Biblioteca
Português
Capítulos
Configurações

#####Capítulo Quatro

— Quer que eu fique entre vários bandidos com cheiro de cocô de pombo e empacotando drogas?! — eu perguntei, perplexa com o que aquele cara me disse. Eu sabia que ele não estava brincando. Mas parecia que estava!

O olhar enigmático de Gabriel sequer piscava, ele mantinha um sorriso bem escondido em seus lábios. Eu queria ter a possibilidade de me arrepender da loucura em pisar no país daquele homem. Eu estava à mercê de qualquer perigo.

Ainda sendo uma mulher, infelizmente.

Revirei os meus olhos e segurei a porta, prestes a fechá-la, mas a mão de Gabriel me impediu. — Ei! — exclamei.

— Sabia que eu sou o dono dessa casa e eu por incrível que se pareça eu sou o seu dono. — não era uma pergunta arrogante dele, era uma afirmação. Ele deu um passo mais a frente já entrando no quarto e arqueando as suas sobrancelhas. — E você não vai empacotar nada, irá pesar as minhas mercadorias e terá que fazer isso com perfeição. — piscou e sorriu.

— E se não for perfeito? Vai descontar do meu salário mensal? Ou semanal? E você não é o meu dono! Só estou aqui porque infelizmente os meus pais tiveram uma única filha.

Ele riu. — Colocaria um irmão no meio do perigo? Nossa, realmente os ingleses não são como todos pensam.

Eu queira mandá-lo se foder, com muita convicção. Mas achei melhor ficar calada para aquela pergunta infantil. Somente disse. — Quando começarei? Amanhã?

— Não é assim tão rápido meu amor. — me respondeu com um sorriso irritante. — Eu não a conheço, não sei se realmente é confiável deixá-la em um local tão importante para mim.

— Oh claro. É que eu sou uma agente disfarçada para prender você é a sua chacota de brutamontes analfabetos e encefálicos. — foi a minha vez de sorrir.

Gabriel franziu e olhou-me de cima abaixo, dizendo. — Chacota? De qualquer forma você não irá trabalhar amanhã. Eu preciso conversar com outras pessoas a respeito. — ele virou-se de costas e sem minha permissão os meus olhos desceram para a sua bunda. Eu tinha uma mania doentia de olhar para as bundas dos homens, com ele não seria diferente. — Hoje você pode... — olhei para cima e o Gabriel sorria. Merda. Fui pega. — Apreciando?

— Depreciando. — sorri forçadamente e ele respondeu movendo as suas sobrancelhas. Eu suspirei e cruzei os meus braços. — Posso descansar agora? O meu jet lag está me prejudicando. — murmurei. Eu não estava cansada, queria apenas me livrar daquele cara. A forma como ele se movia ou até mesmo falava me tirava do sério.

E era o meu primeiro dia diante dele.

Gabriel assentiu com a sua cabeça e se afastou, parando mais uma vez no corredor da casa. Dessa vez ele me olhava seriamente. Sem sorrisinho.

— Amanhã ajudará Nelita e Liliana na casa, quando eu tiver a resposta dos meus companheiros você começará imediatamente o seu serviço. — ele olhou-me de cima abaixo e depois disse. — Tenha uma boa noite senhorita Kray. — sorriu pequeno e andou lentamente.

Eu bati a porta e grunhi. Caminhei até a grande e confortável cama e me joguei ali, eu queria fugir daquele lugar. Queria me preocupar somente com o xixi da Tiffy! Fechei os meus olhos e suspirei com o desapontamento. Os meus pais realmente não davam a mínima para mim e isso era doloroso.

Engatinhei sobre o colchão e estendi a mão até o abajur em cima do aparador, apaguei a luz e deitei-me novamente. Será que se eu dormir aquele pesadelo acaba? Grunhi novamente. — Vai sonhando. — murmurei.

Seria impossível, mas dormir era uma ótima opção.

*****

Acordei com batidas fortes contra a porta do quarto e gemi. Merda. — Acorde! Precisamos de você na cozinha. — ouvi uma voz feminina dizendo em inglês. Todos aqui eram fluentes agora?!

Gemi novamente e gemi. — O-okay! Estou indo. — falei em voz alta.

Peguei o meu celular em cima do aparador e olhei para a tela. Eram apenas 5h30min! Como alguém levantaria tão cedo para tomar um café?! Eu queria gritar aos quatro cantos do mundo, eu mal tinha dormido e já deveria servir aquele cara? Fala sério....

Me levantei da cama e fui até o banheiro para um longo banho. Esse dia seria isso também. Longo! Argh.

