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CAPÍTULO 2

Olhando para TRÁS, é quase uma ironia que eu esteja sentado nesta cadeira justamente porque a pessoa que queria me ver nela, não pode estar aqui. Meu pai era um tipo rígido e severo quando se tratava de disciplina e trabalho, mas era bem humorado em família, e agora que ele se foi, só me resta as lembranças e esperar ver o que será da minha mãe, ele era o quê continha o seu costumeiro estado de espírito mórbido.

A cadeira de couro é alta e está fria, a pouco era ocupada pela maior parte do dia por ele.

—Ele adoraria te ver sentado aí. - Gregory diz, cruzando os braços, parece pensativo como eu.

—Uma pena que eu esteja por necessidade.

— Ele era um bom homem, honrou seu compromisso com a Salazar e você vai fazer o mesmo. - Me encoraja

—É o certo, Gregory. - concordo.-E vou ser melhor do que meu pai e Igor já foram.

—E eu não esperava menos de você... Quero que saiba que sempre terá a minha lealdade. - Estende sua mão por cima da mesa, eu a aperto sabendo que diz a verdade.

—Sei que sim. - Confio em Gregory e na sua lealdade. Somos amigos desde criança e sei que ele nunca trairia minha confiança. Por isso ele vai ocupar o lugar de subchefe agora que sou capô.

—Bom, qual o próximo passo agora? - Pergunta ao olhar para o redor da sala.

—Me casar. E me certificar de que só eu seja o sucessor.

O problema é que não tenho certeza se quero uma esposa por enquanto, já que gosto da minha vida do jeito que está, ou estava. Sempre mantive minha vida em perfeita ordem, gosto das minhas coisas em perfeita ordem.

Não chego a ser asseado de forma exagerada ou patética - nada que fizesse um psicólogo se preocupar com a minha sanidade caso me visse - mas acho desconfortável a ideia de ter que me preocupar com outra pessoa, manter o controle sobre ela. Não estou afim disso, não tenho espaço na minha cabeça e nem no meu coração, todavia, minha mãe vai intervir e o conselho vai exigir um casamento o mais breve possível.

—Vamos procurar a filha de Salazar?

—Ela até hoje não apareceu, talvez não seja necessário. E que poder ela teria se não pudesse virar capô? - Aperto a ponta superior da caneta.

—Já pensou se ela se casa com outro e aparece aqui com um marido para reivindicar o lugar que lhe é de direito?

—Duvido que aconteça...- olhou, desconfiado —Mas não quero correr o risco.

— Temos que pensar em todas as possibilidades.

— Tem razão. E para mim, existem duas:ou eu me caso com ela, ou eu a mato.

—Vamos na mais fácil e simples.

—Vou ajudá-la e resolver esse problema. Pelo que sabemos, ela estava na Itália e nunca saiu de lá.

—Vou acionar os meus contatos lá. Vamos achá-la.

—O mais rápido possível. - Falo seguro.

—O mais rápido possível. - Repete, em concordância e eu relaxei na cadeira.

Pouco se sabe sobre a filha de Igor Salazar. A sua morte a vinte anos nos deixou com um pé atrás, todos presentes no dia da sua morte, também não estão aqui para contar a respeito. Tudo que sabemos é que ele tinha um interesse amoroso em uma mulher Italiana, a mesma vez ou outra ficava com sua filha, Hanna Salazar, quase uma bastarda.

Depois disso não se soube mais nada, e também não a procuramos muito, não era conveniente e ela não mostrava ameaça, devia ter por volta dos seis ou sete anos. Provavelmente hoje sequer se lembra de seu pai, se estiver viva, é claro. Mas Gregory tem razão, deixar isso em aberto pode me trazer uma surpresa desagradável e isso já foi adiado demais. Mesmo que seja a herdeira legítima de Salazar, como mulher, ela não tem direito algum sobre o cargo, mas ainda pode se casar e querer colocar o marido no meu lugar, e o conselho seria obrigado a aceitar.

Sem ela, não corro risco algum. Os Devan são a segunda família da máfia Salazar, em terceiro os Petrov e por último, Dubrov.

Por estas se foi formada a máfia Salazar, pelo primeiro Salazar da linhagem dentro da máfia russa, e

posteriormente incluiu os Devan no negócio, não posso deixar que reste a tal Hanna para atrapalhar algo.

