
Resumo
Uma festa para comemorar mais um ano de vida da garota Kelly Ferraz começa a ser organizada pela agência de publicidade Illuminare em parceria com o estúdio LaRoq - Design de Interiores, e do dia para a noite, aquela que seria apenas mais uma comemoração entre amigos e familiares se torna um verdadeiro catalisador de romances, reencontros e fortes conexões que são descobertas ao longo do evento. Localizada num endereço nobre da Vila Madalena, a festa de aniversário de Kelly é um baile à fantasia onde a estudante do Ensino Médio resolve convidar todas as pessoas que lhe são próximas e com quem mantém vínculos eternos. Entre os convidados, além da sua tão querida prima Natalie Schneider e o namorado empresário da moça, Rodrigo Monterey, estão presentes também as suas grandes amigas de colégio, a loira Nicole Rodrigues (de "Prazer, Nicole!") e a espevitada ruiva Micaela Alencar Castilho (de os "Segredos de Micaela"). Juntos num mesmo ambiente por conta do convite gentil da animada e sonhadora garota de olhos cor-de-esmeralda, outros nove personagens contam em capítulos curtos os momentos que antecedem a festa e mostram aos leitores os eventos da comemoração juvenil sob a sua ótica específica, inseridos intimamente em todo o enredo que permeia Kelly. Se junte a "Encontros, Reencontros e Amor" para descobrir, de uma maneira muito divertida e sexy, o ponto de vista dos personagens já apresentados em outras histórias criadas pelo selo "Desejos" do autor Rod Rodman. Saiba o que aconteceu depois de "O Destino dos Ferretis", como a jovem Janete Castilho lidou com seus problemas originados em "A Herdeira Rebelde" e como cada uma das histórias se conectam nessa coletânea de contos curtos sobre uma mesma jornada. Baseado em filmes como "Idas e Vindas do Amor" e "Noite de Ano Novo", "Encontros, Reencontros e Amor" é uma deliciosa história de romance onde tudo o que mais importa no fim das coisas é mesmo amar.
Capítulo 1 - Kelly
NORMALMENTE EU NÃO ficava ansiosa para fazer aniversário, mas naquele ano, eu estava incrivelmente empolgada com a festa que a minha mãe estava preparando para mim. Como dona da agência de publicidade Illuminare, ela tinha ótimos contatos com bufês e empresas que organizavam aquele tipo de evento comemorativo e estava armando uma comemoração especial em minha homenagem.
A parte ruim de tudo aquilo é que ela queria que eu fosse surpreendida quando chegasse a hora, o que me deixou às escuras por quase um mês inteiro enquanto ela, os funcionários da sua agência e a empresa contratada a ajudavam a aprontar tudo. Quase morri de ansiedade!
A dona Claudia Ferraz me permitiu convidar quem eu quisesse para a festa que ia rolar num salão da Vila Madalena e me deixou ciente que a comemoração ia ser grande. Particularmente, eu não tinha tantos amigos para encher uma casa noturna, por isso, tratei de montar a lista de convidados com bastante antecedência, colocando no papel não só as pessoas mais chegadas, como também amigos de amigos e conhecidos de conhecidos.
Por que ser mesquinha se minha mãe está sendo tão generosa em organizar uma festa tão grande? Pensei comigo mesma.
Quando o mês do meu aniversário chegou, a minha mãe fez questão de criar uma página no Facebook para reunir todos os convidados, e a galera começou a receber os convites virtualmente, além de um pedido de confirmação de presença. Aqueles que eram mais próximos a mim, eu fiz questão de entregar um convite impresso que minha mãe havia preparado junto a uma gráfica da cidade — uma que já prestava serviços para a Illuminare —, e a primeira foi a minha irmãzinha de consideração Nicole Rodrigues, que devido um problema com sua mãe e o padrasto dela, estava morando comigo e mamãe em nosso apartamento.
— Nós vamos escolher nossas fantasias juntas, vadia. Nem adianta reclamar! — Disse a ela, a vendo amuada num canto sem muito ânimo para nada.
— Como se eu tivesse escolha! — Respondeu ela, já sabendo o quanto eu podia ser persuasiva.
Nicole me conhecia muito bem há uns três anos e apesar de ser por uma razão não tão boa assim, eu estava adorando passar aquelas últimas semanas com ela em casa. Há poucos dias tínhamos comemorado o seu aniversário com uma festa surpresa no apartamento e quanto mais eu a deixasse entretida, melhor ia ser para sua recuperação psicológica.
