Capítulo 3: Ataque sangrento
Por um tempo fico estática processando o que acorre, mas o terror generalizado me acorda para realidade. Ouço meu pai mandar as crianças, os jovens que não lutam e os mais velhos presentes na festa para o abrigo no porão.
A maioria dos adultos já saíram, assim como Caio que não está mais ao meu lado. No automático começo a caminhar em direção a saída.
- Não – uma mão pequena segura firme meu braço e encaro minha mãe sem entender - você vai comigo para o abrigo no porão. – diz decidida.
- Tenho dezoito anos, mãe, posso fazer as coisas por conta própria. – faço a menção de caminhar mas mesmo assim ela não me solta, pelo contrário, segura mais forte ainda - sou a filha do alfa, preciso estar lá.
- Filha, entenda-me por favor. - ela tira a mão do meu braço, pondo-a no meu rosto.
- Não mãe, entenda você. – respondo firme e seguro sua mão que está em meu rosto com carinho, tirando-a com calma. – Sei que é incapaz de me enxergar como lobisomem e não humana como você. – sorrio na tentatica de acalmá-la - mas eu sou forte e treinada para defender a alcateia.
Meu coração se parte ao deixa-la para trás e ir em direção a saída da casa. Por incrível que parece, minha mãe é humana, ela tinha acabado de se mudar para essa cidade quando conheceu meu pai Derek que nunca mais a largou depois de conhecer sua companheira. Acho que por eu ser sua filhinha, ela sempre fez de tudo para me afastar do sobrenatural e seguir uma vida igual a dela. Mas não nasci para isso, sei que "fui enviada" por algo maior.
Assim que saio, paro sob o céu estrelado e suspiro, sentindo-me mais leve por finalmente ter dito para minha mãe parte do que sempre ficou preso em minha garganta. Agora não há mais volta...
Não sou frágil como ela pensa. Posso ser mais forte do que imagina, ainda mais quando precisam de mim e é isso que mostrarei a ela.
O cenário que vejo a minha frente é horrendo.
Nossa praça central está cheia de vampiros atacando e matando lobos, mas como estamos em grande quantidade é evidente que vamos ganhar, mas a custa de algumas mortes. O que me preocupa são as crianças na rua correndo de um lado para o outro desprotegidas.
Foco em dois vampiros, um homem e uma mulher, que encurralam uma menina morena com óculos enormes e os cachos cheios e brilhosos. Vai ser fácil...
Ando até lá chutando o mais baixo para longe e agarro o cabelo liso da outra enquanto desfiro repetidos socos em sua face. Ela soca meu estômago, fazendo-me gemer de dor e soltá-la, o que não melhora para ela porque com um último soco em seu queixo cai desmaiada.
O primeiro volta jogando-me no chão e me enforcando com o antebraço pressionando meu pescoço, sinto o ar faltar e minha respiração fica irregular então enfio meus dois polegares nos seus olhos marfim, fazendo-o gritar e cair de lado. Quando me solta soco seu peito com tanta força que ouço um “crack” de algo quebrando.
Sento por míseros segundos para me recompor até me por de pé para falar com a garota aterrorizada.
- Vá para casa do alfa sem olhar para trás, eles vão lhe dar abrigo - digo abaixada segurando os ombros da menina em minha frente com seus olhos negros cheios de medo por ter presenciado aquela cena. A garota apenas concorda saindo correndo.
Depois que a vejo entrar com segurança na minha casa, olho ao redor e encontro Caio, um lobo amarelado que está lutando contra quatro ao mesmo tempo. Corro até ele e pulo transformando-me no ar e caindo em cima de um dos vampiros, arrancando sua garganta com uma mordida e parto pra outro agarrando firmemente o pé fazendo-o cair no chão, aproveito sua vulnerabilidade para tirar sem dó parte de seu pescoço. Outro cai morto.
A regra de matar um vampiro: pescoço ou peito. Cruel mas efetivo como se pode perceber.
Caio já acabou com os dois que sobraram partindo pra qualquer um que tentasse nos matar, sempre lutamos em sintonia, como um só e é em sincronia que eliminamos boa parte dos vampiros que nos sobram.
Minha pelagem antes branca como a neve agora vermelha por causa do sangue.
Enquanto lutamos ouço o choramingo indistinguível do meu irmão Augustus, ele está em perigo e por isso peço ao Caio pra segurar a bola que já volto.
Ao chegar no beco em que estava, mal acredito no que vejo.
Augustus debilitado no chão com uma poça enorme perto, sem se mover por causa de uma das patas traseiras estar fraturada, enquanto os vampiros bebem sangue da Julia que está desacordada ainda em forma humana.
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Minha raiva aumenta por ele e corro até ela arranhando as costas da vampira tão profundamente que quebro algumas das suas costelas e no outro vampiro enfio sem dó minhas garras atravessando seu coração.
Sou rápida, pois sei que Julia não tem tempo.
A primeira vampira, já no chão, grita tão alto que meu ouvido mais aguçado dói, não sei se pelo fato do companheiro dela ter morrido ou por estar sentindo a dor das costelas quebradas – talvez os dois. Ela olha pra mim com medo, com a mão nas costelas e chorando ao ver o cara morto que deve ser sua alma gêmea pela reação dela.
- Por favor, deixe-me partir. - ela suplica a mim, mas a raiva fala mais alto e mato-a com apenas uma patada em seu peito já fragilizado. Guerra é guerra.
Volto a forma humana sem mais minhas vestimentas, mas não há espeço para pudor em uma batalha.
- Está bem? - meu irmão balança a cabeça e sei que ele está incapaz de voltar a forma humana por causa do estado da perna dele e constato que seu osso saiu do lugar - vai doer – aviso.
Seguro na parte certa e movo com força ouvindo seus ossos se chocarem e ele uiva, mas logo que se recupera voltando a forma humana, sem nem pensar na dor física, para correr mancando em direção a sua companheira.
Ele agarra a Julia, que está deitada desacordada no chão com sangue ainda saindo dos furos nos braços, o cabelo loiro dela a envolve enquanto a sua face começa a perder cor.
- CHAME O PAPAI OU O JONH! - levanto-me virando a cara com dó de ver o sofrimento do meu irmão, nunca aguentei ver alguém importante pra mim sofrendo, preferia eu a estar sentindo isso - não temos tempo até que o veneno faça efeito...
Volto a forma de lobo e corro procurando por papai, a vida do meu irmão está em jogo pois os únicos que podem curar a mordida de vampiro em um lobo são os alfas e betas, então a morte torna-se a última opção...
