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Capítulo 5

C

ale já não sabia por quanto tempo permaneceu naquela região, na verdade ele havia perdido mesmo era a noção de tudo, mas calculava que foram cinco anos. Porém, algo lhe dizia que aquele lugar já não era mais seguro. Embora ele não tenha encontrado nada a respeito do líquido rosa, o rapaz não sentiu mais nenhuma anormalidade além da sentida no dia em que ingeriu e aquilo soava como um alívio. Foi quando saiu para apanhar água no rio, se deparou com uma surpresa na volta. Correu e se escondeu atrás de um arbusto seco.

Eram homens vestindo uma espécie de armadura vermelho escuro com detalhes pretos, mas um deles vestia uma armadura semelhante, porém com detalhes dourados e prata formando um peitoral de cada cor. Quando ele retirou a parte que cobria a cabeça, Cale viu que se tratava de um zinker, mas quando olhou para os demais viu que eram humanos, então se lembrou dos arquivos de sua mãe. Oh droga, eles estavam lá dentro!

― Ei, seus caras de sapo! Vocês podem até destruir o que tem aí, mas não vão tocar no quem tem aqui! ― gritou apontando para a cabeça.

― Peguem ele, rápido! ― um dos homens gritou. Os outros cobriram a cabeça com o elmo que saía da própria armadura. Eles apontaram suas armas chamadas ronel´s e foram na direção do rapaz.

O mesmo deu uma risadinha, mas os modificados eram rápidos e logo estavam colados a Cale.

― Reklei aimno. Tirg-zi kaimo.

A cabeça do jovem deu um nó quando ele entendeu exatamente o que o zinker falou. Ele disse que o jovem poderia ser útil. Mas o que o rapaz queria mesmo era fugir dali para longe, então começou a golpear o modificado que o segurava fazendo-o se desequilibrar, em seguida correu em disparada. Cale não entendia a velocidade por ele alcançada, mas foi sentindo o seu corpo perder forças e suas vistas escurecerem. Só se lembrou de avistar algo parecido com uma casa.

― Ah, uma casa! Parece que já faz séculos que não vejo uma! ― e desmaiou. Antes de apagar totalmente ouviu latidos de cachorro vindo em sua direção, mas àquela altura ele já não sabia mais o que fazer. Então apagou de vez.

***

O rapaz não soube por quanto tempo ficou inconsciente, mas foi despertado de uma forma que mais parecia um conto de fadas. Só que ao abrir os olhos não foi bem o que esperava.

― Ei o que está fazendo? ― perguntou colocando-se sentado sobre a cama. Ele havia sido alvo de diversas lambidas.

― Fica calmo! Ele tem essa cara assustadora, mas não morde. A menos que você o morda primeiro! ― com a visão ainda um pouco embaçada, Cale viu um velho parado na porta com um cão enorme ao seu lado balançando o rabo.

― Onde é que eu estou? Parece que bebi cerveja a noite toda e agora sinto uma baita ressaca! ― perguntou passando a mão na cabeça que, aliás, doía pra caramba.

― Você está na minha casa ― o velho respondeu enquanto colocava alguma coisa no copo e o deu para beber. ― É café! Vai te fazer bem!

O rapaz pegou o copo e levou à boca, estava amargo, mas bebeu assim mesmo.

O velho lhe pediu desculpas pelo gosto amargo no café, ele alegou que açúcar era um recurso cada vez mais escasso por ali. Em pensar que o rapaz alto tinha muito açúcar no seu antigo esconderijo. Será que conseguiria voltar lá um dia?

― Você tem um nome, garoto? ― o velho perguntou sentando-se em uma cadeira de fibra que ficava no canto esquerdo do quanto.

― Eu tenho se você também tiver um. ― respondeu e voltou a tomar o restante do café.

― Sensato e mal educado também, a final, eu salvei sua vida ― respondeu levantando-se e caminhando até a janela. ― Mas você não está errado em ser precavido.

