Capítulo 4 - Carla
EU TINHA CONHECIDO Claudia Ferraz na primeira reunião de pais do Colégio Dom Pedro II que havia ido no lugar do meu marido Roque. Nós duas tínhamos filhas na mesma idade escolar, mas era muito raro que eu fosse àquelas enfadonhas e improdutivas reuniões que costumavam acontecer a cada três meses.
O pai de Micaela, minha filha, era mais animado para confraternizar com os outros pais e adorava participar também das celebrações que aconteciam com certa frequência na instituição, como o dia dos pais, dia da Independência do Brasil, Páscoa, Natal, etc. Naquele dia de março, no entanto, ele tinha um encontro muito importante com os demais engenheiros da Suares & Castilho, a empresa da minha família, e eu o acabei substituindo na reunião de pais.
Micaela tinha ficado muito apegada a uma das suas amigas do Dom Pedro II, e como ela não parava de falar da tal Kelly em casa, fiquei curiosa para conhecer a mãe da garota. Quando cheguei à sala de aula onde ia acontecer a reunião com o professor principal da turma, não foi difícil percebê-la entre as demais mães.
Claudia era, com segurança, uma das mulheres mais bonitas que havia dentro daquele lugar, e enquanto as outras apresentavam apenas a beleza comum de mulheres naquela idade — 30 e poucos — ela se destacava muito. Tinha cabelos loiros ondulados na altura dos ombros, mais ou menos 1,70 de altura, olhos verdes e um corpo de dar inveja. Estava usando uma regatinha preta comportada, mas o par empinado de seios ficava bastante evidente.
Eu tinha conseguido voltar à minha antiga forma física depois de dar uma relaxada de alguns anos após o nascimento de Micaela, mas apesar de não ficar devendo em quase nada à Claudia fisicamente falando, me sentia um pouco menos gostosa que a moça. Ao final da reunião resolvi socializar um pouco. Me aproximei e começamos a conversar.
Depois daquela reunião de março, decidi aparecer mais no colégio da minha filha e assim como Micaela tinha ficado amiga de Kelly, eu e Claudia também passamos a nos conhecer melhor.
Na reunião de pais de junho daquele ano, trocamos ideias divertidas entre nós duas ainda no pátio do Dom Pedro II e foi ali que conheci também Silvana, a mãe da terceira perna do tripé de meninas mais populares da turma, a Nicole.
Claudia e Silvana eram vizinhas no bairro do Itaim Bibi e se conheciam há algum tempo por causa das filhas. As duas tinham matriculado Kelly e Nicole há três anos naquele colégio e era curioso como nós nunca antes tínhamos nos encontrado por ali.
— Como foi que a gente nunca se conheceu antes, sendo que nossas filhas estudam juntas há tanto tempo, meninas? — Perguntei, sentada na mesa de um barzinho onde fomos dar uma relaxada aquela tarde. Claudia estava à minha frente bebendo uma cerveja e Silvana estava sentada do meu lado esquerdo, nos acompanhando com um copo de suco de gengibre. O tempo estava bastante agradável, fazia um calor ameno e o bar estava pouco movimentado àquela hora.
— Você mesma disse que vinha pouco as reuniões de pais, Carla — disse Claudia, sorridente com os óculos de sol servindo de arco para os cabelos bem-hidratados —, eu lembro de ter visto o seu marido uma vez. Ele é um ruivo de cavanhaque, não é?
— Isso mesmo — respondi, após dar um gole em minha cerveja —, pra ser sincera, eu acho essas reuniões um saco!
As duas riram em concordância.
— A gente paga os olhos da cara nas mensalidades desse colégio para dar a melhor educação para as nossas filhas e eles nem mudam o roteiro das reuniões! — Disse Silvana, com tom debochado. — É sempre a mesma coisa. Também acho cansativo às vezes. Só venho porque a minha Nic só tem a mim para essas coisas. O padrasto dela não se envolve nesses assuntos.
Silvana era tão linda quanto Claudia. Cabelos loiros bem claros, um par de olhos azuis hipnotizantes e seios fartos. Trabalhava como enfermeira num hospital particular, era divorciada há alguns anos e o pai de Nicole morava no Espírito Santo, onde era gerente de uma agência de turismo.
Há pouco tempo, tinha se encantado pelo professor da academia que começou a frequentar para perder peso e os dois estavam num relacionamento estável. Apesar de eu ainda ser casada e Roque e eu aparentarmos ser um casal feliz, eu me identifiquei um pouco com a história de Silvana: mulher carente e bonita que encontra companhia nos braços de um garotão mais jovem que a faz sentir prazer novamente. Era exatamente o que eu estava vivendo com Gilson, o professor de judô com quem eu havia me envolvido há pouco tempo e com quem andava transando.
