02 - Olivia Scott
Dante finalmente saiu do quarto depois de mais algumas provocações, alegando que precisava cuidar de algumas ligações importantes.
Ficar sozinha com meus pensamentos, no entanto, parecia ser uma péssima ideia. Enquanto a água quente caía sobre mim, comecei a repassar tudo que havia acontecido. Meu desastroso casamento com Logan. O abandono humilhante no altar. A bebedeira catastrófica com Jade. E, claro, o casamento mais insano da história com Dante Callahan, o homem que eu não sabia se queria beijar ou estrangular, talvez os dois.
A água escorria pelo meu rosto enquanto eu me lembrava do quanto ele tinha mudado. Dante não era mais o garoto de sorriso fácil e piadas bobas que eu conheci na adolescência. Agora, ele era um homem… perigoso, em todos os sentidos. Desde o olhar calculista até o jeito irritantemente charmoso de falar. Mas, mesmo assim, ele ainda sabia como me desarmar.
— Como você foi parar aqui, Olivia Scott? — murmurei para mim mesma, fechando os olhos e sentindo o peso de tudo.
Eu sabia que meu pai estava envolvido de alguma forma no nosso término anos atrás. Dante nunca quis entrar em detalhes, e meu pai sempre desconversava quando eu tentava arrancar alguma verdade. Mas agora, o destino tinha decidido pregar a maior peça possível, nos jogando de volta um na vida do outro de maneira escandalosa.
Quando finalmente saí do banho, enrolada em uma toalha felpuda que parecia mais cara que meu antigo vestido de noiva, percebi algo pendurado na maçaneta da porta. Era uma sacola de compras de uma marca cara, e, lá dentro, havia roupas femininas. Meu estômago revirou.
“Dante Callahan comprou roupas para mim”, pensei, incrédula. A ideia dele, tão calculista e prático, se preocupando com algo tão mundano me incomodava tanto quanto… me intrigava.
Peguei uma calça jeans e uma camiseta branca básica, agradecida por ele não ter tentado me enfiar em algo exagerado, e me vesti rapidamente. Assim que voltei ao quarto, lá estava ele, recostado na poltrona perto da janela, folheando o jornal local, parecendo completamente à vontade. O sorriso irritantemente charmoso continuava ali, o que só me deixava mais desconfiada. Ele parecia estar se divertindo com algo que lia.
— Bonita escolha de roupas. — Ele comentou sem levantar os olhos.
— Estou surpresa que você tenha bom gosto para algo que não seja ternos caros e whisky. — Retruquei, pegando uma escova para tentar domar o caos que meu cabelo havia se tornado.
Ele finalmente olhou para mim, um sorriso no canto dos lábios.
— Achei que merecia algo confortável depois de todo o caos.
Revirei os olhos, mas meu coração deu uma batida desconcertada. Ele podia ser insuportável, mas também tinha seus momentos… quase humanos.
— Obrigada, eu acho. — Murmurei, cruzando os braços.
Dante continuava largado na poltrona com o jornal nas mãos, um sorriso irritantemente satisfeito brincando em seus lábios. Seu olhar escorregou de mim para o jornal e de volta para mim, como se eu fosse algum tipo de entretenimento de luxo.
— Está bonita, Liv. — Ele comentou, casual, mas com aquele tom cheio de intenção que só ele sabia usar.
— Dante, eu literalmente acabei de sair de um banho para tentar processar o caos que é minha vida. — Cruzei os braços, parando no meio do quarto. — Então, a menos que você tenha algo realmente útil a dizer, poupe seus comentários.
Ele arqueou uma sobrancelha, um sorriso ainda maior surgindo.
— Só estou sendo sincero. Nunca pensei que uma noiva acidental pudesse estar tão charmosa pela manhã.
— Que engraçado. — Revirei os olhos, dando mais um passo para perto. — Alguma novidade, além de você achar graça da minha desgraça?
Dante ergueu o jornal, como se isso respondesse à minha pergunta.
— Você está na capa, Liv. Acho que isso conta como novidade.
— O QUÊ? — Dei dois passos à frente, pronta para arrancar aquele jornal das mãos dele.
— “Noiva abandonada no altar tem noite caótica e acaba em casamento relâmpago com magnata local.” — Ele leu com um tom dramático, como se estivesse narrando um filme. — Achei que colocariam algo mais discreto, mas não, você virou manchete.
— Me dá isso aqui agora! — Estendi a mão, mas Dante apenas segurou o jornal acima de sua cabeça, ainda com aquele sorriso insuportável.
— Relaxa, não mencionaram meu nome. Só o seu. — Ele piscou, continuando a leitura. — “Filha do renomado empresário Ryle Scott”… Olha só, até parece que seu pai não está afundado até o pescoço em problemas.
— Eu não acredito nisso. — Cruzei os braços, desistindo de tentar alcançar o jornal. — Você não tem um pingo de vergonha?
— Vergonha? Eu? — Ele riu, dobrando o jornal e o largando no braço da poltrona. — Liv, isso é ouro puro. Você precisa aprender a rir de si mesma.
— Meu Deus, por que eu fui casar logo com você? — Murmurei, esfregando as têmporas.
— Porque, claramente, você ainda tem bom gosto. — Ele respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Eu bufei, pronta para mandá-lo calar a boca, quando ele continuou, casual:
— Ah, falando em novidades, achei sua prima.
— Jade? — Meu coração deu um salto. — Onde ela está?
— Passou a noite com Colin. — Ele soltou, sem a menor cerimônia.
— Colin? Quem é Colin?
— Meu melhor amigo. — Ele disse com um encolher de ombros, como se não fosse nada demais.
Minhas sobrancelhas dispararam para o alto.
— Sua prima, Liv, é uma força da natureza. Não sei como, mas ela arrastou o Colin para o bar e depois… bem, o resto você pode imaginar.
— Ah, meu Deus. — Cobri o rosto com as mãos, sentindo o calor subir pelo meu pescoço. — Isso só pode ser um pesadelo.
— Olha pelo lado bom, pelo menos ela não se casou com ele. — Dante disse, com um tom divertido que só me deixou ainda mais irritada.
— Você é insuportável. — Retruquei, tentando ignorar a mistura de vergonha e raiva que borbulhava dentro de mim.
— E você é ótima para fazer manchetes. — Ele riu, apontando para o jornal. — Acho que esse casamento vai ser mais divertido do que eu imaginei.
E ali estava ele de novo: Dante Callahan, o homem que conseguia transformar o caos da minha vida em piada, e que, por algum motivo inexplicável, eu ainda não tinha enforcado com o próprio terno.