― Então você me entende! ― replicou.

― Sim e muito! Eu já não sou chamado pelo meu verdadeiro nome há muito tempo, mas você pode me chamar de Jack. Agora posso saber o seu? ― perguntou novamente olhando para trás.

― Cale! ― respondeu sentando-se sobre a cama com os pés no chão ― eu também gostaria muito de abolir esse nome, mas como foi a minha mãe quem me deu...

― Perdeu ela no dia D, não foi? Acho que não existe nesse mundo quem não tenha perdido alguém, ou, a si mesmo naquele dia terrível! ― comentou Jack. ― Você está com fome? ― perguntou gentilmente. Cale respondeu que sim.

― Então vá até o banheiro lavar a boca enquanto eu preparo algo para você comer. Você dormiu por quase uma semana, sabia? ― falou enquanto caminhava em direção à cozinha.

O jovem ficou admirado por ter dormido por tanto tempo, mas aconteceu algo semelhante quando ingeriu o fluido que sua mãe o havia dado. Ele foi até o banheiro e o cachorro o seguiu. Ele parecia ser bem dócil, um rottweiler enorme, mas muito carinhoso também. Cale notou que não estava com suas roupas, então questionou Jack.

― O que fez com minhas roupas? Por acaso você me viu nu?

― Nem pensar! Essa sua roupa de baixo deve estar fedendo mais do que um coelho morto! ― ele respondeu. ― Mas fiquei com pena de você e tirei suas roupas para que descansasse melhor!

Jack continuou falando que já estava para desistir de Cale, mas que o cachorro, a quem ele chamava de “Azul”, nunca saiu do seu lado e sempre o lambia para que o mesmo acordasse.

― E deu certo! Acabei não aguentando o seu bafo, Azul ― respondeu saindo do banheiro e vestindo a camisa. Os dois sorriram e o jovem ruivo acariciou a cabeça do cachorro. ― Bem engraçado. Um cachorro preto chamado Azul!

Assim que saiu do banheiro, Cale foi até a cozinha onde Jack preparou panquecas com mel. Ele adorava panquecas com mel e parece até que o homem mais velho adivinhou.

― Você é de onde, Cale? Porque parecia muito cansado quando chegou aqui ― ele perguntou, em seguida abocanhou um pedaço da iguaria.

― Acho que não fica muito longe daqui. O abrigo onde eu vivo, ou vivia, fica a trinta quilômetros de Los Angeles ― respondeu e também comeu um pedaço da iguaria.

― Los Angeles? Mas você está em San Francisco, filho! Como chegou até aqui? ― ele perguntou admirado e não era para menos. O jovem havia corrido até ali e foi essa a resposta que ele deu.

― Você veio de Los Angeles a pé? Deve ter caminhado por vários dias, já que o trajeto é bem perigoso ― falou Jack voltando a comer.

― Qual foi o dia exatamente em que você me achou? ― curioso o rapaz perguntou.

― No último dia cinco ― o velho respondeu. ― E se querer saber o horário, era por volta das cinco e meia da tarde. Mas por que você quer saber?

Cale riu sem acreditar na resposta do velho, o mesmo perguntou onde estava a graça.

― A graça é que eu percorri 382mi a pé! É isso! Eu corri por mais de 500 km até chagar aqui Jack e eu saí do abrigo por volta do meio dia daquele mesmo dia! ― respondeu com a feição mais séria.

Jack levantou-se rapidamente da cadeira, empurrando o prato da mesa. Ele apontou uma faca de cortar legumes para rapaz e chamou Azul para junto dele. O velho parecia estar diante de uma assombração, então o jovem perguntou a ele o que estava havendo e o porquê de agir daquela maneira.

― Você é um modificado! Você é um maldito modificado! ― ele gritava apontando a faca.

― NÃO, Jack! Eu não sou! Na verdade, eu nem sei quem eu sou mais! ― falou sentando-se de volta à mesa. Jack continuava a apontar aquela faca, mas o Azul. O Azul parecia mesmo entendê-lo e correu para junto do rapaz. Ele lambeu sua mão e grunhiu.

