Capítulo 3
P.O.V Ju
Sai da faculdade, decidi que iria aceitar a proposta do meu professor e trabalhar no postinho do Alemão, eu e Milla estamos conversando animadamente, contei pra ela que iria trabalhar lá e ela sorriu.
-Ju, não olha agora, mas tem um gato delícia atrás de você, te comendo com os olhos. -A Milla falou e ri negando com a cabeça.
Logo me virei vendo um moreno lindo encostado em uma moto, a moto tá na frente do meu carro aliás, mas dane-se, continuei encarando e ele fez o mesmo comigo, mas desviei o olhar quando Camilla, sendo a Camilla, falou algo que ela pensou:
-Ele deseja seu corpo nu na cama dele. -Falou Milla e eu cai na gargalhada com ela.
-Camilla, não viaja! -Falei rindo e ela assentiu.
Ficamos lá conversando durante um tempo, animadamente.
-Miga, vamos pra casa? Tô morta. -Falou Milla e assenti.
Andamos em direção ao meu carro, uma Mercedes Bens mas o cara e a moto dele continuam lá na frente e acho que ele está em outro mundo ainda, pensando em algo distante.
-Vai lá, o carro é seu. -Falou Milla e revirei os olhos.
Andei até ele que parece viajar longe, toquei seu ombro e ele me olhou.
-Desculpa, poderia tirar sua moto? -Perguntei olhando pra ele.
-An? -Perguntou ele, acho que não ouviu, pois ele se aproximou mais de mim.
-Poderia tirar... -Ele me interrompe.
-Pode falar um pouco mais baixo? -Perguntou e eu não entendi nada.
-Quer que eu sussurre? -Perguntei irônica.
-Quero. -Falou ele. Então não sei o que deu em mim, puxei o pescoço dele coloquei a minha boca bem perto do ouvido dele.
-Poderia tirar a sua moto pra eu sair por favor? -Eu perguntei sussurrando de um jeito sexy, não sei se funcionou, mas vi ele sorrir de lado e se arrepiar, então acho que funcionou.
-Pedindo assim te dou o que quiser, minha vida. -Falou ele e eu corei.
Ele tirou a moto dele, Milla olha tudo com um sorriso malicioso, reviro os olhos, entrei no carro e o gato ficou lá, ele se virou, pegou alguma coisa no chão, não liguei pra isso e sai com o carro, quero chegar em casa e dormir, só isso, domingo vou começar a trabalhar, das 7:30 da manhã até 18:30. Com o almoço as 13:20.
-Meu Deus, menina, que Deus grego era aquele? -Perguntou Milla e eu ri. -Ri não, senti que ele tava afim de você, não tirava os olhos, juro que acho que foi amor a primeira vista. -Ela falou e neguei com a cabeça rindo.
-Para de viajar Milla. -Falei e paramos no semáforo. -Ele é bonito e gostoso, imagina quantas meninas não estão de quatro por ele? -Perguntei olhando pra ela que sorriu.
-Pergunta pra ele. -Ela falou apontando para a minha janela e lá estava o Deus grego.
Ele mostrou um papelzinho, vi que era o endereço para o postinho na comunidade, ainda bem que ele viu, tirei meu cinto e abri a porta, porque meu carro é blindado, então se eu abaixar o vidro da problema e ele não fecha de novo pelo fato do vidro ser muito pesado, me estiquei e peguei o papel.
- Obrigada. -Falei e ele me olhou confuso.
-Nada. -Ele falou olhando o carro.
Voltei pro carro e dirigi pra minha casa, já são seis horas, então o Sol tá se pondo, fui conversando com a Milla, na verdade ela falava e eu ouvia, ria, assentia e dava tapas.
-Chegamos. -Falei estacionando o carro.
-Amiga, vamos em uma festa hoje, vai pra casa, toma um banho e fica gostosona. -Falou ela.
-Em que sentido? -Perguntei me fazendo.
-No sentido de "hoje não vou dar, vou distribuir". -Ela falou e eu gargalhei.
-Eita, Camilla! -Falei rindo.
-É sério amiga, te vejo umas 23:30. -Ela falou e eu assenti.
Saímos do carro, nos despedimos e foi cada uma pra sua casa, fui comer alguma coisa, porque né? Morrendo de fome, peguei três pedaços de pizza e subi pro meu quarto, terminei de comer e fui tomar uma ducha, troquei de roupa, coloquei uma lingerie, liguei o ar e deitei na cama, tá muito calor no Rio, sem perceber, acabei dormindo.
[...]
-NÃO ACREDITO QUE VOCÊ AINDA NÃO TÁ PRONTA SUA PUTA ARROMBADA! -Gritaram me dando um susto, cai da cama.
