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CAPÍTULO 4

SOLTO MINHA MÃO DAS SUAS, são macias e delicadas, e já imagino sua mão enfeitada pelo anel de brilhantes que a darei quando fizermos o noivado oficial. Pelas fotos já tinha uma noção bem realista de sua beleza, mas as imagens não faziam jus ao que vejo em minha frente. Ela tem por volta dos 1,70 de altura, seu corpo tem curvas suaves, o sobretudo preto cobre seu corpo e o cinto do mesmo em sua cintura dá destaque a curva. É notável que suas coxas são grossas mesmo que cobertas por botas pretas que vão até a mesma. Seus olhos são de um azul com nuances de verde, lábios carnudos e rosados e pele pálida, seus cabelos são curtos na altura dos seios e loiros, quase brancos. Seu queixo é bem desenhado e as bochechas levemente rosadas.

O cheiro marcante de seu perfume é quase indescritível. sua voz é feminina e ela tem um tom severo e confiante, assim como sua pose, o nariz erguido. uma pose mais de ataque do que defensiva, como se não fosse ela que estivesse em desvantagem, levando em conta o território e o adversário, que é como ela me olha.

—É muito presunçoso da sua parte dizer isso com tanta confiança.

— Eu confio no que digo, e confio mais nas medidas que estou usando para chegar ao meu objetivo.

— Ameaçar a minha família, muito perspicaz.

—Acho que deveríamos tratar disso no escritório. - Não é uma sugestão da minha parte, soa como uma ordem, o que faz com ela fique sem expressão por um momento e depois assinta.

— Certo. - Ela me segue pelo hall de entrada, passando pelo corredor do lado direito. Abro a porta para ela, a dando passagem e ela por conta própria se senta na poltrona de frente para a minha mesa, sem que eu tenha que dizer.

Faço o mesmo percurso, me sentando na cadeira de couro do outro lado e a encarando.

—Sabe porquê está aqui. - Eu afirmo.

—Sim, mesmo que vocês não sejam muito detalhistas. E como eu poderia negar em meio a tanta ameaça? - Arqueia a sobrancelha. Não acho que o tipo vitimista se encaixe nela, então vou aderir o termo sarcástica.

— Uma ótima proposta. -- Movo a cabeça ao responder no mesmo tom de ironia. —Mas vamos parar com o sarcasmo por aqui. - Falo sério.

—Por que me procurou depois de tanto tempo? - Franze o cenho.

— Porque eu preciso que você se case comigo.

— Para se tornar capô.

—Não. - falo incisivo. —Eu já sou capô.

— Então para que eu tenho que me casar, exatamente?

—Era o plano do seu pai, você sempre pertenceu a mim, a menos que ele tivesse um filho homem para assumir o lugar dele, o que não aconteceu.

—Minha tia Death foi mais rápida do que a vontade dele de ter um herdeiro homem. - Ela fala completamente orgulhosa, ela tem um ego muito inflado.

— Sim. E como isso aconteceu, o seu destino já traçado se concretiza agora que está aqui. Como mulher, você não tem poder para ter um cargo de liderança na máfia,mas não quero correr o risco de que um dia decida que esse lugar é seu e coloque um marido no meu lugar.

—Se é assim, posso garantir que essa máfia não me interessa e que nunca voltarei aqui para tomar posse de nada.- Ela dá ênfase na palavra, sua língua dando uma volta na boca na extensão da pronúncia é completamente sexy e ela sabe disso, porque o olhar que ela dá ao fim, é intenso. Pelo jeito ela é uma nata sedutora. —Nunca esteve em meus planos e minha meta de vida é melhor do que isso. - Ergue as duas mãos no ar com os cotovelos dobrados.

—Então reestabeleça novas metas de vida, você não tem opção. - Aconselho.

— Eu não quero o seu lugar, e não quero trazer ninguém para tirá-lo. - fala, segura. —Se está é sua preocupação, dou a minha palavra de que não acontecerá e me deixe ir.

