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Trocaram algumas palavras, conversando sobre isso e aquilo, então Rosalina disse: "Já vi uns caras bonitos". -
Quando ela falava sobre meninos, suas bochechas sempre tinham duas covinhas, como uma garotinha pega com os dedos em um pote de geleia.
Altea virou-se para olhar na direção que Rosalina apontava e de fato havia alguns caras que não eram da área, um pouco confusos. Uma era um pouco baixinha, redonda como Rosalina e com um olhar doce olhando para as barracas de comida. O outro era de estatura mediana, cabelo castanho claro, um pouco rijo segundo Altea, mas bonitinho.
- Rosalina, você deveria ir lá e convidá-los para experimentar os famosos donuts de sua avó - Altea lhe disse maliciosamente.
A abóbada de Rosalina ficou de repente feita de mármore. - Eu? Não, mas como? Ele começou a gaguejar enquanto colocava nervosamente um aro atrás da orelha.
- Venha, eu te levo - sugeriu Giuliana, animada para encontrar um bom par.
"Aí está a loira que parece particularmente interessada em seus donuts", observou Matilde. - Vamos fazer alguma coisa, vamos todos juntos, o que você acha? -
Althea deu de ombros. Ele não mudou muito porque não o fez com a mesma malícia e interesse que Rosalina poderia ter. E ela sabia bem que aquelas duas não eram exatamente o tipo de Matilde, mas talvez de Giuliana. Era evidente que Matilde só queria dar um empurrãozinho de encorajamento a Rosalina, na verdade ela pegou seu braço e literalmente a arrastou em direção aos dois meninos. Altea estendeu o braço para Giuliana, que o aceitou com entusiasmo, e as duas amigas a seguiram imediatamente.
- Oi pessoal - explodiu Matilde com particular entusiasmo. - Esta é minha amiga Rosalina e acredite quando digo que ela faz parte de uma geração de cozinheiras malucas - anunciou ele, dando especial ênfase à palavra maluca.
Os dois garotos sorriram timidamente e o primeiro a dizer uma palavra foi o garoto loiro que estava verificando as várias barracas de comida.
"Na verdade, eu estava olhando para aqueles donuts cheios de açúcar", admitiu.
"Bem, isso é o que minha avó faz", Rosalina sussurrou timidamente. - Mas eu posso fazê-los também, sabe? Vovó me ensinou isso desde pequena – acrescentou apressadamente.
O menino gordinho sorriu para ela e Rosalina o retribuiu gentilmente enquanto suas bochechas queimavam.
"Eu sou Filippo de qualquer maneira", disse o menino, apresentando-se.
Ele não era tão tímido e desajeitado quanto poderia parecer.
Matilde se libertara furtivamente das garras de Rosalina, que por sua vez nem percebera, hipnotizada pelo doce sorriso daquele menino.
Ela estendeu a mão para ele e ele gentilmente a agarrou e levou-a à boca para um beijo suave. Rosalina corou ainda mais e soltou uma risada tímida e lasciva.
Eventualmente, todos apareceram, incluindo o garoto ao lado de Philip. Seu nome era Luigi e ele parecia extremamente tímido e reservado. Ele tinha traços finos, apesar de sua expressão cansada. Quem sabe, talvez tenha funcionado até recentemente. Quem sabe o que ele estava fazendo...
De qualquer forma, todos eles caminharam juntos até a tão desejada barraca de donuts e pegaram um cada. Os meninos tiveram a gentileza de oferecê-los a todos os quatro, mas não sem algum protesto.
"Eu mesmo pago, mas agradeço", disse Altea cordialmente a Luigi.
- Esqueça, eu ofereço a você. -
Sua voz era profunda e grave, mas estranhamente tranqüilizadora.
"Não é necessário", respondeu num tom que não admitia respostas, mas quando ergueu os olhos para estender a moeda viu a mão de Luigi deixando o dinheiro cair na palma da avó de Rosalina.
Ela olhou para ele irritada, depois envergonhada.
- Eu não preciso que você me pague pelas coisas, você nem me conhece. - .
Luigi olhou para ela com curiosidade, mas sem expressão, e isso deixou Altea sem palavras porque ela não conseguia entender.
