Capítulo 4
P.O.V BBoy
Eu e a Júlia meio que brigamos, agora ela tá bebendo feito louca. Subi para uma laje que ficava no segundo andar de uma casa na esquina, que dava a visão das quatro ruas do baile e para a quadra. Milla veio pra cá, contra a vontade dela, já que ela queria falar com a outra lá, mas Cato arrastou ela pra cá. Eu tô no parapeito, olhando a multidão, ao som do MC Pedrinho.
Mentira, tô olhando para uma certa bêbada que acabou de entrar na pista de dança, ela desce até o chão, sobe, joga o cabelo de um lado para o outro ficando muito mais sexy. Apesar de não ser tão boa dançando igual as outras da favela, aquele vestido que não me ajudava muito a manter minha sanidade mental. Ela faz quadradinho de quatro, dançando com outras minas. Bafora, ri, bebe mais.
Já são 4:30 da manhã, me virei pra pegar uma bebida, pra não ir agarrar aquela garota na frente de todo mundo e quando voltei a olhar pra ela, tem um babaca beijando ela, como é que é?
Desci da laje com a raiva corroendo o meu corpo, saí trombando todo mundo. Cheguei até eles e puxei o cara com tudo, depois afastei meu punho e acertei um soco em seu nariz, o fazendo cair. O pessoal em volta parou pra prestar atenção. Olhei para Júlia que apenas olhava o menino assustada.
-O que aconteceu, Guilherme?! Tá chapando parça? -Perguntou Cato pra mim meio assustado olhando em volta, eu não sabia o que tinha dado em mim.
-Amiga? Ju? -Milla se aproximou da Júlia que olhou pra ela piscando.
-VAMO CONTINUAR O BAILE! -Gritei e todos comemoraram, tão bêbados e drogados de mais pra saber o que está acontecendo.
-Ela tá muito doida. -Milla falou e me aproximei delas, mas Milla estendeu a mão pra me impedir.
-Sai da minha frente. -Falei pausadamente mas ela não se mexeu, Cato tirou ela de lá, cheguei perto da Ju e coloquei minhas mãos no rosto dela, segurando o mesmo pra ela me olhar. -Júlia... Você já baforou antes? -Falei dando tapinhas no rosto dela. -Fala comigo. -Ela não falava nada, só ficava me olhando.
-E-ele... Pensei que era... -Ela não falava coisa com coisa. -Por que ele tá sangrando? -Ela perguntou quando levantaram o menino e o supercilio dele estava aberto e sangrando
-Foi preciso. -Falei e ela me olhou.
-Vo-você bateu nele? -Ela perguntou confusa.
-Sim. -Falei normal e ela me olhou aterrorizada.
-Por-por quê? -Perguntou ela com lágrimas nos olhos e me empurrando com força.
-Porque ele tava te agarrando. -Falei e ela começou a chorar.
-Você bateu nele por minha culpa? -Ela perguntou chorando e estava me segurando pra não rir.
-Shhhhh. -Falei e puxei ela pra fora do baile. -Não foi sua culpa, eu bati nele, mas ele já tinha aprontado antes, então só usei de desculpa pra fazer o que eu sempre quis, tá bom? -Perguntei acalmando ela, isso é a brisa da droga.
-Você é muito lindo sabia? -Perguntou ela parando de chorar, viu, ela tá muito bêbada.
-Cala a boca que você tá bêbada de mais. -Falei rindo e ela passou a mão no meu rosto.
-É muito lindo sim, você parece um Deus grego. -Ela falou me olhando.
-Amiga! -Milla falou vindo abraçar a amiga.
-Oi gata. -Ju respondeu e eu ri.
-Ela tá muito bêbada, onde é a casa dela? Levo ela lá. -Falei e Milla me olhou.
-Nem fodendo. -Ela falou rude. -Eu vou levar ela. -Milla falou e vi Cato ficar meio triste. -A gente tem que voltar pra casa.
-Ainda vamos nos ver? -Perguntou o Cato e o olhei confuso.