—Sua palavra não me basta e não me garante nada, Senhorita Salazar.

—Então dê ordens para que nunca me deixem entrar na Rússia novamente.

— Não se trata só do risco que você representa, se fosse, eu já a teria matado.

—Então o que?

—Eu quero que seja minha. - falo sinceramente, não vejo porque esconder a verdade. A sinceridade é um dos meus pontos positivos.

-—Não se pode ter tudo que quer.

— Eu posso. - Falou confiante. — E por isso você nunca mais sairá da Rússia sem mim. E como disse, você não tem opção, se você tentar sair, sua família morre e você vai continuar aqui com eles vivos, ou não.

—Temos todas as armas e meios para mudar isso, e você sabe. A máfia Bennaci, Salvatore e a organização do meu pai estariam dispostas a lutar por mim caso eu quisesse, e eu não sou filha de qualquer um.

— Seu pai fez muita história no ramo, mas agora com seus cinquenta anos, ele já não é o mesmo.

— É o que pensa?

—Talvez, mas eu não estou o subestimando. Sei que poderíamos entrar em guerra por isso e eu aceito o risco, mas acho que você não. E mesmo que possa sair da Rússia viva, você não vai arriscar a vida do seu pai, da sua mãe, dos seus tios e primos. Tem todos os meios para lutar mas não tem coragem para usar, o que não serve de nada. Então sugiro que seja coerente e aceite o seu destino.

Ela se levanta da poltrona, ficando de pé em frente a mesa e pousa as duas mãos sobre a madeira fria da mesma, inclinando o corpo na minha direção que permaneço sentado, seus cabelos caem para frente sem tampar seu rosto e nossos olhos sustentam um encarar sério.

— Eu vou me casar com você, Dimitri - sua voz é mansa e calma, diferente da sua expressão que reflete muito ódio interno mas ela tem um ótimo domínio do controle. —Mas para qualquer efeito, lembra bem desse dia e da culpa que você carrega por qualquer consequência que isso tiver.

Aproximo ainda mais a cadeira da mesa, e inclino minha coluna, deixando meu rosto próximo do seu, o suficiente para sentir o ar que ela emana e seu hálito.

— Estou totalmente de acordo, senhorita Salazar.

— Muito bem, então eu acho que já pode começar a organizar um grande jantar de noivado e comprar o meu anel. - Ela se afasta, voltando a se sentar na poltrona.

—Que bom que está bem disposta e resignada, já abri mão de muita coisa para que você estivesse viva. Por voto popular, você já estaria enterrada.

— Eu diria que eu não te pedi nada, mas que bom que está disposto a fazer sacrifícios por mim. Eu não aceitaria menos que isso, vai ajudar na nossa convivência.

—Achei que já estaria fazendo promessas de tornar minha vida um inferno.

— Não, eu não sou de promessas e quero ter uma boa relação com meu marido, o qual eu fui destinada a servir pelo resto da vida. - Mais uma vez seu tom é irônico, e mesmo que ela não esteja fazendo promessas de vingança e ódio por palavras, seus olhos são cheios delas.

— Vamos nos dar muito bem. E confesso que você está acima de todas as minhas expectativas de um dia atrás.

— Eu sempre vou ser muito mais do que você imagina. - Franzo o cenho por um segundo.

—Vou mandar que a empregada te leve até seu quarto temporário, em breve o meu será seu também. A menos que queira adiantar o processo.

—Acredito que vou ficar muito bem no quarto de hóspedes. —Se levanta novamente. -—Mas muito obrigada pela proposta. - Ela faz o caminho para fora da sala a passos confiantes e antes de fechar a porta, me olha por cima do ombro e bate a porta atrás de si.

Me arrumo no lugar. Meu membro enrijecido como pedra na calça me causa dor e incômodo. Eu preciso tê-la. Só seu cheiro e sua presença marcante me deixaram de pau duro, mesmo que eu não tenha tocado nela e algo me diz que cada movimento seu é premeditado com este mesmo fim.

