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CAPÍTULO 5

EU SUSPIRO TENTANDO NÃO transparecer o meu desprezo mais do que o necessário. Vejo que mal pisei no território e já tenho dois inimigos, Gregory, e minha indesejada sogra. E ah, é uma pena que ela não tenha morrido assim como o marido. Seria tudo melhor para mim.

Eu não estou afim de desistir tão fácil de não me casar com Dimitri, talvez eu consiga me esquivar deste peso em algum momento mas não vou contar com isso. Porém, não vou deixar que esse casamento dure muito, eu preciso voltar para Itália, para minha vida, meu trabalho, minha família, e para Mateo.

Eu odeio o fato de sair derrotada, eu disse que não me casaria para Gregory e cá e estou eu, mas posso reverter isso ao meu favor, como sempre fiz. E Dimitri não é feio, está longe disso, e vai ser muito divertido jogar com ele enquanto estiver aqui.

Vendo que ele está mais do que disposto em me defender, vou permanecer assim aos seus olhos, uma vítima, mas não demais. Já que me trouxe até aqui, Dimitri, vai ter que lidar com todas as consequências que isso tiver. E se eu me casar e sua mamãezinha continuar no meu caminho, eu vou ter que dar um belo jeito nela.

Continuamos a refeição na maior parte em silêncio, Dimitri tem sua pose travada e aparentemente raivosa desde que eu mencionei meu relacionamento na Itália. Ah, já está com ciúme. Rio internamente, e Ivana mantém seu olhar sobre mim, acho que está tentando avaliar minha alma com seu olhar perfurante. Não vai encontrar nada, até porque, há uma camada muito escura cobrindo-a.

—Com licença. - me coloco de pé, ficando atrás da cadeira a qual eu estava sentada, apoiando uma de minhas mãos nas costas da cadeira macia.

—Aonde vai? - Dimitri ergue o queixo, sua voz é seria demais.

— Para o meu quarto. Já estou satisfeita e tenho que fazer uma ligação para a minha família. - Ele concorda com a cabeça e corro o olhar para Ivana.

— Que bom que já vai. - Ela toma um gole de água da taça. — Nos veremos em breve.

Ela não vai mesmo parar com as provocações explícitas, e isso é bem pior pra ela. Coloco meu melhor sorriso Irônico no rosto, a oferecendo.

— Claro que sim, senhora. - Dou dois passos para longe da mesa. —Tenha uma boa mudança, já que hoje é seu último dia nesta casa, e espero vê-la mais vezes. - Seus olhos se fecham minimamente de ódio pela resposta, ela com certeza espera algo a altura, mas só vou responder da mesma maneira, quando eu tiver mais poder e domínio sobre seu filho, e se eu tiver que ficar. — Conversamos depois, Dimitri. - Balanço a cabeça em despedida e ele concorda.

Fecho a porta do meu quarto atrás de mim. Encarando o celular em cima da cama, me dou conta de que preciso falar com Mateo o mais rápido possível, já que ele certamente também acha que estou a trabalho em algum lugar. E não quero ver sua reação ao saber que eu irei me casar se não conseguir fazer com que Dimitri desista, e eu não confio nisso porque ele é um homem muito determinado.

Aperto seu nome na lista de contatos e espero os segundos se passarem até que ele atenda.

—Mateo.

—Hanna, finalmente me ligou. Por que não respondeu às minhas mensagens? por que foi pra Rússia sem se despedir? O tio Eric surtou.- Ele atropela as palavras em meio ao interrogatório. Imagino que meu pai deva mesmo ter feito um escândalo mas isso ele faz sempre e desta vez só preciso que ele não saiba que tem razão em se desesperar.

— Eu sei que surtou, é o meu pai. Eu não tive tempo de me despedir e acho que não vou voltar para Itália. - Mordo a unha do polegar, quase descascando o esmalte.

—O que aconteceu, Hanna? Onde você está?! - Ele aumenta o tom de voz. Não sei como contar.

—Eu estou na casa do meu noivo. - bufo, andando de um lado para o outro no quarto, o barulho dos meus saltos ecoa pelo chão.

— Como?

— Eu fui procurada pela máfia russa. Meu pai me prometeu para o futuro capô e se eu não me casar, toda minha família morre.