― Eu sou só um desgraçado que sempre ao fechar os olhos, vê a mãe. Sim cara! Toda vez que fecho os olhos eu tenho pesadelos com minha mãe queimando e gritando o meu nome! ― respondeu chorando.

― E qual era o nome da sua mãe? ― ele perguntou, mas dessa vez baixando a faca.

― Catarina! Catarina Andrade e o meu Pai era...

― David Mayburne! Ah meu Deus! Então você sobreviveu! Seu pai conseguiu construir o bunker ― desta vez, quem ficou pasmo mesmo foi Cale. Jack conhecia sua família, que mundo pequeno.

Ele o perguntou se sua mãe havia injetado algo em seu organismo, algo diferente e o homem mais novo respondeu que não, mas que ela o entregou uma substância estranha e pediu para que o mesmo a bebesse assim que estivesse no bunker. Jack sorriu dizendo que Catarina era mesmo brilhante e que havia conseguido o que cientistas do mundo todo e até os Zinker´s não foram capazes de fazer. Estabilizar a fórmula para criar super soldados.

― Mas como você sabe de tudo isso? E como conheceu a minha mãe? ― indagou. Aquele homem poderia ser a resposta para muitas das suas perguntas.

― Sua mãe e eu trabalhamos juntos algumas vezes. Minha esposa Sarah gostava muito dela. Sarah morreu do dia D. Ela estava grávida de dois meses e o meu filho mais velho, Jacob tinha onze anos. Ele estaria da sua idade se estivesse aqui! ― ele fez silêncio assim que contou essa parte triste de sua história.

Cale perguntou a Jack o que ele sabia sobre o projeto DOBLE e ele pegou mais café dizendo que a história seria longa. Jack revelou que assim que o projeto DOBLE começou, Catarina foi escalada para liderar as pesquisas. Ela havia sido indicada pelo então General de Exército Tody Maguire. Um homem honesto, mas com uma sede de poder que mudaria seu caráter dentro de alguns meses.

O projeto consistia em usar o fluido medular dos zinker´s e fundi-lo com células humanas, assim, a força dos alienígenas poderia ser compartilhada com os humanos. Eram usados apenas pessoas do sexo masculino. Mas uma falha grave aconteceu, os homens se tornaram dependentes e muitos foram mortos. Catarina vendo aquilo tentou alertar ao General para que interrompesse as pesquisas, mas ele não deu ouvidos a ela. Então ela abandonou o projeto.

― Quer dizer que minha mãe não concordava com aquela barbárie? Porque eu li nos livros dela a respeito dos mutantes também! ― falou com certo alívio.

― Claro que não! Sua mãe era uma pessoa do bem, Cale! Ela jamais faria, ou, concordaria com tamanha monstruosidade ― ele respondeu deixando o coração do jovem ainda mais aliviado.

Ele seguiu contando que a cientista conseguiu roubar uma amostra do material genético, mas desde então ele não soube mais a respeito do que realmente ela queria. Até aquele momento em que estava frente a frente com Cale.

― Ela conseguiu estabilizar e deu a você, usou em você. E você não possui dependência, caso o contrário já teria me matado, pois já está aqui há mais de uma semana ― ele falou como se tivesse ganhado um prêmio. ― Mas tem uma coisa que nem você e nem ela sabe.

Questionado por Cale se havia mais alguém envolvido além de sua mãe, Jack respondeu que outro cientista também conseguiu estabilizar o fluido, mas a mando dos Zinker´s ele não usou na fórmula a ser aplicada nos modificados. O General tentou se opor, porém acabou sofrendo um misterioso acidente de avião e nunca mais foi visto desde então. Os zinker´s temiam que com poder, os humanos pudessem se rebelar contra eles, mas o que queriam mesmo era usá-los como peões.