— Minha mãe recomendou uma loja perfeita de fantasias para festas em Pinheiros. Nós vamos juntas amanhã depois da aula. Já está tudo combinado.
Ela deu um sorriso meio amarelo para mim, mas a loirinha sabia bem que aquela distração ia lhe fazer bem. A coitada estava passando por uma barra muito pesada desde julho, quando ela foi flagrada pela mãe fazendo sexo com o próprio padrasto. Eu tinha a missão moral de mantê-la ocupada para que não se martirizasse ainda mais por tudo que estava acontecendo. Assim como eu tinha planejado, no dia seguinte, nós embarcamos em um Uber e fomos até a Fantashow, a maior loja de fantasias de São Paulo.
Normalmente, eu não era o tipo de mulher indecisa que precisava experimentar a loja inteira para escolher um só modelo, seja de roupa, de sapato ou o que quer que fosse, mas naquele dia, eram tantas opções, que eu dei algum trabalho para as atendentes.
Eu cheguei à loja querendo algo imponente, algo que me destacasse bastante em minha própria festa — eu merecia, ora essa! — e as garotas por trás do balcão me entregaram o catálogo de fantasias em mãos para que eu escolhesse. Por incrível que pareça, minha amiga estava até bastante animada para arranjar uma roupa que ficasse bem em seu corpo curvilíneo — apesar de termos praticamente a mesma idade, Nicole era mais sinuosa que eu, em especial nos peitos e na bunda — e foi só ela bater os olhos em um traje de TinkerBell para ela se encantar.
— Eu quero muito essa! — Disse a menina empolgada, no que a atendente tratou de levá-la até o corredor onde a tal roupa estava.
Como era de se esperar, o vestidinho verde da fada do universo do “Peter Pan” caiu maravilhosamente bem em minha amiga, e a danada ficou uma baita gostosa. Seu apelido de infância era “fadinha” e nenhuma fantasia seria mais óbvia que aquela. Além do vestido esmeralda, as asas transparentes nas costas, a sapatilha e a meia-calça, a fantasia também dava direito a um par de orelhas pontudas falsas para que Nicole se transformasse numa fada por completo.
— Ficou muito linda, miga! — Elogiei, ao vê-la com a indumentária completa em frente ao espelho da loja, dando voltinhas e conferindo como tinha ficado. Os olhos azuis da garota chegaram a brilhar de entusiasmo e eu ainda nem tinha me decidido por uma roupa que ficasse bem em mim.
Custou até que eu, enfim, me decidisse por uma roupa de princesa que me caísse bem e só umas três horas depois de entrar na Fantashow é que eu escolhi a fantasia da Peach do jogo “Super Mario Bros”. Eu tinha jogado muito aquilo quando era criança na casa de meus primos Henrique e Natalie Schneider, e quando vi a versão mais sensual da roupa da princesa do Mario na loja, eu me apaixonei. A saia era rodada, mas tão curta quanto a da TinkerBell, e o vestido em dois tons de cor-de-rosa possuía babados nas mangas. O conjunto da fantasia ainda tinha um par de meias ¾ brancas e um par de sapatos de salto baixo pretos de fivela, além de uma coroa para prender no alto da cabeça.
— É a sua cara, Kelly. Combina muito com você! — Disse Nicole à porta do provador, me vendo empinar a bunda em frente ao espelho para me olhar melhor. — Se eu fosse você, escolheria essa roupa para ir à festa.
Depois daquilo, não havia mais pelo que me decidir. Eu tinha me encantado por aquele vestido.
Minha mãe e as duas irmãs gêmeas que trabalhavam com ela no setor de design da Illuminare tinham o controle da página de Facebook onde os meus convidados confirmavam presença — ou não —, mas todas as noites eu também dava uma olhada para saber quem já estava confirmado e quais convites ainda constavam como pendentes.
Praticamente todos os colegas da minha sala de aula do colégio Dom Pedro II marcariam presença e até mesmo alguns alunos de outras séries já tinham dado OK. Além de Nicole, as garotas do time de vôlei que a haviam acompanhado durante o campeonato intercolegial de julho, os meninos do time de futsal e os meus amigos de grupo de estudos estavam bastante empolgados pelo dia da festa.
Micaela Alencar Castilho, minha segunda melhor amiga, já tinha tratado de convidar seus primos para a comemoração e nem preciso dizer que ela estava mais do que autorizada para fazer aquilo. Nós tínhamos ficado muito íntimas nos últimos meses e ter a família dela por perto não era algo que eu poderia abrir mão.