*****

Aparecei na cozinha da casa cerca de vinte e cinco minutos depois. Os cinco minutos foram as tentativas de encontrar a cozinha. Quando entrei lá avistei as mulheres que trabalhavam para Gabriel. Ontem mesmo eu as conheci, Nelita aparentava ter a minha idade e Liliana era apenas poucos anos mais velha, talvez na casa dos 31 anos. Pigarreei para elas e ambas pararam de fazer as tarefas e olharem para mim.

— Bom dia. — murmurei.

Liliana arqueou as sobrancelhas e sorrindo. — Não dormiu bem. — foi uma afirmação dela e eu assenti. — Sente-se, vou preparar uma caneca de café para você.

— Obrigada. — eu suspirei, com a voz rouca. — Hã...aquele cara, chefe, patrão ou sei lá o que acorda tão cedo assim? — perguntei e observando as habilidades de Liliana na cozinha. Ela foi a única a me responder.

Acho que Nelita não fala inglês.

Liliana me olhou de relance e respondeu. — Você deve chamá-lo de Amo ou Don. Mas nós duas o chamamos de Gabriel. Ele disse a nós para você chamá-lo de senhor Corleone. — ela explicou e pegou uma caneca vermelha.

Eu revirei os meus olhos e vi Nelita me observando e rindo baixinho. Aquele idiota me provocaria até o fim dos tempos!

Perguntei cansadamente. — E por que eu devo chamá-lo dessa forma como se eu fosse uma escrava? — Nelita riu mais uma vez e Liliana a encarou, fazendo-a parar e continuar cortando o bolo. — Ela me entende? — apontei com o dedo.

Liliana se aproximou de mim e colocou a caneca em cima da mesa de madeira. — Sim, mas não fala em inglês. As vezes precisamos aprender o inglês. — ela caminhou até Nelita e pegou três pedaços de bolo e colocou em um prato bonito. Voltou novamente e me ofereceu. — E respondendo a sua reclamação, ele não confia em você e quer que o trate como o seu chefe na frente dos homens dele. Não se preocupe, Gabriel é um homem provocativo. Agora coma, ele voltará da academia em dez minutos.

Peguei um pedaço do bolo e o mordi, era de laranja e estava saboroso. Eu achei melhor ficar na minha, não gostaria de causar uma má impressão para duas pessoas que foram gentis comigo. Apenas elas e eu precisaria manter uma amizade e ficar falando mal do chefe delas não seria nada legal.

Mas havia uma vaca egocêntrica para falar mal e também eu gostaria de saber qual era a relação dela com o metido Corleone.

Olhei para as mulheres, ocupadas com o preparo do café e suspirei. — Quem era a mulher que me buscou no aeroporto? Não preciso descrevê-la porque vocês já devem saber de quem se trata.

Assim como Liliana, Nelita também me olhou e em seguida encarou a sua amiga de trabalho. Porém foi a própria Liliana que me respondeu.

— Ela se chama Caterina Barbieri e é o braço direito de Gabriel.

Arqueei as minhas sobrancelhas olhando de Liliana para Nelita. — Acho que eu estou usando a minha cara de que não entendi nada. — falei, olhando para as duas que riam.

Liliana cruzou os seus braços e me olhou, dizendo. — Gabriel é o chefe de todos os chefes do clã e Caterina está abaixo dele. Ela dá conselhos para ele e também fica no seu lugar quando Gabriel precisa viajar.

— Resumindo: ela é uma fodona.

— Exatamente. — riu e mexeu em seus cachos ruivos. — Só não fique muito perto dela, o temperamento de Caterina é totalmente diferente do de Gabriel. — concluiu e piscou para mim, voltando para as tarefas.

Eu suspirei. — Pode deixar.

Aquela conversa tinha sido o suficiente para mim, pois eu já saberia que serei uma dor na bunda daquela mulher! Ela não me deixaria em paz, arrancaria os meus olhos com toda a certeza.

E era óbvio que eu não abaixaria a minha cabeça para ela, para ninguém. Não era justo me humilhar.

Eu aceitei em quitar as dívidas absurdas dos meus pais, mas ser uma cadelinha para aqueles dois?! Nem ferrando! Quando terminei o meu café eu me levantei e fui até a pia, onde Liliana estava. Eu estava prestes a pegar o sabão e depois levar os objetos no lava-louças, mas Liliana segurou o meu pulso e eu franzi.

— Não há necessidade disso. Você pode ir preparar a mesa? — perguntou.