Os Extraterrestres modificaram a fórmula para que a cada cinco horas o modificado precisasse toma-la novamente, caso o contrário ele enlouqueceria a ponto de matar qualquer um que estivesse na sua frente. Fora a dor que o faria agonizar até a morte. O jovem chocado ao saber de tudo aquilo, perguntou a respeito das crianças mutantes. Outra bomba.

― Aquelas crianças eram o experimento mais aterrador que existe. Pior do que um horrível filme de terror ― respondeu Jack.

O velho homem ainda complementou que o General Maguire achou que seria interessante estuda-las, mas não foi só isso. Eles continuaram produzindo aquelas coisas em laboratório e o que é pior, elas cresciam muito rápido.

― Como assim? A que nível elas crescem rápido? ― indagou Cale.

― Do tipo muito rápido! Em menos de cinco anos já estão adultos. O bom nisso tudo é que envelhecem rápido também. Em dez anos já morrem de velhice! ― falou rindo moderadamente.

― E quantas pessoas você acha que uma coisa dessas pode matar até atingirem a idade de morrer? E como ainda se reproduzem? ― seguiu questionando.

― Você ainda tem muito que aprender, mas agora preciso de sua ajuda ― falou pegando um chapéu e uma arma vista pelo garoto apenas nos games.

― Pelo que vejo, vamos a algum lugar! E para onde seria? ― perguntou novamente se acabando de curiosidade.

― Para cidade! Você e o Azul comem demais e precisamos renovar os estoques de alimentos! Vamos?

Cansado de ficar deitado e sem fazer nada, o jovem aceitou a proposta de Jack. Azul ficou tomando conta da casa, pois os dois passariam um bom tempo fora. No caminho o Jack explicou mais coisas e advertiu para que o homem mais jovem tomasse cuidado com as cascavéis, pois eram as mais espertas do planeta, sendo os únicos animais a não sofrerem com os Zinker´s.

― Eu passei muito tempo naquele bunker mesmo ― comentou sorrindo.

***

Na companhia de Jack, Cale passou à noite acampado à beira de um riacho e levantando acampamento assim que amanheceu. Depois de caminharem alguns quilômetros perceberam uma movimentação estranha. Um grupo pequeno de quatro soldados zinker´s parecia estar com problemas, mas os dois queriam mesmo era que todos se ferrassem. Acontece é que Jack pediu Cale que os observasse. Um deles parecia estar completamente louco.

Era um modificado. Ele estava em plena crise de abstinência e atacava os companheiros e o outro perguntou como puderam mandar um cara em abstinência. O líder respondeu no idioma zinker para que os demais o matassem e assim fizeram. Imobilizaram o homem e cortaram sua cabeça.

― Viu por que você não é igual a eles? ― disse Jack afirmando o contrário de uma dúvida que ecoava na mente do rapaz. ― Agora eles não podem saber de sua existência, pois você será uma ameaça.

― Que eu seja! Um dia eles vão pagar pelo que fizeram com a minha mãe! ― falou, em seguida colocou novamente a mochila nas costas seguindo Jack.

***

Por volta das duas da tarde, eles finalmente chegaram a San Francisco. A cidade já não era nem de longe o que estavam acostumados a imaginar. Prédios demolidos e o cheiro de queimado ainda pairava pelo local. Cale imaginou o quanto deve ter sido horrível estar ali no momento do ataque, pessoas correndo pelas ruas e sendo pegas pelas chamas que caíam do céu. Ele ficou parado diante do que sobrou de um prédio em parte demolido, então o Jack o chamou.

― Ei garoto! Vai ficar aí o dia todo? Temos de andar rápido, se os zinker’s descobrem a gente aqui, estamos ferrados! ― advertiu fazendo-o voltar à realidade.

A voz de Jack pareceu ecoar nos ouvidos de Cale, então ele balançou a cabeça em sinal de positivo e seguiu colado ao mesmo. Passando por baixo de um amontoado de tábuas e caminhando através de um corredor estreito, os dois saíram numa abertura que para a surpresa do rapaz, lhe trouxe doces lembranças.

