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CAPÍTULO 7

CRUZO OS BRAÇOS AO CHEGAR na catedral. No centro do altar há uma imagem de Jesus Cristo em uma cruz, alguns desenhos no teto de vidro pintado, a arquitetura gótica é linda, já que sou uma admiradora da mesma, mas não sou uma mulher religiosa, sequer das que frequentam a igreja regularmente.

O padre aparece no meu campo de vista, colocando um sorriso no rosto, ele arruma os óculos e a gola da batina.

— Bom dia, filha.

— Bom dia, Padre.

— Veio para se confessar? - Ele faz menção em se mover, acredito que para me levar até o confessionário, mas eu ergo a mão para pará-lo, e ele o faz. Se eu fosse confessar todos os meus pecados a este senhor, ele morreria.

— Eu não sou de me confessar. - suspiro em descaso. — Eu vim marcar uma data para meu casamento. - Meu tom é quase infeliz, mas eu estou tentando conter isso.

— Ah, claro. Isso é uma benção. - ele olha para os céus, o que me faz franzir o nariz e dar uma leve revirada de olhos. — Vou pegar uma caderneta onde anoto as datas e ver em quanto tempo podem se casar. - eu assinto em concordância e ele sai do meu campo de vista.

Apenas encaro a imagem de Jesus à minha frente. Se ele existir, com certeza está muito decepcionado com a minha vida e minha atitudes. Eu dou de ombros novamente. Nunca me arrepender, então não vou fingir que temo a desapontá-lo, ou a alguma punição.

— Vejo aqui que a data mais próxima é em três meses. - Ele ainda segura os óculos de grau com a caderneta perto demais dos olhos. — Tudo bem para você, filha?

— Claro, quanto mais tempo melhor.

Ele faz uma cara de estranhamento da minha reação, então eu apenas lhe ofereço um sorriso após limpar a garganta.

— Quero um casamento perfeito, o tempo será meu melhor amigo nisso.

— Entendo, minha filha. É assim como os apaixonados, Deus fará com que sejam muito felizes quando saírem daqui casados e com sua benção.

—Eu duvido muito...-sussurro baixo demais para que ele ouça, novamente meu olhar para o lado.

— Aqui está a lista de documentos que vão precisar. - Ele me entrega um papel e eu pego o de sua mão com relutância.

— Obrigada, Padre. - Eu faço menção em sair mas antes ele me dá sua benção, a qual eu não recuso porque não sou de indelicadezas com idoso, por mais que eu queira.

Saio da igreja, parando na porta da mesma e encarando a rua movimentada. O ar que puxei para os pulmões há pouco, solto em um suspiro de frustração que me alivia.

Flashback

—Vou lidar com isso me apossando de tudo. -- seu olhar queima no meu, sustentando uma batalha. — Do seu corpo. - meu corpo quase se retesa ao ser ainda mais apertada por ele. Meu corpo vibra de prazer e desejo e sei que neste momento, eu estou completamente molhada. Um gemido quase imperceptível passa pelos meus lábios. —da sua mente, e do seu coração. Além disso, você não terá contato e nem aproximação com nenhum homem sem que eu permita

Flashback

Balanço a cabeça tentando expulsar os pensamentos. Ao que tudo indica, eu vou me casar com ele, e assim posso satisfazer todo o desejo carnal que tenho por ele, pois não vou negar que ele existe. Embora meu coração seja de Mateo, isso não impede meu corpo de reagir a outro.

Minha única esperança é Daria, se ela conseguir ser útil para mim, há uma chance de eu me ver livre de Dimitri e sua tentação, mas ela não é muito esperta e vou ter que fazer o trabalho por mim, e por ela. Olho para a igreja atrás de mim por cima do ombro, é aqui que estarei entrando vestida de noivo se as coisas não derem certo, e é o que provavelmente vai acontecer.

Ando pelas ruas à procura de uma loja de vestidos de noiva. Eu sei que estou sendo seguida pelos seguranças de Dimitri, não só porque ele disse que seria assim, como também porque sinto. Ele insiste em dizer que não sou uma prisioneira, posso sair de casa e fazer o que quiser desde que não envolva outros homens, que eu o avise quando saio e quando volto, que esteja com os seguranças e que não tente fugir do país. Mas é claro que não sou prisioneira, não é mesmo?

De prisioneira de Eric Salvatore, para prisioneira de Dimitri Devan, e quando a minha vida vai pertencer realmente a mim mesma? É claro que meu pai nunca conseguiu realmente me impedir de fazer o que quero, até porque sempre fiz coisas as quais ele seria contra, bem debaixo do seu nariz, e foi assim que eu acabei me dividindo em quase três personalidades.

