Capítulo 4 - O casamento de Renato
ALGUNS MESES DEPOIS, a minha mãe voltou a sentir os problemas ósseos que a haviam acometido há algum tempo, e bastante debilitada pelo tratamento, ela fechou as portas totalmente para o sexo com meu pai, o que fez o velho ligar o “modo predador” outra vez.
As descidas ao litoral agora eram quase toda semana e num daqueles sábados, ele levou os filhos mais velhos com ele enquanto eu fiquei em casa cuidando de mamãe. Era a primeira vez que a Elisa ia com eles para a casa de veraneio e a garota voltou muito empolgada de lá. Na primeira oportunidade que teve, me chamou de canto e me contou o que tinha acontecido.
— Tinham umas garotas de programa que o papai contratou. Elas estavam “cheiradaças” usando cocaína. Muito loucas, sabe? Até eu experimentei um pouco!
— Você usou drogas? — Perguntei na época, assustada.
— Claro! Todo mundo usou. Até o papai. Você precisava ver. Ele é um touro! Todo duro, forte. O velho ainda dá no couro!
A minha mente procurava reproduzir o que ela dizia e fiquei abismada.
— O papai disse que faz essas festinhas desde os anos 70. Antes, ele ia com os irmãos e as irmãs dele, depois, com os sobrinhos e primos. A reunião na casa de praia é como uma libertação das amarras da sociedade, lá, laços de sangue são meros detalhes que não devem servir de empecilho para relações parentais. Ele tava muito feliz que eu tinha ido a primeira vez e quer que eu volte ano que vem. Disse também que quer você lá na próxima, maninha! Não é o máximo?
Eu senti um misto de euforia e medo com aquela conversa e depois daquela visita de Elisa à tal reunião anual dos Castilho, as coisas começaram a ficar mais malucas dentro de casa.
Algum tempo depois, o Renato tinha apresentado à família a moça com quem ele havia noivado há algum tempo e mesmo comprometido, ele não parou de fazer sexo com Elisa em seu quarto à noite. Ele estava prestes a se formar na faculdade de Gestão Financeira que cursava para seguir os passos de Jaime na construtora e não demorou a anunciar também a gravidez da noiva Vânia.
— Eu vou ser pai! PAI!
Meu irmão fez aquele anúncio todo feliz acompanhado da Vânia e o casamento dos dois teve que ser feito às pressas por conta da barriga da moça que crescia agora a olhos vistos.
Os Castilho eram uma família tradicional para a sociedade burguesa da qual fazíamos parte, e na época, não pegava bem uma mulher subir ao altar já grávida do futuro marido.
Papai comprou um terreno muito bem localizado no bairro de Campo Belo, e pouco depois, uma equipe especial da Construtora Castilho iniciou a construção da casa que o velho daria de presente ao primogênito para que ele morasse com a família que estava formando.
— Quero que você tenha tudo que sempre sonhou, meu filho — disse o patriarca na ocasião, todo orgulhoso durante a festa de casamento de Renato.
Todos estavam muito felizes e emocionados na cerimônia e até a mamãe parecia radiante, apesar dos problemas de saúde. Mauro tinha organizado uma festa de despedida de solteiro ao irmão no dia anterior e ainda estava levemente alcoolizado na hora do casamento.
Alguns tios e tias que moravam no Espírito Santo tinham vindo celebrar com a nossa família e revi parentes que há muito tempo não via, bem como conheci outros da qual nunca tinha ouvido falar. Haviam Castilhos espalhados por todo o Brasil — e até fora dele —, por isso, não me espantava que ainda não conhecesse todos.
Uma aura de felicidade exalava dos meus parentes naquele dia, exceto de Elisa. Ela tinha ficado extremamente enciumada com o casamento de Renato e deixava transparecer isso ficando com cara emburrada pelos cantos da comemoração.
A festa de casamento de Renato rolou até muito tarde aquele dia e eu voltei no carro com Mauro, que àquela altura, estava completamente bêbado. Ele havia organizado a tradicional cerimônia da gravata do noivo, e depois disso, não parou mais de beber. Segundo ele, papai não tinha gastado a fortuna que gastou em buffet para ver bebida sobrar. Festejando com seus amigos de faculdade e os colegas de Renato, ele foi até o limite e chegou a ficar delirante ao meu lado no banco traseiro do carro.
