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CAPÍTULO 6

PASSO PELO HALL DE entrada da casa com Stefan ao meu lado. Meu cenho se franziu quando vejo Hanna ao lado de Daria, ambas conversam sorridentes e isso é motivo para desconfiar e temer.

-O que faz aqui, Daria? - Coloco as mãos no bolso da calça, ela gira em minha direção sobre os calcanhares e sorri.

- Vim conversar com você sobre a sua mãe, mas não, deixa pra lá. - Seu olho se volta para Hanna. - Ela é muito simpática, acho que seremos amigas.

- Claro que seremos, sua mãe tinha razão nas coisas que disse sobre a Daria. Gostei dela. - Meu olhos encaram diretamente os seus mesmo que estejamos há dois metros de distância.

- Conversamos sobre isso mais tarde. - Volto a olhar para Stefan.

- Claro. - Afirma, dando de ombros e sorri para ele.- Tenham uma boa tarde, eu vou conversar melhor com ela na sala.

-Boa tarde, senhoritas - Ele faz um movimento de cumprimento com a cabeça de maneira educada e seca e ambas retribuem.

Abro a porta do meu escritório, fazendo o caminho até minha cadeira e Stefan fecha atrás de si.

- O que descobriu? - Arqueia a sobrancelha. Eu estou mentalmente preparado para o que vier e o ódio mortal que eu sei que vai se apossar de mim quando as palavras saírem de sua boca.

-Nada, Dimitri.

-Como não descobriu nada?! - Me arrumou na cadeira.

-Eu fiz uma investigação completa, não tem nada que possa me fazer pensar que nos últimos dois anos ela tenha se envolvido com alguém. Ela passa boa tarde do tempo em casa e na organização dos pais. Sua rotina era basicamente acordar, ir para organização e costumava almoçar em um restaurante próximo a mesma, e algumas vezes no mês ela via a prima, Stella Salvatore. Não tem muito mais que isso. - ele faz uma expressão de descaso quando deixa uma pasta de papel pardo sobre a mesma.

- Não tem nem um homem o qual ela tenha passado tempo demais, o suficiente para ser suspeito?

-Existe um. - Fecho os punhos de ódio. - Mateo. Ele é filho da Death, tia dela e eles passam muito tempo do dia juntos, mas não significa nada, Dimitri.

-E por que não?

-Eles foram criados como irmãos e é perfeitamente normal serem tão próximos, ele é sete anos mais novo que sua noiva. Quando mataram o Salazar, a tia dela ainda estava grávida.

- Então ela deve ter um caso oculto, é impossível que não tenha ninguém, ela é jovem e bonita e também afirmou que havia um caso na Itália.

- Ela provavelmente estava tentando te incomodar. - indaga,ele.

-Não acho que seja isso. - O jeito com que ela falou aquilo para a minha mãe era sincero, mesmo que tivesse uma intenção de provocar, não era uma mentira.

- Eric Salvatore é um homem possessivo, é assim com a esposa e provavelmente com a filha.

-É. - Assinto. -Talvez essa seja a justificativa do porquê não haver ninguém.

- Mantenho a ideia de que ela estava tentando provocar, Dimitri. Mas vai descobrir muito mais sobre ela, falando com ela. Observe os sinais.

-Duvido que ela vai me revelar muito, mas vou tentar. Já pode ir. - Aponto a porta com o queixo e ele assentiu, saindo pela mesma.

Cedo ou tarde vou descobrir quem é o homem que ela diz amar e vou tirá-lo do meu caminho. Ela só pode pensar em mim.

18/03 19:06PM, Moscou

Abro a porta do quarto dela sem bater antes. Ela veste um pijama de cetim rosa, a gola do decote redondo do mesmo é rendada pelo tecido preto e suas coxas são cobertas até a metade pelo cetim, deixando sua carne pálida e macia a amostra. Os cabelos loiros estão soltos e caídos sobre os ombros, quase no mesmo tom de branco que sua pele. Meu pau endurece nas calças, de maneira dolorosa.

Ela puxa o ar para dentro dos pulmões quando vê que eu analiso seu corpo, erguendo o queixo ela me encara de maneira audaz.

- Você abriu mão do hábito de bater antes de entrar?

-Nunca, é só uma exceção. Leve em conta que eu estou dentro da minha casa, não é uma falta tão grave.

-Isso não lhe dá o direito de invadir minha privacidade.

- Talvez, tudo que está aqui me pertence, então eu posso tudo, Hanna.

-Você é muito seguro de si.

-É minha maior qualidade. - Sorrio para ela.

- Enfim, o que faz aqui?

- Eu disse que tínhamos assuntos pendentes e eu vim resolvê-los com você.

