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5 Fim de um Sonho, a decisão de Mirela

Era uma manhã linda de segunda-feira e um navio pertencente à empresa dos Smith, iria partir naquele mesmo dia com mais um carregamento de linho. Apesar de ser final de outono, os dias ainda estavam quentes naquele ano, mas Connor decidiu não ir trabalhar naquele. A fim de passar mais tempo com a esposa e poder descobrir o que a incomodava tanto, o caçula da família revolveu ficar em casa e seu pai foi no seu lugar. Sentando na escrivaninha, ele examinava alguns papéis e os colocava em pilhas separadas de acordo com o que ia terminando. Foi quando Mirela entrou na biblioteca e ficou observando o marido por alguns segundos, até que o mesmo percebeu sua presença.

— Faz tempo que está aí parada? — perguntou a ela, o marido. — Venha e chegue mais perto!

A loira abriu um sorriso e se aproximou devagar.

— Pensei que estivesse isso ao Porto, a final, hoje sai mais um navio. — disse ela encostando-se na escrivaninha.

— Haha, é bom ver você mais abeta comigo depois de tantos dias. — falou alegremente. — Eu resolvi ficar e passar o dia com minha família.

Mirela levantou-se e caminhou indo até uma das prateleiras da biblioteca, Connor a acompanhou com os olhos. Em seguida ela um envelope cor de terra e o segurou com as duas mãos.

— Foi bom você ter ficado em casa hoje. Eu estava mesmo esperando uma oportunidade para termos uma conversa séria e decidir o nosso futuro. — comentou colocando o envelope na frente de Connor. — Vamos, abra! — calmamente ela pediu.

O rapaz pegou o envelope sem entender nada e perguntou do que se tratava. Ele dizia, ao mesmo tempo em que abria o envelope e percebeu que dentro do mesmo haviam vários papéis.

— O que significa isso? Que papéis são esses? — novamente, Connor perguntou.

— Leia-os e você vai saber do que se trata.

Ao examinar o que estava escrito naqueles papéis, Connor ficou pálido. Seus lábios ficaram brancos como nove e suas mãos suavam e tremiam, mas Mirela permaneceu feito uma estátua imóvel na sua frente. Aqueles papéis eram na verdade o dossiê feito por Andries van der Meer e no mesmo estavam os relatos de todas as amantes de Connor, inclusive alguns encontros dele com Sheila.

— Que porcaria é essa? — perguntou jogando os papéis sobre a mesa, ao mesmo tempo em que se levantou. — Vamos, Mirela! Me diga que brincadeira de mal gosto é essa?!

— Não é brincadeira nenhuma, Connor. Eu sei de tudo, descobri tudo. Inclusive que você estava noivo de outra garota antes de se casar comigo. Foi por isso que fez do que fez comigo? — ela perguntou friamente. — Me culpa por não ter se casado com a mulher que amava e por isso vive me traindo com ela?

— O que?

Connor arregalou os olhos diante da última pergunta da esposa.

— Não! Eu nunca tive nada com a minha ex desde que nos separamos! — respondeu.

— Como não? — rebateu Mirela. — É a tal Sheila, não é mesmo? Você chegou até mesmo a viajar para fora do país com ela. Mas eu não tive culpa, você se casou comigo, mesmo amando outra, por que você quis!

— Não é a Sheila! — exclamou. — O nome dela é Amanda e hoje está casada com um bom homem. E já que você descobriu tudo, eu confesso. Sheila é, melhor, foi só uma aventura.

— Uma dentre muitas, pelo que vejo. — Rebateu a mulher. — Suyane, essa Sheila, Samantha, Luise, Ana. — A loira começou a chorar enquanto mencionava os nomes das amantes de seu marido, lidos por ela no dossiê. Connor fechou os olhos. — Eu não tive culpa. Eu não tive culpa por você ter sofrido por amor, se eu soubesse, eu nunca teria aceitado me casar com você. Atrapalhar sua vida!

Connor saiu detrás da escrivaninha e foi para junto de Mirela. Ele a abraçou de lado enquanto a mesma chorava de forma modesta. O homem confessou que a princípio a odiou por tê-lo impedido de viver um grande amor e que a tratou bem apenas por aparência e, por que ela era dona de extrema formosura.

— Ou seja, você só me usou de todas as formas. — ela falou, chorando ainda mais.

— Não! Por favor, não. Não pense isso de mim, pois eu realmente aprendi a amá-la, Mirela. Embora eu tenha me casado com você apenas por dinheiro...

Mirela virou-se para Connor e arregalou os olhos diante do que ouviu. O rapaz suspirou sabendo que havia falado demais.

— Por dinheiro? Então foi isso?! Eu fui moeda de troca?

