me sentir pressionado, raiva por me sentir como um prisioneiro, raiva por ser comparado o tempo todo. Estou tão irado que sinto minha veia pulsar, me fazendo bater com força no volante sobre o olhar da pirralha perfeita.

-Está tudo bem? - sua voz calma e suave.

-Prefiro você quieta. - ela concorda mas continuo me olhando.

Ignoro o seu olhar e acelero para sair logo desse lugar e chegar o mais rápido possível em seu apartamento. Não quero passar muito tempo com ela, não quero mais vê todos os meus erros espelhados na perfeição dela.

-Onde você vai?

-Achei que tinha dito sem perguntas. - a olhei de soslaio.

-Na verdade você disse para que eu ficasse quieta, não foi nada referente a perguntas ou qualquer outras coisa. E você sabe que eu posso quebrar essa "regra", até por que eu não sou...

-Boate. Estou indo para a boate. - falei para encurtar a sua falação.

Ela se remexeu no banco novamente e então riu.

-Eu nunca fui a uma boate, nunca tomei um porre.

-Por que não estou surpreso? - revirei os olhos.

Ela riu novamente e depois se aproximou mais perto da minha mão que estava na marcha e a tocou. Eu olhei para sua mão ali, de maneira despretensiosa e olhei para seu rosto que olhava para além do vidro com um sorriso no rosto. Eu não movi minha mão, mas desacelerei, tentando me concentrar na pista e no seu toque na minha mão.

-Posso ir com você? - aqui está a voz suave novamente.

Demorei um tempo até entender, o que ela estava me pedindo, mas eu só conseguia me concentrar no formigamento da minha mão direita. Olhei novamente para o seu toque, e tirei a mão dançando um pouco com o carro na pista. Olhei para ela que fazia questão de me olhar nos olhos com a sua imensidão de olhos verdes, então finalmente me contextualizei no seu pedido ridículo.

-Não, claro que não. - passei a marcha e retirei a mão rápido antes que ela fizesse o que fez novamente.

Estou com medo de um toque de uma mulher? Na verdade estou mantendo a palavra que disse ao Marcus.

-O que estava fazendo que não teve tempo de fazer tudo isso? - Perguntei sentindo ausência da minha raiva anterior.

-Estudando. Ao contrário de você.

-Está me desafiando? - ela levantou a sobrancelha e sorriu.

-Não, claro que não. Estou apenas constatando.

Eu sei bem o que ela está fazendo, mas não vai funcionar. Não vou cair em seu papinho. Não sou tão persuadivel, então ignoro as suas tentativas, ignoro o formigamento na minha mão, ignoro a sua voz suave dissipando a minha raiva. Ignoro qualquer coisa que venha da pirralha.

Chego na boate, olhando as luzes e a música alta e caminho até o bar

Chego na boate, olhando as luzes e a música alta e caminho até o bar. Olho para o lado e não a vejo, procuro atrás de mim, e está ela, admirada com as coisas que para mim não tem mais graça.

-Ei!! Vem ou não vem? - ela me olhou eufórica e me acompanhou até o bar.

-ISSO AQUI É INCRÍVEL!!! - grita tentando fazer sua voz sobrepor a música alta.

Me aproximo dela, bem perto do seu ouvido.

-Não precisa gritar. - ela concorda freneticamente com a cabeça.

Sinto o cheiro do seu cabelo entrar em minhas narinas. Um cheiro bom, um cheiro doce e infantil como ela. Me afasto imediatamente indo para o bar.

-Joe! Um Bourbon para mim e uma água para ela.

Joe veio em nossa direção sem entender. Passou os olhos de mim para a garota que eu que queria ignorar a toda o custo. Moveu a sobrancelha, buscando respostas e eu balancei a cabeça negando qualquer informação, ele concorda e sai. Charlotte está olhando para gente, tentando entender o nosso código mórbido.

-Sabe que não tenho quinze anos, né? - questionou com a mão na cintura.

-Quer uma água com gás ao invés disso? - falei sarcástico.

Ela me olhou, se apoiou por cima do balcão, empinando a bunda para trás e deixando os pés longe do chão.

-Joe, me traz o mesmo que o dele.

Meu amigo me olhou de longe e eu dei de ombros. Ele concordou com um sorriso estúpido no rosto eu balancei a cabeça olhando para a garota do meu lado.

-Prove o seu ponto, mas não dê uma overdose de bebidas. - ela me olhou ignorando o que disse.

Joe voltou com os dois copos de Whisky com gelo, colocou-os no balcão na nossa frente e ela instantemente o pegou e virou de uma vez, tossindo logo em seguida, enquanto o Joe se afastava.

-Você é louca? - peguei o copo da sua mão. - Não vai tomar um porre comigo, não sou sua babá.

-Então observe e veja que eu estou certa. - tirou o jaqueta e deixou ao meu lado. - O meio não corrompe os costumes.