-QUE SUSTO CAMILLA! QUER ME MATAR?! -Perguntei gritando com raiva.
-QUERO! VAI SE ARRUMAR AGOR SE NÃO É ISSO QUE EU VOU FAZER! -Ela gritou apontando pro banheiro, vi que já estava de noite, eita, a festa...
Fui pro banheiro, tomei um banho, agora lavando o cabelo, me sequei, fiz minha higienes, sequei meu cabelo e já aproveitei pra fazer minha maquiagem, marquei bem os olhos com uma sombra preta e os lábios com um batom vermelho vinho. Voltei para o quarto Milla estava sentada na cama mexendo no celular. Coloquei uma lingerie preta, um vestido preto colado no corpo e que batia na metade da minha coxa e m salto preto.
Me olhei no espelho e joguei meu cabelo para os lados e depois pra frente e pra trás pra eles se acertarem. Eles são naturalmente lisos e batem na minha cintura, mas eles tem vida própria então decidem qual lado querem ficar. (risos)
A Milla está com um vestido vermelho e sexy, um salto vermelho e os olhos com uma sombra clara, realçando seus olhos castanho vívidos e na boca, um batom nude.
-Pronta. -Falei e ela me olhou com raiva e magoada por eu ter furado com ela. -Amiga, desculpa, eu acabei pegando no sono. -Falei e ela suspirou e se levantou.
-Vamos logo, quero pegar uns gatos ainda. -Ela falou e abriu um sorriso e eu ri.
Saímos de casa, tranquei a porta e fui pro carro dela, indo para a tal "festa", a qual eu ainda não sei onde é.
-Milla, onde a gente tá? -Perguntei vendo a gente saindo do asfalto e subindo uma rua(ta mais pra barranco) de terra(no Rio de Janeiro), ela estacionou e olhei em volta, era o morro do Alemão. Pelo o que eu reconheço das notícias na tv.
-Na festa ué. -Ela deu de ombros saindo do carro, segui ela.
-E onde é essa festa exatamente? -Perguntei e ela coçou a nuca.
-Vamos logo e para de fazer perguntas, sério. -Ela falou e neguei, mas ela saiu andando e segui ela, ela entrou em uma viela muito sinistra, que saiu na entrada do morro, logo vi homens armados, me caguei de medo logicamente. -Oie! A gente veio pro baile. -Falou Milla e eles nos encaram, eu só olhava pra eles.
-Não é assim que funciona não, fia. -Falou um deles. -Pezinho, manda um radinho pro BBoy. -Falou um deles segurando a grande arma dele.
-E ai patrão? Tem duas patricinhas do asfalto aqui na entrada querendo passar pro baile. -Falou o "Pezinho" em um radinho preto, logo se ouviu:
"Já chego ai, segura as pontas."
Ficamos ali, olhando eles, até que fiquei com medo de mais e dei meia volta, Milla me chamou:
-Tá me tirando que você vai arregar de novo! Pensa que é boas vindas, domingo você vai ter que trabalhar aqui mesmo. -Falou Milla.
-Milla, olha pra esses caras, nunca vamos passar por eles. -Falei apontando pros caras com armas.
-Faísca, pode liberar as duas. -Falou uma voz que eu conheço de algum lugar.
-Demorou, BBoy, vocês ouviram, princesas, podem subir. -Falou um loiro com olhos negros abrindo espaço, até que vejo o menino da Facul de hoje de tarde, o da moto e... Como ele tá gato.
-Nossa, oi de novo. -Falei e ele riu.
-Coincidência ou destino? -Perguntou ele me olhando dos pés a cabeça.
-Destino, não acredito em coincidência. -Falei e ele riu.
-Nossa, não vai apresentar as amigas? - Perguntou um menino moreno de olhos azuis olhando pra mim e pra Milla.
-Essas são... -Ele parou já que não sabe nosso nome.
-Júlia Schmidt e Camilla Queiroz. -Falei e eles assentiram.
-Então, de onde se conhecem? -Perguntou o menino.
-Antes, qual o nome de vocês? -Perguntei, já subindo o morro.
-Eu sou o Guilherme Sampaio e esse é o Gabriel Catarino, mas me chamem de BBoy e ele é o Cato. -Falou o Deus grego e assenti.
-Nos conhecemos hoje de tarde, ele tava na frente da minha faculdade. -Falei e o de olhos azuis parou de andar olhando pra mim com um sorriso.
-Pera... Você estuda na faculdade da Barra? -Perguntou ele perplexo, vi BBoy abaixar a cabeça e bufar.
-Estudo, por quê?. -Falei serrando os olhos.
-É ela? -Ele perguntou pro BBoy.
