
Ele Me Sequestrou no Dia do Meu Aniversário e Me Obrigou a Casar
Resumo
No dia do seu aniversário, Zaira Veyron foi arrancada do próprio mundo, levada à força para um jato particular e transformada na noiva do homem mais perigoso de Valdoria. Kael Alaric não veio para salvá-la. Veio para se vingar. Ela era a princesa intocável da Ordem Vermelha. Ele, o chefe do clã Noctari, o inimigo que seu irmão jamais deveria ter provocado. O plano dele era simples: roubá-la, humilhar sua família e transformá-la no golpe mais cruel contra Rhydan Veyron. Mas Zaira não era uma vítima dócil. Ela o desafiou. Ela o provocou. Ela o levou à loucura. E Kael, que deveria usá-la como arma, acabou reivindicando-a como esposa. Entre sangue, desejo, segredos enterrados e uma guerra mafiosa prestes a explodir, Zaira terá que decidir se odeia o homem que a sequestrou… ou se já é tarde demais para escapar dele.
Capítulo 1
Há várias gerações, o Clã Noctari firmou um pacto com a Ordem Vermelha. Os Ravensks prometeriam manter-se neutros no conflito em curso em Valdoria e, em troca, nenhum sangue Ravensk seria derramado em solo valdoriano. Esse era o acordo, um acordo que o chefe do Clã Noctari , Kael Alaric, pretendia cumprir.
Contudo, esse acordo desmoronou poucos anos após a investidura de Rhydan Veyron na Ordem Vermelha, sucedendo seu avô no cargo, tudo para manter os negócios dentro da família. A Ordem Vermelha queria expandir seus horizontes, fortalecer seus laços e forjar alianças, tudo em busca de poder. Que se dane os juramentos de sangue!
Kael Alaric ia dar uma lição bem clara a Rhydan Veyron sobre o que acontece quando juramentos de sangue são quebrados em nome da ganância, do poder e do controle.
—Não conseguimos encontrar.
—Olhe novamente.
A hesitação do homem enfureceu Kael a tal ponto que ele sacou uma de suas pistolas e o encarou com raiva. Eles tinham três tarefas: localizá-la, encontrá-la e capturá-la. No entanto, encontrar uma garota de pele morena em um mar de pessoas brancas como papel era, aparentemente, extremamente difícil.
Kael parecia estrangeiro, mas um único olhar foi suficiente para fazê-los desviar o olhar. Ele não parecia muito amigável, apesar de estar muito bonito naquele terno preto e camisa combinando.
Não era de admirar que ele os olhasse como se fossem chiclete grudado nas solas vermelhas de seus sapatos caros. Ele odiava Ravenskos.
O tradutor voltou, com o pânico estampado no rosto, andando de um lado para o outro inquieto sob o olhar de Kael. "Realmente não conseguimos encontrá-la."
"Olha", disse Kael, sacando uma pistola num gesto ameaçador e encarando friamente o homem magro. "De novo."
A tradutora fugiu aterrorizada mais uma vez. Afinal, se não a encontrassem, ela os mataria por lhe fazerem perder tempo e por a enganarem. De novo.
Dessa vez, ele não partiria sem a princesa da Ordem Vermelha. Era a vida dela ou a de ambos.
Eles não podiam dizer que não tinham tido tempo suficiente, que ele não tinha sido paciente. Era a terceira vez que prometiam encontrá-la e, mais uma vez, não cumpriram a promessa. Só que desta vez, ele próprio fora e pisara em solo de Ravensko, apesar de detestar tudo naquela terra fria.
O tradutor deu um passo à frente de repente, com um olhar de alívio nos olhos que lhe trouxe um leve sorriso ao rosto. "Nós a encontramos."
Cantarolando baixinho, Kael se levantou, guardou a arma e seguiu o homem.
"Ele está bem aqui." O tradutor congelou; seu sorriso desapareceu e ele empalideceu. Kael não entendeu o porquê até que, de repente, uma arma foi apontada para sua cabeça.
O olhar de Kael endureceu quando um grupo de doze guardas apontou repentinamente suas armas para os dois; os homens de Kael estavam longe do canto isolado onde o pirralho se escondia.
Um guarda loiro e sujo de repente parou na frente de Kael, observando sua aparência e franzindo a testa. —Kakogo cherta etot inostrannyy ublyudok shpionit za printsessoy?