— É festa, irmãzinha. Vamos comemorar! — Disse ele com voz pastosa enquanto o motorista já embocava com o carro na garagem.
— A festa já acabou, Mau — respondi a ele, sentindo o seu hálito que era um verdadeiro coquetel de várias bebidas diferentes — Nós já chegamos em casa!
O motorista me ajudou a carregar Mauro para dentro da sala e eu o apoiei escada acima com o peso de seu corpo robusto quase me derrubando pelos degraus. Eu tinha largado meus sapatos de salto no tapete e tinha subido um pouco a saia do vestido longo que usava para aumentar a minha mobilidade. Cheguei exausta no corredor dos quartos e foi outra jornada até conduzi-lo ao banheiro da sua suíte.
— Você precisa de um banho gelado, mano. Só assim vai curar essa bebedeira.
Tentei colocá-lo sob o chuveiro sem me molhar também, mas foi impossível. Mauro estava pegajoso e ficou me segurando e me puxando enquanto eu tentava molhar a sua cabeça na água fria.
— Toma banho comigo, irmãzinha. Faz tempo que não tomamos banho juntinhos!
O seu riso frouxo estava me irritando, mas mesmo completamente molhada, continuei a cuidar dele. Aproveitei para tirar a sua camisa e a sua calça e o deixei só de cueca. Sua mão boba descia por minhas costas enquanto ele se apoiava em mim e alcançou a minha bunda. Eu era bem magra na época e ainda estava ganhando minhas sinuosidades. Ele apalpou o que conseguiu ali atrás e eu o adverti:
— Não precisa se aproveitar de mim só porque está bêbado, Mau!
— Essa bundinha tá ficando carnuda, Carlinha! Uou!
Sua mão deslizou por baixo do meu vestido e senti os seus dedos apertando as minhas nádegas com força. Aquilo estava diferente de quando brincávamos juntos na piscina de casa. Não era brincadeira. Ele estava me tocando com desejo e eu me arrepiei. Sabia que não era só pelo efeito da água fria caindo em minha pele.
— Mau, é melhor tirar a mão agora.
— Mas tá tão gostosa! Tenho mesmo que tirar?
Eu o forcei, e então, ele parou de me apalpar até que eu concluísse o banho. Peguei uma toalha e passei a enxugá-lo, foi quando notei o seu membro intumescido dentro da cueca. Parecia tão grande quanto o de Renato. Voltei a me arrepiar.
Mauro já estava suficientemente lúcido após o banho para caminhar com as próprias pernas até a sua cama e eu o segui de perto. Deixei um rastro molhado por onde passei e enquanto ele se deitava, afundando feito uma pedra no colchão, eu me despi do vestido ensopado começando a me enxugar também. Fui até o armário dele e apanhei um de seus roupões, o vestindo em seguida. Tirei a minha calcinha por baixo e a apertei molhada em minha mão. Já estava saindo de fininho certa de que ele cairia no sono em breve, quando ouvi a sua voz abafada pelo lençol.
— Dorme comigo hoje, Carlinha.
Eu parei perto da porta e me voltei para ele.
— Dorme logo. Mais tarde venho te trazer um remédio para a ressaca que com certeza você vai ter!
— Se dormir comigo não vai precisar voltar depois. Já vai estar comigo.
A voz continuava abafada. Ele estava deitado de bruços largado em cima da cama.
— A minha mãe e o nosso pai vão chegar logo. Para de fogo.
Eu me detive por um segundo e falei a mim mesma que não teria forças para resistir se ele me chamasse para dormir com ele mais uma vez. Por alguma razão, eu tinha ficado excitada com os nossos contatos embaixo d’água e embora aqueles fossem os carinhos quase a esmo de um bêbado, eu tinha gostado daquilo e queria que ele repetisse.
Ouvi um ronco logo em seguida, e o terceiro chamado não veio. Voltei para o meu quarto levemente frustrada.