Não me importo tanto de ter que ser quase outra perto do meu pai, já que ele me ama e me criou, e eu também o amo e o entendo, sua possessividade e ciúme para comigo, é paterno.

Mas com Dimitri, não tenho toda essa aceitação e compreensão. ele me tem como sua propriedade e isso me causa ódio, não só porque fere meu orgulho, mas principalmente por esse fato.

O que ele não sabe, é que se eu disser sim no altar, a vida dele vai ser muito lamentável, não porque farei dela um inferno, mas sim porque ele vai achar que tem a vida perfeita, a esposa perfeita que o ama, que é o que eu o farei pensar, mas tudo será uma grande farsa. E isso é sem dúvida lamentável, viver em uma mentira, eu vou condená-lo a viver assim, não serei eu sozinha a passar por isso. Se eu tiver que viver no fogo, nós vamos queimar juntos.

Tiro meu celular da bolsa, encarando a tela, pensativa. Dou um sorriso solene ao digitar os números da chamada.

— Oi, Daria?

— Hanna, tudo bem?

— Até que sim. - dou de ombros. E vou ficar melhor ainda quando ela aceitar meu convite. — Eu estou procurando meu vestido de noiva, queria sua ajuda para escolher, mas é agora. aceita?

— mas....- Reviro os olhos para a sua relutância. Calma, estúpida, eu ainda vou te ajudar.

— Sei o que está pensando, é justamente isso sobre o que quero conversar com você hoje. Ainda vou cumprir minha promessa. Então, você vem? - Arqueio a sobrancelha.

— Claro, claro. Me mande a localização por mensagem, eu já estou indo.

— Combinado. - Desligo a chamada, e sorrio mais ainda em satisfação.

— Bom dia, posso ajudá-la? - Assinto em concordância ao avaliar a vendedora da cabeça aos pés. É uma mulher bonita, tem cabelos pretos na altura dos seios e uma franja lateral dando forma ao seu rosto, vestindo o uniforme da loja de grife junto a um par de scarpins pretos e uma maquiagem leve. Simpática.

— Sim, eu quero que me traga os melhores vestidos de noiva desta loja.

- Alguma facha de preço?

— Não se preocupe em verificar os preços antes de trazer. Eu vou esperar uma pessoa, tome o tempo que precisar até que ela chegue. - Ela faz que sim com a cabeça, me deixando sozinha.

A loja é grande e espaçosa. Os tons de branco e cinza fazem o lugar parecem ainda mais branco. há sofás cinzas e em formato de C espalhados pelo local, e em frente aos mesmos, um espelho de corpo todo rodeados por lâmpadas de camarim. Ao fundo da loja há uma indicação dos provadores e os vestidos estão bem organizados em grandes fileiras nas araras nas laterais.

Espero que minha mãe não se chatei por isso. Era um dos sonhos dela fazer meu vestido de casamento, mas quem sabe no próximo ela faça. Se houver um próximo, e espero que haja.

O som da porta dupla se abrindo chama minha atenção, fazendo com que eu me levante do lugar. Daria corre o olhar pelo local a minha procura, seu rosto exibe em sorriso enorme de cobiça. Eu sei que o sonho dela é estar no meu lugar, prestes a escolher um vestido para ir até o altar encontar Dimitri Devan. E eu farei o possível para que ela consiga realizar este sonho, não porque eu gosto dela ou porque quero a ver feliz, mas porque isso traria mais felicidade a mim do que para ela.

Ela anda até mim quando seu olhar encontra o meu. Trocamos um abraço breve e um beijo na bochecha.

— Que bom que veio.

— Também fico feliz. Escolheu um ótimo lugar para comprar o vestido, é tudo muito lindo.

— Vamos escolher os nossos. - Gesticulo com os braços.

— Como?

— Eu vim comprar meu vestido porque Dimitri insistiu que eu começasse os preparativos, mas conto com que você consiga fazê-lo mudar de ideia antes do casamento. E como confio muito em você e no seu êxito, eu vou escolher meu vestido de aparências, e você, o qual você se casará com Dimitri Devan. - A olho com falsa empolgação. Bom, se eu conseguir com que este meu meu plano dê certo, terei feito um bem a nós duas, caso não, o que é o mais provável, eu vou ter me divertido muito com as esperanças dela.

Iniciamos a prova doa vestidos. Ela sai pela quarta vez de dentro do provador vestindo um modelo sereia, o mesmo tem o decote em coração, realçando seus seios e o corset do vestido dando formato a sua cintura.