— Me mande o endereço, vou te buscar agora...

—Mateo, não seja estúpido!- falo seria. - Você não entraria na Rússia assim nem se quisesse, e eu não vou sair daqui. Não vou colocar a vida dos meus pais em risco.

— Está me dizendo que vai se casar?

—Sim, mas tentarei não casar de alguma maneira. O que eu tenho ciência é de que provavelmente não vou conseguir.

— Por que não falou nada para seus pais? Por que foi pra Rússia sozinha?

— Porque eles não podem saber, ou vamos entrar em guerra e não vou deixar que nenhum deles morra por mim.

—Por que estar me ligando? Pra terminar comigo? - Ah, Mateo. Eu jamais te largaria tão fácil, esse casamento não vai me impedir de te ter, você é meu.

— Não. - Meu tom é mais categórico e seguro do que o comum. —Não vamos terminar, Mateo

— E então?

—Se não houver maneira, se eu realmente tiver que me casar...- Cerro os dentes. —Vou dar um jeito para que fiquemos juntos. Eu só não sei como, mas eu vou fazer...

—Esqueça essa história. Eu vou falar com meu tio e com o Vicenzo, vamos dar um jeito nisso.

Minhas mãos se fecham em punho pela raiva. Não é assim que tem que agir, Mateo.

—Se fizer algo, Mateo, vai estar colocando a vida da nossa família em risco. E não é isso que você quer, não é?- Arqueio a sobrancelha mesmo que ele não possa ver, mudo meu tom para algo mais intimidante e a linha fica em silêncio por alguns segundos.

—Eu não quero que você se case..- ele usa um tom decepcionado. — A nossa família não é qualquer família, estamos do lado das maiores máfias da Itália e do mundo, Hanna, Por favor.

—Isso não nos impede de morrer. - falo mais seria ainda.- E não vou correr o risco. Eu posso resolver isto sozinha. Você quer ver sua mãe em perigo? Seu pai? A Sofia?...- apelo para seu lado mais frágil.

— Não vou conseguir ver você se casando com outro.

—Não vai ser para sempre. vamos ficar juntos, só preciso que seja paciente e me ajude.

— Te ajudar com o quê?

—Ajudando a esconder a verdade do meu pai. - Junto meu dedo indicador ao polegar, mexendo-os no ar em gesticulação. —Se eu não conseguir fazer meu noivo mudar de ideia, vou inventar uma desculpa para justificar o casamento e você não vai contar nada. E vou dar um jeito de te manter perto de mim.

— Hanna...

— Vai fazer isso por mim, não é, Mateo? - falo mais calma e branda, usando meu tom sedutor. - Você me ama e não vai me perder tão facilmente. Não é?

—Tudo bem....- Ouço ele soltar a respiração do outro lado da linha.

—Sabia que não me decepcionaria. - minha língua passa no lábio inferior antes que eu morra o mesmo. -- Eu amo você. - sorrio, vitoriosa.

— Eu também amo você...

—Tenho que ir, não conte nada a meu pai. Te ligo mais tarde.

—Entendi. - Eu desligo a chamada. Sei que ele está chateado mas ele vai lidar com isso, e posso resolver isso depois.

18/03 16:03 PM, Moscou

Paro na porta do escritório de Dimitri, saindo do mesmo há uma mulher loira de cabelos curtos e repicados na altura do pescoço, a raiz mais escura do que o comprimento. Ela tem quase a minha altura, é muito bem vestida e segura uma bolsa prada no antebraço. Deve ter por volta dos cinquenta anos, e seu olhar é gentil antes mesmo que ela se pronuncie.

—Boa tarde - Me cumprimenta com a voz calma e simpática ainda parada na porta do escritório, aparentemente está saindo e não entrando.

— Boa tarde. - Respondo educadamente. —Hanna Salvatore - estendo a mão.

-Você é a Hanna? Que prazer te conhecer. querida, eu sou Nadia Petrov. - Ela exibe um sorriso branco e receptivos, ignorando minha mão, ela me beija no rosto.

—Petrov? - procuro o sobrenome na mente.

— Sim.

— Você deve conhecer meu filho, Gregory Petrov... - Ela supõe, refrescando minha memória que me leva a desagradável imagem daquele homem. —Eu sou tia de consideração do Dimitri.