- Tenho que encontrar alguém para fazer um gesto simpático? ele perguntou enquanto eles se afastavam da barraca.
Altea olhou para sua rosquinha e deu uma boa mordida. Na verdade, por que ela tinha que ficar sozinha? Ele tinha sido gentil.
"Então, obrigada", ela murmurou com a boca cheia, os lábios alinhados com grânulos brancos de açúcar.
- Meu Deus, Althea. Pelo menos engula - Matilde a repreendeu ao se aproximar.
Ela não tinha certeza, mas parecia a ela que Luigi estava sorrindo enquanto mordia sua rosquinha.
As meninas dançavam no meio da praça, junto com outros parceiros e alguns casais idosos que seguiam seu próprio ritmo. Gertrude percorreu as várias bancas para verificar se estava tudo em ordem, como se fossem esperadas algumas queixas perante um acontecimento tão banal. Ele ainda não entendia que, como essa era a única festa que trazia um pouco de vida de volta à cidade, as pessoas não davam a mínima para o tipo de serviço oferecido. Bastava que houvesse música, algo para comer e todos felizes.
Altea estava toda suada. À força de pular com as amigas, seu cabelo ficou muito bagunçado, mas para ela que estava acostumada a trabalhar sob o sol, isso não era nada. Seus pés não doíam, provavelmente porque eles também estavam acostumados a se mover para cima e para baixo, para frente e para trás pelos campos e de cidade em cidade.
Rosalina estava dançando com Filippo. Os dois pareciam se divertir como crianças e Altea olhava para eles com ternura e até um pouco de curiosidade. Quem sabe como era sentir atração por um garoto. Quem sabe como era ser intimidado por seus modos gentis, sua beleza ou sua proximidade. Altea nunca havia sentido algo assim por ninguém. O único que chegou perto o suficiente para lhe dar arrepios foi Luciano, mas não eram o tipo de arrepios que você quer tentar de novo.
- Meninas, gostariam que a gente levasse uma pizza recheada? sugeriu Giuliana.
- Absolutamente sim - respondeu imediatamente, Altea.
- Sim vamos. Fiquei curioso para experimentar - concordou Filippo, trocando um sorriso com Rosalina.
Luigi não respondeu, mas por outro lado os seguiu passo a passo, então teve que concordar.
- Doce ou sal? Altea perguntou a Luigi.
Ele olhou para ela brevemente, como se uma mosca tivesse acabado de passar por ele. Ele tirou a carteira e fez a mesma pergunta que ela havia feito novamente.
Ela olhou para ele com uma carranca, quase irritada.
- Eu não preciso que você me pague pelas coisas. -
Encolheu os ombros. - Eu só quero ser legal. -
- Você pode ser legal mesmo sem pagar coisas a um estranho. Na verdade, quero recompensá-lo por sua gentileza, então... -
"Você sabe como ser lisonjeado", Matilda sussurrou, dando-lhe um beliscão no braço.
Altea não se importava em ser lisonjeada, nem conquistada com coisas como dinheiro. Ela tinha o dela e tinha dificuldade em ganhá-lo, e qual era o sentido se ela não podia comprar um donut ou uma pizza sozinha?
- Doce ou sal? ela repetiu.
"Doce", Luigi respondeu, sem fazer muito barulho.
- Duas pequenas pizzas de chocolate, por favor. -
A senhora atrás do balcão pegou dois pães doces e com uma faca enorme cortou duas fatias grossas de um lingote que era meio branco e meio preto. Ele deslizou as fatias de chocolate duro nos pãezinhos e os entregou. Ao morder você podia sentir primeiro a maciez da focaccia e depois o toque do chocolate que estava quebrando. Derretia em sua boca como uma colher de chá de mel.
- Mhm... - ela murmurou com prazer.
- Eu amo este chocolate. -
Altea observou Luigi morder o pão vorazmente.