Após arquear uma sobrancelha para seu tradutor, ele apressou o passo, temendo Kael muito mais do que qualquer um dos homens ao seu redor.
—U-um, ele pergunta por que um estrangeiro como você está em Ravenska, especificamente em Ravenska. Suas palavras foram interrompidas por um soco no rosto, que o fez cambalear de dor. —Ne beyte menya, pozhaluysta. YA vsego lish' perevodchik. Pozhaluista.
Os homens apenas zombaram de suas palavras e o espancaram novamente. —Posmotrite na printsessu.
—Traduzir—Kael lançou um olhar fulminante para seu tradutor, que quase chorou.
—Ele pediu que eles fossem ver como ela estava.
Antes que Kael pudesse desferir o soco, agarrou seu pulso, deslocando seu ombro e puxando-o para o lado para intimidar o tradutor. "Ele disse 'printsessu'. O que isso significa?"
—A princesa.
Kael olhou fixamente para ele enquanto eles agarravam seus pulsos e os imobilizavam atrás das costas, com uma arma apontada para sua cabeça. "Traduza diretamente. Entendido?"
Antes que o tradutor pudesse assentir, uma voz feminina demais para ser de um homem se ergueu repentinamente, apesar da música alta da boate.
—Chto proiskhodit?
—O que está acontecendo? O tradutor fez seu trabalho, levou outro soco no rosto e um grito alto escapou de seus lábios com o golpe.
—Tebe ne o chem bespokoit'sya, printsessa. Prosto prodolzhay prazdnovat' svoy den' rozhdeniya.
"Não precisa se preocupar com nada, princesa. Continue comemorando seu aniversário!" Outro soco atingiu seu rosto, quase arrancando seus dentes.
Kael minimizou a violência contra o tradutor. Ele queria fazer isso desde o momento em que o tradutor abriu a boca. Ele nem se deu ao trabalho de aprender o nome dele. No entanto, algo na tradução chamou sua atenção. Seria por causa do aniversário dele?
Antes que Kael pudesse pedir ao seu tradutor que traduzisse algumas de suas palavras, saltos bateram no chão e, logo em seguida, a porta se abriu de repente e a jovem bêbada em questão sorriu para o guarda de cabelos loiro-escuros. —Ty slishkom ser'yezno otnosish'sya k svoyey rabote, Soren.
"V-você!" O tradutor levou vários socos, mas isso não o deteve, apesar do nariz torto. "Você leva seu trabalho muito a sério, Soren!"
Soren gemeu e estalou os dedos. Os guardas de alta patente seguraram o tradutor, que estava semiconsciente, enquanto ele gemia de dor. Soren estava distraído demais com o tradutor para notar como o olhar de Kael endureceu, assim como suas calças, ao ver a garota, e como sua respiração ficou presa na garganta ao ver o estrangeiro de terno preto.
Kael puxou para baixo seus saltos vermelhos, as meias pretas estampadas que abraçavam suas pernas, até que finalmente sua minissaia preta apareceu, cobrindo o pouco que ela queria esconder. Seus olhos escuros percorreram seu abdômen bronzeado até o pequeno pedaço de sutiã de renda preta que mal cobria a camisa preta larga, fechada com apenas um botão, seu pescoço fino e sem marcas. Mas seu corpo não era seu melhor atributo, por mais belo que fosse. Não, era seu cartão de visitas.
Seus cabelos, tão escuros quanto piche, emolduravam seu rosto delicado. Seus traços eram adoráveis, mas sua estrutura óssea era letal, assim como aqueles curiosos olhos verde-avelã que o encaravam. Seus lábios, ligeiramente borrados e formando um leve bico, revelavam tudo o que ele precisava saber para entender o que ela estivera fazendo ali, confirmando assim os rumores que circulavam a seu respeito.
Enquanto Kael encarava atentamente a suposta princesa, ela retribuiu o olhar, incapaz de se conter. Seus olhos eram de um lindo tom castanho, suas maçãs do rosto altas e seus lábios carnudos. Ele era alto, vestindo um terno preto da Maison Alvero que delineava seus ombros largos. De repente, sentiu sede. Não sabia que ombros podiam ser tão largos. Contudo, não eram os ombros que o interessavam, mas sim suas mãos grandes e os sapatos sociais de sola vermelha que combinavam com os seus. Ele tinha bom gosto, precisava admitir.
—O que fazer?