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Desastre Perfeito

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Aurora Walsh
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Resumo

Após ser abandonada no altar às vésperas do casamento e viver a noite mais insana da sua vida para superar a mágoa - regada à álcool e música country -, Olivia Scott, uma jovem garota com um gigantesco histórico de fazer m*rda quando está bêbada, descobre que casou acidentalmente com o maior rival do seu pai que, coincidentemente, é o seu ex namorado da época do colegial.

Romance doce / Amor fofo Bilionário/CEOArrogante mas adorávelInteligente e travessaCasamento arranjadoAmor que cresce com o tempoFamília ricaPar perfeitoVingança / Derrotar oponente humilhanteamor

Prólogo - Olivia Scott

Se alguém tivesse me dito que o dia do meu casamento terminaria com minha mãe fugindo com o noivo no meio da cerimônia, eu teria gargalhado até chorar. Mas, infelizmente, foi exatamente o que aconteceu.

Eu, Olivia Scott, a mulher que fez questão de organizar o casamento mais elegante de Whitehaven, fiquei plantada no altar como um vaso de decoração, com o véu torto e o coração despedaçado, enquanto Logan Cross, meu suposto noivo, sumia pela porta de braços dados com minha mãe, Amelie Scott.

Mas estou me adiantando. Vamos começar do início.

Meu casamento com Logan era para ser o evento mais comentado do ano. Logan Cross, o charmoso milionário com um sorriso de capa de revista, e eu, a filha do encantador, mas secretamente falido, Ryle Scott. A combinação perfeita de negócios e glamour, segundo os jornais locais. O detalhe? Nosso relacionamento era tão real quanto os cílios postiços da minha tia Margot.

A cerimônia começou como um sonho. Tudo estava perfeito, desde as flores — brancas, como Logan insistiu — até a música suave de piano ao fundo. Meu pai estava visivelmente desconfortável, mas quem poderia culpá-lo? Ele tinha problemas maiores para resolver — como pagar suas dívidas de jogo que haviam colocado nossa família na beira da falência.

Quando cheguei ao altar, Logan me olhou daquele jeito calculado, como se fosse um ator num comercial de perfume caro. Por um segundo, senti uma pontada de… algo. Talvez fosse carinho, ou talvez fosse só o nervosismo misturado com meu profundo desejo de que isso funcionasse.

— Prometo te amar, respeitar e proteger — começou Logan, com a voz firme e aquele sorriso que fazia as mulheres da plateia suspirarem.

E então, ele hesitou.

— Desculpe… eu não posso.

Silêncio. Total. E absoluto.

Primeiro achei que fosse alguma piada. Um momento dramático para arrancar risadas. Logan tinha esse senso de humor seco que ninguém entendia, então talvez…

— Logan? — Minha voz saiu fraca, um sussurro, enquanto a expressão dele endurecia.

Ele não respondeu. Apenas virou as costas para mim, o que já seria devastador o suficiente, mas o golpe final veio quando minha mãe se levantou da primeira fileira, ajeitou o vestido de forma impecável e caminhou até ele.

Cochichos começaram a ecoar pelo salão como uma onda. “Isso é sério?” “Eles estão fugindo juntos?” “Mas ela não é a mãe dela?”

— Mãe? — A palavra saiu da minha boca num fio de voz, enquanto eu assistia, paralisada, minha mãe pegar a mão do meu quase-marido e sair do altar como se estivesse indo a uma festa no jardim.

— Calma, Olivia! — Jade, minha prima e melhor amiga, apareceu do meu lado, tentando me segurar antes que eu desabasse no chão.

Minha mente estava em um turbilhão. Jade falava algo sobre respirar fundo, mas tudo o que eu ouvia eram os cochichos dos convidados.

E então meu pai explodiu.

— ISSO É UM ABSURDO! — Ryle gritou, derrubando um dos arranjos de flores ao tentar se levantar. — ESSA MULHER ACABOU COM MINHA VIDA!

Ah, sim. O caos estava oficialmente instaurado. Meu pai berrando insultos, minha tia Margot tentando acalmá-lo, Jade me abanando como se eu fosse desmaiar, e os convidados, claro, filmando tudo como se fossem jornalistas cobrindo um escândalo político.