Suspirei e assenti com a minha cabeça, sorrindo forçado. Virei-me de costas para ela e caminhei para fora da cozinha, quando abri a porta o outro cômodo já era a sala de jantar. — Onde estão os pratos e essas coisas? — perguntei ainda entre a cozinha e a sala.

Liliana me olhou e apontou.

— No buffet ao lado da janela. — olhei para o móvel branco e bonito e caminhei até lá.

Peguei todos os objetos para Gabriel e eram coisas caras! Preparei a mesa da minha forma e quando estava prestes a terminar a porta da sala foi aberta.

Gabriel entrou sozinho vestido de calça social cinza escura e camisa de botões brancas e gravata preta. Ele parou de andar e franziu. — Uma nova empregada? — ironizou com um olhar de deboche. Gabriel continuou andando e em seguida sentou-se na cadeira onde não estava os objetos. — Eu costumo me sentar aqui desde hoje. — sorriu sem mostrar os dentes.

Eu parei e respirei fundo. Em seguida, dei a volta e coloquei tudo na sua frente, sem reclamar. — Vou trazer o seu café....

— Eu prefiro que a Nelita traga para mim. — ele disse-me, cortando as minhas palavras. Parei de me mover e olhei para ele. Gabriel mexia em seu celular. — Peça para ela trazer e você pode pegar o meu jornal. — murmurou.

Me virei para a porta da cozinha e a empurrei, o ódio crescia dentro de mim, de uma forma tão grande que eu poderia matá-lo ali mesmo com as minhas próprias mãos! Eu estava tão puta com ele que não tinha notado os olhares de Liliana e Nelita sobre mim. — Está tudo bem? — perguntou Liliana.

Fechei os meus olhos e suspirei, passando a mão em minha testa.

— Ele quer que a Nelita leve o café da manhã dele. — respondi. — Onde está o jornal?

Ela franziu. — Que estranho, ele não lê jornal físico, somente no celular. Vou procurar se há algum de hoje aqui. Gabriel está provocando você. — Liliana disse e murmurou algo para a sua amiga que revirou os olhos e assentiu. Já Liliana foi procurar pelo jornal.

Cerca de seis minutos depois que Nelita levou tudo para o filho da puta, Liliana voltou com um sorriso triunfante e erguendo um jornal. Suspirei e me levantei da cadeira.

— Obrigada Liliana, você me salvou.

Ela sorriu e me entregou. — Qualquer coisa que ele pedir a você pode me avisar. — piscou para mim e se afastou.

Andei rapidamente até a porta e rir para ela. — Com certeza avisarei! — tinha entrado novamente na sala de jantar e Gabriel ainda estava ali, comendo mamão. Eu parei ao seu lado e estendi o jornal com um sorriso cretino. — Aqui está o seu jornal. — ele olhou para mim e suspirou.

— Não precisa mais. Eu li online. — Deus, eu acho que vou matá-lo.

Respirei fundo e abaixei a minha mão. Bata na cabeça dele com o jornal! Não era necessário...agora. — Então por que me pediu? — perguntei com os dentes trincados.

Gabriel de repente se levantou e mastigava, me olhando. — Eu pedi há oito minutos e não agora. Pode levar embora.

— Com certeza levarei embora! Levarei embora! — exclamei e joguei o jornal sobre a mesa. Eu estava sem paciência para aquele idiota! O olhei com raiva e cruzei os meus braços enquanto Gabriel somente me encarava. — Eu não vou ser a sua empregada! Sabe muito bem que precisa de mim para ter o seu dinheiro então me trate com mais respeito! Fala sério! Você nem precisa desse dinheiro! Os talheres da sua casa são o dobro do valor que os meus pais devem a você! — eu não dava a mínima se aquele cara era um bandido ou não! Mas eu não toleraria que ele continuasse com aqueles joguinhos bobos e infantis.

Eu poderia muito bem fugir daquela casa e sumir do mapa com a minha gata!

Quando eu tinha soltado todas as palavras necessárias para Gabriel, ele apertou os seus olhos e ouvi um grunhido em sua garganta. Ele também cruzou os seus braços e apenas disse.

— Tenha um bom dia Eveline. — fiquei confusa. Ele passou por mim e antes de passar pela porta da sala me olhou. Quando eu estava sozinha senti o meu corpo relaxar.

Eu já sabia. A minha vida seria uma merda com aquele homem. Aquilo era apenas uma demonstração do que estava por vir.

Ótimo.

Baixe o aplicativo agora para receber a recompensa
Digitalize o código QR para baixar o aplicativo Hinovel.