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6 Não reconheço você, a bataha de Lana

Essa revelação deixou Kael boquiaberto, em todos os seus anos de vida ele nunca havia estado diante de uma mulher com aquele tipo de pensamento, levando-o a fazer aquele velho comentário cliché, “ah, esses jovens de hoje em dia”. Kael disse ficar aliviado por Sheila não nutrir nenhum sentimento por Connor, mesmo ele comunicou que seu filho não iria retornar mais ao Porto enquanto a morena estivesse ali. Ela por sua vez respondeu que em breve o senhor Smith retornaria, já que seus planos era de ir morar em definitivo na Alemanha. Enquanto Kael conversava com Sheila, Manfred se aproximou correndo e bastante preocupa, chamando por ele.

— Senhor Smith, ah, senhor Smith. — disse o homem quase pondo as tripas pela boca de tão cansado que estava.

— O que aconteceu, Manfred? O que faz aqui. — Kael perguntou aflito.

— O senhor precisa vir depressa, a senhora Lana está muito mal. O médico já deve estar com ela a essa hora e eu explico tudo no caminho.

Os dois saíram às pressas, deixando Sheila sem entender absolutamente nada. Eles chegaram até a carruagem, onde seguiram a todo galope para a mansão da família.

***

Grande era o desespero na mansão Smith enquanto o médico da família atendia Lana, mas a preocupação maior se dava por que a senhora da casa ainda não havia acordado. O médico comunicou que apesar da queda ter sido de uma altura não muito alta, a pancada por ela sofrida na cabeça, provocou um inchaço um pouco acima da nunca. O diagnóstico foi que, provavelmente, Lana estava com um coágulo na cabeça e por isso não acordava. Em meio a toda aquela confusão, Kael chegou acompanhado de Manfred, então Connor lhe deu a triste notícia.

— Não pode ser! — lamentou Kael. — Como ela pôde ter se descuidado assim? Eu saio de casa por um dia e sua mãe me apronta uma dessa!

— Ela está mal, pai. Ela está muito mal. — disse Connor abraçando seu velho pai.

Mirela observava a dor de seu marido e sogro, ela percebeu que naquele momento não poderia abandonar aquela família, uma vez que Lana sempre foi para ela como uma segunda mãe. “Acho que os planos de ir embora desta casa vão ter que esperar”, pensou e subiu para o quarto dos filhos.

***

Naquele mesmo dia, Rian retornou para sua casa juntamente com Kiara, mas estranhou que não havia ninguém na entrada da propriedade e notou ao longe uma movimentação atípica na mansão.

— Será que estão dando uma festa? — perguntou ele a Kiara.

— Não faço a menor ideia!

Os dois seguiram em frente e ao chegarem ao jardim, acabaram esbarrando com Antônia, a portuguesa parecia estar muito nervosa.

— O que aconteceu Antônia? Como estão os meus pais? — Rian aflito, perguntou.

Antônia contou que Lana havia caído de um banco de pedra e acabou batendo forte com a cabeça e, que ainda não havia acordado. Rian perguntou quanto tempo tinha do acidente e a governanta respondeu que o mesmo ocorreu por volta do meio dia e já eram quatro da tarde. Antônia reconheceu Kiara, ela a cumprimentou, pois recordou que se tratava da dama de companhia de sua senhorinha, mas não deixou de observar o volume de panos que a moça carregava em seus braços. Kiara também não quis esperar e entrou para dentro sem ao menos dar a Antônia a chance de perguntar a respeito do embrulho misterioso. Ao entrar na casa, Mirela mal pôde acreditar que a amiga estava de volta e bem, então a mesma correu e a abraçou.

— Kiara, não sabe coo é bom rever você. — falou com um largo sorriso.

— Rian insistiu para que viéssemos. Ele sentiu que alguma coisa não estava bem por aqui e mesmo diante dos perigos, ele decidiu voltar. — falou a ex dama de companhia de Mirela.

