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3 Por que?

Mirela encarou o marido enquanto ele era questionado por seu pai a respeito de sua demora e o que ele havia visto de anormal nos papéis. Connor contou que viu diversas escritas que não batiam com os dados enviados para eles anteriormente e que gostaria que seu pai fosse com ele no dia seguinte para averiguar, já que Kael tinha muito mais experiência no assunto. A forma com que Connor explicava a situação era tão convincente que não se podia duvidar de que estivesse dizendo a verdade e era assim que Mirela se sentia. Será que seu marido a estava traindo, ou, se as descobertas de Andries eram cosias do passado? Quanta confusão se passava na cabeça da loira enquanto ouvia marido e sogro discutirem, até que Lana percebeu o comportamento incomum da nora.

— Está tudo com você, Mirela? — perguntou Lana chamando sua atenção. Connor e Kael também olharam para ela.

— Sim, minha sogra. Está! — respondeu meio sem graça. — Eu vou ver se está tudo pronto e se já podemos servir o jantar.

Ela saiu deixando Connor igualmente desconfiado. Será se Mirela havia descoberto alguma coisa? Já não bastasse o incidente com Suyane, se descobrisse algo entre ele e Sheila, as coisas poderiam fugir muito do controle e uma inimizade com Kevin àquela altura não era uma boa coisa, principalmente quando o velho Walsh já estava gostando muito de seu outro genro, Ian O’Brien. Muitos eram os pensamentos percorridos na mente de Connor, até que sua mãe os deixou sozinhos e Kael mudou de assunto repentinamente.

— Você pode ter convencido muito bem sua esposa e sua mãe, mas a mim você não engana, Connor. — disse o patriarca com a cara fechada.

— Do que o senhor está falando, meu pai? O que eu fiz para falar comigo desse jeito? — ele perguntou se fazendo de desentendido.

— Você pode até ter ficado no Porto trabalhando, mas também estava com outra, não é verdade? —perguntou. — Não minta pra mim, Connor!

O homem mais novo se sentou no sofá e encarou o pai.

— O que eu estava fazendo de verdade não fará a menor diferença para o senhor, então nesse caso... eu estava sim. Estava fazendo amor com uma mulher maravilhosa e ela me fez delirar de prazer. — respondeu num tom desafiador.

— Tenho medo de um dia você se arrepender tarde demais de tudo o que está fazendo com sua mulher. Por Deus, Connor, Mirela não merece isso! — rebateu Kael reprovando as atitudes do filho.

— Realmente ela não merece. Mas eu também merecia ter que abrir mão do meu grande amor para me casar com uma mulher que não amo? — Connor sendo mais expressivo.

— Eu dei a você a escolha, disse que se quisesse poderia desistir e se casar com Amanda, mas você não quis. Você se esqueceu disso? — perguntou o pai jogando a realidade na cara de Connor.

— Eu fiz pela minha mãe, mas se pudesse voltar atrás, eu teria desistido.

— Desistido do que, Connor?

O jovem senhor olha para a porta que dava acesso à sala de jantar e vê sua esposa parada olhando em sua direção.

— Diga! — novamente perguntou. —Do que você teria desistido se pudesse voltar atrás?

Connor sorriu de forma sem graça e foi em sua direção, ao mesmo tempo em que olhava para seu pai. Ele procurava disfarçar e ao mesmo tempo tinha medo do que Mirela poderia ter ouvido.

— Da compra que fizemos na Índia. Estava conversando com meu pai que aquele não foi um bom negócio, não é mesmo, meu pai? — respondeu fazendo um gesto com os olhos e a boca a fim de que Kael confirmasse suas palavras.

— É verdade, Mirela. Eu fui o responsável pela compra e admito que não foi um bom negócio. — o velho homem confirmando o resposta de seu filho.

— O jantar já será servido. — Ela anunciou. — O senhor vai jantar assim mesmo, ou vai se lavar antes, meu marido?

Connor olhou para a esposa e prendeu os lábios entre os dentes, em seguida respondeu.

