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Capítulo 4

—Rhydan é espiado. Rhydan é implacável.

Seu olhar endureceu quando ela se virou e sentou-se, encarando os homens vestidos de mordomos, que congelaram de medo. "Nunca mais mencione o nome do meu irmão."

Os olhares deles desviaram-se dos dela para algo atrás dela, fazendo com que um grito assustado escapasse de seus lábios enquanto eles fugiam. Ela não entendeu o porquê até que um par de mãos deslizou por baixo de seus braços e a ergueu repentinamente como uma criança, colocando-a delicadamente em um dos luxuosos assentos de couro cor creme, obrigando-a a olhar para o homem.

Zaira endureceu ao encarar os olhos castanhos enganadores de seu captor, com dois guardas atrás dele, cada um com uma mão em sua arma, que obviamente não confiavam nela apesar da seda vermelha que prendia seus pulsos.

Mesmo completamente sóbria, ela teve que admitir que seu captor era bonito. Ao contrário de seu estado de ressaca, ele parecia impecável: cabelo perfeitamente penteado para trás, maçãs do rosto altas, maxilar definido, nariz reto e olhos penetrantes. Tudo nele era elegante e sofisticado; o completo oposto dela.

—Você está acordado.

Com grande dificuldade. Lutando contra o cansaço, Zaira piscou e fixou o olhar nele. Mas seu coração estava pesado de tristeza depois do que presenciara na noite anterior. "Você matou Soren."

Com um sorriso zombeteiro, ele fez um gesto para um de seus homens e, um instante depois, colocou um algodão embebido em sua mão. "Infelizmente, o destino tinha outros planos para ele. Você tem alguma alergia?"

Zaira balançou a cabeça, franzindo a testa, com o olhar fixo nele enquanto Kael espalhava suavemente o produto sobre sua pele, removendo delicadamente sua maquiagem e acariciando seus cabelos sedosos. "O que você quer dizer? Eu vi você matá-lo."

"Você não viu nada", murmurou ele, observando-a enquanto ela fechava um olho para remover a maquiagem. Aquele pequeno gesto o inflamou, fez seu sangue ferver. Aparentemente, ela podia ser uma garota obediente quando queria. "Me avise se o produto irritar sua pele."

Zaira ignorou a fingida preocupação dela. "Você atirou nele; ele caiu."

"Ela não morreu, princesa", disse Kael gentilmente, afastando os cabelos de suas orelhas para acalmá-la. "Ela está no hospital recebendo tratamento, e seu irmão já está procurando por você."

Um grande alívio a invadiu ao ouvir as palavras dele, e sua dor desapareceu instantaneamente. Soren não estava morto, então. "Tudo bem."

Ela estreitou os olhos e, com um gesto simples, o algodão que segurava na mão foi substituído por outro. "Certo?" Será que Soren era tudo o que importava para ela? Afinal, quem ele era para ela?

Zaira estreitou os olhos, irritada, e o encarou com raiva. Ele a estava fazendo parecer tão insensível. "Ele é o favorito do meu irmão."

Então não era sobre ela. Era sobre o irmão dela. —Então você só se importa com o Soren, é isso?

Zaira deu de ombros. "Eu gosto dele. Ele é legal." Ao contrário dos rapazes da Ordem Vermelha, Soren se importava em protegê-la pelo bem do irmão. Ele não tinha segundas intenções. Supervisionara os homens que a guardavam durante toda a adolescência e a vigiara pessoalmente durante os acontecimentos. Como uma espécie de braço direito do irmão, Soren praticamente a viu crescer.

A maioria dos rapazes que estavam na festa de aniversário dela teria morrido violentamente de qualquer maneira. Ela não sabia muito sobre eles, exceto que se esperava que cumprissem seus deveres quando seus pais morressem. Ela só havia conversado brevemente com a maioria deles uma ou duas vezes, sabendo que mais cedo ou mais tarde seria dada em casamento a um deles.

Ela sabia qual era o seu propósito, assim como eles sabiam o que ela significava para o irmão no final das contas.

Zaira era simplesmente uma propriedade. No fim, ela seria vendida para o maior lance.

E o homem à sua frente acabara de roubar o bem mais valioso de Rhydan Veyron.

Deslizando delicadamente o algodão sobre a pele dela, ele cantarolou enquanto observava a pele verdadeira emergir, notando o rubor em suas bochechas. De repente, ficou claro para ele que ela gostava de sua atenção. Mesmo assim, o rubor o fez se perguntar. Será que ela coraria assim quando ele estivesse dentro dela? "Bom? O que 'bom' implica?"

—Ele é leal e confiável.

Kael era leal e confiável.

—Ele cuida de mim desde que eu era pequena.

Com um gesto de desdém, ela continuou a remover a maquiagem com toques delicados. Por um instante, pensou que Soren fosse seu noivo secreto, mas ele era apenas mais um dos funcionários de Rhydan. "Isso não importa. Kael cuidará dela agora."

Os olhos de Zaira percorreram o ambiente, e ela foi forçada a reconhecer mais uma vez que algo estava errado. Tudo, desde seus pulsos amarrados e guardas armados até o homem parado à sua frente e seus movimentos suaves, estava errado.

Segurando-a pelo queixo, ele a obrigou a encarar seus olhos castanhos. Em silêncio, removeu os últimos vestígios de maquiagem dela. Mesmo assim, o silêncio não pareceu nem constrangedor nem forçado.

Engolindo em seco sob o olhar intenso dele, Zaira apertou as coxas.

—Você permaneceu em silêncio.

Apesar da sua aparente gentileza, ela percebeu o ódio fervilhando sob a luxúria refletida em seu olhar sedutor. Sua confusão só aumentou. "Quem é você?"

Ele se levantou, acariciou o queixo dela com a mão e a obrigou a manter o olhar fixo em seus olhos castanhos. "Kael."

Ela franziu a testa. Aquilo significava alguma coisa para ela?

—Chefe da família Noctari.

Zaira congelou, o rosto empalidecendo enquanto o encarava, de olhos arregalados e horrorizada. Ela realmente havia dormido com Kael Alaric, o chefe do clã Noctari? O que diabos estava acontecendo com ela?

—Mas para você. Ele aproximou o rosto do dela, soltando seu queixo com a mão, deslizando-a pela garganta e apertando-a. —Eu sou Saint.

Ela prendeu a respiração, o olhar saltando de uma expressão intensa para outra. Sua confusão só aumentava. "O que você quer de mim?"

—Repita, mas com o meu nome.

Engolindo em seco, seus olhos percorreram o ambiente nervosamente, mas Kael não gostou nada disso, pois sua mão se fechou ameaçadoramente em torno de sua garganta. "Kael." Sua respiração ficou presa na garganta quando a mão dele apertou seu pescoço em sinal de aviso. "San."

Suas calças apertaram, e por um momento ele cogitou a ideia de jogar sua tripulação ao mar para tê-la só para si, ouvindo-a gritar repetidamente seu apelido em seu ouvido enquanto a fazia se sentir bem.

—O que você quer de mim, Santo?
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