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Capítulo 3 - Kelly (PARTE 3)

CONFESSO QUE FOI MEIO constrangedor me reencontrar com o seu Roque, pai da Micaela, depois do que nós três havíamos feito juntos há algum tempo na casa da garota, no bairro da Saúde.

Eu estava em uma abstinência sexual bastante grande e acabei cedendo aos encantos de minha amiga, que como já tinha feito anteriormente, soube ser bem persuasiva. Após eu e ela transarmos ardorosamente, Roque chegou em casa, e em seguida, nós acabamos fazendo sexo a três.

Aquela tinha sido a primeira vez que eu transava com um cara tão mais velho, mas não dava para negar que havia sido incrível. Como eu tinha dito anteriormente, os Castilho eram adeptos do incesto e vi com os meus próprios olhos Roque “traçando” a própria filha sem pudor algum.

— Oi, Kelly. Que bela fantasia!

Roque Alencar ficou me olhando pelo decote com aquela cara de tarado depois de me elogiar. Os seus cabelos ruivos estavam ocultos por um lenço de pirata que a sua fantasia exigia e o cavanhaque estava mais espesso do que eu me lembrava. Quase podia me lembrar daquela sua língua áspera e grande entrando por minha boca, me sufocando…

— Com certeza você vai ser a princesa mais linda de toda a festa.

Micaela era extremamente competitiva. Ao ouvir o pai me elogiando daquela maneira enquanto eu sorria entrando em sua SUV para me sentar no banco de trás ao lado de Nicole, ela não conseguiu se segurar:

— Com licença que EU vou ser a princesa mais linda da festa, queridinha!

A ruiva estava usando um cropped amarelo, um shortinho jeans bem curto ligado a um suspensório e estava mesmo a cara da Misty do anime Pokémon. Até o cabelo ela havia prendido de lado como a personagem e segurava uma “pokebola” de plástico na mão para compor o personagem. Eu e Nic rimos.

— E quem disse que a Misty é uma princesa, sua maluca? — Falou a loira, já se ajeitando para caber nós três juntas no banco de trás espaçoso do carro.

— Ela não é, mas eu sou. A princesa dos Pokémons!

Caímos juntas nas gargalhadas e aquele foi o clima em todo o trajeto do Itaim até a Vila Madalena. Micaela, apesar de parecer invejosa às vezes, era extremamente divertida e aquela apreensão toda que eu estava por conta da festa até passou enquanto Roque dirigia cautelosamente ao lado da esposa no banco da frente.

Carla estava vestida como uma deusa grega — Afrodite, segundo ela mesma — e esbanjava charme e simpatia, vez ou outra participando das bobagens que falávamos nós três no banco traseiro. Apesar de ela ser morena e ter pouco a ver com a filha, que era ruiva como o pai, as duas compartilhavam o mesmo sorriso, além de terem a risada parecida. Eu já a tinha visto pessoalmente antes, mas naquele dia ela estava especialmente linda.

O que o Roque viu demais em mim, sendo que tem essa mulher maravilhosa em sua cama todas as noites? Pensei, entre uma conversa animada e outra, reflexiva.

A luz do sol ainda incidia forte no horário que chegamos ao prédio onde a minha festa ia acontecer e foi só o Roque começar a estacionar em frente para que meu coração voltasse a tamborilar apressado no peito.

Eu não fazia ideia o que mamãe e a equipe da Illuminare tinham aprontado lá dentro. Eu não tinha a menor noção de como seria a decoração ou o que estaria me esperando na parte interna e a Mica percebeu como eu estava nervosa ao segurar minha mão já na calçada, após descermos juntas do carro.

— Fica calma, amiga! A gente já vai saber como ficou a decoração! Não morre agora!

Roque e Carla ficaram mais para trás enquanto o valet já segurava a chave do carro deles para estacionar. Eu, Mica e Nic fomos na frente, e dali, enxergamos Dana e Dona na portaria do salão vestidas com ternos risca-de-giz e chapéu fedora na cabeça. As gêmeas abriram o mesmo sorriso largo no rosto magro ao nos ver chegando e a primeira tomou minha mão.

— A aniversariante tem que ser a primeira a entrar. Vem comigo!

As designers da agência de minha mãe estavam vestidas como mafiosos da década de 20, mas confesso que só fui me ligar nisso muito tempo depois quando então o choque de ver como tinha ficado a minha primeira grande festa de aniversário passou.

O prédio tinha dois ambientes, e já na parte de baixo, após a portaria, a área do bufê estava incrivelmente bonita e organizada. Várias mesas se estendiam por mais de vinte metros do salão e havia todo tipo de canapés, entradas e sobremesas sobre bandejas e balcões na lateral esquerda. Ao ver aquele banquete, me lembrei que não tinha conseguido colocar nada de comer na boca ao longo do dia tamanho era meu nervosismo, mas me esqueci de tudo quando Dana me conduziu escada acima para o salão principal de festas.

— Espero que você goste, Kelly. Nós achamos que ficou a sua cara. — Disse a moça magra ao meu lado, incapaz de conter o sorriso de felicidade no rosto.

Eu não era uma frequentadora assídua de baladas e festas daquela estirpe, mas confesso que fiquei imensamente entusiasmada quando vi com meus próprios olhos a decoração bolada pela Illuminare e a empresa que minha mãe estava pagando para organizar tudo. Meu queixo caiu quando me dei conta que havia ali um salão gigante inteiramente iluminado com canhões de luz-negra, globos estroboscópicos e faroletes coloridos esperando meus convidados chegarem e que tinha até uma picape própria com DJ para comandar a música.

— Aquele é… aquele é o DJ Maverick?

Eu dei um berro quando vi que o rapaz de cabelos compridos e barba por fazer ao lado da minha mãe, próximo à sua picape, era o famoso DJ Maverick, um dos principais do cenário brasileiro da atualidade. Esqueci completamente toda minha finesse e educação na hora que o avistei e corri para abraçá-lo pagando de tiete.

Mica e Nic estavam igualmente excitadas e vieram em seguida para abraçar o DJ que começou a rir encabulado. Enquanto elas soltavam gritinhos e já sacavam o celular para tirar fotos com ele, eu puxei a minha mãe de lado e a abracei, agradecida.

— Você gostou mesmo, filhota?

Estava me segurando para não chorar e acabar estragando a maquiagem de princesa que tinha dado o maior trabalho para fazer, mas foi difícil conter as lágrimas. Eu estava realmente emocionada com toda a dedicação que minha mãe havia devotado para a realização daquela festa.

— Está tudo perfeito, mãezinha. Parece um sonho!

Ela me abraçou forte, e em seguida, acariciou o meu rosto me dizendo com ternura na voz:

— Você merece, meu amor. Você é o meu maior tesouro e merece essa festa e tudo o mais que eu puder te dar em vida.

Eu tinha a mais linda e a mais perfeita mãe do mundo.

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