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Capítulo 6

-Dezenove.

Zaira estreitou os olhos, irritada. Ela tinha completado dezenove anos há menos de vinte e quatro horas, então não contava. "Quantos anos você tem? Trinta e um, trinta e dois?"

Kael deu uma risadinha suave, apontando com os olhos para a banheira, e ela, relutantemente, colocou as mãos dentro, mal conseguindo conter as lágrimas. "Eu te disse que ia doer."

—Distraia-me.

Seus olhos percorreram rapidamente o próprio corpo. "Distrair você?"

—Não desse jeito!

Sorrindo, ele beijou-lhe suavemente a têmpora, fazendo-a soltar um suspiro. "Não tenho trinta e dois anos. Não tenho trinta e dois anos há seis anos."

Ela franziu a testa enquanto o encarava, fazendo os cálculos rapidamente. "Só me dê o número."

Dando uma risadinha discreta, seu dedo indicador percorreu suas sobrancelhas espessas, impressionado com a rapidez com que conseguira desfazê-las. "Tenho trinta e oito anos."

Zaira engoliu em seco, sentindo os dedos dos pés se contraírem e o estômago apertar. "E não te incomoda o fato de eu ter literalmente metade da sua idade?"

O dedo dele traçou a curva do rosto dela antes de repousar em seu lábio inferior. "Não." O olhar dele encontrou o dela, dilatado de desejo. "Você está?"

—Meu irmão vai te matar.

—Isso não responde à minha pergunta, princesa.

Zaira estremeceu. "Não importa."

Ele a puxou para perto, pressionando-a contra o corpo, e tirou as mãos dela da banheira. "Acho que importa sim", disse Kael lentamente, secando delicadamente os pulsos dela enquanto beijava seu pescoço. "Mas se não importa, qual o sentido de manter segredo?"

Ele franziu a testa, a lógica lutando contra o desejo. Por que ele guardaria segredo? Na verdade, ele não tinha guardado. Ele havia contado a ela no momento em que o imobilizaram naquela cadeira enquanto comemoravam seu aniversário do jeito que ela queria. "Eu estava falando sério quando disse ontem."

—Você disse muitas coisas. Coisas em inglês e coisas em sua língua nativa, cujo significado ele sempre ficava em dúvida até que você as explicasse para ele.

Zaira observou enquanto ele aplicava cuidadosamente uma pomada espessa em cada ferida antes de enfaixar delicadamente seus pulsos. "Eu disse que nunca estive com um homem mais velho."

-Querer?

Sim. — Isso te impediria de casar comigo se eu dissesse não?

Seu olhar escureceu. "Não. Ou era casar com ela ou matá-la. Mas isso nos impediria de sermos tão felizes em nosso casamento quanto poderíamos ser, não é?"

Zaira estreitou os olhos, irritada, apesar da diversão que isso lhe proporcionava. "Sexo é a única coisa que importa para você?"

-Sim.

Surpresa, ela virou a cabeça e fixou seus olhos cor de avelã nos dele, castanhos, percebendo a sinceridade em seu olhar. Todas as vezes que ela havia perguntado isso a um garoto, eles haviam mentido descaradamente; mas ele estava lhe dizendo a verdade. Ele não estava brincando.

Era assustador o quão semelhantes eles eram nesse aspecto.

A única coisa que importava para ela em um relacionamento era sexo.

Apesar de ser meio valdoriana , Zaira logo foi forçada a reconhecer que seu sangue não significava nada quando se tratava de entender o que diabos os homens de Kael ao seu redor estavam constantemente falando. Ser de sangue valdoriano não lhe dava magicamente o direito de falar sobre o assunto. Sua criação a ensinara a não proferir uma única palavra.

Era seguro dizer que seu avô não era exatamente um admirador de sua mãe, e como ele tinha influência sobre o que Zaira aprendia e o que não aprendia, ele garantiu que ela não aprendesse nada sobre Valdoria ou qualquer coisa relacionada à sua mãe.

Valdoriano era uma das coisas que ele estava estritamente proibido de aprender.

—Ela é irmã do Rhydan?

Zaira lançou-lhes um olhar fulminante, e eles se calaram instantaneamente, quase tropeçando enquanto fugiam. O mínimo que seu avô poderia ter lhe ensinado era dizer "vão para o inferno", "vou matar vocês" ou "meu irmão vai saber disso" em valdoriano. Mas, bem, lá estava ela.

—Eu te disse para ir dormir.

Zaira apenas suspirou. Estava exausta. No instante em que desembarcaram do avião, já havia decidido que odiava Valdoria. Chovia torrencialmente, apesar de ser início de dezembro, e nenhum deles falava Ravenska ou inglês. Ou talvez estivessem a ignorando. Ela não sabia. Tudo o que sabia era que, quando retornasse a Ravenska, jamais voltaria ao país de sua mãe. Não era o país de Zaira, por mais que corresse em suas veias. Seu lugar era em Ravenska, como seu avô sempre dizia.

—Você permaneceu em silêncio novamente.

Virando bruscamente a cabeça em sua direção, ela lançou um olhar fulminante para Kael. "Eu odeio Valdoria."

Olhando fixamente para ela, ele agarrou seus cabelos com força antes que ela pudesse se virar e bater os pés. Ele a encurralou contra o carro, sua figura imponente pairando sobre a dela enquanto apertava seu pescoço, ameaçando-a com um leve aperto. "Eu odeio Ravenska."

Seu sangue ferveu, e ela ergueu o queixo com orgulho, exatamente como sua avó a havia ensinado. Por mais intimidantes que alguns homens pudessem parecer, eles nunca seriam mais aterrorizantes do que a vingança que sua família lhes infligiria quando a encontrassem. Sua avó disse a Zaira que ela devia se lembrar de que fazia parte da Ordem Vermelha e que a Ordem Vermelha não se curvava a ninguém.

E, claro, ela não se intimidaria diante de alguém como ele.

—Isso não está funcionando; devemos terminar.

Seu olhar fulminante se transformou instantaneamente em divertimento. Antes que Zaira pudesse tirar o anel, ele pegou seu pulso esquerdo e beijou o enorme diamante brilhante. "Discordo."

—Li em algum lugar que casais que brigam durante a primeira semana de relacionamento estão fadados ao fracasso.

—Li em algum lugar que casais que discutem têm uma ótima química sexual.

A sobrancelha dela se contraiu. "Meu avô vai te matar."

Seus lábios deslizaram para a parte interna do pulso enfaixado e depositaram um beijo na ferida coberta. "Você tem sorte se minha mãe não tentar te matar."

Zaira piscou. "O quê?"

Dando uma risadinha discreta, ele agarrou o braço dela e a arrastou até o carro, praticamente a empurrando para o banco do passageiro antes de se sentar ao lado dela, de frente para o volante.

—Você não pode simplesmente me obrigar a entrar num carro!
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