—Ah, seu Filho. - suspiro a respeito do Gregory, franzindo o nariz. — Já falou com ele? - meu dedo indicador aponta para a porta do escritório.

—Na verdade eu vim aqui falar com você.

—Comigo? - Franzo o cenho. —Sobre o que?

— O Dimitri me ligou e pediu para que eu viesse te auxiliar no que precisar.Afinal, você acabou de chegar e não conhece nada e nem ninguém.

— E pelo que vi até agora, isso é algo positivo. E no que exatamente a senhora vai me auxiliar?

—Vamos para sala? Lá podemos conversar mais à vontade.

—Sim. - Concordo, seguindo com a mesma até a sala de estar. me sento no enorme sofá bege em forma de L que tem a sua frente, duas poltronas brancas e baixas do mesmo tom.

Aponto o sofá com o braço esticado, para que ela faça o mesmo.

—Quem deveria estar fazendo isso é sua sogra. -- Ela se senta. —Mas acho que notou que ela é um pouco difícil.

—Imagino que possa ser pior do que já se mostrou.

— Ela é difícil... - Seu olhar sustenta o meu. -- Como são parecidas...

— Como? - Olho-a sem entender.

—Desculpe, eu estava pensando alto é que você lembra muito uma pessoa.

—Quem?

— Sua mãe biológica, Carine.

— Você a conheceu? - Pergunto desconfortável no lugar. Quase não falo da minha mãe, e na maioria das vezes tento me desvencilhar de falar sobre ela ou me apegar às poucas lembranças que tenho dela, mas não muda que amo mesmo depois de todos esses anos.

- Sim, eu fiquei muito próxima dela no começo da gravidez. - Assinto em concordância. Claro, até ela fugir para não ser morta pelo meu pai por ter uma filha bastarda e mulher e ele descobri. As investigações que meu pai abriu sobre meu passado só me fizeram odiar mais Igor Salazar.

—Ela gostava daqui?

— Não. Ela tinha repúdio por tudo que era da máfia.

— Então não iria gostar do que eu me tornei.

—Eu dúvido, sua mãe não gostava da máfia, mas ela amava você mais do que tudo. Foi por isso que ela foi embora, pra te dar uma vida diferente. - Mais especificamente para me manter viva, eu e ela. Penso.

—E ela morreu, e exatamente por isso estou envolvida com coisas muito mais além do que só a máfia.

—E ela morreu, e exatamente por isso estou envolvida com coisas muito mais além do que só a máfia.

— Eu sei que você tem uma vida nova, uma família nova...- É, eu tenho. E é muito melhor do que poderia ter sido na mão do Igor Salazar. —Mas acho que você tem o direito de saber que Igor pode ter te feito muito mal, mas você era a menina mais amada do mundo pela sua mãe.

— Eu acho que sim, não me lembro muito dela mas no dia de sua morte, tenho a lembrança dela implorando pela minha vida.

— Eu trouxe uma coisa...- Ela pega sua bolsa, a colocando no colo e deslizando o zíper da mesma para abri-la. —São fotos dela na gravidez e dela com você, ela me mandou.

Suspiro, jogando uma mecha de cabelo para trás e pegando as fotos de sua mão. encarando o papel, eu não esboçou reação, porque não tem reação para isso.

—Parecia muito feliz. - Encaro uma foto da minha mãe, seus cabelos eram curtos e castanho claros, na altura do pescoço. Seus olhos eram claros mas o formato dos mesmo e seu sorriso parecia muito com o meu, não é tão parecida comigo quanto Alissa, que por incrível que pareça, nunca pensariam que é minha ame adotiva pela semelhança. Ainda sim, se vê muito de mim em Carine. Na imagem ela está me segurando no colo, eu devia ter por volta de cinco anos e estamos em algum parque, eu tenho a mesma expressão de felicidade que ela.

—Ela era. Tudo que você fazia era incrível pra ela...- seu olhar se perde no local. — Ah, que boba eu sou. - ela balança uma das mãos no ar, como se expulsasse algo. — Você não deve ligar pra isso. Só achei que você tinha o direito de saber.

—Obrigada. - sorrio para ela com sinceridade. Eu vou guardar.

—Bom, mas chega de falar do passado. Vamos falar do futuro, isso deve estar sendo assustador pra você não é mesmo?