-Eu não... Não sei. -Falou ela e deu um sorrisinho forçado. -Tchau, meninos. -Falou e desceu com a amiga dela.
-Cara... Manda eles barrarem elas. -Falou Cato e eu ri.
-Já tá xonado na mina? -Perguntei rindo, ele riu irônico.
-Pelo menos não soquei um cara porque eles estavam se beijando. -Ele falou e eu parei de rir o olhando feio. -Manda logo o radinho. -Falou ele e revirei os olhos.
-Faísca, não deixa as patricinha sai. -Falei pelo radinho.
-Ih Patrão, elas acabaram de sair. -Respondeu faísca e bufei. Mas lembrei do papelzinho.
-Amanhã de manhã, te quero no meu escritório, bem de manhã, antes do postinho abrir. -Falei e desliguei o radinho. -Vamos dormir cara, temos muito o que fazer amanhã. -Falei pro Cato e ele assentiu.
Subimos, cada um foi pra sua casa, mentira, o Cato foi pra minha casa, me enchendo o saco, falando que eu soquei o cara por ciúmes, vê se pode? Eu? Guilherme Sampaio dono do Morro do Alemão, com ciúmes de uma patricinha do asfalto? Hahahahahaha isso que a droga faz com uma pessoa. Mas eu senti mesmo alguma coisa diferente quando vi ele beijano ela, não foi ciúmes, foi inveja, porque ele tava beijando ela, mas eu não... Mas não soquei ele por isso, Soquei porque ele devia um dinheiro pra mim e tava no baile luxando, então foi por... Por raiva! Isso, ninguém mandou ela me responder também, então não ia deixar ela se divertir com ninguém.
-GABRIEL! NÃO SOQUEI O CARA POR CIÚMES! SOQUEI POR RAIVA! NINGUÉM MANDOU AQUELA PATRICINHA ME RESPONDER! NÃO IA DEIXAR ELA SE DIVERTIR E ELE TAMÉM MERECIA. -Gritei já irritado.
-Uhum, sei, não minta pra si mesmo, está escrito na sua cara que você tá com ciúmes dela, seu demente, essa sua desculpa é pior do que aquela que você deu quando quebrou o abajur da mamãe. -Ele falou e joguei as mãos pro alto me rendendo.
-Vai se foder. -Falei e subi as escadas ignorando ele.
Não é ciúmes, não mesmo, nem ligo pra ela, se ela tá bem, se ela chegou bem em casa, se ela passou mal, se a Milla tá cuidando bem dela, se ela tem namorado... Meu Deus, e se ela tiver namorado? Okay, ela beijou o otário lá, mas ela tava bêbada e drogada, e se ela tiver namorado? Por que eu tô me preocupando com isso?! Não é da minha conta mesmo.
Tirei a roupa, ficando só de cueca, coloquei minha pistola do lado da cama, peguei um saquinho de pó e cheirei, depois fumei um baseado e cai na cama chapadão pensando naquela loira.
[...]
P.O.V Ju
Acordei com a maior dor de cabeça do mundo no sábado, Mila me contou o que aconteceu e juro que não entendi nada. Mas deixei um pouco de lado, ela falou que queria se divertir o que não nos divertimos sexta então passamos o dia na praia e de noite fomos em um luau. Bebemos e dançamos, muito melhor do que sexta. Fiquei com um carinha muito lindo, um pretão charmoso de mais.
Abri meus olhos e já via o quarto todo iluminado pelo sol
-Milla? -Chamei ela. -Milla, que horas são? -Perguntei coçando os olhos e ela pegou o celular.
-6:48. -Ela respondeu com sono.
-Merda! Tenho que estar no postinho 7:30. -Falei me levantando correndo.
Tomei duas pílulas de remédio pra dor de cabeça, ontem foi ótimo, bebida das 18:00 as 1:00, fui pro banho, tomei um banho rápido, saí, me sequei e fiz minhas higienes, fiz uma maquiagem rápida e básica, fui pro quarto, coloquei uma lingerie branca, uma calça legging preta, uma camiseta branca, um tênis da nike branco, peguei uma bolsa pequena de lado, coloquei remédio pra dor de cabeça, meu celular, meu carregador, já que esqueci de colocar pra carregar ontem, as chaves da minha casa, as chaves do carro, as chaves do meu consultório e um gloss.