― Eu me lembro deste lugar ― comentou olhando para o alto.

― Acho que quase todo mundo que ainda vive se lembra desse lugar. É o famoso West Field San Francisco Center, ou o que sobrou dele ― disse Jack também olhando para cima.

Era como se Cale pudesse ver as crianças correndo por aqueles corredores e os pais gritando com elas. Ele também estivera ali pouco tempo antes do dia D, foi quando lançaram a 19ª edição de um famoso jogo de guerra. Era o mais esperado da época e como ele havia tirado boas notas, sua mãe pediu à sua tia Glauce que o levasse naquele shopping para que o mesmo comprasse o jogo.

― Tempo que não volta! ― sussurrou e as lágrimas vieram. Jack não disse nada, ele sabia que o rapaz estava passando por um momento nostálgico e decidiu não interromper.

Em um giro de 360 graus ao redor de si mesmo, o ódio pelos zinker’s e por alguns humanos só aumentava em seu interior. Juntos eles roubaram o futuro de Cale assim como de muitos de sua idade. Ele só conseguia pensar em como deveria ter sido se tudo fosse diferente. Se nada daquilo não tivesse acontecido. Então chorou. Somente os pássaros, poucos deles ainda viviam ali. Depois de alguns minutos Jack o chamou. Ele falou que precisavam prosseguir e quando chegaram até a ala de alimentos Cale ficou pasmo.

― Quanta coisa aqui? Por que ninguém nunca veio buscar essa comida? ― perguntou. Ele sempre gostou de fazer perguntas. Aquilo poderia parecer chato, mas aquele era o seu jeito.

― Simples! É porque não sobrou ninguém para comer ― na ponta da língua, Jack respondeu.

Jack falou quais os itens deveriam pegar. Açúcar, café, água mineral e leite. Isso mesmo, leite. Os zinker´s ensinaram uma forma de preservar os alimentos por décadas, até os mais fáceis de apodrecer. Então Cale foi logo abrindo uma garrafa de iogurte. Como ele sentia falta daquilo.

― Pega também lâminas e aparelhos de barbear. Precisa dar um jeito nesse seu cabelo ― recomendou Jack. Cale não gostou muito.

― Barba até que sim, mas no meu cabelo você não toca ― ele sorriu e seguiu recolhendo as coisas.

Quando estavam se preparando para deixar a cidade, Cale pensou ter ouvido algo estranho. Jack alegou não ter ouvido nada, mas o rapaz ouviu. O homem mais velho tentou impedir que Cale fosse averiguar, mas como ele era muito curioso, foi ver do que se tratava. Cerca de dez pessoas estavam sendo colocadas em um veículo para serem levadas pelos zinker’s. Ao menos pereciam zinker’s.

― Que desgraçados! Eu não vou deixá-los fazer isso. ― resmungou levantando e seguiu por uma parede caída, Jack o agarrou pelo pé.

― Ouça, Cale! Nós não temos nada a ver com aquilo. Não é da nossa conta, vamos embora! ― falou quase sussurrando.

― Nada disso! Onde está o seu senso de humanidade? Temos que ajudar um ao outro e eu quero saber do que esse fluido é capaz ― sorriu e prosseguiu.

Jack não viu outra solução senão acompanhar Cale, mas antes o advertiu dizendo que ele precisava saber de algumas coisas.

― Você nunca deve ficar parado na frente deles, entendeu. Os zinker’s possuem um ponto cego que fica nas laterais, o mesmo acontece com os modificados.

O jovem balançou a cabeça em sinal de positivo e partiu para cima provocando os oponentes com palavras ofensivas.

― Ei seus cabeças de porcos! Que tal a gente bater um papinho? ― perguntou tirando sarro.

― Pegue ele! ― exclamou um dos modificados. Havia um com uma armadura diferente, parecida com a dos outros, mas com detalhes em dourado e cinza, esse de modo estranho.

