Biblioteca
Português
Capítulos
Configurações

4 Sem Motivos para Sorrir

Passaram-se três dias e Connor seguia apreensivo com o comportamento de sua esposa. Calada, ela mal perguntava se ele havia falado com os meninos e com a pequena Ester, que a cada dia ficava mais graciosa. A cabeça do caçula da família Smith estava tão confusa que ele nem ao menos quis saber de Sheila durante os respectivos dias. Desde em que chegou tarde em casa, Mirela agia como se pudesse ler a alma de Connor fazendo o mesmo se sentir como se estivesse nu o tempo todo diante dela. A supervisora do Porto estranhou a atitude do loiro, chegando a perguntar se estava tudo bem com ele, mas o homem respondeu absolutamente nada e no terceiro dia, ele saiu mais cedo do serviço e foi para sua casa.

— Voltou mais cedo? O que aconteceu? — perguntou o pai de Connor por este ter chegado cedo demais.

— Não me sinto bem. — respondeu o jovem. — Aliás, eu preciso muito conversar com o senhor. Pode me ouvir agora?

— Claro que sim, filho. Vamos à biblioteca!

Chegando à biblioteca, Connor sentou-se numa poltrona que ficava perto da janela, a mesma que dava vista para o jardim sul da propriedade. Kael moveu outra poltrona colocando-a de frente a que seu filho estava sentado, ele sentou-se na mesma e encarou o homem mais novo.

— O que você gostaria de perguntar? Sinto que está bem, aconteceu alguma coisa? — voltou a perguntar, o patriarca.

Connor não respondeu ao pai, mas inclinou a cabeça e começou a chorar discretamente. Kael percebeu o motivo pelo qual o rapaz chorava, ele também percebeu que sua nora estava agindo friamente com ele, mesmo assim optou por deixar que Connor mesmo falasse.

— Estou tão confuso, pai. Minha cabeça, meu coração... está tudo tão confuso e eu já não sei mais o que fazer! — falou levando passando as mãos na cabeça. — Sinto que estou perdendo algo muito importante para mim e não sei se saberei viver sem esse algo!

Kael seguiu olhando para o filho enquanto ele relatava que sua mulher parecia outra pessoa, ela o tratava como um estranho e até mesmo fazendo amor, ela mais parecia uma estátua do que uma mulher. O patriarca suspirou e pediu que o rapaz prosseguisse.

— Eu desconfio que ela descobriu minhas aventuras fora do casamento. — Prosseguiu ele, olhando para o pai. — Mas o que me deixa mais intrigado é que, eu poderia não dar a mínima importância se ela descobrisse, ou, não. Só que agora estou com medo que ela descubra!

Mais uma vez o velho suspirou, só que dessa vez ele decidiu falar.

— O que está acontecendo, Connor, é que você está descobrindo que ama a sua mulher e tem medo de perdê-la. — respondeu Kael. —Mirela é uma mulher adorável e além do mais, ela é a mãe dos seus filhos!

— Então me diga, pai. — Indagou segurando nas mãos de Kael. — O que eu osso fazer para não perder a minha família? Como me tornar para Mirela o marido que ela merece?

— Ame-a! Faça como eu fiz. — Novamente respondeu o pai.

— E como eu faço isso? Como agir da forma com que o senhor agiu para recuperar o amor da mamãe? — o filho novamente perguntou aflito.

— Em primeiro lugar, sua mãe nunca soube que eu a traí, mesmo assim eu pedi perdão a ela. E você deve fazer o mesmo, Connor. Confesse tudo o que fez e prometa que vai mudar, que não fará mais. — Aconselhou Kael. — Mirela já descobriu da pior forma, sua traição com Suyane. Não deixe que ela descubra por conta própria suas outras aventuras, pois poderá ser tarde demais se isso acontecer.

Connor levantou-se da poltrona onde estava sentado, colocou as mãos nos bolsos da calça e começou a caminhar devagar em direção à escrivaninha.