Concordei bebericando a minha bebida, observando ela se entregar na multidão de dançarinos da pista movimentada da boate. Ela dança de uma maneira engraçada que me faz rir, me faz vê que ela não pertence a esse lugar. Continuo olhando para pirralha perfeitinha quando vejo a morena que sempre inicia minha noite se aproximar.

-Ryan, Achei que não o veria aqui hoje. - Meu ouvido estranha a sua voz.

-Docinho, esse é o meu habitat. - ela sorri e se senta no meu colo.

Passo o meu braço em sua cintura, segurando firme a sua bunda na minha perna, ela se remexe me provocando da maneira que sempre faz. Parece tudo tão monótono, tudo que eu acharia o máximo, hoje parece igual. Me aproximo do seu cabelo cacheado preto e passo o meu nariz para sentir o cheiro do seu cabelo, mas tiro imediatamente. O cheiro é forte demais, desagradável demais.

-Você não disse que ela era gata. - ouço a voz do Joe atrás de mim.

-Não disse que não era. Disse que era uma pirralha.

Olhei para a pista e lá estava ela, contrastando com todas as outras mulheres. Chega ser inapropriado ela está aqui.

-Mas a Pirralha vale a pena.

Olhei novamente e ela estava me olhando como se pudesse jogar dardos dos olhos. Seu rosto está fechado e a luz roxa que bate em seu rosto o deixa mais transfigurado. Então ela se vira e some entre a multidão. Ergo um pouco o pescoço tentando encontrar ela dentre a multidão, mais falho.

-Ela está ali. - olhei para onde o seu dedo apontava e lá estava ela. Ela é um sangue suga.

Desviei os olhos, voltando o pescoço para trás para tentar vê o rosto do Joe que sorria sem parar, como se esperasse alguma reação minha.

-O que você está esperando? - ele riu

-Se você vai subir com a morena no seu colo. - olhei para ela que parecia entendida como o assunto. - Ou vai tirar a pirralha do sexo explícito na pista.

Voltei olhar e o homem parecia pronto para penetrá-la ali mesmo. Estreitei os olhos, me remexendo na cadeira, enquanto a garota no meu colo alisa meu cabelo e beija meu pescoço. Cruzo os braços e continuo olhando aquela dança escrota a minha frente.

-Docinho, preciso resolver uma coisa. - a empurro do meu colo e evito olhar para o idiota do Joe.

-Ela está sobre minha responsabilidade. - bebo o último gole da bebida e pego a sua jaqueta.

-É claro. - fala rindo.

Caminho até a pista, pego ela pelo braço e arrasto para fora. Sem discussão, sem nenhuma briga, apenas a tiro daquele lugar. Ela se solta das minhas mãos quando chegamos do lado de fora da boate e puxa sua jaqueta. Ela cruza os braços e me olha da mesma maneira que lá dentro da boate. Andamos até o carro e entramos em silêncio. Ninguém diz nada, até por que não havia o que dizer.

Eu não preciso de nenhuma explicação, não preciso de nenhuma satisfação. Eu não tenho interesse em saber o por que ela está chateada, não tenho interesse em saber o por que de tal atitude. Não tenho interesse de saber nada que se refere a essa garota.

-Você é um estúpido. - ela fala a poucos metros da sua casa.

-Não tenho interesse em saber o motivo. -

Viro a esquina, freio bruscamente quando ouço um barulho de gato. Sinto meu peito subir e descer e ela parece assusta.

-Você atropelou um gato? - pergunta nervosa.

-Eu não sei, Charlie. - ela abre a porta e sai do carro. Balanço a cabeça e a sigo.

Chego do lado de fora ela está de quatro no chão olhando debaixo do carro. Evito olhar direito para sua bunda, quando ela se levanta batendo as mãos que sujou.

-Parece que foi só um susto. - respiro aliviado. - Precisa prestar mais atenção.

Fala e volta para o carro. Inacreditável, o único motivo disso acontecer foi por que ela não para de falar por nenhum instante. Entro no carro novamente e ela volta assumir a postura fria. Dirijo com mais atenção até que chegamos em frente a sua casa.

-Ah, não conte comigo para provar mais nada. - ela nem me olha e continua com a mão na maçaneta. - E não pense em contar isso para ninguém.

Volto olhar para frente, ela percebe que não vou dizer mais nada, sai e bate a porta com uma força incomum.

-Filha da mãe. - olho para ela se afastando.

Charlotte é a garota perfeita. O padrão a ser seguido, a que nunca quebrar as regras, a dedicada, a amável. No momento eu já nem sei se a odeio por todos a amar, ou se a odeio por ser tão certa. Charlotte com certeza é a garota que qualquer homem "decente" gostaria de namorar, menos eu. Somos oposto me tudo. Oposto em pensamento, oposto em gostos e ela está longe do meu ideais de mulheres.

Ela é o tipo garota certa e eu sou o tipo de homem errado.

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