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Capítulo 5

Ele cogitou responder-lhe honestamente, mas descartou a ideia. Sua equipe não tinha motivos para saber que aquela garota de dezenove anos era capaz de fazer coisas com a boca que enlouqueceriam qualquer homem. Ninguém jamais poderia saber. Ele queria ser o único a saber, o único a ouvir a história, o único que a merecera.

Passando o polegar sobre o lábio inferior franzido dela, ele observou a dúvida preencher seus olhos, mas o medo não estava em lugar nenhum. A garota não tinha medo dele, quando deveria ter.

Zaira deveria ter sentido medo. Ela deveria ter ficado apavorada por ter chamado a atenção dele. Afinal, Rhydan era um homem sábio por não deixar pedra sobre pedra na busca por sua irmãzinha.

"O que eu quero"—o polegar dela deslizou entre os lábios entreabertos, observando as pupilas dilatarem com o gesto, a língua instintivamente envolvendo-o—"é dar uma lição no seu irmão. Quer saber como?"

Zaira sentiu-se tímida quando ele pressionou o polegar contra sua língua, franzindo a testa com desejo ao perceber que a garota não tinha reflexo de vômito.

Antes que pudesse dar vazão aos seus desejos mais profundos, ele se afastou dela e tirou seu lenço cor de vinho, limpando a saliva do polegar. Kael observou o olhar dela se fixar em suas calças, percebendo o efeito que ela tinha sobre ele, e um sorriso se espalhou por seus lábios. "Vou me casar com você."

Seu sorriso zombeteiro desapareceu e ele piscou. "Hã?"

Ela estava tão absorta na declaração dele que não percebeu quando ele tirou um envelope contendo uma pilha fina de papéis para ela assinar. "Daqui a cerca de 24 horas, você estará caminhando até o altar e se casando comigo."

Zaira se levantou bruscamente da cadeira e tropeçou, caindo direto em seus braços. Seus olhos horrorizados estavam fixos nos dele, repletos de arrogância. "Com licença? O que eu sou agora?"

Com uma risadinha discreta, ele pegou a mão esquerda dela e deslizou um anel da Casa Évrard com um enorme diamante em seu dedo anelar, antes de lhe entregar os papéis, todos aguardando sua assinatura. "Você é minha noiva."

Ao folhear os papéis, todos escritos em sua língua nativa e assinados no final, Zaira empalideceu de horror. "Você está louco?"

Kael apenas ergueu uma sobrancelha novamente, apreciando o olhar selvagem dela. Ela o encarou como se não conseguisse entender o que ele estava dizendo. "Não. Eu sou Saint." Ele afastou uma mecha escura de cabelo de trás da orelha dela, acariciou sua sobrancelha com o polegar e a beijou. "E você é minha princesa. Entendeu?"

—Não vou assiná-los.

Ele cortou a braçadeira de plástico que prendia o polegar direito dela e lhe entregou uma caneta, ainda a observando. "Sim, você é."

—Eu nem sei o que estou assinando!

Kael apenas riu da garota e pegou os papéis, apesar da tentativa inútil dela de se afastar. "Você vai se casar comigo legalmente e no papel."

—Eu não quero me casar com você.

O olhar dela endureceu ao ouvir as palavras dele. "Não estamos em Ravenska, Princesa. Assine ou enfrente as consequências."

As consequências? Antes que Zaira pudesse perguntar, várias armas foram apontadas para sua cabeça. Ela congelou, dominada pelo medo, sentindo um nó no estômago enquanto encarava o homem cruel à sua frente.

O homem cruel apenas lhe deu um leve sorriso, como se não a estivesse obrigando a pegar em sua mão. "Devo lhe dizer, não sou muito paciente."

Contendo os palavrões, Zaira assinou os papéis com agressividade enquanto ele esperava pacientemente. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Kael a agarrou pelos quadris e a ergueu facilmente sobre o ombro, esquecendo-se completamente dos papéis assinados enquanto se afastava. "Isso é insano! Tudo o que eu fiz foi te dar uma mamada!"

Enquanto lhe dava palmadas, ele murmurava palavrões entre dentes. Será que a menina não tinha aprendido que era falta de educação discutir assuntos conjugais em público?

—Minha família não vai permitir isso!

Ele a prendeu na cama, pairando sobre ela enquanto encarava o arrogante Kael com um olhar selvagem. "Então é maravilhoso que o sacerdote só se importe com você dizendo essas duas palavras vinculantes. Agora vá dormir. Vai ser uma longa jornada."

Antes que Zaira pudesse gritar com ele novamente, ele já tinha ido embora, deixando-a confusa e frustrada com o absurdo da situação. De que palavras ele estava falando?

Zaira empalideceu. Oh. Aquelas palavras.