― Zulg-hu al ki há-nu! ― “Eu o quero vivo”!

É foi bem bizarro e mais bizarro era que Cale entendia a língua dos zinker’s. Mais uma pergunta para Jack, só que naquele momento não iria rolar.

Quatro deles avançaram contra Cale que estava doido para que isso acontecesse. Quando um deles tentou golpeá-lo, o rapaz se jogou de costas em direção ao chão, só que não caiu, pelo contrário, levantou-se e revidou dando-lhe um golpe fazendo o modificado girar no ar. O jovem olhou seu próprio punho sem acreditar no que havia acabado de fazer.

― Zinker’s! ― gritou dando um salto para cima e seguiu derrubando cada um deles.

— “Harg sno kohai”! ― gritava o zinker sem entender o motivo de seus lacaios estarem apanhando tanto, no entanto Cale se empolgou. Tomou a arma de um deles e atirou. O modificado absorveu a energia da arma e ainda arrumou o pescoço.

― Não adianta atirar neles, Cale! As armas dos zinkers só funcionam contra os inimigos deles! ― gritou Jack que também enfrentava outro grupo de modificados.

― Agora é que você vem me dizer isso? Qual é Jack? E o que eu faço? ― perguntou bem na hora em que recebeu um solavanco indo parar a dez metros de onde estava.

― Pegue essa espada e faça o que eu fizer!

Jack jogou uma espada na direção do rapaz mais moço, porém viu que um modificado também fazia o mesmo trajeto que a arma. Sem pensar duas vezes, Cale saltou conseguindo pegar a espada e instintivamente perfurou o peito do outro homem.

― É isso! ― gritou Jack. ― Agora acerte sempre nessa região.

O velho lançava sua arma maluca e matava os modificados fazendo as armaduras deles entrarem em curto. Cale seguia seus movimentos até que sobrou apenas o zinker. Ele ficou entre os dois homens sobreviventes. O alienígena caminhava como um guerreiro da antiguidade prestando atenção em nos movimentos dos dois homens. Foi quando ele partiu em direção de Jack.

Cale não podia deixa-lo machucar a única pessoa a quem estava sendo sua família em muitos anos, então saltou acertando um soco na nunca do zinker. O ser virou-se para o jovem socando seu rosto e o mesmo caiu meio zonzo, mas Jack o socorreu. O zinker insistiu e apanhou uma grande corrente. “Por que esses caras sempre conseguem correntes do nada”? Pensou Cale. Parecia até brincadeira, mas ali era bem real. O alienígena atirava as correntes contra os dois homens, mas Cale temia mesmo era por Jack e foi em um desses momentos que ele conseguiu acertá-lo.

As pessoas ficaram em pânico e o jovem quase sem forças. Foi quando o ser agarrou Jack pelo pescoço, o Zinker iria mata-lo e Cale precisava reagir, então buscou forças e conseguiu se reerguer. Pegou a arma de seu amigo e sem que o zinker percebesse, o traspassou fazendo sua armadura entrar em curto matando-o. “Zurg hul hash-kah”!

― Vá você, seu filho de uma égua!

Quando todos estavam comemorando a vitória, um dos reféns estava com a arma apontada justamente para Cale deixando-o sem reação, foi quando o Jack gritou.

― Cale, abaixe-se!

Ele se abaixou e o rapaz atirou num cara que estava com uma pedra e pronto para acertar o jovem. Ele era um informante zinker, um modificado infiltrado que denunciou aquelas pessoas ao comando central. Mas a forma com que as pessoas atingidas pelos ronel morriam chega a ser desconfortável imaginar. Elas são desintegradas com muita dor, mas fazer o que? Ele escolheu.

O líder do grupo agradeceu aos dois pelo feito e perguntou se não queriam se unir a eles, Jack agradeceu, mas disse não. Alegou que ele e o amigo tinham sua própria luta. Então pegaram suas coisas e partiram antes da noite cair.

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