-Amiga, eu tô indo pro postinho, qualquer coisa me liga ou aparece lá, até depois. -Falei e me despedi da Milla, sai de casa e tranquei a mesma, tem uma chave pra ela.
Entrei no meu carro e fui em direção ao morro do Alemão, puts! Esqueci o endereço, mas com certeza eles sabem como chegar.
P.O.V Narrador
Depois do baile de sexta, o BBoy e o Cato passaram todo o tempo pensando nas patricinhas. Na manhã do sábado, BBoy acordou, se arrumou e foi para o escritório a onde Faísca já esperava o patrão.
-Então chefe, manda a bomba. -Falou Faísca.
-Lembra da patricinha de sábado? A loira? -Perguntou BBoy e Faísca logo se lembrou.
-Sim, tem como não se lembrar? A mina era mó gostosa. -Faísca falou provocando raiva no Patrão.
-Soquei a cara do mano que tava beijando ela, emfim, ela vem trabalhar no postinho, quero que arrumem tudo, não quero marmanjo perto dela, porém, quando ela vier, quero que me avisem -Falou BBoy e Faísca não entendeu porque tudo isso só por uma simples patricinha de asfalto, mas preferiu não perguntar.
-Pode deixar, patrão, avisar, nada de marmanjos, sala limpa. Saquei. -Faísca falou deixando BBoy feliz.
-Muito bem, agora vai que não sei quando ela começa. -E assim Faísca saiu e BBoy ficou só pensando porque estava fazendo tudo isso por uma patricinha do asfalto. Ela não apareceu naquele dia, ele foi pro baile sábado com Cato, torcendo encontrar ela ou Camilla, mas nada das duas, então no Domingo, ele acordou meio desanimado, mas acordou com um vapor dando um radinho pra ele.
Júlia chegou no morro naquele domingo as 7:50, deixou o carro na frente do morro mesmo, foi em direção aos homens armados, que não deixaram ela passar, como Faísca só cobre o turno da tarde/noite ele não tava lá.
-Me deixa passar, tenho que trabalhar. -Falou Júlia já irritada.
-Não caralho, dá meia volta, você não quer nada aqui, é só uma patricinha do asfalto. -Falou um dos caras armados.
-Pode me deixar passar logo? Acha que vou fazer alguma coisa de mal? Eu só quero ir trabalhar, tenho pacientes agora. -Falou Júlia cada vez mais irritada por estarem barrando ela.
-Mano liga por BBoy, fala pra ele que tem uma patricinha do asfalto aqui que quer entrar. -Falou o outro cara armado, Júlia revirou os olhos por estar sempre sendo chamada de "patricinha do asfalto" novamente.
Do outro lado do morro, no escritório do BBoy, o radinho dele toca, atrapalhando a linha de pensamento de porque ele estar fazendo tudo isso.
-Que é. -BBoy já atendeu irritado.
-Desculpa acordar BBoy, mas tem uma patricinha do asfalto... -O cara foi interrompido.
-QUE SACO! MEU NOME É JÚLIA! NÃO PATRICINHA DO ASFALTO! E EU ESTOU AQUI PARA TRABALHAR! -Gritou Júlia fazendo BBoy rir do outro lado.
-Oush mina, tá querendo levar pipoco? -Perguntou o que estava com o radinho na mão, o sorriso do BBoy se foi quando ele ouviu essa ameaça.
-Deixa ela passar, e manda trazer ela aqui, se ela sofrer um arranhão, eu juro que mato vocês. -Falou BBoy com raiva.
-Garrido, acompanha a Patri... A Júlia até a boca. -Falou o cara com radinho.
-Pode deixar. -Falou Garrido e ele esperou ela para começar a subir o morro.