Depois daquela segunda reunião por conta das obrigações com a escola, nós três passamos a nos falar com frequência via WhatsApp e até marcamos alguns encontros em barzinhos para jogar conversa fora. Tínhamos uma sintonia tão boa entre nós que não demorou para nos tornarmos confidentes umas das outras, e assim como acabei confessando que estava traindo o meu marido com o judoca — que além de tudo, era irmão mais velho da secretária do meu escritório de design e arquitetura —, Claudia me falou de algumas escapadas que deu com o próprio primo, um garotão de 23 anos que era instrutor de esportes radicais no Rio de Janeiro.
— Mas ele é seu primo de primeiro grau? — Perguntei interessada, enquanto Silvana se empertigava na cadeira para saber a resposta. Era umas vinte horas, e naquele dia, a enfermeira loira não ia dar plantão no hospital particular onde trabalhava. Tínhamos todo o tempo do mundo para fofocar.
— Sim, de primeiro grau — respondeu a publicitária —, o Henrique é filho do meu tio Augusto, que é irmão do meu pai. E vou contar para vocês… como é gostoso!
A conversa era uma das mais animadas que já tínhamos tido em alguns meses e aquela noite rimos muito juntas enquanto confessávamos nossos pecados sexuais. Estávamos as três envolvidas naquele mesmo momento com rapazes mais jovens, e por maior que fosse aquela coincidência, as três estavam vivendo os melhores momentos da vida nos braços de homens vigorosos e bons de cama.
Não dava para comparar o meu Gilson com o personal trainer de Silvana ou o primo sarado de Claudia, mas dava para ver no rosto das minhas amigas o quanto elas estavam realizadas sexualmente falando, assim como eu. Naquela identificação, nos tornamos muito próximas e Claudia fez questão que eu estivesse presente na próxima festa de aniversário da sua filha, me entregando o convite pessoalmente na porta do A3, o meu estúdio de design e arquitetura na Vila Mariana.
— Eu diria que você pode levar o seu judoca gostoso — disse ela, diminuindo o tom de voz como quem me confessasse um segredo —, mas acho melhor levar o seu marido mesmo para evitar escândalos.
Eu dei uma gargalhada enquanto apanhava o convite vermelho laminado que ela me estendia e fui obrigada a confessar:
— Provavelmente, iria me divertir muito mais com o meu judoca na pista de dança, mas concordo que preciso ser discreta. Vou levar o Roque mesmo desta vez.
Eu tinha começado a me relacionar sexualmente com Gilson porque estava me sentindo preterida por meu marido em minha própria casa. Por mais que tivesse contado do meu caso à minhas amigas e nós juntas até fizéssemos piadas de adultério, por dentro, eu ainda me sentia um pouco culpada.
Exceto a falta de atenção recente na cama, Roque sempre foi um excelente marido para mim e mais ainda um ótimo pai para Micaela. Desde o nascimento da menina, eu tinha descoberto nele uma paternidade que nunca estivera lá antes e que ele negava totalmente mesmo em contato com os meus sobrinhos, filhos de meus dois irmãos Renato e Mauro e os gêmeos da minha irmã Elisa. Ele não queria ser pai, mas quando pegou Mica no colo pela primeira vez, acabou descobrindo que tinha nascido para aquilo, o que provavelmente se estendeu para uma paixão quase doentia que ele começou a sentir pela menina.
Eu sabia dos meus encantos e todas as qualidades que tinha a oferecer a um homem viril como Roque. Desde sempre, ele fora muito voraz na cama e aquela fome por sexo não diminuiu com a sua idade. Pelo contrário. Ele tinha bem mais de trinta anos, mas tinha o mesmo ímpeto sexual de um garoto de vinte.
Após o nascimento de Micaela, eu acabei perdendo parte do meu apetite sexual, o deixando um pouco na mão durante anos. Sem ter de mim aquilo com a qual sempre estivera muito acostumado — e na fase pré-casamento Roque e eu éramos praticantes assíduos da boa e velha putaria de casal —, o meu marido começou a procurar fora de casa a diversão que não encontrava mais dentro e passou a se relacionar, por pura farra, com garotas mais jovens. Sobretudo, estagiárias e assistentes da Suares & Castilho onde trabalhava de segunda a sexta-feira.
Aquilo pareceria abjeto, perverso para qualquer outra pessoa fora do nosso círculo de convivência, mas não para mim que era uma Castilho. Eu entendia o que meu marido estava sentindo e não conseguia competir com aquele seu desejo por novidade e “carne fresca”. Eu cedi, e desde então, comecei a ficar cada dia mais sozinha, mais solitária. Enquanto ele fazia sexo com as suas novinhas com cada vez mais frequência, eu vi na masturbação um meio de me aliviar, até que Gilson apareceu em minha vida e eu voltei a me sentir uma mulher desejada.