Connor afastou-se um pouco da esposa e contou a ela desde o começo como se desenrolou o casamento deles. Da falência iminente de sua família e de como ele abandonou Amanda para se casar com ela, inclusive que havia se deitado com a moça antes do casamento e a abandonando sem dar satisfações.

— Isso foi de uma monstruosidade sem tamanho. Mas, eu até entendo o seu lado. Que filho não ficaria mal vendo sua mãe sofrer tanto? Te peço perdão por ter entrado em seu caminho dessa forma, por isso o melhor que tenho a fazer é ir embora da sua casa, depois acertarei as contas com o meu pai. — respondeu baixando a cabeça e depois se dirigiu até a porta. Connor a seguiu, impedindo-a de sair.

— Não me peça perdão. Como eu te falei, no início cheguei a te odiar, a te usar apenas por prazer, mas agora eu aprendi a te amar. Por favor, fica comigo e vamos recomeçar do zero?! — Connor colou-se de joelhos diante de Mirela. O marido começou a chorar, mas a loira falou que seria melhor que ela fosse passar um tempo longe dele, pois até mesmo ela teria ficado confusa com seus sentimentos diante de tais descobertas. Connor falou que fazia qualquer coisa para obter seu perdão e que não iria mais ao Porto enquanto Sheila estivesse por lá.

— Não se trata apenas da Sheila, Connor. Nosso casamento começou errado e você sabe que, tudo o que começa errado, tende a terminar errado. — argumentou a jovem senhora. — Vamos dar um tempo e com isso, saber se vale a pena continuarmos casados.

Connor esmurrou o chão, dizendo não aceitar a separação. Eles seguiam discutindo, quando ouviram um grito de mulher vindo diretamente do quintal.

— O que foi isso? — perguntou Mirela.

— Nossa, pareceu a voz da minha mãe.

Os dois saíram correndo e vários empregados da casa também, chegando ao local ao mesmo tempo. Connor viu sua mãe caída no chão e desacordada. Pelo local onde a mesma se encontrava, ela teria caído de um dos bancos de pedra enquanto retirava algumas ervas daninhas do meio das flores.

— Não, mãe! — exclamou Connor correndo em socorro de Lana. Mirela pediu aos empregados que ajudassem seu marido a levá-la para dentro, em seguida disse a Manfred que fosse chamar o médico e em seguida, avisasse Kael no Porto. Desesperado, o rapaz não saía de perto de Lana, até que o médico finalmente chegou.

***

O Local de trabalho dos Smith estava bem agitado naquele dia e Kael não parou desde que chegara ali. Ele estava um pouco fora de forma, já que seu filho mais novo passou a tomar conta dos negócios. Mas uma coisa chamou a atenção do patriarca. Sem que ela percebesse, Kael observava o quanto Sheila o encarava quando ele estava de costas, o que levou o velho a deduzir que a morena se tratava da mulher com quem Connor confessou ter vivido momentos de intenso prazer. Então Kael decidiu chegar mais perto.

— Algum problema, minha jovem? — perguntou.

— Ah, não! Não senhor, problema algum. Por que? — ela perguntou de volta, meio sem jeito.

— Me desculpe, mas eu notei que a senhorita não parou de olhar para mim, desde o momento em que cheguei. — a morena arregalou os olhos. — Achou estranho o meu filho não ter vindo hoje, não é mesmo?

— Sim. Ele sempre vem e como faltou, eu achei estranho. — ainda nervosa, Sheila respondeu.

— E por que você não veio falar comigo? Nem chegou a querer saber informações sobre o meu navio.

Sheila começou a desconfiar dos interrogatórios de Kael e avisou que não era apenas ela quem trabalhava ali como supervisora. Perguntou também se o senhor Smith havia sido atendido.

— Ei, não precisa ficar nervosa, senhorita. Eu só perguntei por que meu filho sempre fala a seu respeito. — novamente a jovem arregala os olhos. — Ele diz que você sempre faz questão de atendê-lo pessoalmente!

— Escute aqui, meu senhor. Eu não sei aonde o senhor quer chegar com essas perguntas, mas já vou logo avisando que...

Antes que terminasse, Kael interrompe Sheila.

— Mas eu sei exatamente aonde eu quero chegar, senhorita. — falou encarando a morena. — Meu filho não veio por que quis passar mais tempo com a família dele, esposa e filhos. E digo mais, ele não virá mais ao Porto de hoje em diante, ele descobriu que ama a minha nora e irá fazer de tudo para salvar seu casamento!

A mulher virou parcialmente de costas para Kael, mas voltou a encará-lo.

— Senhor Smith, se o senhor estiver pensando que existe alguma coisa entre mim e seu filho, está muito enganado. — respondeu a morena, mas dessa vez, foi Kael quem arregalou os olhos. — Confesso que houve sexo entre a gente, pois não sou uma mulher como as outras, gosto de ser livre, mas nunca pensei em nada além de prazer, entre mim e o seu filho!

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