-Sobre a Daria? - Arqueia a sobrancelha, ela tem um sorriso mínimo nos lábios e por hora, seu olhar está baixo, de maneira que ela me encara por baixo dos cílios.

-Vamos por partes. - Eu faço caminho até a poltrona no canto do quarto, me sentando na mesma e ela acompanha meus movimentos com o olhar. - Por que estava conversando com a Daria? As circunstâncias não fazem de vocês amigas em potências.

-Claro que fazem, Dimitri. - Aprecio o som do meu nome em seus lábios por um momento. - Ou acha que eu deveria declarar guerra a ela por você? - Ela gira o pulso, quando sua mão está em minha direção ela abre para me apontar.

- Não foi o que eu disse. - faço uma expressão de descaso. - Só acho estranho que esteja tão interessada na amizade dela depois de tudo que minha mãe disse, e mais estranho ainda que ela aceite sua amizade estando apaixonada por mim.

-Não se dê tanto valor. Ela é uma mulher muito bonita e simpática, não vejo porque eu não deveria ser amiga dela só porque ela gosta de você, os sentimentos passam alguma hora. E eu estou sozinha aqui, além dela e da mãe do seu amigo, ninguém mais foi gentil.

-Que bom que se deu bem com a Nádia.

- Sim. - concorda. -Então, espero que minha amizade com a Daria não te incomode, você teme algo? - Arqueia a sobrancelha, seus olhos estão mais escuros.

-De maneira alguma. Só desconfio dessa aproximação e não acho que vá ser uma amizade desinteressada, vindo de ambas as partes, principalmente da parte dela.

As chances de que Daria tente algo para impedir meu casamento com Hanna é grande, e ela não vai sair viva se tentar atrapalhar meus planos.

- Não se preocupe, eu e ela seremos ótimas amigas...- Sorri de lado. -Era só isso? - Seus braços se cruzam na altura dos seios, fazendo com que eles fiquem mais amostra no tecido.

-Não. - Apoio as mãos nos braços da poltrona, fazendo um movimento para me levantar e ando até ela, parando poucos centímetros de seu rosto, e ela não recua. Seu olhar não se baixa e seu queixo se ergue.

Eu posso sentir seu perfume único com mais força e seu corpo tenso, assim como posso sentir sua respiração descompassada.

-Quero saber quem é o homem que você tinha um caso na Itália. - Travou o maxilar, minha voz sai mais rouca e imponente.

- E para quê você quer saber?

- Não gosto de ninguém no meu caminho.

-Então não é tão seguro de si quanto pensa, o vê como uma ameaça? - Arqueia a sobrancelha.

- Jamais. Estou bem seguro de que você é minha e vai se tornar minha esposa, mas não gosto que cobiçam o que é meu.

-Não vou te dizer nada. - ela fala como se cuspiesse as palavras, seu tom é atrevido mas em sua expressão não tem nenhum risco de ódio, é só impassível. -Você não vai matar o homem que eu amo.

Sua palavras me atingem profundamente, e em um ato de descontrole eu seguro seu braço com força. Meus dedos afundando em sua carne.

-Esse fato te incomoda. - Ela não faz uma pergunta, e sim uma afirmação, o que me deixa mais furioso, refletindo em meu olhar e no aperto do seu braço. -Te perturba que eu não seja sua de verdade. Que eu esteja aqui e que possa até ser sua esposa, mas que você nunca vai ocupar minha mente e nem meu coração. E como vai lidar com isso, Dimitri? - Ela pronuncia cada palavra com satisfação e orgulho, seus lábios exibem um mínimo sorriso perverso.

Solto seu braço do meu perto, passando minhas mãos por sua cintura e a puxando para frente em um movimento rápido e violento fazendo com que nossos corpos se choquem. Ela sente minha ereção, e sei disso porque seus olhos se arregalaram de surpresa. É isso que você me causa, Hanna.

-Vou lidar com isso me apossando de tudo. - Encarou sério. - Do seu corpo. - a apertou mais ainda em mim e ela solta um gemido quase imperceptível, acharia que é um delírio meu se seu rosto não mostrasse uma expressão de prazer reprimido. -da sua mente e do seu coração. Além disso, você não terá contato e nem aproximação com nenhum homem sem que eu permita.

-Precisa de muito mais do que isso para me controlar. - Murmura.

- Eu vou conseguir.

- Tente o quanto quiser. - Ela se afasta em um movimento ágil de krav maga. Meu pau dói ainda mais pela distância que voltamos a ter, eu preciso tê-la embaixo de mim.

-Está envolvida com Mateo Bennaci? - Dou um passo à frente, novamente.

-O que está dizendo? - Joga uma mecha do cabelo para trás. - Espero que não esteja ensinando que eu tenha um caso com ele.

-E por que não?