-É, agora vamos pro baile. -Falou BBoy me puxando pela mão.
-Tá me zoando parceiro! -Ele falou animado.
-Papo 10! Agora para de viadagem e vamos logo pro baile. -Falou Gui meio nervoso.
-Calma mano, aproveita ai tua mina. -Falou o menino e virei pra ele, ainda sendo carregada.
-Não sou mina de ninguém, não sei do que vocês tão falando e acho que não quero mais ficar aqui, Milla vou pra casa. -Falei me soltando do BBoy.
-Que? -Perguntou Milla, BBoy e Cato juntos.
-É, não gosto desses lugares, e aqui também é perigoso. -Falei começando a descer o morro.
-Perigoso? -BBoy perguntou e nem me virei, continuei descendo por onde subimos.
-Não, amiga! Você não pode, a gente veio pra se divertir!! Fica vai. -Falou Milla correndo atrás de mim e me segurando.
-Milla, você viu aqueles caras na entrada? Por que será que eles tem aquelas armas gigantes? - Perguntei apontando na direção deles.
-Na verdade eles usam as armas mais pra assustar quem quiser invadir o morro ou quem acha que aqui é brincadeira. -Falou Cato aparecendo e o BBoy vinha caminhando lentamente fumando um cigarro.
-Dá na mesma. -Falei e continuei descendo o morro.
Desci o morro ouvindo eles me gritarem, Cato e Milla.
Cheguei lá em baixo e ia saindo.
-Você não pode sair. -Falou o tal Faísca entrando na minha frente.
-Que? Por quê? Tá maluco? -Perguntei confusa.
-Não pode, fia, volta pro baile. -Falou ele e eu o olhei indignada.
-Como assim "Não pode"? Tá me tirando, meu filho? Deixa eu passar. -Falei irritada.
-Oush, papo 10, colega, vamo, vaza daqui. -Ele falou grosso.
-Oush digo eu! Por que não me deixa passar? -Perguntei muito irritada.
-Porque eu mandei ele te barrar. -Uma voz soou atrás de mim, me virei e era o BBoy.
-E por que você fez isso? Posso saber? -Perguntei cruzando os braços e ele riu.
-Porque eu mando nessa porra, entendeu? Eu mando e as pessoas obedece'. -Ele falou rude.
-Pois é, mas não tenho medo de você e muito menos obedeço você, então manda seus robôs saírem da minha frente que eu quero ir embora. -Falei e ele riu.
-Você acha que eu vou te obedecer? Princesa, eu que mando aqui. -Falou ele se aproximando. -Você vai voltar pra lá e vai se divertir. -Ele falou segurando meu braço sem força, porém firmemente.
-Quer que eu me divirta? -Perguntei irritada e ele assentiu, me soltei dele. -Então eu vou me divertir.
Completei e subi o morro em direção ao baile, Milla está na frente de uma viela que deve dar pra rua do baile então caminhei na direção dela, ela veio me abraçar, mas dispensei e entrei na viela, caminhei pela viela ouvindo eles conversando sobre mim, como se eu não estivesse lá, logo comecei a ouvir a música, saí da viela já na rua cheia, muitas pessoas dançando, bebendo, se drogando, tudo isso ao som do MC GW que toca no paredão. Eu nunca tinha ido para uma favela, mas Milla sempre gostou, uma vez ela namorou um traficante e acho que peguei trauma, apesar de Milla falar que o pessoal da comunidade parece que é gente de verdade, que eles ajudam até sem conhecer e são realmente uma comunidade, uma grande família e as pessoas são felizes. Dentro da quadra tem um paredão, e tem alguns carros tocando outras músicas em volta da quadra também, já que as ruas estão todas cheias, mas o que predomina aqui é o paredão.
Saí andando procurando algum lugar pra pegar bebida, vi que o BBoy tava me seguindo, fui até o carro que tava como bar e peguei o copo de um menino que tava ali do lado e pedi a mesma coisa pro cara do carro, virei sentindo o líquido arranhar minha garganta, era um copo de 700ml que tinha um líquido meio forte amarelo e um cubo de gelo branco, comecei a beber e aquilo descia cortando pela minha garganta, mas até que era bom. Fui bebendo e no segundo copo eu não sentia mais o gosto ruim e foi no terceiro copo que eu comecei a dançar junto com umas meninas lá e continuamos bebendo e a gente sugava um negocio de umas latinhas. As meninas tinham uma latinha de coca, uma garrafa de água e em uma garrafinha pet, daquela de guaraná pequeno... Ai comecei a perder a noção de o que eu estava fazendo, me vi beijando o BBoy, ele não beija tão bem quanto pensei, mas ele foi arrancado brutalmente de mim e logo ele estava no chão.
