Capítulo 6
O segundo andar tem uma academia, uma segunda sala de estar e, surpreendentemente, uma biblioteca. Eu não sabia que era um rato de biblioteca.
O terceiro andar possui dois quartos além da suíte principal, que é proibida.
E, como eu imaginava, cada cômodo, cada móvel, cada canto deste sótão está impecável; ele é um maníaco da limpeza.
Ao descer as escadas, ouço palavrões em italiano. Ele está sentado no banco da ilha da cozinha, de costas para mim, com os músculos salientes. Parece que o corpo dele inteiro é feito de músculos. Será que... espera, não, preciso parar de ter pensamentos impróprios sobre ele?
Ele estava tão absorto na conversa que nem percebeu quem estava atrás dele. Peguei minha bolsa e, sem querer, chutei a mesa de centro; a caneta que estava sobre a mesa rolou e caiu no chão.
Ele virou a cabeça bruscamente. Ótimo, agora ele vai pensar que eu estava bisbilhotando.
Ele desliga a chamada, atira o telefone na bancada da cozinha e bebe o resto da bebida de um só gole.
"Está tudo bem?", perguntei.
"Cuide da sua própria vida!" ele cuspiu as palavras com uma voz grave e ameaçadora.
Ok, alguém está de mau humor.
- Por hoje é só, há mais alguma coisa?
Silêncio.
"Não sei o que te chateou, mas às vezes conversar ajuda. Minha mãe costumava dizer..." Ela nem me deixa terminar a frase.
— Você é surdo, droga?
Sim... definitivamente só consegui deixá-lo mais irritado. – Cuide da sua vida, droga! –
Eu sei que ele está tendo um dia ruim, mas ele não precisava falar comigo daquele jeito.
"Você não precisava ser idiota", murmurei enquanto me virava.
Antes que eu possa dar um passo, já está na minha frente.
Com um movimento rápido, ele soca a parede ao lado da minha cabeça. O som ecoa, agudo e arrepiante. Sua figura alta se ergue sobre a minha, o peito arfando como se estivesse carregando algo.
Eu congelo.
"A última pessoa que me disse isso já está morta e enterrada", ele rosna com uma voz profunda e ameaçadora. "Você não quer ser o próximo."
Seu rosto está tão perto que consigo vislumbrar algo por trás de seus olhos, fúria, talvez. Ou algo mais frio.
Diga a ele que eu não tenho medo. Mas meu corpo permanece imóvel. Imóvel demais.
Então, assim, sem mais nem menos, ela se virou e foi embora sem dizer mais nada. AMOR
Estou limpando a ilha da cozinha pela terceira vez. Não porque esteja suja — está impecável. Mas não consigo parar. Minhas mãos precisam de algo para fazer, minha mente precisa de um descanso.
Já faz três dias desde a última vez que vi Dante. Não que eu me importe. Ele provavelmente está por aí em algum lugar, discutindo com qualquer um que se atreva a respirar perto dele.
O elevador emite um sinal sonoro.
Marco sai carregando uma sacola pesada no ombro. Outro homem o segue com uma sacola idêntica.
—E então eu disse a ele... Meu Deus! —Marco dá um pulo quando me vê, levando a mão ao peito—. Jesus, você me assustou!
Ele continua andando. - O que você está fazendo aqui a esta hora?
Olho para o meu relógio de pulso. —Ainda são quase meio-dia.
Marco cai na gargalhada. "Parece que já é tarde."
Eles deixam as sacolas no balcão.
—Este é Antonio— diz Marco.
- Olá. -
"Cara, você não me disse que era amigo de uma garota tão bonita", disse Antonio com um sorriso.
Eu ri baixinho. "Você acha que eu sou bonita? Obrigada." As aulas de espanhol da Mia não tinham sido em vão. Eu sei espanhol o suficiente para entender o que ela disse.
Antonio pisca, surpreso. "Ah, de nada. Eu só... quer dizer... sim." Ele solta uma risadinha nervosa, esfregando a nuca.
Marco sorri com ar de superioridade. — Que esperto.
Mudando de assunto. - O que tem nas sacolas?
"Coisas para o chefe." Marco dá de ombros.
Antonio pigarreia. "Então... vamos jantar hoje à noite? Prometo que sou uma companhia melhor que o Marco."
—Ela vai aprovar. Ele tem gás à noite.
"Tio!" geme Antonio.
Cubro a boca, reprimindo o riso.
—E ela beija pôsteres de anime—acrescenta Marco.
Antônio levanta as mãos, vermelhas como um tomate. "Ele só está brincando! Não deem atenção a ele!"
—Claro. —Balanço a cabeça negativamente com um leve sorriso.
— Isso não está certo, irmão.
— O quê? É a verdade, não é?
—Enfim… —Antonio recomeça—. Então, seremos só nós dois jantando.
—Hum… —Eu olho para Marco, que aponta e move os lábios dizendo— : Sinal vermelho… um grande sinal vermelho.
"Estou bem", eu disse.
Ela se virou para Marco. "Ótimo, você acabou de estragar minha foto." E foi em direção ao elevador.
Marco sorri sarcasticamente. "É bom te ver de novo, Amore." "Então siga Antonio." "Você também."
---
Mais tarde naquela noite, o grave da boate faz meu peito vibrar enquanto balanço os quadris. As luzes estão muito fortes. Sinto-me um pouco tonta. Mesmo assim, rio, agarrando-me ao momento.
"Amore, pega leve com as bebidas", brincou Nat, segurando meu pulso quando quase caí.
"Estou bem", digo com uma risadinha. "Viu? Eu ainda consigo dançar."
"Você não está dançando, está cambaleando." Mia dá uma risadinha.
"Não estou cambaleando." Giro para provar, mas meu calcanhar escorrega no chão grudento. Nat segura meu cotovelo para me impedir de cair.
"Já chega", disse ela, mas eu apenas ri novamente.
Então, peço desculpas.
Uma mão na minha cintura, quente e indesejada.
"Você se importa se eu participar desta dança?", diz uma voz grave.
Dou uma olhada por cima do ombro, meu riso se dissipando. "Passo. Obrigada."
"Vamos lá... só uma dança", insiste o homem, segurando-me firmemente enquanto me puxa um pouco para mais perto.
"Você não ouviu o que ele disse?", interrompe Mia bruscamente. "Ele disse que vai acontecer."