— Piranha! Minha mãe e meu pai já estão confirmados na sua festa, viu? — Disse ela, uma semana antes por mensagem de áudio. — Minhas primas Janete, Jéssica e Priscila também ficaram muito animadas com o convite, em especial, por se tratar de uma festa à fantasia. Meu primo Pedro, o irmão da Priscila, ainda não confirmou, mas é quase certo que ele vai, assim como os gêmeos Cleide e Cleber.
— A Cleide era certeza que iria — respondi também por áudio — até porque ela jogou vôlei com a Nic e as duas se aproximaram bastante. E o seu primo famosão, o Jonathan? Ele não vai?
Jonathan Castilho tinha 22 anos e era um surfista bastante famoso no circuito brasileiro do esporte. No começo daquele ano, tinha conquistado o primeiro lugar no Hang Loose Pro Contest, que era uma etapa superimportante de surfe da América Latina e o garoto estava muito requisitado. Era muito natural que ele não tivesse tempo de ir a uma festa boba de adolescentes e durante a conversa com a sua prima mais nova, eu sabia bem disso.
— Olha, amiga, eu acho difícil que ele venha para São Paulo, viu? — Disse Mica — Se não me engano, ele está no Havaí disputando algum campeonato de surfe por lá. Eu mandei o convite mesmo assim... seria muito bom se ele pudesse aparecer. Ele é um baita de um gostoso. Queria que você o conhecesse de perto!
Nem preciso dizer que depois daquele comentário, ficamos algum tempo falando sobre Jonathan e das muitas vezes que minha amiga tinha se relacionado sexualmente com ele. Os Castilho eram dados a práticas explícitas de incesto e não foi nenhuma surpresa saber que Micaela já tinha dado para o cara. Fiquei curiosa para conhecer os tais “20 centímetros” que ele guardava dentro das calças, segundo a ruiva, e por um minuto lamentei que ele não pudesse estar em minha festa.
“Seria bom conferir de perto! ”, pensei, bem safada, quando a conversa terminou.
Além dos primos de Micaela, fiquei feliz com a confirmação da presença na festa dos irmãos Ferreti que eu havia conhecido durante o torneio de vôlei no Colégio Paulo Dantas, onde além de ter ido para torcer por Nicole — que defendeu as cores do nosso colégio — eu acabei fazendo um monte de amizades novas. As duas garotas, Bianca e Aline, tinham sido os grandes destaques do intercolegial e a mais nova acabou levantando o caneco da vitória, consagrando o primeiro título da sua instituição de ensino num torneio entre colégios de São Paulo. Além de lindas, ambas eram extremamente simpáticas, o que fez com que tanto eu quanto Nicole nos afeiçoássemos a elas e a seus dois irmãos.
— Poxa, Kelly! Fico muito feliz que tenha se lembrado da nossa família e nos convidado para a festa! — Disse por mensagem a morena Aline, que era um ano mais velha que eu, mas aparentava ter bem mais por causa de seu corpo todo definido. A garota era tão linda, que fez com que toda a torcida se apaixonasse por ela ao longo do campeonato e gritasse o seu nome no ginásio esportivo várias vezes.
— Eu não poderia esquecer de vocês quatro, Aline! — Respondi por WhatsApp — Eu senti uma sintonia muito grande entre nós naqueles dias que saímos juntos para comemorar a sua vitória e a da sua irmã. Eu quero muito que venham à minha festa!
— Vou te dizer que estamos mesmo precisando extravasar um pouco — disse a morena por texto —, agora que o Caíque se mudou e virou jogador de futebol profissional, está uma choradeira aqui em casa! Sentimos muitas saudades dele e precisamos de uma festa para nos aproximar.
Caíque Ferreti era atacante do time de base do São Paulo Futebol Clube e tinha sido contratado por um clube italiano para jogar na próxima temporada europeia. Enquanto os trâmites legais eram acertados, ele jogaria por seis meses na equipe principal do time paulista até que se mudasse de vez para a Europa. Segundo o que a própria Aline tinha me contado, o menino tinha se mudado para um apartamento próximo do Centro de Treinamento do São Paulo e eles quase não se viam mais. Pelo pouco tempo de convivência com os quatro irmãos, eu tinha percebido o quanto eles eram apegados e devia estar sendo bem difícil todas aquelas mudanças.
— Vou adorar receber vocês quatro na minha festa. Quero que se divirtam muito!
