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Capitulo 2: Meu pecado

~Charlotte Evans

Chego no apartamento, coloco o tênis perto da porta, jogo a chave em cima da bancada e vou direto para o banheiro tomar um bom banho.

Tiro a minha roupa e ligo o chuveiro deixando a água morna cair sobre meu corpo.

Ainda estou bem chateada em a Ruby, me tratar como se eu fosse de cristal, como se eu eu fosse quebrar a qualquer impacto da vida. Ela precisa saber que eu sou forte, assim como ela. Não preciso que ela me fale com quem devo ficar afim, mesmo que a pessoa em si seja um tremendo idiota.

Talvez eu realmente precise de um conselho de alguém, por que me interessar por um cara inconsequente como o Ryan, deveria ser um crime mundial. Mas o problema é que há algo nele que me atrai profundamente, o seu jeito descontraído, óbvio que eu poderia enumerar as desvantagens de apostar nisso, mas por que não?

Estive tempo demais me dedicando aos estudos, procurando ser a melhor nas matérias, nas atividades, sempre a melhor da turma. A mais centrada, a mais equilibrada, mais "certinha", mais inteligente, a mais boba, mais romântica, mais fantasiosa... E quer saber, eu estou cansada disso. Cansada de viver uma vida sem realmente aproveitar ela, passei minha vida assim, por que devia isso a Ruby, que sempre lutou muito para conseguir me manter na faculdade, e me tornar alguém que lhe desse orgulho. Mas agora, o que isso importa? Eu deveria ter seguido os conselhos dela, deveria ter saído, deveria ter me divertido, saído com alguns cara, mais me parecia tão injusto, tão errado mediante ao esforço que ela fazia por mim. Mas agora, isso não importa. Não quando estou a um passo de pegar o meu canudo, jogar o chapéu para cima e receber meu certificado, junto com ele minha liberdade.

Deve ser por isso que estou tão encantada pelo errado. Fiquei tanto tempo da minha vida idealizando um príncipe encantado, um homem perfeito, que a primeira coisa que me leva a distância dessa idéia chegou, eu me encantei.

Ele é como a parte errada de mim, como a parte para me distanciar da ingênua e "certinha" Charlotte. Eu quero conhecer o mundo, quero conhecer as luxúrias que a vida tem a me oferecer, quero aproveitar, quero poder beber sem me preocupar com a culpa de fazer isso com a Ruby, quero simplesmente viver o que eu nunca vivi.

Há algo errado em querer cometer um pecado? Por que ele é o pecado perfeito.

Pego o meu cabelo olhando as mechas rosas, e me lembro que pra ele eu não passo de uma criança. A idéia na minha cabeça é perfeita, mas o problema é execução, ele me vê como uma criança que tem uma paixonite por ele e digamos que a Ruby não tenha ajudando em nada quando deu aquela sequências de ordens de distância e para piorar a sua mãe me vê apenas como uma menina que poderia ser sua filha, o que eu acho uma loucura quando eu quero muito ter algo a mais com o seu filho, e digamos que incesto não é o meu perfil.

Desligo o chuveiro, me enrolo na toalha, colocando outra em meu cabelo para deixar ele secar. Me sento na cama e abro a minha mala para pegar a roupa de dormir, e dou uma boa olhada nas minhas roupas.

-Meu Deus, eu me visto como uma menina de quinze anos. - tiro um shortinho jeans com alguns detalhes rosa. -Preciso comprar roupas.

Deixei novamente o short na mala, peguei minha roupa de dormir azul com pequenas florzinhas também azul, visto me negando acreditar que precisei vir a Nova York para perceber o quão infantil ainda sou. O que estou com quinze anos? Nem pareço uma universitária, quase formada preste a completar vinte anos.

-Charlotte, Charlotte... Precisa crescer.

Vesti a última peça, fechei a mala empurrei para longe da cama e me joguei na mesma, me deixando vencer pelo cansaço da viagem.

"O lugar está frio e sombrio. O lugar está completamente vazio exceto pelo enorme caixão de madeira a alguns passo a minha frente. O lugar se parece como uma igreja e ao analisar as minhas roupas, parece um lugar muito anos atrás. Talvez na era medieval. O caixão ainda está aberto o que me faz querer chegar mais próximo para saber quem é a pessoa que está sendo velada.

