Capítulo 2
Quando consegui alcançar seu carro, ela tava no semáforo vermelho, bati de leve no vibro dela e a mesma me olhou assustada e eu ri, mostrei o papel pra ela que sorriu.
Ela tirou o cinto e abriu a porta do carro e se esticou tirando metade do corpo dela do carro, oxe, porque ela não abaixou a janela?
-Obrigada. -Ela respondeu.
-Nada, princesa. -Respondi e ela voltou pra dentro do carro.
Ela seguiu o caminho dela e eu o meu.
Por que ela não abriu a janela? Por que ela teria o nome do postinho em um papel? Fiquei pensando até chegar no morro, mas assim que passei pelos campanas, me forcei a esquecer isso.
Os campana ficam logo na entrada do morro fazendo a barreira, muito bem armados, com alguns , só entra quem é de dentro e pra entrar gente de fora, só com a minha permissão, aqui não é várzea que nem no asfalto não.
-Finalmente chegou BBoy, meu Deus, achei que tinha morrido, ou se perdido, ou pior, os verme podia ter... -Falou Cato parecendo uma menina.
-Tô aqui não tô? -Perguntei seco interrompendo ele e me jogando na minha cadeira giratória. -Cara, demorei porque deu umas tretas e tive que esperar um cara, ai eu vi uma mina mó gata lá na Facul, ai... Sei lá, mas ela é mó jeitosa. -Falei olhando pra ele.
-Tá xonado? -Ele perguntou com um sorrisinho sacana.
-Lógico, porque você sabe que eu xono em todas assim rápido . -Falei revirando os olhos e ele riu.
-Mano, vamo bate um papo rápido aqui... Você só teve uma namorada, deu merda, mas não é porque ela foi filha da puta, que todas as outras vão ser. -Ele falou se sentando na cadeira que tem de frente pra mim.
-O que quer dizer com isso? -Perguntei, mas não sei se quero realmente saber o que se passa na cabeça dele.
-Nada, só falando. -Ele falou e vi que estava mentindo, porque conheço ele desde sempre.
-Cara, vamo agiliza que nois ainda tem que ir na boca, tem que arrumar o baile de hoje... -Falei querendo mudar de assunto, mas adiantou?
-Pensa no que eu falei, vacilão. -Ele falou voltando no assunto.
-Entende uma coisa, independente de eu estar xonado nela ou não, o que eu não estou, ela é patricinha, mimada, loira, deve ter uma pa de mauricinho no pé dela, os boy riquinho da zona Sul, e quem tu acha que ela vai escolher? Um mauricinho riquinho ou um BadBoy dono do morro? -Perguntei pra acabar o assunto.
-BadBoy dono do morro, lógico! -Ele falou e bufei.
-Vai a merda, vai. -Falei e ele riu.
-Mano, toda mina qué' um BadBoy, se ele for dono do morro do Alemão então, caraío mano, as mina pira no poder. -Ele falou animado e revirei os olhos já irritado.
-Rala daqui, Gabriel! -Falei apontando pra porta do escritório, não tem porta mas... É a saída, em fim...
-Eu vou, mas pensa no que te disse, as mina não são iguais. -Ele falou e saiu da sala.
Fiquei pensando... Mas lembrei que ela estuda na faculdade mais foda do Rio, dirigi uma Mercedes bens e ainda quero saber porquê ela saiu do carro e não abaixou o vidro, além dela ser toda, bonitinha, arrumadinha, tudo "inha". E eu, bom...
Percebi que tava muito gay e parei com esses pensamentos, peguei a droga que o mano lá falou, joguei o saquinho em cima da minha mesa, peguei o saquinho que peguei da boca, abri o mesmo e logo a coca estava arrumada em carreiras em cima da minha mesa, peguei uma nota de cem, enrolei a nota e cheirei a Cocaína, e a mesma me fez ficar bem, porém agitado, peguei outro saquinho, logo cheirando novamente, depois peguei a maconha e a seda e fiz um baseado, fumando o mesmo, quando termino o baseado, já estou no grau. Coloco minha arma na cintura e saio do escritório, indo pras bocas, cobrar eles, fiquei duas ou três horas lá, muito tempo mesmo.