Eu queria fazer algo. Gritar. Correr atrás deles. Jogar o buquê na cabeça de alguém. Mas tudo o que consegui fazer foi ficar parada, olhando para a porta pela qual Logan e minha mãe desapareceram.

E foi assim que, no que deveria ter sido o dia mais feliz da minha vida, me tornei a piada da cidade.

Depois disso? Eu fiz o que qualquer pessoa racional faria. Saí dali direto para o bar mais próximo, ainda com o véu preso no cabelo, e me joguei num mar de tequila e músicas country melancólicas.

Ah, e também me casei acidentalmente com o ex-namorado da minha adolescência.

Mas essa parte da história é para depois.

Meu casamento com Logan era muito mais do que um evento social. Era um contrato. Um acordo entre duas famílias com laços antigos e interesses mais antigos ainda.

Os Scott e os Cross eram, na superfície, amigos de longa data. A história que contavam em almoços de domingo e festas de fim de ano era que nossos pais haviam crescido juntos, construído seus impérios lado a lado e, agora, queriam unir as famílias para fortalecer os negócios.

A verdade? Bom, a verdade era um pouco mais amarga.

O império da minha família estava desmoronando. Meu pai, com sua habilidade única de transformar qualquer ganho em uma dívida monumental, tinha nos colocado numa situação precária. Os cassinos de Atlantic City pareciam um buraco negro que engolia tudo o que ele tocava. Já Logan, com sua fortuna intacta e empresas bem-sucedidas, era visto como nossa salvação. Uma união estratégica, uma troca de favores: ele entrava para a família e ajudava a manter o nome Scott vivo no mundo dos negócios; eu, em troca, fazia o papel de noiva submissa e feliz.

Parecia simples. Frio, mas simples.

Quando me contaram sobre o acordo, eu aceitei sem questionar. Talvez por medo de decepcionar meu pai, talvez porque, de certa forma, me parecia… justo. Mas se eu disser que não alimentei um fiapinho de esperança romântica, estaria mentindo.

Por fora, eu era prática, uma boa filha cumprindo seu dever. Mas por dentro… ah, por dentro eu era aquela garota boba e sonhadora que passava tardes lendo romances água-com-açúcar escondida no sótão da casa da minha tia. Era ridículo, eu sabia, mas parte de mim queria acreditar que Logan e eu seríamos como aqueles casais das histórias: duas pessoas que se casam por conveniência, mas, no final, descobrem o amor verdadeiro.

Eu me pegava imaginando momentos que nunca aconteceram: jantares à luz de velas, viagens inesperadas, uma dança ao som de alguma música antiga. Era patético, especialmente porque Logan não me dava nada além de formalidade e sorrisos calculados. Mas não era isso que acontecia nos livros também? O mocinho frio e distante eventualmente derrete?

Eu achava que bastava tempo. Que com o passar dos meses, Logan veria algo em mim que o faria mudar. Que ele me olharia como nos filmes, como se eu fosse o único ponto de luz no meio de um mundo cinza.

Agora, no entanto, ao vê-lo sair de braços dados com minha mãe no meio da cerimônia, toda essa fantasia desmoronava de uma vez só.

O acordo não era um romance esperando para acontecer. Era uma transação, um jogo que eu estava destinada a perder desde o início.

E eu? Bem, eu era só uma peça descartável no tabuleiro.

Eu não lembro exatamente como saí da igreja. Uma parte de mim queria acreditar que saí com alguma dignidade, cabeça erguida, uma expressão altiva que dizia: “Eu não me importo”. Mas sejamos honestos: a probabilidade de eu ter tropeçado na barra do vestido ou de ter saído correndo como uma lunática é muito maior.

O que veio a seguir foi uma sucessão de cenas que pareceriam cômicas se não fossem profundamente humilhantes. Meu pai berrando com qualquer pessoa que cruzasse seu caminho, insistindo que “isso não vai ficar assim, Logan vai pagar!”. Minha tia Margot tentando salvar o buffet e redistribuir os pratos para os convidados ainda chocados. E Jade, minha prima, a única pessoa que realmente se importava comigo, me puxando pelo braço e me levando para fora antes que eu tivesse um colapso nervoso no meio do salão.