O caminho até o caixão parece um tormento, se torna longo exaustivo, mas quando estou a um passo do meu objeto de curiosidade, sinto uma mão no meu ombro me trazendo uma paz incompreensível.

-Charlie, meu amor. Vamos? - a sua voz é suave como uma sinfonia em completa harmonia.

Me viro e dou de cara com o par de olhos amêndoas que eu tanto gosto. Ele está sorrindo. Retribuo o sorriso e faço um comprimento que se torna difícil com um vestido cheio de naguas.

-Claro, meu amor. - lanço um último olhar ao caixão sem conseguir vê quem é a pessoa.

Dou uma olhada para o homem à minha frente e ele também está a caráter. Segura a minha mão e me arrasta para longe do lugar frio. Ao sair parece que estamos em algum tipo de campo de flores, não parece estranho, sinto com se já estivesse aqui várias vezes.

-Você está bem? - sua voz me traz a ele de novo.

-Sim. - falo convicta. - Onde estamos?

-Não se preocupe com isso, criança. - sua mão entrelaçou os meus dedos e sua boca se aproximou a minha testa. - Tudo vai ficar bem.

Sem mais nem menos minha mente voltou a pensar no caixão, e como teletransporte fui arrastada novamente para o lugar vazio e frio, mas dessa vez eu corri feito louca até o caixão e meus olhos se encheram quando vi a passo deitada lá dentro.

Minha mãe"

Levanto meu corpo rápido, com o coração a mil, sentindo minha respiração ficar bastante pesada. Olhei para os lados e ainda estava no apartamento. Essa é a primeira vez depois da sua morte que eu tenho um sonho como esse. Eu sinto muito a sua perda, a forma que ela se foi, eu ainda não tive tempo para processar tudo, viver meu luto, eu só continuei vivendo. Era isso que ela queria que eu fizesse. É isso que eu fiz, não parei para que a dor me consumisse, eu não posso deixar que isso aconteça.

Mas outro ponto é o fato de eu estar sonhando com alguém que eu conheço a um dia. E digamos que ele estava bem diferente do que ele realmente é.

Olho pela janela e vejo que o dia já amanheceu, o sonho durou mais do que parecia.

Espanto esse sonho da cabeça, me levanto para tomar um bom e forte café. Vou até a cozinha, coloco a cafeteira para funcionar e escuto o meu celular tocando. Volto para o quarto e vejo o nome da minha amiga de faculdade em uma chamada de vídeo.

-Bom dia... Não acredito que ainda está usando essa roupa para dormir!!! - sua voz está agitada.

-Você acordada tão cedo? Caiu da cama? - ignorei as suas críticas a minha vestimenta.

-Não, na verdade ainda não dormi. - olhei para a câmera e ela realmente parece acabada. - Qual é? Estamos na reta final disso aqui, não me julgue.

-Não estou te julgando. - voltei para a cozinha. -Na verdade, estou pensando que eu deveria mesmo ter ido a essas festas com você.

-Ok, o que aconteceu com você? - ela segurou o celular mais próximo como quisesse me ver melhor. - Me fala por que todos os meus esforços se tornaram úteis, e um dia aí mudou sua cabeça?

-Digamos que eu conheci alguém, que despertou o meu interesse em descobrir o meu lado sombrio.

-Ei, para! O que não está me contando?

Respirei, me sentei na cadeira e deixei minha mente vagar entre o personagem carinhoso do meu sonho e o Ryan inconsequente e idiota da vida real.

-Digamos que tem a ver com um certo irmão mais novo, do meu cunhado.

-Nomes. - ela se jogou na cama. - Não me deixe sem informação, Evans.

-Ryan Carter. Na verdade a família dele é bem famosa por aqui, levando em conta que as únicas notícias que saem no jornal da nossa pequena cidade é de coisas que andam sobre quatro patas.

-Ryan Carter... - ela deixou o celular em algum lugar, e tudo que eu vejo é o teto branco do seu quarto. -Irei pesquisar... Hum... Hum...

