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QUATRO

Analisei o quarto de Kaio com cuidado assim que apareci magicamente ali, em um momento eu estava na rua, em outro em um taxi me agarrando com ele, e agora aqui, presa em volta de quatro paredes. Era tudo em tons escuros, simples e bem resguardado, assim como todo o resto do seu apartamento.

Eu mal conseguia respirar. Me sentia uma garotinha perdida, minhas mãos estavam tremulas e eu provavelmente estava suando frio.

Mais que porra, Sofia! Você é uma mulher adulta agora.

Ele era o tipo de homem que toda mulher adoraria ter, bem organizado e limpo.

Me joguei sobre a cama dele sentindo a maciez, tirei aqueles chifres da minha cabeça os jogando longe, eu estava cansada daquilo, havia apertado minha cabeça a noite toda.

Me perguntei vagamente olhando para o nada se toda essa historia de sentimentos por esse estranho não teria sido somente um desejo de capricho de uma menina mimada, no fundo, algumas pessoas podiam ter razão, eu era realmente uma pessoa muito chata.

Tanto faz, eu podia descobrir isso depois, no momento eu só estava afim de sentir um pouco mais de Kaio.

Me sentia um pouco promíscua, e fácil demais. Muito fácil.

Era errado se sentir uma vagabunda assim?

Droga, eu havia caído na minha própria armadilha. Eu realmente ainda gostava dele, gostava de uma forma que nunca poderia gostar de mais ninguém. Ele era mais viciante que droga e eu estava imensamente feliz de ter uma oportunidade de entrar na vida dele nem se quer por uma única vez, logo eu iria voltar para minha verdadeira casa em Portugal e esse romance de carnaval não passaria de mais uma lembrança na minha vida.

As coisas la eram bem diferentes, eu era mais seria, tinha um bom trabalho, uma boa reputação e não saia com caras assim como saio toda vez que venho ao Brasil.

Se bobear, eu poderia engatar um romance lá e esquecer toda essa baboseira em duas semanas.

Suspirei.

Ele não estava aqui, havia ido pegar alguma coisa, o que me deixava ainda mais inquieta, queria saber porque ele estava demorando tanto.

Quando ele entrou no quarto me vendo deitada em sua cama me analisou inteiramente com um sorriso nos lábios, ele havia me pego desprevinida e perdida no meio de varios pensamenos estranhos.

- Talvez estejamos indo rápido demais. - ele disse sentando- se em uma poltrona na frente da cama.

Eu respirei fundo. Eu tambem acho, tão rapido que isso me fez duvidar da minha propria personalidade.

- Não é como se estivéssemos em uma relação e você estivesse tentando arrancar minha virgindade - disse e me sentei para olhá-lo melhor, no final, só iriamos ficar uma noite.

Não precisava de tanta cerimonia.

Ele sorriu pesadamente.

- Eu não consigo parar de pensar no que você disse quando ainda estávamos no bloco. - ele disse encarando o chão.

Sua respiração se elevou e sua caixa torácica se encheu até demais.

- Eu disse muitas coisas. - respondi umidecendo os lábios. - Muitas mesmo.

Ele voltou a me encarar. No seu olhar tinha algo novo, era diferente, não parecia ser ruim.

Ele me questionou com os olhos por um momento e em seguida pesou mais ainda sua respiração.

A sua reação dramática estava me fazendo pensar que viria uma bomba pela frente.

- Você disse, "não é porque eu esperei muito tempo por isso aqui que vai acontecer tão fácil". - eu estremeci. - Eu guardei cada palavra dessa frase. O que isso quis dizer?

A minha cara de malícia se desfez na hora.

Eu não sabia como reagir e nem o que dizer, a reação mais rápida que tive foi sorrir. Eu teria sido pega?

Ele realmente guardou cada palavra, o que me fez perceber que existia algo mais ai, e nesse instante nada parecia fazer sentido ja que eu estava prestes a ter um ataque cardiaco se não respondesse de forma coerente o mais rapido possivel nos próximos segundos.

- Eu só falei qualquer coisa. - revirei os olhos, - Porque foi lembrar justo disso? - disse fingindo não me importar.

Porque aquilo era interessante pra ele?

Havia sido só uma frase, não precisava destacar isso.

- Apenas me conte, Sofia. - ele relaxou na poltrona. - Você gostava de mim antigamente?

Eu paralisei.

Parecia que o céu havia se aberto em dois e eu seria arrebatada se não me arrependesse dos meus pecados.

Que tipo de joguinho ele estava fazendo comigo? Isso não era justo.

Nunca pensei em um dia contar o que eu sentia para Kaio. Muito menos daquela forma, ali, no quarto dele, ele não podia me pressionar desse jeito, eu podia dizer em diversas línguas o quanto isso era injusto comigo.

Olhei para ele como se ele estivesse contando a piada mais engraçada do mundo.

Estava na hora de usar o meu dom para mentiras que tanto meus pais citavam que eu tinha e vê se isso servia de alguma coisa com ele.

- Está tentando tirar uma com a minha cara? - revirei os olhos novamente só que agora de forma mais dramática. - Você tem noção de que naquela época eu estava ocupada demais me divertindo com muitos garotos para estar pensando justamente e exclusivamente em você? - eu desviei o olhar. - Você deve ter algum complexo de superioridade.

Ele respirou fundo. Eu exagerei demais tentando falar qualquer besteira que veio a minha mente perturbada.

Eu realmente estava nervosa e falando besteiras demais.