Sim.

Zaira não conseguiu dormir, apesar da ordem de Kael. Tudo o que ela fazia era se revirar na cama, contorcendo-se enquanto deslizava a corda de seda para cima e para baixo na mesa lateral até que seus braços estivessem exaustos e todos os músculos doloridos. Ela sabia que precisava se afastar daquele homem mentalmente perturbado.

De repente, a porta se abriu e ela congelou, forçando um sorriso inocente quando Kael entrou com um prato de comida. Ele ergueu uma sobrancelha e a encarou enquanto ela estava sentada no chão, com as costas apoiadas no criado-mudo, quando deveria estar deitada na cama onde ele a havia deixado.

Ele havia caído?

-Olá.

Kael pousou o prato de forma suspeita. —Olá.

—Não estou fazendo nada.

Ah, ele definitivamente estava aprontando alguma coisa. Indo em frente, ele se abaixou até a altura dela, deslizou as mãos por baixo dos braços dela e a jogou com o rosto no colchão. A ação a fez soltar um suspiro dramático enquanto buscava ar, mas ele estava tão concentrado no estado de suas mãos que nem percebeu.

Seus pulsos estavam sangrando, mas tudo o que ela conseguiu fazer com a cara seda vermelha foi soltar alguns fios.

—Eu não estava fazendo nada!

Abafando a voz dela enquanto pressionava seu rosto contra o colchão, ele sacou a faca, fazendo-a entrar em pânico e se contorcer sob ele. Kael a ignorou, pressionando a cabeça dela ainda mais contra o colchão enquanto segurava seus braços e cortava a seda vermelha, libertando seus pulsos. A ação congelou Zaira, e antes que ela percebesse, cada fio de seda havia sido cortado de sua pele. Ele então a prendeu no chão, de barriga para cima, enquanto a encarava com raiva.

-Sentir.

Zaira sentou-se e observou-o sair antes de retornar com uma toalha molhada.

Kael agarrou-lhe o braço com força e olhou para ela enquanto tocava suavemente sua pele ensanguentada. "Era necessário?"

-Sim-.

"A resposta é não." Ele a obrigou a sentar na beirada da cama, abriu bruscamente a gaveta do criado-mudo e tirou um kit de primeiros socorros. "O que você planejava fazer quando fosse libertada? Saltar do avião e voltar de paraquedas para sua terra natal, Ravenska?"

Sua sobrancelha se contraiu em irritação com o gesto dele, mas ela ainda permitiu que ele a aproximasse e desinfetasse delicadamente sua pele, o que a fez estremecer de dor. "Vai se foder."

Seu olhar endureceu quando ele jogou o cotonete desinfetante no chão, abrindo outro com os dentes antes de continuar: "Feche a boca antes que eu a feche para você."

Quando ela estava prestes a xingá-lo, o cotonete desinfetado pressionou sua pele e ela soltou um grito de dor. "Isso dói."

—Eu sei. Tento ser gentil.

Seus olhos se encheram de lágrimas. —Faça isso depressa.

O olhar dele encontrou o dela. "Mesmo que doa?"

—No fim, tudo dói da mesma forma. Não prolongue isso.

A discussão deles foi subitamente esquecida quando ele enxugou as lágrimas dela e assentiu. "Água salgada."

Zaira ergueu a cabeça em desespero. Quantas vezes a garota desastrada fora obrigada a colocar o pé aleijado na água salgada só porque era melhor em tropeçar do que em tirar boas notas na escola? "Pelo menos isso é melhor do que vodca."

Ele a pegou no colo e a levou para o banheiro, colocando-a sobre a bancada ao lado da pia. "Vou pegar o sal."

Zaira estava tão absorta observando o banheiro que não ouviu o que ele dizia nem percebeu que ele estava saindo. Ela já havia viajado em jatos particulares de luxo, mas nunca em um com banheira. Como isso funcionaria em caso de turbulência?

Pouco depois, Kael voltou, abriu a torneira da banheira e observou os olhos dela se encherem de fascínio, como os de uma criança. "É só um banho, Zaira. Não estou pedindo para você tirar a roupa."

Seus olhares se encontraram. —Você poderia.

Ele sentiu um nó na garganta.

—E eu diria: vai se foder.

Seu olhar endureceu, suas mãos deslizaram por baixo dos braços dela enquanto a conduzia para sentar ao lado da banheira. "Mande-me à merda de novo e você não vai gostar do resultado."

Ofegante, ela o observou despejar pelo menos dois quilos e meio de sal na banheira. De onde ele tinha tirado tanto sal era um mistério para ela. "Não me carregue assim. Eu não sou criança."

—Então pare de se comportar assim.

—Por quê? Porque te incomoda que uma garota de dezoito anos tenha te feito gozar?
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