— Perigos? E o que seria isso que você está segurando? — a loira perguntou, curiosa.

Mal fechou a boca, Mirela ouviu um som familiar, o resmungar de um bebê que parecia recém-nascido.

— Kiara. Não me diga que...

— Sim! É meu filho, senhora Mirela. Meu e do Rian. — respondeu a mulher dos olhos cor de âmbar.

Mirela mais uma vez abraçou Kiara e pediu para que segurasse seu bebê, a moça fez questão. Mesmo diante de tantos infortúnios, a vida ainda agraciava aquela família. Mirela contou a Kiara o que acabara de acontecer com Lana, o que deixou a jovem chocada e com pena de seu marido. Kiara por sua vez contou a Mirela tudo pelo qual havia passado enquanto esteve longe, mas que Rian apareceu e a salvou, porém isso culminou nos dois tendo que fugir do país. A loira perguntou o que eles teriam feito de tão terrível para que corressem da Irlanda, então Kiara contou de Aiden, um homem que lhe havia jurado amor, mas que no final das contas a estava maltratando, inclusive não fosse por Rian ter chegado na hora, aquele homem a teria espancado até a morte. Ela acabou revelando que o irmão mais velho de Connor o matou com as próprias mãos.

— Que história. Mas se o Rian não tivesse feito isso, esse homem teria matado você. — disse Mirela. — Mas por que ele te batia tanto?

— Ele alegava que eu já havia sido de muitos homens e que aquele que me assumisse, poderia fazer o que quisesse comigo. — respondeu a agora cunhada da loira.

— Típico de homens que se acham os donos do mundo só por que possuem duas bolas balançando entre as pernas. Mas o importante é você está bem. O Rian é um bom marido?

— Sim. Com ele eu sou feliz!

***

Rian entrou no quarto de seus pais e nem Connor, nem Kael, acreditaram que o filho mais velho estava ali. Mas ao invés de brigarem com Rian, Kael e Connor correram e o abraçaram, então o primogênito ajoelhou-se ao lado de sua mãe deitada sobre a cama e beijou sua mão. Ele contou que durante o tempo em que esteve longe, enviou cartas para que ela não ficasse preocupada e que avisou de seu retorno uma semana antes. O pai comentou que esse era o motivo de Lana estar tão feliz nos últimos dias. Rian se levantou e se voltou para seu pai e irmão.

— Eu gostaria que vocês dois viessem comigo até a sala. Quero lhes mostrar uma coisa.

Connor e Kael se entreolharam e seguiram o mais velho. Ao chegarem na sala, os dois se deparam com Mirela de pé ao lado de Kiara que estava sentada segurando um bebê. Naquele momento o coração de Kael acelerou, ele sabia do que aquilo poderia se tratar, então Rian se aproximou da mulher morena.

— Certamente que Mirela já deve estar sabendo, mas, meu pai, esta é Kiara, sua nora. E este a quem ela segura nos braços é seu neto, Erwin. Ele nasceu há duas semanas e eu decidi que era hora de vocês o conhecerem. — disse o loiro com um largo sorriso.

— Então você finalmente resolveu virar homem. — disse Connor sem expressar qualquer reação, todos ficaram tensos. — Me dê um abraço, irmão!

Connor correu para junto do irmão, fazendo todos respirarem aliviados. Ele também pediu desculpas a Kiara, mas não mencionou pelo que, o que a deixou intrigada. Mirela pediu para que a babá de seus filhos providenciasse um berço para o pequeno Erwin, Rian todo orgulhoso, contou que seu filho possuía a marca sagrada da família Smith nas costas e que por isso seria um homem vigoroso. Mas Rian ainda não havia contado o motivo que o fez desaparecer da forma com que desapareceu, isso por que o médico entrou na sala dizendo que o inchaço da cabeça de Lana havia aumentado. Certamente ela iria necessitar de uma drenagem, caso contrário poderia morrer em pouco tempo.

— Então faça, Dr. Faça o que for preciso, mas salve a minha mulher...

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