- É mesmo? - sua pergunta foi irônica. - Uma vez, um boato chegou até mim que enquanto Pietro, aquele cara do futebol, estava fazendo sabe-se lá o que com você... você simplesmente gemeu o meu nome. - ele disse vitorioso. - Vai dizer que é mentira?

Eu não podia acreditar.

Eu estava no fundo do poço e ninguém podia me tirar de lá.

- Como você mesmo disse, não passava de um boato. - fui rápida com a resposta.

- Jura pra mim? - ele se levantou vindo até mim. - Jura mesmo? Diga isso olhando nos meus olhos.

Ele fixou aqueles olhos mel nos meus. Eu não tinha pra onde correr, eu estava encurralada. Quem de verdade era Kaio Martins?

Ele era o meu anjo caído, o mais perverso de todos.

Eu não conseguia mais aguentar, eu diria de uma vez o que estava entalado na minha garganta, se não, eu não conseguiria viver com aquele sentimento de culpa preso dentro de mim.

Aliás, não era nenhum pecado, e ja tinha passado muito tempo.

- Isso faz parte de alguns fetiche seu? - eu disse desviando o olhar para baixo. - Você é maldoso, Kaio.

- Tenho certeza que não mais que você. Eu conheço milhares de historinhas suas. Qualquer dia eu podia contá-las uma a uma para você. - foi aí que percebi que Kaio sabia muito mais de mim do que eu podia imaginar.

Ele estava realmente jogando comigo.

Então ok, eu iria entrar na brincadeira.

- Sim, eu gostava de você. - soltei de uma vez e um peso saiu das minhas costas. - Eu era completamente apaixonada por você. E a única forma de te tirar da minha cabeça era passando tempo com alguns meninos que nunca nem chegariam aos pés do sentimento que eu sentia por você, mas isso passou, faz tanto tempo, era coisa de adolescência.

Ele ficou calado.

Ouviu cada palavra atentamente. Eu não conseguia saber o que estava passando na sua cabeça apenas pela expressão do seu rosto.

Eu não conseguia ler ele.

Ele devia estar se achando a última bolacha do pacote.

- Então eu estava certo. - ele disse baixo. - Você...

Ele não terminou a frase, eu não deixei, estava tensa demais para isso.

- Porque jogar tudo isso atona agora? Não faz diferença. - eu disse. - Se vamos somente ficar, não precisamos lembrar do passado, afinal, já passou.

Ele mordeu os lábios.

- Eu te conhecia muito bem na época, eu te via nos corredores e sabia cada detalhe das suas aventurinhas pela escola. Por mais que não parecesse, sempre surgia algum tipo de fofoca envolvendo seu nome. Eu era curioso, e você era o tipo de coisa que aflorava a minha curiosidade. Porém, eu não podia fazer nada além de ouvir as coisas, me aproximar estava fora de cogitação. Você definitivamente era o tipo de garota que eu evitava, mas no final, eu estava errado. Te conhecendo mais de perto, agora, percebi que eu pude ter perdido uma das melhores aventuras da minha vida.

Esse mini texto recitado havia aberto várias lacunas na minha mente, mas agora não era o mormente certo pra isso.

- O que seria? - indaguei.

- Uma menininha levada só para mim. - concluiu.

Ele deslizou seu dedo sobre o tecido do meu vestido. Eu estava perdida nas suas palavras mas agora nada do que ele contasse me faria diferença.

Porque ele era bom, muito bom.

A única coisa que importava era nós dois ali, juntos.

Eu o puxei para cima de mim sobre a cama, ele não hesitou. Suas mãos foram diretamente para os meus cabelos o puxando com intensidade.

Era gostoso.

Minha boca percorreu o seu pescoço deixando chupões em sua pele. Minhas mãos deslizaram até sua costa arranhando sua pele macia enquanto eu deixava minhas marcas de unhas.

Ele sorriu para mim, eu retribui, foi um gesto carinhoso. Ele tirou o meu vestido e seus dedos passearam sobre o meu abdômen indo tirar meu sutiã. Ele era rápido e habilidoso, afinal teve anos de prática para treinar antes de mim. Eu o ajudei a tirar aquela fantasia de prisioneiro macabro me deixando o ver por completo. Mordi meus lábios e levei minha mão até seu membro apertando-o, eu queria provocá -lo e consegui, seu gemido ecoou pelo quarto. Era delicioso de ser ouvido.

Ah, como eu adorava aquele cara.

Suas mãos pressionaram minha coxa e ele simplesmente arrancou minha calcinha.

- Não podia usar sua delicadeza? - eu disse baixo olhando minha roupa íntima destruída.

Ele umedeceu os lábios.

- Se você faz tanta questão, depois te dou outra. - ele disse pondo seu rosto entre a dobra do meu pescoço.

Joguei minha cabeça para trás sentindo os lábios quente dele sobre o meu corpo, eu o queria de uma forma descomunal e finalmente iríamos consumar esse desejo.

Ele se encaixou perfeitamente sobre o meu corpo, e foi aí que nos afundamos. Ele me tomou por inteiro, meu corpo, minha alma e o resto de pureza que restava em mim, que era quase nenhuma.

Ele adentrou em mim como chama, rasgando e queimando tudo por dentro.

Eu havia vivido para aquele momento, eu esperei pra estar no meio daqueles braços. Então esse era o sentimento de ser correspondida? Não pelo amor, mas pelo toque, o pecado que perseguia o homem.

E eu fiz questão de passar o resto da noite como se fosse a última, repetindo tudo, dando meu corpo, de novo e de novo... Até não restar mais nada.

Porque de fato, eu era dele. Pelo menos naquela noite eu era, e depois disso eu não podia afirmar mais nada.

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