- Eu também. Eu gostaria de comprar um bar inteiro para manter em casa, mas é muito caro. -
"Eles têm vários atrás deles", observou Luigi. - Se você perguntar a eles, talvez eles lhe dêem um bom preço. -
Altea levou a mão à boca. - Eu não quero virar para esses cafés. -
Quando Luigi riu, Altea pulou porque foi a primeira reação espontânea e feliz que viu nele naquela noite. Quem sabe qual era a história daquele menino. No entanto, ela riu também e limpou a boca com as costas da mão, pensando que se tivesse falado com a boca cheia teria se sujado.
A noite passou alegremente, as meninas continuaram dançando e conversando até aquele momento, quando uma voz que Altea conhecia bem ressoou ao longe.
Ao se virar, viu Luciano com outros três amigos dele. Arrogante como sempre, dirigiu-se às barracas onde comprava comida, exibindo descaradamente sua carteira inchada. Ele nem estava vestido para um casamento, ridículo de acordo com Altea, mas isso teve o efeito que ele queria. Atraindo todos os olhos para ele.
Seus olhos se encontraram por um momento, um momento que Altea fez durar mais do que deveria porque ela não abaixou os dela, mas em vez disso olhou para ele com todo o desprezo que ela possuía em seu corpo. Ele parecia gostar daquele olhar, sem perceber o quão sincero era, convencido de que algo poderia nascer do ódio, e quase parecia a ela que ele estava se aproximando quando uma garota alta e loira em um vestido longo, reto e elegante se aproximou ele. se aproximou dele. e colocou um braço em volta de seus quadris.
- Querida, por que não vamos? É uma festa triste e desolada, não entendo porque você me trouxe aqui - gritou.
Talvez a garota estivesse acostumada a lugares chiques, salões de chá, lojas de alta costura, certamente não barracas de comida de rua que ela deveria ter comido com as mãos.
"Tente isso, sinta as coisas boas", disse ele, aproximando uma rosquinha do rosto dela.
- Você está louco? Para tomar mordidas, então eu me encho de açúcar. Acabou, obrigado. -
- Olha, eu te disse que estava noivo - sussurrou Matilde, que se aproximou dela pegando-lhe o braço.
"Pareceu-lhe bem", respondeu Altea, sem tirar os olhos do casal.
- Mas é lindo, não é? -
Altea olhou para a amiga. - Sim, é lindo, mas beleza não importa se cheira mal debaixo do nariz. -
Os dois amigos voltaram a olhar para o casal, que foi para o lado oposto de onde estavam, ignorando-os completamente. Altea deu um suspiro de alívio. Pelo menos uma coisa boa tinha saído desse noivado. Luciano não os incomodaria mais, principalmente sob os olhos de outras pessoas. Certamente a família da menina era rica, talvez mais rica que Luciano, a julgar por seus modos e pela maneira como se vestiam. Era uma festa que alguém como Luciano não podia perder, então ele tinha que se certificar, pelo menos em público, de não parar de falar, para que ninguém dissesse aos pais que ele a desrespeitava.
Já passava das duas da manhã quando Altea e Matilde caminharam pela estrada de terra para voltar, conversando sobre isso e aquilo.
- Amanhã terei que passar o dia todo no estábulo com meu pai. Temos algumas vacas que quase certamente vão parir e também temos que limpar todos os estábulos - explicou Matilde com um olhar triste.
- Amanhã tenho que retirar todas as plantas velhas do jardim e plantar esses intervalos. -
- Você os comprou? -
- Sim, tenho em estoque. -
- Amanhã você certamente também terá que preparar o jantar para a senhora Silvana. -
- Sim, geralmente depois da festa quando eles chegam atrasados e estão todos cansados, ele me pede para preparar algo para ele. -
- Quer que eu vá te ajudar? -
- Com tudo que você tem que fazer no celeiro? Não, Matt, obrigado. Não te preocupes. Mas se você quiser vir jantar uma dessas noites, fico feliz. Você não vem há muito tempo. Podemos contar também a Rosalina e Giuliana. -
- Brava, então nos conte as novidades com o Filippo. -
Altea revirou os olhos e sorriu.
Chegando na frente da casa, Matilde montou no selim de sua bicicleta. - Então, quando vamos vê-lo? -
- Depois de amanhã vou para a fazenda, então combinamos, ok? -
Matilde concordou. - Boa noite Althea. -
- Boa noite Mateus. -
