Biblioteca
Português
Capítulos
Configurações

A Primeira Queda

Amy engoliu em seco.

Ali, tão perto dele, era impossível negar: Oliver Santiago era a personificação viva do pecado. O Diabo, se andasse entre os homens, usaria exatamente aquele rosto. Cabelos negros como a noite, olhos azuis cortantes como lâminas de gelo, rosto másculo com linhas definidas que pareciam esculpidas em pedra. Era impossível não notar sua beleza... impossível não sentir a pressão magnética que emanava dele.

E foi naquele instante, com o coração apertado e a fé cambaleante, que Amy se pegou pensando, com um misto de ironia e desespero:

“Mas é claro que o Diabo é bonito. Afinal, ele foi um anjo, criado pelas mãos do próprio Senhor.”

“Olha aqui, freira do caralho...”, rosnou Oliver por entre os dentes, os olhos faiscando ódio e impaciência. “Se não tirar esse vestido agora, eu vou tirar pra você. Com as minhas próprias mãos.”

Amy estremeceu. Ela sabia que ele falava sério. Não havia provocação nos olhos dele. Não era uma ameaça vazia, era uma promessa. Aquele homem não conhecia limites, e muito menos compaixão.

Respirou fundo.

Sua vida nunca fora fácil. Desde criança, aprendeu a sobreviver com o que lhe era dado — que nunca era muito. Cresceu à margem da família Carson, escondida como um erro que não podia ser exposto. O colégio de freiras havia sido um exílio, sim, mas também um refúgio. Ali ela encontrou silêncio, oração, e o mínimo de dignidade que podia construir com as próprias mãos.

E agora, naquele salão depravado, diante de olhos famintos por humilhação, ela se recusava a entregar tudo de bandeja.

Se iria ser quebrada, que não fosse de forma fácil.

Com os dedos tremendo, Amy levou as mãos ao lenço que cobria seus cabelos. Com cuidado, desamarrou o pano e deixou que as ondas douradas e naturais descessem pelos ombros até a metade das costas. Um sussurro atravessou o salão quando os cabelos loiros ficaram à mostra. Parecia errado, quase blasfemo, ver tanta beleza natural em alguém que tentava se esconder sob a pele da fé.

Ela não olhou para ninguém.

Seus olhos verdes continuaram focados no chão, como se a terra pudesse tragá-la e levá-la para longe dali. Suas mãos buscaram os primeiros botões do vestido preto, e lentamente começaram a desfazê-los.

Oliver a observava com desdém, o corpo relaxado, mas os olhos atentos. Por fora, parecia desinteressado, entediado com o esforço da pequena freira. Por dentro, no entanto, havia um fogo rasteiro crescendo. Ele queria ver. Queria saber que tipo de corpo se escondia por baixo daquele traje casto.

Cada botão que se abria era como uma punição. O ar parecia pesar, e Amy tinha que se forçar a manter o controle da respiração. O vestido, finalmente, deslizou por seus ombros e caiu no chão com um sussurro de pano velho.

Por um instante, o salão ficou em silêncio.

Oliver arqueou uma sobrancelha.

Não foi pelo corpo dela — que era surpreendente. Curvas delicadas, cintura fina, seios arredondados, pele clara e sem marcas. O corpo de Amy era o de uma mulher, não de uma menina. Um corpo que não tinha sido moldado para desejo, mas que carregava uma beleza natural, sem artifícios.

O problema eram as roupas íntimas.

Oliver soltou uma risada seca, sarcástica.

“Puta merda”, murmurou.

A calcinha branca cobria toda a bunda de Amy como se fosse um modelo da época da bisavó dele. O sutiã era de tecido grosso, sem nenhum traço de renda ou seda. Totalmente utilitário. Casto. Sem charme. Sem convite.

As roupas íntimas pareciam zombar dele, como se dissessem: Aqui não há prazer para você, El Diabo. Aqui não há luxúria.

Com um gesto preguiçoso, Oliver apontou para uma mulher ruiva sentada no colo de um empresário gordo que jogava pôquer com notas de mil dólares espalhadas na mesa.

“Você”, disse ele, “dá o seu vestido pra ela.”

A mulher levantou-se imediatamente, sem qualquer constrangimento. Com movimentos lentos e sensuais, tirou o vestido vermelho curtíssimo, ficando apenas com um fio dental preto e um sutiã de renda que mal cobria os mamilos. Ela caminhou até Amy, que recuou um passo, vermelha de vergonha, os braços cruzados sobre o peito em uma tentativa vã de se esconder.

“Me desculpe por pegar seu vestido...”, murmurou Amy.

A ruiva sorriu.

“Tudo isso é do Oliver, querida. Eu só uso o que ele deixa. E tiro quando ele manda.” Piscou para ela e, com a mesma naturalidade, voltou a sentar-se no colo do empresário, que pareceu ainda mais animado com a falta de roupa.

Amy, sem olhar para Oliver, vestiu o vestido. Era curto. Muito curto. O tecido mal cobria suas coxas. O decote era fundo, mostrando mais dos seios do que ela jamais havia mostrado a alguém. Mesmo coberta, sentia-se nua.

Oliver se deliciava com cada segundo.

“Qual o seu nome, pequena freira?” A voz dele veio baixa, quase gentil, mas carregada de ironia.

“Amy”, ela respondeu, com a cabeça baixa.

Oliver repetiu:

“Amy.” O som do nome dela em sua voz rouca foi como uma descarga elétrica. Amy sentiu o estômago afundar, os joelhos amolecerem.

Era humilhante.

E inexplicavelmente excitante também — embora ela se recusasse a admitir isso para si mesma.

Oliver se levantou. Seu terno escuro moldava o corpo alto e atlético com perfeição. Cada passo dele era como o de um predador que sabe exatamente o poder que tem.

Virou-se para um dos seguranças.

“Leve Amy para minha casa.”

Depois, voltou-se para ela, os olhos cravados nos dela.

“Você gosta de rezar, não é mesmo?”

Amy não respondeu.

“Ótimo. Vai rezar pra valer agora. Me espere ajoelhada no meio da sala. Não sente, não deite, não se mexa. Se levantar ou dormir, eu vou saber. E você vai se arrepender de ter nascido.”

Ela apenas assentiu com a cabeça.

Oliver franziu a testa.

“O gato comeu sua língua, santa?”

Amy respirou fundo. Seus olhos, finalmente, subiram e encontraram os dele.

“Sim, senhor.”

Foi a única coisa que conseguiu dizer. Mas naquele instante, os olhos dos dois se encontraram de verdade. O dele, frios, impiedosos, carregando a raiva acumulada de anos, a dor da irmã destruída por um Carson. Os dela, humilhados, mas firmes. Não havia submissão em Amy — havia obediência. Mas também havia dignidade.

E Oliver sentiu algo se contorcer em seu peito. Por um segundo. Um mísero segundo.

Ele ignorou.

Virou-se sem dizer mais nada.

Amy foi escoltada para fora, ainda de vestido curto, sentindo todos os olhares masculinos cravados em seu corpo. Mas ela manteve a cabeça erguida. Mesmo que tremesse por dentro.

Na limusine, olhava para as próprias mãos e repetia em silêncio: Um ano. Apenas um ano. Um ano e eu desapareço para sempre.

Mas mesmo ela sabia, em algum canto da alma, que Oliver Santiago não era o tipo de homem que deixava alguém ir embora ileso.

Baixe o aplicativo agora para receber a recompensa
Digitalize o código QR para baixar o aplicativo Hinovel.