UM MÊS DEPOIS....

13/03 14:20PM, Moscou

— Boa tarde, Dimitri. - Daria aparece na porta da minha sala, sem bater ela toma a liberdade de entrar. Ignoro sua atitude irritante e invasiva.

—Boa tarde, Minha mãe não está. - Eu a olho por cima dos óculos de leitora por um breve momento.

—Vim ver como está. Não nos falamos muito desde o velório do seu pai. - Se senta na poltrona baixa de couro do lado oposto da mesa. A bolsa preta no colo e os olhos sobre mim, ela tem um sorriso nos lábios pintados de vermelho que contrastam com seus cabelos ruivos e a pele branca. Dou de ombros a sua presença tanto quanto para sua pergunta.

—Ótimo, obrigado. E você? - Largo os papéis. com certeza eu não estou ótimo ainda e sequer feliz, mas eu não irei dar esses detalhes a ela.

—Muito bem, obrigada. - Suspira.

---Se veio me ver, já cumpriu seu objetivo. O que mais deseja, Daria? - a questionou, impaciente. Ela é sempre gentil e preocupada com meu estado, algo que não agrada. Não gosto de aproximações forçadas e indesejadas, e mesmo que eu a conheça desde a infância, não lhe dei tal liberdade mas minha sempre o fez, o que deve fazer com que ela pense que isso é uma carta branca dentro da minha casa.

—Nada, eu já vou indo. - Se coloca de pé novamente, pegando sua bolsa mas não sai sem antes me dar uma última olhada, lhe ofereço um sorriso breve de despedida para amenizar a minha hostilidade e ela se vai.

Daria é uma mulher com muitas virtudes que vão além da beleza, mas nenhuma delas me encanta profundamente. E acredito que ela se deixou levar pela manipulação de seu pai Yusef Dubrov junto a minha mãe que a acha a nora ideal, mas antes de tudo, isso depende da minha vontade, que até agora é inexistente.

Talvez eu a tenha a dado alguma esperança alguma vez, mas não intencional. Certas vezes tivemos longas conversas sobre nossas vidas, eu devia estar me sentindo muito comunicativo na ocasião, outras vezes, pode ter sido uma extensão de conversa para evitar parecer rude, coisa que já não me incomoda tanto atualmente, sabendo as consequências que isso trará.

A porta é batida algumas vezes e dou a ordem para que entrem. Stefan adentra, uma pasta preta de grossura mediana nas mãos, coloca a mesma sobre a minha mesa e corre o olhar da pasta para mim.

— Achamos a filha do Salazar, Dimitri.

—Vou avaliar os papéis, e depois dou a ordem para que a achem e completem o trabalho. - Ele Assente, fazendo o caminho de volta pela sala e me deixando sozinho com a pasta.

A primeira página tem todos os seus dados básicos e alguns que já estavam sob a nossa ciência. As outras mais sobre sua vida, e algumas fotos dela desde a infância até a atualidade.

Paro nas mais recente, hipnotizado e perplexo.

14/03 18:00PM, Moscou

—O que você quer, Dimitri? - Pergunta Gregory, entrando na sala.

—Achei a filha do Salazar - Jogo a pasta preta com os dados e fotos dela, em cima da mesa.

—Pensei que nunca íamos achar. - Ele pega a pasta, a abrindo sem tirar os olhos de mim.

—Mudou o nome para Hanna Salvatore.

-—Salvatore? Não pode ser. - Pergunto olhando a foto após erguer a sobrancelha direita.

—Ninguém menos a criou do que Eric Salvatore. -- Movo a cabeça em sinal de surpresa.

—Eu a conheço. - Aproximou a cadeira da mesa, olhando interessado.

—Como?

—Tenho alguns amigos na Itália, mas precisamente conheço a tia dela. Death, já fez alguns trabalhos para mim. Se eu soubesse que era ela, já a teria matado há muito tempo.

Ergo a mão em sinal de oposição e abaixo.

—Não quero ela morta. - Meu tom saiu com total seriedade.

—Como?

—O que sabe sobre ela? - ignoro sua pergunta.