— Me acompanhe, por favor. Vou somente lavar os pés e as mãos, pois cheguei tarde. Antes de dormir tomarei um banho. Venha comigo, esposa. — ele a chamou. Desconfiada, Mirela o acompanhou.

Ao chegarem ao quarto, Connor retirou a parte de cima de sua roupa e a pendurou no local de costume, em seguida Mirela lhe trouxe uma bacia com água que já estava preparada para quando ele chegasse. O homem tirou as botas e mergulhou os pés dentro da bacia, mas reclamou que a água estava demasiado fria.

— Estava preparada há horas e como o senhor demorou. — disse ela com frieza, Connor apenas respirou fundo. — Mandarei que Salima traga água quente.

— Não será preciso. —respondeu ele. — Quando for encher a banheira, traga a água quente, agora vamos descer. Meus pais já estão esperando à essa altura.

Os dois desceram para sala de jantar e Connor notou que sua esposa estava distante. Ela parecia fria e era como se estivesse querendo jogar com ele. Então o loiro decidiu que iria entrar no jogo dela e ver aonde sua esposa pretendia chegar.

♥♥♥

Kelly, seu marido e sua sogra chegaram na fazenda depois de uma cansativa viagem desde Dublin. Eles foram calorosamente recebidos por Mustafa, Jailson e Kathleen. Os três ficaram muito felizes em ver um dos patrões novamente e quando Kelly comentou que retornaram para morar ali, a cuidadora da fazenda ficou ainda mais feliz.

— Então vamos organizar tudo conforme seu desejo, senhora Kelly. — disse Kathleen quase saltando de alegria.

Mas a mulher encarava Ian de modo desconfiado, então Kelly a chamou num lugar reservado e contou o quanto seu marido havia mudado e desde o dia em que enfrentou o pai, tem sido um homem completamente diferente. Kathleen disse ter ficado aliviada por saber dessa informação, mas que não deixaria de estar atenta à patroa. Kelly sorriu e agradeceu dizendo que se sentia feliz por tê-la ao seu lado. A irmã mais velha de Mirela também perguntou se Kathleen tinha alguma notícia de Kiara, avisando que sua irmã estava muito preocupada com ela, mas Kathleen com lágrimas nos olhos, respondeu que não sabia de notícias, inclusive que seu coração se via apertado sempre que pensava nela.

— Eu sei que Kiara não escolheu o melhor caminho para trilhar, mas que não quero que nada de ruim aconteça com a minha menina, dona Kelly. — falou com muita tristeza.

— Não se preocupe, Kathleen. Kiara é uma mulher corajosa e certamente vai saber se cuidar. — disse a mulher mais jovem. — Agora enquanto você cuida da janta, eu vou preparar o quarto onde a dona Ana vai ficar.

A jovem senhora deu um beijo no rosto de sua antiga babá e seguiu para o quarto de hóspedes onde ficaria sua sogra. Kathleen por sua vez, apertou com força a cruz que carregava pendurada em seu pescoço e fez uma prece:

— Por favor, Deus. Não deixe que nada aconteça com minha menina, ajude minha Kiara!

***

Na fazenda O’Brien, Ronan estava sentado na varanda quando o capataz chegou trazendo novidades. O homem relatou ter visto seu filho e sua esposa entrando na fazenda dos Walsh e que Kelly estava junto. O velho apenas deu um suspiro e em seguida apanhou uma caneca de vinho que se encontrava ao seu lado numa pequena mesa e virou goela a baixo, colocando-a agressivamente de volta no lugar.

— Meu filho decidiu tomar como exemplo aquele fraco do Kevin Walsh, provando que não é um homem de verdade. — falou com uma carranca de dar medo. — Mas logo eu irei mostrar para aquele garoto quem é que manda nessa família e se Kevin for esperto, ele que não se meta nos meus assuntos.

O capataz sorriu de modo cínico. Este que compactuava com todas as crueldades que seu patrão fazia, inclusive naquele mesmo dia um jovem negro fora levado para o tronco por tentar defender sua irmã de ser violentada pelo capataz. Mesmo a abolição sendo sancionada na Irlanda, Ronan insistia em manter escravos em sua fazenda.

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