Capítulo 5
Nat para em frente à geladeira, abre-a, olha fixamente para dentro por dez segundos inteiros e depois fecha-a novamente... ainda em silêncio.
"Bom dia, raio de sol", digo, enquanto quebro outro ovo.
Ela apenas resmunga em resposta e rasteja até a mesa, desabando em uma cadeira como se a gravidade a tivesse traído.
—Estou fazendo ovos— digo. —Você quer um pouco?
Apoie a cabeça na mesa. - Mmmph. -
"Vou considerar isso como um sim", eu disse.
"Ela renasceu", sussurrou Mia dramaticamente. "Mas ainda não é completamente humana. Ela precisa de alimento para completar sua transformação."
Eu estava virando os ovos quando, de repente, Mia se animou, com os olhos atentos e curiosos.
"Então..." disse ela, estendendo os braços como se fosse dar uma notícia bombástica. "Primeiro dia no novo emprego, hein?"
—Sim. —Deslizo a espátula por baixo de um ovo perfeitamente cozido e depois dou uma olhada rápida com o canto do olho.
Nat inclina-se para a frente, com os olhos brilhando. "Certo, mas e o chefe? Como é o Sr. Romano? Vamos, não esconda nada de mim."
Eu sorrio levemente. "Ele é bonito. E certamente tem personalidade."
Ela murmura. — Alta. Cabelo escuro. Olhos frios?
Mia acena com a mão, dispensando-a. "Não, aposto que ele é careca. Ele tem uma cicatriz em algum lugar. Ele sempre usa preto."
Nat bufa. —Ou talvez pequena, mas feroz. Como uma ninja.
Os dois caíram na gargalhada.
Levanto a espátula como se fosse uma arma. — Ok, pare de fantasiar com o meu chefe.
Aponto diretamente para Nat. —Você tem namorado.
Então vá falar com a Mia. - E você gosta de garotas. -
Mia levanta as mãos, sorrindo. "Ei, eu tenho o direito de apreciar um homem bonito do ponto de vista estético."
Nat dá de ombros. "Eu também. Isso não significa que eu queira. Estou apenas... observando."
Reviro os olhos, reprimindo um sorriso. "É, então pare de encarar meu chefe."
Ela coça o queixo pensativamente e depois olha para mim. "Você está nervoso?"
Respiro fundo, tentando acalmar meus nervos. —Um pouco.
A voz de Mia surge rapidamente. "Você vai ficar bem. Você consegue."
Nat acena com a cabeça. "Ele nem vai saber o que o atingiu."
Suas palavras me envolvem como uma garantia silenciosa.
————
A luz do sol filtra-se pelas enormes janelas, aquecendo o chão sob meus pés enquanto me movo em silêncio.
A aula de hoje correu bem. Estou estudando arquitetura, e é realmente ótimo e interessante.
Agora estou no trabalho, no sótão dele, rodeada de coisas que eu jamais me permitiria tocar, muito menos possuir.
Este lugar... é algo especial.
Parte do teto é de vidro, e quando olho para cima, vejo nuvens flutuando pelo céu. É como estar dentro de um globo de neve de luxo... intocável, perfeito demais, limpo demais.
Do outro lado da sala de estar fica uma varanda. Longa, ampla e tranquila. De lá, a vista se estende até o infinito. Prédios da cidade lá embaixo, carros como formigas, o mundo inteiro parecendo pequeno. Há até uma piscina construída na própria varanda. Uma piscina inteira, simplesmente… suspensa no céu.
Ainda não entendi.
A sala de estar parece ter saído diretamente de uma revista de decoração.
Minimalista, porém caro. Um longo sofá branco, perfeitamente posicionado em frente a uma enorme TV de tela plana que provavelmente vale mais do que a minha vida. Cada detalhe parece intencional. Controlado.
Até a cozinha parece novinha em folha. Eletrodomésticos de aço inoxidável, bancadas de mármore preto, linhas retas, sem bagunça. Só espaço. Um espaço vazio, perfeito.
A imagem a seguir mostra como é a cobertura.
A imagem a seguir mostra como é a cobertura.
A imagem a seguir mostra a aparência da piscina.
Passo o pano lentamente na ilha da cozinha, tomando cuidado para não deixar nenhuma impressão digital.
Passo o pano lentamente na ilha da cozinha, tomando cuidado para não deixar nenhuma impressão digital.
Tudo aqui grita riqueza. Poder. Silêncio.
Ao ouvir o som, concentrei-me nas marcas deixadas pelo tecido.
Passos.
Lento. Pesado. Seguro.
Meu corpo congela.
Levanto a cabeça de repente.
E aqui está.
Sem camisa.
Peito nu, abdômen definido e musculoso, cada linha muscular esculpida como uma obra de arte. Sua pele brilha levemente, um fio de suor escorre da cavidade da clavícula até as linhas do abdômen.
Ela está vestindo apenas uma calça de moletom cinza que fica baixa nos quadris, sugerindo uma silhueta em V perfeita que desaparece abaixo da cintura.
Seus cabelos estão despenteados, como se ele tivesse acabado de sair da cama ou passado a mão descuidadamente por eles. Mas, de alguma forma, isso piora a situação. Ao mesmo tempo, a melhora. Ambas as coisas.
Piscar.
Nunca imaginei que um ser humano pudesse ter uma aparência tão... angelical.
Belo e perigoso, permanecendo ali em silêncio como se cada respiração naquele cômodo lhe pertencesse.
E funciona mesmo.
Porque naquele segundo, eu esqueço como segurar o meu.
Ele não diz nada.
Ele simplesmente passa por mim, devagar e em silêncio, como se eu não estivesse ali.
Eu paraliso, ainda segurando o pano na mão, tentando me lembrar de como funciona a respiração.
Ele vai até a geladeira, abre-a como se fosse uma manhã qualquer... embora não haja nada de comum em sua aparência atual.
Nem uma palavra.
Nem um olhar.
Ele pega uma garrafa de água, abre-a, toma um longo gole, sua garganta se contrai com o movimento, e então desaparece pelo corredor em direção ao seu escritório.
Ele não é muito falante, lembro a mim mesma.
Não adianta esperar por palavras que nunca chegam.
Soltei um suspiro silencioso e coloquei o tecido de lado, sacudindo a sensação de desconforto que persistia na minha pele.
É hora de começar a trabalhar.
Subo as escadas com passos leves, mas determinados, pronta para enfrentar o próximo cômodo.
A limpeza fica mais fácil quando mantenho a mente ocupada, sem espaço para distrações, sem espaço para nervosismo.