— Eu não sei se dou conta de fazer isso, pai. — respondeu olhando para o homem mais velho por cima do ombro. — Não sei se terei coragem de confessar à Mirela tudo o que eu fiz. — Completou virando-se totalmente.

— Então isso torna as coisas muito mais complicadas para você, meu filho. Pois o principal requisito para consertar esse tipo de erro é deixar o orgulho de lado e isso, eu percebi que você tem de sobra!

Connor Smith olhou para o pai sentindo um aperto em seu coração. Ele não parava de pensar na frieza de Mirela e nas muitas vezes em que a viu chorar pelos cantos. Será que ele deveria seguir os conselhos de Kael e confessar todos os seus pecados à esposa? Ou será que isso apenas pioraria ainda mais as coisas? Todos esses pensamentos passavam na mente do belo negociador de linho, mas por outro lado, ele gostava de ter uma vida de aventuras, de fazer sexo com belas mulheres em lugares nada formais. Mesmo assim, Connor decidiu esperar até que Mirela resolvesse abrir o jogo. E se o que estivesse acontecendo com ela fosse apenas um desconforto de mulher?

***

Melinda O’Brien caminhava pelo jardim da casa dos Walsh, na fazenda da família, quando foi surpreendida pelo marido. Ronan a chamou e a mulher assustou-se, quando virou de frente para uma macieira, viu o pai de Ian encostado nela.

— O que você faz aqui, Ronan? — a mulher perguntou. — Você sabe que não é bem-vindo aqui. Se algum funcionário da fazenda te ver, podem até querer chamar a polícia!

Ronan rapidamente se aproximou de Melina, agarrando-a elo braço, com força. A mulher sentiu uma forte dor, mas o marido a ameaçou que não gritasse.

— Pensou que eu iria deixar o desaforo, seu e de seu filho, passar despercebido? Han? Pensou que eu fosse ficar de braços cruzados enquanto vocês dois, juntamente com essa família maldita dos Walsh, riam de mim? — reclamou com o rosto encostado ao de Melinda.

— O que você quer, Ronan? Por que não deixa nosso filho viver em paz com a família dele? — perguntou Melinda, em lágrimas.

— Nunca! — respondeu ele. — Você sabe muito bem o porquê de te odiar tanto, não sabe? Você foi a responsável por eu ter me tornado a pessoa infeliz que sou hoje e por isso, por isso eu nunca deixarei que você viva em paz!

Com muito esforço, Melina conseguiu se soltar das garras de Ronan, dando dois passos para longe dele.

— Já chega, Ronan! Você já foi longe demais com esse seu ódio. — Ela berrou encarando o marido numa mescla de medo e raiva. — Eu não tenho culpa alguma por você ser tão infeliz e muito menos o nosso filho. Ele não tem por que seguir esse caminho de amargura pelo qual você decidiu trilhar!

Nesse momento, Ronan olhou para Melina com ódio e deu lhe uma bofetada no rosto, em seguida ele novamente a segurou com força pelo braço. A mulher sentiu como se o mesmo estivesse sendo quebrado.

— Você roubou a minha vida. — disse ele bastante alterado. — Você roubou os meus sonhos e por isso eu nunca a deixarei em paz. Você vai voltar para casa ainda hoje!

— Eu nunca mais voltarei a viver ao seu lado, Ronan. Mesmo que você me bata, me torture, eu nunca voltarei a viver ao lado de uma criatura vil e Rianana como você! — disse Melina de forma expressiva, novamente se soltando das garras do marido violento.

Ele então começou a dar gargalhadas da senhora O’Brien, que não entendeu o porquê de seu marido estar rindo tanto.

— Por que você está rindo assim? Ficou louco?

— E quem disse que eu vou bater em você? — disse o homem olhando para a mulher, mudando seu riso para uma expressão sombria. — Ou você volta para a casa de nunca deveria ter saído, ou — ele olhou em direção à casa — seu filho e a prostituta dele é quem vão pagar por sua desobediência!