— Eu amei esse! - Suas mãos deslizam pela cintura do vestido, ele parece feliz demais como se não estivesse contando com a sorte.

— Você só provou três antes deste, mas sem dúvida é perfeito pra você.

—Acha que eu devo comprar? - Desta vez ela parece com medo, a sanidade está atigindo seu cérebro limitado.

— Claro que deve. É uma peça única e não vai querer que ninguém compre no seu lugar.

— Mas nem sabemos se a ideia vai dar certo, e se não conseguirmos convencer o Dimitri?

— Não pense negativo. O amor sempre vence no final - Ergo o dedo indicador - E você o ama.

— Tem razão. - Suspira de satisfação, o olhar correndo novamente pelo lugar. — Eu vou querer este. - Informa a vendedora.

— Ficou perfeito, Senhorita. Só precisamos de algumas semana para fazer os ajustes e....- Dou as costas a conversa das duas.

Andando até a arara, encaro um vestido que me chamou atenção. Ele está coberto por um protetor de plástico transparente assim como os outros. Acho que acabei de encontrar o meu.

20/03 20:00PM,Moscou

Fecho a porta da entrada da mansão atrás de mim.

— Demorou muito. - Ouço a voz de Dimitri.

Ergo a cabeça, dando de cara com o mesmo há meio metro de mim. ele provavelmente saiu do corredor do escritório, no lado esquerdo, já que está na direção do mesmo.

— Eu fui fazer o que você disse, começar os preparativos para o casamento. - Meu dedo se enrola em uma mecha de cabelo, a jogando para trás dos meus ombros.

— Que bom que já está aceitando o fato de que não pode escapar de mim e do seu compromisso com a máfia Salazar. - Ele quase esboça um sorriso, quase, acho que minha expressão de falsa surpresa o contém. Fecho a boca que há pouco estava teatralmente aberta em O.

— Como seria diferente? Minha família está com a cabeça na guilhotina - Respondo, Irônica.

— Boa observação. Acredito que já tenha jantado fora hoje. - Supõe, olhando em seu relógio de pulso e eu afirmo com a cabeça.

— a cerimonialista que contratei vem em dois dias. Se quiser comparecer nas decisões, esteja aqui durante a tarde. - Informo, indiferente.

— Confio no seu gosto, faça da maneira que mais gostar. Pode chamar Nádia para ajudar se quiser.

— Certo. - Afirmo com a cabeça, passando por ele a caminho das escadas e ele me acompanha até a frente da mesma. Parando na escada, viro meu corpo para ele que continua estático no lugar. - Boa noite, Dimitri.

Ouço uma baixa risada nasal mas não me viro novamente para ver se estou certa, ele não me responde. Então volto a subir, fazendo caminho para o lado direito no andar de cima.

Jogo o celular na cama, frustrada. Eu sabia que hora ou outra iria ter que falar com meu pai, ao menos eu tentei. Noventa por cento da ligação se resumiu em ele gritando e dizendo que nunca mais daria as costas para que eu tivesse a chance de fugir novamente. Ainda sustentei a mentira de que estou viajando a trabalho para matar uma pessoa difícil, e só minha mãe e Death conseguiram o conter, mas não vai ser por muito tempo, quando eu lhe disser que vou casar, não vai ter alma que o controle.

Não consegui falar com Mateo, ele aparentemente estava ocupado. Para o bem dele, que não seja por causa da Paula, mas está não pode ser minha maior preocupação no momento.

Entro para o closet. Encarando meu corpo na camisola preta que vai até minhas coxas, ela tem um decote que releva um pouco da marcação dos meus seios. Vejo no celular que já são 00:21. As luzes da casa já estão apagadas e Dimitri ainda não passou pelo corredor do quarto.

Volto a deitar na cama, o quarto está escuro e a luz da lua traz pouca claridade para dentro do quarto. Não há barulho algum dentro ou fora, mas não se passam três minutos depois disso para que eu ouça uma movimentação do lado de fora. Me ponho de pé rapidamente, jogando os cabelos para trás.

O barulho da porta se abrindo é um pequeno rangido, fechando a mesma atrás de mim no corredor. Dou de cara com Dimitri, assim como o planejado, há apenas uma luz acessa no corredor, mas é o suficiente para que eu veja que seus olhos estão queimando de desejo sobre o meu corpo exposto. Ele não se mexe e nem eu, continuamos a nos encarar e o silêncio é tamanho que não há som nem de nossas respirações.

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