— Não. - nego com a cabeça, erguendo o queixo. —Um pouco revoltante, sem dúvidas. Mas não temo nada deste lugar e nem desta situação.

O único medo que eu poderia ter na vida, é pela vida dos meus pais, mas como aqui estou, não há nada que me cause medo.

—Como você é corajosa... - Sua expressão é de aprovação. E que bom que mesmo sem fazer esforços, já tenho alguém ao meu lado. Tudo graças a Carine, obrigada mamãe, você preparou o terreno pra mim e eu vou aproveitar isso. — É muito importante. eu posso marcar um almoço para que você conheça todas as outras mulheres. A apresentação oficial deve ser marcada pelo Dimitri.

—Eu não vou dizer que estou interessada em conhecer todo mundo, porque seria mentira, mas eu aceito, não tenho muito o que fazer e gostei da senhora. E a apresentação aconteceria de qualquer maneira.

—Eu também gostei de você, querida. Aqui, nós mulheres não temos papéis de protagonismo, por isso nos unimos muito. - Ela está apenas tentando amenizar o fato de que aqui, somos apenas objetos e submissas. Pelo jeito ela é de usar muitos eufemismos.

— Entendo exatamente o que quer dizer. - Sorrio, sem mostrar os dentes.

—Eu posso te ensinar nossas regras e leis, mas só uma coisa importante aqui. - Ergue o dedo indicador minimamente na mão que está sobre sua coxa. — Não confie em ninguém, até a mais doce das amigas, pode se tornar a mais amarga inimiga.

—Isso eu sempre soube, desde que cresci. Meu pai me ensinou isso muito bem. - Desconfiança sempre foi o forte de Eric Salvatore, acho que desde que ele me teve como filha, dedicou muito tempo a me ensinar esse tipo de coisa, e para o azar de todos, a personalidade dele influenciou muito na minha. E a da minha mãe, ficou para a Penélope, que no fundo, é tão Eric quanto eu.

—Seu pai é um homem muito sábio, nunca se esqueça disso. Bom, com o tempo vamos arrumando tudo, eu já vou, tenho que marcar um almoço. - Ela se levanta e eu faço o mesmo, andando até ela para acompanhá-la.

—Até breve. espero que venha mais vezes e Ivana, menos.

—Eu virei sempre que precisar de mim, é só me ligar... Dimitri tem meu número, foi um prazer te conhecer querida. - Ela me envolve em um abraço quase maternal.

—O mesmo. - Retribuo, oferecendo um sorriso. Como Gregory vai se sentir quando souber que sua mãe gosta tanto de mim? Rio.

Meus olhos sobem dos sapatos loubotin vermelhos até parar no rosto da ruiva. Seus cabelos são cor de cobre, os olhos pretos e sua pele é branca. É muito bonita, não posso negar.

— Em quê posso ajudar? - Encosto no corrimão de escada.

— Eu vim falar com o Dimitri. - ela fala de maneira envergonhada, quase com medo.

— E quem é você? - Desceu os degraus lentamente e parou no último.

— Daria Dubrov. — Estica sua mão, as unhas grandes e vermelhas do mesmo tom sangue que seu batom. Eu retribuo o aperto. - Prazer em conhecê-la.

— Hanna Salvatore. -- Seu sorriso morre no rosto lentamente. Ah, já perdeu o prazer em me ver? Que rápido.

— A filha do Salazar?...

— Sou filha do Salvatore, mas sim, Igor Salazar era meu progenitor. - Solto minha mão da sua. Então essa é a famosa Daria Dubrov, a esposa perfeita e quem mais ama Dimitri no mundo. E também, a pessoa que pode me salvar desse casamento.

— A noiva do Dimitri.

— É, também venho sendo chamada assim. vou logo ao ponto. - gesticulou como se varresse o ar para cima e a olho —Você o ama, estou errada?

— Não, mas ele vai se casar com você... - se encolhe no lugar, vou ensinar essa mosca morta a lutar pelo homem que ama...

— Ele pode não se casar, se você me ajudar... - Me aproximo ainda mais dela. — Estou disposta a ajudar você a conquistar o amor do Dimitri. O que acha? - A arqueio a sobrancelha, já ela, abre a boca em um O.

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