Melina começou a respirar de forma ofegando e aflita, a princípio ela pensou que Ronan estivesse apenas blefando.

— Você não teria coragem de machucar seu próprio filho. Eu não acredito que seja capaz de chegar a tanto.

Ronan, de forma sádica, deu um riso de canto de boca e o mesmo fez com que o corpo de Melina se arrepiasse da cabeça aos pés.

— Você me conhece e sabe quando estou blefando, minha cara esposa. Ou você retorna para a fazenda ainda hoje, ou amanhã eu farei com que se arrependa amargamente por não fazer o que te mando. — ele respondeu encostando o rosto amis uma vez, no rosto da mulher. — Pra te ver sofrer, eu sou capaz de tudo, até mesmo de matar Ian e sua cria maldita!

— E tem mais uma coisa. — Prosseguiu Ronan. — Se você duvida da minha coragem, olhe para Kelly. Se bem que eu matei aquele imprestável, pois não era para aquela vagabunda estar mais aqui hoje!

O homem afastou-se de Melina e subitamente montou em seu cavalo. Curiosamente, ninguém o viu entrar e nem sair da fazenda onde ela estava. A mãe de Ian ficou paralisada vendo o marido se afastar gradativamente, mas antes de desparecer na ladeira ele gritou “VOCÊ AINDA TEM QUATRO HORAS PARA SE DECIDIR, MELINA”. Após uma gargalhada maldosa, Ronan desapareceu do campo de visão de Melina e a mulher sentou-se no chão de uma vez, pois sentiu acabarem a força de suas penas.

— Meu Deus! Como eu pude me casar com um homem desses? Como eu pude dar um pai assim para o meu filho? — desesperadamente, Melina chorou. — Mas agora eu preciso voltar para ele, caso contrário ele mata meu filho.

A mulher correu para o interior da casa e chegando no quarto designado a ela por sua nora, Kelly, Melina começou a arrumar suas coisas. Ela pegou apenas o básico e colocou dentro de uma mala. Foi quando Ian chegou e Kathleen lhe contou que percebeu algo estranho na mãe do rapaz. O jovem subiu as escadas correndo, em direção ao quarto de sua mãe e chegando lá, se deparou com ela já arrumada para sair.

— O que aconteceu, mãe? — perguntou ele, olhando para a mala. — Para onde a senhora vai?

Melina olhou para Ian, mas não respondeu logo de primeira, ela então disfarçou e se abaixou para pegar um par de sandálias.

— Estou voltando para a minha casa. — respondeu sem querer encarar o filho.

— Como assim? Mãe, a senhora não pode voltar para aquele inferno. Faz ideia do que aquele homem ode fazer com você por vingança? — disse Ian tentando convencê-la.

— Veja como fala. — dessa vez ela o encarou. — Aquele homem é o seu pai e eu preciso voltar para o lugar de onde eu nunca deveria ter saído. Cuide de Kelly e Alexia, eles merecem a felicidade e não se preocupe comigo, eu ficarei bem.

Ian ficou paralisado diante da atitude de sua mãe, ele jamais imaginou que um dia ela fosse querer voltar a viver ao lado de seu pai. Melina pediu a Kathleen que lhe providenciasse um cocheiro para levá-la até sua fazenda, assim que Ian deu o sinal, a governanta designou Mustafa para que o fizesse. Kelly também não entendeu absolutamente nada, mas também não opinou. Antes de partir, Melina abraçou a nora dizendo que a amava muito e que sentia pelos infortúnios causados por Ronan, a loira não entendeu, mas disse que aquilo não tinha mais importância. Melina partiu, ela chorava muito no interior da carruagem, pois sabia que daquele momento em diante, sua vida não seria nada fácil.

Baixe o aplicativo agora para receber a recompensa
Digitalize o código QR para baixar o aplicativo Hinovel.