-Moço, tenho que ir pro postinho, já deu a minha hora. -Falou Júlia.
-Foi mal ae patroa, mas tenho que obedecer o chefe. -Respondeu ele.
-Olha, vamos fazer um acordo, você me leva pro postinho e depois eu falo com o BBoy. -Falou Júlia parando de andar.
-Vai dá não, patroa, tu tem que tá no escritório do Patrão, não quero perder minha vida não. -Júlia bufou.
-Por favorzinhoooo. -Falou ela quase implorando.
-Foi mal, posso não. -Ele falou e continuou a subir o morro, mas ela não.
Como ele tava muito distraído conversando com duas crianças, seus sobrinhos, nem viu ela indo para o outro lado, procurando o postinho de saúde, enquanto isso BBoy já tinha tomado uma ducha e trocado de roupa, e estava saindo a milhão de moto pra chegar logo na boca, ele está apaixonado, e ainda não sabe disso, mas não é bom os dois juntos. Logo Garrido chega na sala do BBoy, porém, sem a Júlia.
-Ué, cadê ela? Eu juro que subi com ela. -Falou ele vendo que não tinha ninguém, BBoy bufou, mas quando foi falar alguma coisa, ouviu uma troca de tiros, e depois o radinho começou.
-PATRÃO! OS VERME TÃO INVADINDO O MORRO! -Depois disso, mais e mais tiros, gritos e tudo mais, BBoy ficou desesperado pela Júlia que estava na favela completamente sozinha, e provavelmente desesperada.
Boy pegou sua pistola e apontou pro vapor.
-Se ela morrer eu te mando pro inferno. -Falou BBoy cheio de raiva e logo foi pras ruas.
Muitas pessoas correndo, algumas, bem poucas feridas ou mortas, ele começou a procurar com os olhos a Ju, e nada dela aparecer, então foi cuidar da Invasão. Desceu o morro e viu que é mais uma operação pra tentar "pacificar" o morro, ironia querer paz com guerra.
Então começou a trocar balas com a Polícia, logo mais moradores e vapores por BBoy apareceram para ajudar, nenhum tinha medo de morrer pelo morro, muito menos o BBoy, o problema é que ele estava preocupado com a Júlia, só isso. Logo os tiras tavam se rendendo e recuaram.
-Quero que procurem a loira de sexta. -Falou BBoy. -Agilizando! -Ele falou.
-Hey BBoy... -Cato foi interrompido pelo BBoy.
-Mano, ela tava aqui, a Júlia tava aqui, se ela morrer eu não vou me perdoar. -Falou o BBoy.
-Tá xonado patrão? -Perguntou um dos caras tirando sarro do BBoy.
-E se eu tiver, maluco? É da sua conta por acaso? Cuida do teu cu caralho. -Falou BBoy
-Calma, parça... -Cato falou rindo, mas foi interrompido mais uma vez pelo amigo.
-Ouviu o que eu disse, Gabriel? A Júlia está Aqui. Sabe? A patricinha que nem beber sabe? A patricinha que ficou em choque com uma arma? -Perguntou BBoy.
-Mano, a Júlia... -Cato foi interrompido.
-Chefe, achamos uma loira. -Falou um dos caras do turno da noite, mas sexta ele tava trabalhando, então não sabe se é a Júlia ou não.
-Que bom, onde ela tá? -Perguntou BBoy animado.
-Atrás da capela, mas chefe... -Ele foi interrompido.
-Já tô indo aí. -BBoy respondeu e sorriu por ter encontrado a Júlia.
Ele foi até onde eles estavam e tinha um corpo branco, com cabelos loiros jogado no baço atrás da capela, Guilherme olhou pro corpo depois pro cara que trabalha pra ele.
-Eu ia te falar chefe, ela tá morta. -Falou o cara e o coração do BBoy se apertou, ele quase chorou, mas lembrou que não se chora.
-Tira o corpo daqui. -Falou ele e o cara pegou o corpo no colo, fazendo o cabelo sair do rosto dela, revelando............