— Você não pode ficar aqui — Jade disse, o tom firme e prático. — Todo mundo está comentando, e sua mãe e Logan? São dois cafajestes. Vamos sair daqui, agora.

Eu assenti, incapaz de formular uma frase coerente. Minha cabeça ainda girava com tudo o que tinha acontecido. Minhas mãos tremiam, e as palavras “ele fugiu com minha mãe” ecoavam como um mantra cruel. Era surreal. Parecia um roteiro de um filme ruim, um daqueles dramas baratos que você assiste para rir da improbabilidade de tudo. Exceto que era a minha vida.

Jade me enfiou no banco do passageiro do seu carro e, antes que eu pudesse perguntar para onde estávamos indo, ela já tinha tomado o volante como se fosse uma fugitiva de um assalto a banco.

— Bar. — Foi a única palavra que ela disse, e eu não discuti.

A decisão de ir ao bar mais próximo foi, até aquele momento, a melhor ideia da noite. E olha, eu não sou do tipo que busca consolo no álcool. Meu histórico com bebidas é, no mínimo, desastroso. Uma vez, depois de alguns copos de tequila no Natal, eu terminei o ano abraçando uma árvore de plástico e cantando “All I Want for Christmas Is You”. Então, sim, eu sabia que isso provavelmente não acabaria bem.

Mas naquele momento, não me importei.

O bar estava lotado, quente e barulhento, com música country tocando alto o suficiente para abafar os pensamentos ruins. O cheiro de cerveja misturado com algo indefinido — talvez tacos? — era quase reconfortante. Jade pediu um shot de algo que parecia perigoso e me entregou.

— Vai. Desce tudo.

— Jade, eu não acho que…

— Cala a boca, Olivia. Hoje você merece.

Ela tinha razão. Em questão de minutos, os primeiros shots já estavam fazendo efeito, e o peso da humilhação começava a se transformar em algo diferente, quase engraçado. Eu ri pela primeira vez naquela noite, uma risada meio histérica, enquanto contava para Jade como, na semana passada, Logan tinha pedido para eu não usar salto no casamento porque “ficava esquisito nas fotos”.

— Ele é um idiota, Liv. Um idiota. — Jade revirou os olhos. — E sua mãe… nossa, nem tenho palavras. Mas sabe o que você vai fazer agora? Vai esquecer esses dois. Vai ser a Olivia que abraçou uma árvore no Natal, porque essa Olivia, apesar de desastrosa, é mais divertida que essa aqui.

Eu ri, mas lá no fundo, algo doía. Porque apesar de toda a fachada de conformidade e pragmatismo, eu ainda me importava. Eu ainda queria que as coisas tivessem sido diferentes.

Algumas horas — e muitos drinks — depois, tudo começou a ficar confuso. Jade tinha desaparecido em algum lugar, dançando com um cowboy de chapéu enorme, e eu? Eu estava numa mesa cercada de desconhecidos, cantando junto com a música da jukebox. Minha carteira, meu véu, e até meu sapato esquerdo tinham desaparecido em algum ponto da noite.

E foi aí que ele apareceu.

O garoto de cabelos castanhos despenteados, olhos azuis brilhantes e um sorriso de canto que me fez sentir como se estivesse numa música da Taylor Swift. Só que ele não era um garoto. Ele era um homem agora. E o nome dele? Dante.

Meu ex-namorado do colégio.

Nosso reencontro foi confuso e nebuloso, mas uma coisa ficou clara: a Olivia bêbada era infinitamente mais destemida do que a Olivia sóbria. Em algum momento, ele me ofereceu a mão, eu aceitei, e o resto da noite passou como um borrão de neon e tequila.

[…]

A próxima coisa de que me lembro é acordar em um quarto de hotel com uma dor de cabeça monumental. Minha boca estava seca, meu vestido de noiva estava sujo e havia um anel brilhante no meu dedo.

E então, ouvi uma risada baixa e rouca.

— Bom dia, senhora Callahan.

Minha cabeça girou tão rápido em direção à voz que quase despenquei da cama. Sentado casualmente numa poltrona ao lado da janela, com um copo de café na mão e o sol matinal iluminando seus traços perfeitos, estava Dante Callahan.