—Não muito. deve ter uns vinte e cinco ou vinte e sete anos, solteira, mora com os pais, pelo que eu soube há muito tempo, ela estava terminando seu treinamento. A essa altura já deve ter integrado na organização de assassinos da família. - Presto atenção em cada detalhe do que diz. - Os Obscurare, aquela que já fez alguns serviços para nós.

—Ela tem que a proteja. - constato com pesar. — Preciso dela aqui, em no máximo, uma semana.

—Dimitri, o que exatamente está pretendendo?

—Vou me casar com ela.

—Só pode ter enlouquecido...- Não me abalo com sua expressão de indignação e absurdo. — Ficou completamente louco?

—Alguma objeção? - Arqueio a sobrancelha.

—Claro que eu tenho, se ouça Dimitri. Ela não é uma órfã, ela é filha de Eric Salvatore que é irmão do Don da Cossa Nostra, ele é dono da metade da Itália. o tio dela é irmão do capô da máfia Benacci, dono da outra metade, e nem me deixe começar a falar que ela faz parte de uma das organizações de assassinos mais famosas do mundo.

—Eu sei que ela tem muita proteção e todas as armas possíveis para se esquivar, mas faça ela pensar que não. Volte para a Itália e use todos os meios e armas que tivermos.

—Eu sabia que ia sobrar para mim. Como pretende fazer ela se casar com você sem que o pai dela te mate antes?

—Pelo que eu sei de Eric Salvatore, ele não preza por muitas coisas. Se aceitou a filha de um dos seus inimigos como sua, é porque a ama. Ela vai ter vontade de se casar comigo, é o que vai fazer parecer pra ele, e ele vai aceitar.

—Dimitri, você está brincando com fogo, pode acabar se queimando. - Diz num tom de alerta.

—Estou disposto a correr o risco. Ela é o meu caminho para ser capô.

— Se interessou por ela, isso está claro, mas ela não é qualquer uma. tome cuidado.

Assinto em concordância. Tenho a consciência de que Hanna Salazar não é qualquer uma, e eu a quero mais ainda por esse motivo. E ela vai ser minha.

—A traga para mim, de preferência por bem. - Me levanto da cadeira, dando a volta na mesa e me recostando em sua borda. Não quero que ela tenha sequer um fio de cabelo fora do lugar, já que minha mulher tem que estar sã e salva para me aceitar.

—Sou sempre eu que que tenho que fazer o trabalho sujo. Não sei o que faço com você meu amigo. - Ri e me dá um abraço.

—É para isso que servem os amigos. - sorrio, ardiloso. Eu a quero aqui o mais breve possível, quero vê-la de perto.

14/03 20:00PM, Moscou

Me sento na cabeceira da mesa de jantar. Minha mãe me encara do lado oposto com um olhar rígido, ela tem algo a dizer, mas não vou me atrever a perguntar. Hoje não estou no melhor dos meus humores para receber sermão.

Minha indisposição para a conversa faz com que o silêncio perdura até o fim da refeição principal, antes da sobremesa. Ela soltou os talheres ao lado do prato, dá um gole em seu vinho tinto e me encara, prestes a dizer algo.

—Fico muito surpresa que além de ter que lidar com a morte recente do meu marido, tenha que lidar com meu filho passando por cima de mim.

Largo o guardanapo em cima da mesa com hostilidade.

—Mãe, você não tem autoridade nenhuma dentro da máfia além do respeito que tem por ser viúva do ex capô e minha mãe.

— É um absurdo que me responda desta maneira, Dimitri. Eu sei do meu lugar dentro da máfia, e posso não ter autoridade nisso, mas eu tenho como mãe e você passou por cima dela.

—Em quê, mãe?

—Decidiu que vai se casar com a filha do Salazar, e não me informou. E esse não era nosso combinado, Dimitri. Era para que você a matasse e escolhesse Daria como esposa.

—Não, mãe. - Altero o tom. -Não tínhamos nenhum combinado, apenas promessas que fez a ela, eu nunca aceitei essa condição. Não tive tempo de lhe contar a minha escolha, mas será como eu decidi. Hanna não vai morrer, vai ser minha esposa e dona desta casa.

—Não enquanto eu estiver aqui. - Se altera.

-—Então tem toda liberdade para se mudar. - Gesticulo para a saída da sala de jantar.