18/03 13:30PM, Moscou

Me sento na cabeceira da mesa após o almoço ser servido. Hanna não apareceu para o café da manhã e não a vi desde ontem quando saiu do escritório. Peço que a empregada a chame no quarto e ela se retira.

— Novamente sua noiva não apareceu para comer? - Minha mãe ocupa o lado oposto. Seu sorriso é de satisfação com o fato e espero que ela não seja indelicada com Hanna quando a mesma descer.

— Ela virá, mãe. E acho bom que não seja rude com ela.

— Vou tratá-la de acordo com o que eu achar conveniente. - Diz ao colocar o guardanapo no colo. — E como este é meu último dia nesta casa, se meu tratamento não a agradar, ela terá tempo o suficiente para superar até minha próxima visita.

— Ela é uma legítima Salazar, a última da família, então contenha o seu ódio à mãe. E você é a que mais tem interesse em nos lembrar como Igor era um capô excepcional.

— E não o temos mais por culpa desta menina. - Seu tom é carregado de ódio.

— A culpa é da morte do meu pai, é exclusivamente dele. Se ele não tivesse tentado sequestrar a mim e a minha mãe, poderia estar vivo. - Hanna responde seu comentário ao chegar na sala de jantar, andando lentamente até a mesa com a cabeça erguida e uma expressão desafiadora, confrontando diretamente minha mãe que a encara da mesma maneira.

— Já está me faltando com respeito antes mesmo de se apresentar. - minha mãe balança a cabeça em negativo. - Ótimo escolha de esposa, querido. - Volta o olhar para mim.

— Peço desculpas pela indelicadeza, senhora. - Para em frente a cadeira, estendendo sua mão. - Hanna Salvatore, ou Salazar, como preferir.

— Ivana Devan. -- Aperta sua mão.

Se separando da minha mãe, ela anda até mim e se senta na cadeira à minha esquerda. Troco um olhar com ela, a mesma sorri sem mostrar os dentes, um sorriso atrevido.

— Por que não veio para o café da manhã? - Pergunto a ela.

— Eu estava indisposta e sem fome, mas aqui estou eu para o almoço. - sorri. — E que bom que estou tendo a oportunidade de conhecer minha futura sogra.

— Eu não sinto o mesmo prazer, mas tenho interesse em conhecê-la. E principalmente em saber se chega aos pés da Daria.

— E quem é Daria? - Ela olha para minha mãe com um olhar interessado, envolve uma mecha dos cabelos loiros nos dedos e a joga para trás, me dando a visão de seu pescoço nu que exala seu perfume.

— Ela era noiva do meu filho, até ele decidir trocar por você. Uma moça excepcional, educada e inteligente, e que acima de tudo, ama o meu filho.

— Não invente mentiras, Mãe. - Falo em um tom elevado e sério, ganhando a atenção de Hanna que passa a língua sobre os lábios rosados e morde o lábio inferior. — Daria nunca foi minha noiva, eu nunca aceitei como nada minha além de uma amiga, e todas as promessas a frente disso, vieram de você.

— Não. - Hanna ergue um dedo, voltando a olhar minha mãe. — Eu entendo completamente a sua mãe, Dimitri. Ela a quer com alguém que te ame, e eu não sinto isso. Ah, senhora, minha mãe também torcia muito pelo meu relacionamento e vai estar tão infeliz quanto a senhora quando eu me casar com o seu filho. - Ela cospe as palavras com ódio. Eu achava que seu tom orgulhoso e severo de desafio era só pela circunstância, mas me parece que ela fala assim a todo momento e toda essa pose e segurança fazem parte de sua personalidade. Ela me parece a cada segundo, mais atraente. E minha.

Vou investigar quem era o seu caso amoroso na Itália e não vou parar até ter a cabeça dele em uma caixa de presentes. A ideia de que outro a tocou ou tenha seu afeto faz com que meu sangue ferve por dentro. Suspiro na tentativa de relaxar os músculos que se enriqueceram no minuto que ela mencionou outro.

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