Ele parecia saído diretamente de um comercial de perfume caro. Cabelos castanhos escuros, perfeitamente despenteados, como se cada fio tivesse sido estrategicamente colocado ali para transmitir aquele ar de rebeldia irresistível. Seus olhos, um azul profundo que parecia conter todos os segredos do universo, me encaravam com uma mistura de divertimento e, talvez, um toque de desafio. A barba rala acentuava a linha de sua mandíbula forte, e o sorriso de canto — aquele sorriso que dizia que ele sabia exatamente o impacto que causava — só tornava tudo pior.

Ele vestia uma camisa branca de botões entreaberta, revelando um pouco mais do que o necessário de um peito musculoso. As mangas estavam dobradas até os cotovelos, e um relógio caro adornava seu pulso. Era o tipo de homem que parecia deslocado em qualquer lugar comum, como se ele pertencesse a um mundo de iates e festas exclusivas.

E ali estava ele, com toda a sua arrogância natural, me encarando como se fosse perfeitamente normal acordar ao lado de uma mulher em um vestido de noiva sujo num quarto de hotel.

— Você está brincando comigo, certo? — murmurei, minha voz arrastada pelo sono e pelo álcool da noite passada.

Ele arqueou uma sobrancelha, e aquele sorriso irritante se alargou.

— Não costumo brincar sobre coisas tão sérias, Liv.

Liv. Ninguém me chamava assim desde o colegial. Exceto ele.

Dante Callahan. O garoto que partiu meu coração anos atrás.

Eu pisquei várias vezes, tentando processar as palavras dele. Senhora Callahan. Não, não podia ser. Era impossível. Devia ser algum tipo de piada cruel.

— Por que você está me chamando assim? — perguntei, minha voz mais aguda do que o normal.

Dante tomou um gole do café, inclinando-se para frente na poltrona com aquele maldito sorriso ainda estampado no rosto.

— Porque é isso que você é agora. Minha esposa. — Ele enfatizou a última palavra como se fosse um troféu.

Eu ri, mas foi um som histérico e forçado, que deixou claro que minha sanidade estava pendurada por um fio.

— Muito engraçado, Dante. Agora me diz: o que realmente aconteceu?

Ele levantou uma sobrancelha e pegou algo na mesinha ao lado. Um pedaço de papel que ele abanou no ar, casualmente.

— O que realmente aconteceu é que você, Liv, insistiu que a gente parasse numa capela 24 horas, exigiu que o Elvis que fazia o casamento cantasse Jailhouse Rock enquanto você dizia os votos, e ainda garantiu que tudo fosse oficial.

Eu o encarei como se ele tivesse acabado de me dizer que extraterrestres invadiram a Terra. Lentamente, estendi a mão para pegar o papel, ainda com as mãos tremendo.

— Isso não é possível…

Mas era. Porque lá estava minha assinatura, rabiscada de forma absolutamente ilegível, ao lado da dele.

— Você tem que estar brincando comigo. — Minha voz saiu num sussurro, enquanto eu sentia o pânico subir do estômago para o peito.

Dante deu de ombros, cruzando as pernas com aquela calma irritante que só ele conseguia ter.

— Brincando? Você acha que eu escolheria isso? — Ele apontou para mim, do vestido de noiva amassado até a maquiagem borrada. — Eu sou um homem com padrões, Liv. Isso aqui? — Ele fez um gesto amplo, indicando o cenário todo. — Não é exatamente meu sonho de casamento.

— Ah, me desculpe por não atender às suas expectativas, príncipe encantado! — rebati, levantando da cama de um pulo. Mau movimento. Minha cabeça latejou, e eu quase perdi o equilíbrio.

Ele estendeu a mão, mas eu a afastei.

— Não! — gritei, minha voz quebrando. — Isso é um erro. É impossível. É…

De repente, minhas pernas cederam.

— Liv?

A última coisa que ouvi antes de apagar foi a voz de Dante, mais preocupada do que ele provavelmente gostaria de admitir.

E, assim, fui vencida pela minha própria vida ridícula. Desmaiar no dia do meu segundo casamento, que nem deveria ter acontecido, parecia um encerramento adequado para aquela noite caótica…