—Não posso acreditar que vai me tirar da minha casa, por uma mulher que nem conhece. - Ela não disfarça o aumento da fúria e eu não o faço com minha obstinação.

—Não estou te tirando, estou dizendo que se não a aceita aqui, pode sair e não vou fazer nenhuma objeção.

Não vou permitir que minha mãe controle a minha vida, sequer que continue a tentar. Pior ainda quando se trata de Hanna, ela vai ser minha e ninguém vai impedir, nem a objeção da minha mãe.

— E o que te leva a pensar que ela vai aceitar?

—Ela vai, por bem ou por mal. Eu sei usar meus meios, mãe. Sem contar que ela é uma legítima Salazar, a última que restou e que viverá. E ela foi adotada pelos Salvatore, tem a cossa nostra ao seu lado, e uma organização de assassinos. Podemos aproveitar tudo isso se ela for minha.

—Era só matá-la. Não acredito que seja por isso que a quer, mas faça o que achar melhor. E fique sabendo que não tem o meu apoio e nem minha aprovação. - Ela empurra a cadeira, se colocando de pé e me olhando à espera de alguma reação.

—Estou ciente disso. Então acho que já tenho que mandar comprar outra casa pra você, mãe. - Ela me olha como se eu estivesse apontando uma arma em sua direção, e sai a passos duros do meu campo de vista.

-—O mais lindo acabou de chegar... - Ivan entra na sala de jantar depois de olhar para trás com cara de medo, seu bom humor me faz rir nasalmente de seu ego inflado, ou de sua piada, nunca saberei qual.

—E cadê ele? - olho para trás, e depois por cima de seus ombros.

—Aqui... - volta a olhar para a saída da sala de jantar. -Escuta, o inferno congelou ou o batom favorito da sua mãe saiu de linha? - Ele certamente a viu no caminho tão irritada quanto quando saiu da minha vista.

—Ela só está com raiva.- Respondo sem dar importância ao fato, desta vez não há nada que eu possa fazer para mudar isso, nada além de abdicar das minhas vontades e isso está fora de cogitação para mim.

—Do que? - Se joga na cadeira que era ocupada por ela há pouco, Ivan sempre tem um jeito invasivo e abusado que me irrita na maioria das pessoas. Mas com uma amizade de infância que perdurou por tanto tempo, eu já não me importo mais com seu jeito e diria que estou acostumado com seus hábitos.

—Ela não quer que eu me case com a filha do Salazar. E eu disse que ela vai se mudar da minha casa se assim for.

—Você mandou sua mãe embora? - abre com a boca, era de se esperar que se chocasse com o fato, mesmo que não tenha sido bem assim.

—Ela decidiu isso. - Esclareço. - Eu a dei a opção de aceitar minha decisão, e como ela não quis, disse que compraria outra casa para ela. Minha esposa vai ser a nova dona desta casa, gostem ou não.

—Já vai se preparando para ser viúvo, porque sua mãe vai matá-la. Está ciente, não é? - Balanço a cabeça em negativo.

—Eu não irei permitir nenhum tipo de ataque contra ela, Ivan. Ou a minha mãe aprende que não pode comandar a minha vida, ou será afastada de mim. Gregory já está em busca da minha mulher, e vai trazê-la até aqui.

— E ele vai achar. Você não está ciente do fez, não é? - Questiona, risonho.

—Mais do que isso. - sorrio. - E está convidado a ser padrinho do meu casamento.

—Não seria outro, eu tenho sua despedida de solteiro planejada há muito tempo... - Ele tem um olhar perdido e visionário, sei que ele está vislumbrando algo com álcool, prostitutas e stripers. -Mas você acabou de declarar guerra entre sua mãe e sua noiva antes mesmo de ela chegar.

—É só uma consequência, minha mãe vai ter que lidar com isso e eu vou proteger minha esposa de qualquer coisa que minha mãe queira fazer, e sei que ela também saberá se defender.

Até porque seria impossível que uma Salvatore, que é o que a mesma se tornou, não saiba se defender, mas verei em breve. Essa mulher me intrigou como ninguém, e não vou descansar até conhecê-la por completo, cada traço da sua personalidade, até seus piores segredos e cada centímetro do seu corpo.

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