-Por que é um absurdo. Ele é meu irmão, nós crescemos juntos e sempre fomos muito unidos. Seria muito doentio da sua parte pensar uma coisa dessas, então sugiro que comece a drenar o seu ciúme. Que a propósito - Ela ergue minimamente o dedo indicador da mão esquerda, na lateral do corpo, ainda com os braços cruzados. -É inaceitável, eu sou sua noiva por negócios, porque fui prometida a você e não vejo porque achar que tem o direito de ter ciúme, já que não estamos envolvidos por sentimentos.

-Tem razão, pode ter sido impróprio da minha parte desconfiar da sua relação com seu primo. Mas não pense que isso significa que não tenho direito de proteger o que é meu, e vai ser pior quando eu descobrir quem realmente é o seu amante.

-Lhe desejo sorte. Se fosse isso, acho que já pode ir. - Ela está minimamente trêmula quando aponta para a porta.

Eu a afeto, e isso é um bom começo.

- Desça para jantar em meia hora. - digo enquanto faço o caminho até a porta.

-Não estou com fome, obrigada. - Ela nega. Dou uma última secada em seu corpo exposto antes de sair, quase alcançando meu descontrole. Tenho que ir antes que eu a jogue nessa cama e a possua.

- Não é um convite. - Bato a porta.

Levanto da mesa, irritado. Ela não apareceu para o jantar e tive que comer sozinho. Vejo que ela, além de tudo, é birrenta.

Passando pelo corredor, parou em frente a porta de seu quarto. Penso se devo bater, e questioná-la do porquê de ela não ter comparecido no jantar, mas sei que isso causaria mais uma discussão entre nós. Ignoro minha vontade de chamá-la e sigo o caminho para o meu quarto.

19/03 12:50AM, Moscou

Dispenso todos os homens da minha sala. Eu tenho apreço por estar nesta Sede regularmente, mas hoje não é um bom dia para resolver problemas e fechar negócios. Meu olhar desfocado encara o nada, tenho certeza de que minha expressão não é nada convidativa, não que regulamente eu esbanje bom humor e extroversão, não fui contagiado por Ivan em todos estes anos mas hoje estou pior do que nunca.

-Que cara de acabado. - Gregory toma seu lugar na mesa da sala de reuniões. Ele está próximo a mim na grande mesa redonda, à frente das janelas de vidro que vão do teto ao chão.

- Mandei Stefan investigar com que Hanna se envolveu na Itália, ele não achou nada.

-Jura? - Ri, com irônia.

-Sim. - bufo, ignorando seu tom sarcástico. -Sei que o pai dela é um homem possessivo e provavelmente a mantém a sete chaves longe de outros homens, mas pelo visto, não a impede de ter casos secretos. secretos o suficiente para que eu não descubra.

-Eu não sei se o pai dela é tão possessivo assim, não; - Franzo o cenho por sua frase interminada, minha expressão o estimula a dar continuidade a sua insinuação. -Não quero insinuar nada, mas a sua noiva me parece bem experiente. - Dá ênfase no bem.

-Não fale assim da minha mulher. - digo, sério. - A única coisa que se sabe é que o único homem o qual ela passa parte do tempo, é o primo, Mateo.

-É, no tempo em que eu estava vigiando a ela, eu... Notei isso. - Comentar, parecendo se lembrar de algo.

-Eu a questionei sobre um possível caso...

- E ela disse que não tinha nada. - Presume, corretamente.

- Sim. mais do que isso, que era um absurdo que eu a acusasse de ter um caso com o homem que era praticamente seu irmão. Além de tudo, disse que é doentio da minha parte.

-É doentio da sua parte.

- Acha que estou errado? - Arqueio a sobrancelha.

- É doentio da sua parte mas não é sem fundamento. -Era exatamente o que eu precisava escutar. De todas as pessoas, fui perguntar logo a Gregory, alguém que tem tanta desconfiança no próximo quanto eu.

-Claro que não é sem fundamento, mas também me estranha que ela iria se envolver com alguém tão mais novo e próximo da sua família. - Apresento os contras da história.

-Ele tem quantos anos? Vinte e três? Não acho ele novo pra ela, Além do mais, eles não são irmãos.

-Vinte. - corrijo, pensativo sem olhar.

- Diferença nenhuma.

-Talvez. E sim, não são irmãos mas foram criados como, não duvido de que possa haver algo mas também tenho que analisar os contras, manter os pés no chão.

-É seu direito acreditar nela, mas pense em uma coisa, se você tivesse um caso diria a ela?

-Não. - nego com a cabeça, me lembrando do que a mesma disse na noite passada. -Também cogito esperançosamente a ideia de que ela tenha dito que há alguém apenas para me provocar, mas não parecia ser só isso. - Minha cabeça descarta a hipótese. Toda minha energia vai ter que ser gasta em fazer com que ela não me enlouqueça.

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