Bufei me levantando para ir a cafeteira encher uma boca xícara de café para me situar no dia. Me sento novamente e ela ainda está na sua busca. O que me deixa intrigada é o fato de que eu mesma nunca pensei em pesquisar por ele, claro que já tinha o visto em algumas fotos que vi quando pesquisei sobre meu cunhadinho, mas nada que se compare ao que ele realmente é pessoalmente.

-Ok, me diga por favor que você já o beijou? Por que merda, você já olhou bem para essa boca? - seu rosto voltou a tela.

-Sim eu olhei e olhei bem o jeito que ela se move quando fala...

-Porém, ele é digamos que longe do que você sempre sonhou. Você sabe, cavalo branco, armadura e tudo mais.

-Exatamente, Jessie. Eu acho que passou da hora de aproveitar um pouco a vida. Se for um erro, o que pode acontecer de tão ruim?

-Terá um coração destroçado. Por que ele não é bem do tipo que se apaixona... - posso ouvir o barulho da tecla do seu computador. -E você é bem o tipo que se apaixona.

-Eu sei e exatamente por isso. - me levantei deixando a xícara na mesa. - Eu to cansada de ser a bobinha eu quero viver, quero experimentar o mundo. E quer saber, muitas pessoas se envolverem sem nunca se apaixonar, olha só pra você? Você faz isso a anos.

-Sim, é por isso que eu estou falando, eu faço isso a um bom tempo, mas eu tive um coração destroçado para chegar até aqui e eu sei que em breve isso vai acabar, mas eu tô pronta pra isso... Mas você Charlie, é só....

-Uma garotinha ingênua, é eu sei!! - olhei para a tela olhando bem nos seus olhos. - Você pode deixar o seu lado nerd ir embora e deixar que a Jessie pervertida e sexualmente ativa me dê o conselho dessa vez? - fiz minha cara de cachorro pidão.

Eu sei o que eu quero fazer, sei os riscos disso, mas não quero fazer isso sem que alguém me encoraje. Há uma infinidade de coisas para serem vividas lá fora e eu só preciso de um empurrão para atravessar a porta, que eu já decidi atravessar.

-Tudo bem, tudo bem... - deu um longo suspiro. - Senta com tudo nele. O cara é um gato.

-Jessie!!!!

-O que? Se é pra ter um coração destroçado no final, que pelo menos o pau dele compense.

-Eu já disse que você é a Nerd mais pervertida que eu conheço?

-É o meu orgulho. - deu de ombros. - Agora se quer mesmo isso, precisa se livrar desse pijama e de toda a merda de roupa que você levou pra aí.

-É eu sei... - minha amiga parecia bem mais eufórica agora. - Operação conquista ativado.

-Operação conquista? - revirou os olhos. -É você vai precisar da minha ajuda.

-Com certeza, acha por que eu suportei toda as suas histórias pornográficas durante todos esses anos atoa? Você precisa me compensar de alguma forma.

-Eu espero que tenha aprendido alguma coisa. - balança a cabeça em negação.

-Eu aprendi. Agora eu preciso ir. - pego a mecha rosa do meu cabelo. - Está na hora disso sumir.

Ela sorrir, mas sei que no fundo ela está com medo do que eu estou fazendo, mas também sabe que eu vou até o fim nas minha ideias, e qualquer comentário se tornará inútil.

-Eu sei que era pra Jessie pervertida está falando e tudo mais, mas a Jessie sua amiga sugere que você vá com calma. Eu sei a sua euforia em começar algo novo, e sabe quanto tempo eu quis isso, mas... Se em algum momento você achar que está indo por um caminho que não haverá volta, saiba que esse é o momento de cair fora. - ela parece séria e bastante preocupada. - E sobre o cabelo, estava na hora mesmo.

-Obrigada. - sorrio. - Amo você.

-Eu também.

Ela finaliza a chamada e eu deixo o celular no sofá. Me encosto no braço do mesmo e reflito sobre o que ela disse.

"Se achar que está indo para um caminho que não haverá volta, saiba que esse é o momento de cair fora"

Eu posso fazer isso. Posso me manter segura. Posso passar por essa experiência sem me machucar... Ou eu posso simplesmente fazê-lo se apaixonar por mim.

Eu posso encontrar o caminho até o seu coração, posso fazer o que nenhuma mulher já fez, sei que posso reverter a situação.

Afinal... O que há de tão difícil em conquistar o coração de Ryan Carter?

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