[...]
-Hey patrão, tem quatro mauricinhos aqui, tão falando que tu mando eles vir. -Falou um dos caras da barreira pelo radinho.
-Já vou ai resolver, segura as ponta'. -Falei e sai do boca, desci o morro dando "oi" pra todo mundo, porque sou uma pessoa educada com a minha comunidade. Logo cheguei na entrada, vi os quatro mauricinhos que tão me devendo.
-E ai patrão? Deixa entrar? -Perguntou o Faísca, ele é o cara que eu mais confio no morro, obviamente depois do Cato.
-Deixa Faísca. -Falei e já comecei a subir o morro, como quem manda subir atrás.
Fui pro meu escritório e esperei aqueles cuzões que estavam se cagando de medo chegarem. Logo eles chegaram, me sentei na minha cadeira e fiquei olhando a cara deles, que pareciam ficar mais tensos ainda, depois que viram as drogas e armas, ri da cara deles.
-Então, cadê a minha grana? -Perguntei e cada um segurava uma maleta.
-Tá aqui BBoy. -Falou um deles e todos colocaram suas maletas em cima da minha mesa, abriram as mesmas e elas estavam repletas de dinheiro, o que fez meus olhos brilharem.
-É DISSO QUE EU TÔ FALANDO PORRA! -Gritei animado e comemorando. -Agora é o último aviso, dá próxima vez que demorarem, eu não vou ser bonzinho, vocês vão acordar sete palmos do chão. -Falei ameaçador e rude, eles assentiram se cagando de medo.
-S-sim senhor. -Eles falaram.
-Já podem vazar daqui. -Falei e eles saíram quase que correndo.
Peguei o dinheiro e Cato entrou na sala, se sentou na cadeira na minha frente e ficou me olhando, já está quase na hora do baile. Coloquei todo o dinheiro dentro de uma mochila, Cato olhava cada movimento meu, sai do escritório e Cato me seguiu, fui para a minha casa, no topo do morro, uma casa grande e "luxuosa".
O bom viver bem. Entrei em casa, Cato atrás de mim, entrei no cofre, coloquei o dinheiro lá, junto com várias outras notas de dinheiro. Sai do cofre e ele veio atrás, tranquei o cofre e fui pro meu quarto.
Afinal, tenho que me arrumar pro baile, entrei no meu quarto, com o Cato ainda na minha cola, já tá me irritando, me virei pra ele.
-O que você quer porra? Fala logo porque nóis' tem que ir pro baile. -Falei irritado.
-Nada, só quero saber se pensou no que eu falei. -Ele perguntou e eu bufei.
-Vai dar o cu, Catarino. -Falei e tirei a blusa, coloquei a arma em cima da cabeceira da cama, tirei a calça e a cueca, vi Cato pegar um travesseiro da minha cama colocando no rosto e se jogando na cama.
-Que nojo cara, vai logo pro banho. -Ele falou e eu sai rindo, fui pro banheiro, logo entrando no box e tomando um banho.
Hoje a noite promete, muitas putas, drogas e música, o que eu amo em uma sexta. Sai do banho, me seco e vou pro meu armário, pego um boxer preta, uma calça jeans escura, uma blusa polo branca, deixando minhas tatuagens a mostra e um mizuno pro 4 cinza. Passei perfume e fiz minhas higienes, sou traficante, mas sou um traficante cheiroso.
Sai do quarto e desci as escadas, Cato estava na sala. Como eu morava perto da quadra, fomos a pé, antes de chegar lá, recebo um radinho dos moleques lá da entrada do morro, que tem gente do asfalto querendo entrar, como eu que mando e arrumo essa porra toda, eu desci até na entrada e ouvi vozes:
-Tá me tirando que você vai arregar de novo! Pensa que é boas vindas, domingo você vai ter que trabalhar aqui mesmo. -Falou uma voz que não me é estranha.
-Milla, olha pra esses caras, nunca vamos passar por eles. -Falou a voz que eu reconheceria em qualquer lugar.
