Capítulo 5
O
s alienígenas enganaram a humanidade. Eles disseram ao mundo que os descobriram por meio da sonda Voyager II, em certo ponto sim, mas o fato é que eles já estavam vigiando a Terra há bem mais tempo do que disseram. Eles construíram uma base gigantesca abaixo da superfície de Europa entre a crosta e o oceano subterrâneo. Ali eles preparam tudo estudando suas defesas, suas fraquezas e descobriu a maior de todas elas, a ganância do homem pelo poder.
A própria humanidade se entregou de bandeja apenas pelo fato de conseguir com facilidade o que só se pode obter por meio de muito esforço. Três anos foram o que eles precisaram para planejar como destruir os humanos e três dias foi o suficiente para pôr com êxito o seu plano em prática.
― Cale entra no carro! ― disse a mãe bastante nervosa.
― Mas mãe! ― ele ainda questionou, mas ela gritou com o garoto e seus olhos lacrimejavam.
― Entra no carro, Cale!
Ela entrou logo em seguida a seu filho e acelerou rumo ao Observatório Griffith onde trabalhava. Chegando lá Catarina o pediu que esperasse no carro. O que ela foi fazer ali? Cale não fazia a menor ideia, mas minutos depois ela retornou trazendo uma caixa com vários papéis. Catarina entrou no carro e acelerou depressa. Assim que se afastaram os dois ouviram uma enorme explosão e quando Cale olhou para trás somente uma enorme labaredas existia no lugar onde momentos antes era um dos mais famosos observatórios do mundo.
De repente o céu começou a mudar de cor parecendo estar pegando fogo e foi isso mesmo que aconteceu. Bolas de fogo caiam do céu incendiando toda Los Angeles. Homens e mulheres, ricos e pobres, famosos e pessoas comuns. Todos estavam sendo cozidos vivos pelo fogo que era lançado de uma imensa nave Zinker que tinha o formato de um retângulo cheio de imperfeições.
― Querido, olha para frente! Não olhe para trás, sim?! Olhe para frente, para o horizonte azul ― a mãe falava enquanto tentava dirigir pela estrada completamente tomada por carros de pessoas que assim como eles, tentavam fugir para não morrer.
Foi quando ela se distraiu com um senhor que pulou em cima do carro e acabou saindo da estrada.
Ah, minha nossa! ― gritou a mãe. Mas para sua sorte, o carro parou após bater em uma cerca.
Mãe e filho não se machucaram, mas tiveram que fugir rápido, pois um grupo de homens vinha ao seu encontro para roubá-los. A ironia é que mesmo diante do fim, certos humanos só pensam em si mesmos. Os dois correram, enquanto a mãe dizia que estavam bem perto de chegar há um porto seguro e passando por um carro abandonado, eles ouviram no rádio que todos os porta-aviões americanos haviam sido destruídos e os demais países estavam sendo varridos pelos Zinker´s.
― Meu pai, mãe! Meu pai está num porta-aviões! ― o menino falou chorando, a mãe o abraçou. ― E eu nem me despedi dele.
― Precisamos seguir em frente querido. Seu pai iria querer isso! Vamos, a gente já chegou.
Eles caminharam somente por mais vinte minutos, mas o adolescente não viu absolutamente nada.
― Onde vamos ficar mãe? ― perguntou vendo que ela olhava fixamente para o Oeste. Quando o garoto olhou na mesma direção, um grupo de Zinker´s pilotando pequenas naves estava sobre os carros na rodovia bombardeando todos eles.
As pessoas gritavam em meio às chamas e Catarina rapidamente procurou por algo e encontrou. Era uma entrada que escondia um abrigo ante bomba, mas o que ela não disse ao filho era que o abrigo só poderia ser fechado por fora, nesse caso, um deles teria de se sacrificar para salvar o outro.
― Querido me escuta! Você vai me prometer que não vai sair daí até que seja completamente seguro, tá?! ― enquanto ela falava, suas mãos tremiam, assim como a sua voz.
― Claro que sim mãe! Nós só sairemos daí quando for seguro! ― respondeu segurando forte a sua mão.
― Não Cale! Você não me entendeu! O abrigo só pode ser fechado por fora. Seu pai fez isso caso um dia nós precisássemos te salvar! ― ela não conseguiu se contiver e chorou como uma criança.
― Eu não vou entrar! Sem você eu não vou! ― falou afastando-se dela. ― Eu acabei de perder o meu pai e não posso perder você também!
― Filho! Filho ouça ― ela segurou-o pelos ombros. ― Enquanto você viver e lutar, nós existiremos, entendeu?! Você é a união minha e do seu pai, por tanto, você é o fruto mais belo de nossa união! Agora entre!
Cale olhou nos olhos da mãe. Aquela seria a última vez que ele os veria e antes de descer as escadas o jovem a abraçou como nunca havia abraçado antes, sentindo o calor e a respiração dela no seu ouvido.
― Você sempre foi motivo de orgulho meu e do seu pai! Viva, meu filho e quando estiver lá dentro, beba isto! ― ela o entregou um frasco contendo líquido rosa brilhante.
― Para que serve isso, mãe?
― Um dia você vai saber! Quando chegar a hora de lutar, então você vai saber, mas prometa que vai beber! ― ela falou e olhou para trás, os Zinker´s estavam em cima do abrigo.
― Sim! Eu prometo e prometo matar os Zinker´s. MÃE! ― ela o empurrou e fechou a válvula pelo lado de fora prendendo Cale ali dentro. Em seguida uma enorme explosão acima do local, balançou tudo parecendo que iria desabar e logo depois foi silêncio.
O mundo de Cale foi tirado dele naquele dia. Em um único dia ele perdeu seus pais, o planeta onde nascera e fazia planos para o futuro. Ele perdeu o seu futuro!
***
Por três Dias Cale permaneceu ali, imóvel sentado em um banco estreito feito de madeira segurando o frasco que sua mãe lhe havia dado, então criou coragem e de uma só vez o ingeriu. Segundos depois começou a sentir uma forte dor de estômago, parecia que algo o estava dilacerando por dentro e não suportando mais, desmaiou.
O rapaz ficou apagado por algum tempo, quando acordou. A pequena lâmpada resistiu bem e fez com que o lugar não ficasse na escuridão. Cale estava morrendo de fome e viu que havia mais coisas ao seu redor além da lâmpada e do banquinho. Tinha uns armários de madeira embutidos na parede onde alguns continham roupas e agasalhos e em outros, alimentos e sementes. Ele cuidou logo em abrir uma lata de arroz em conserva. Havia também um pequeno banheiro com descarga e então percebeu um envelope sobre uma pequena mesa de madeira no canto superior do abrigo.
Era uma carta do seu pai que dizia.
Querido filho! Se estiver lendo isto, é porque o pior aconteceu. Eu fiz esse lugar para que se ocorresse um ataque inimigo, você e sua mãe seriam salvos. Eu fiz esse bunker para ser fechado pelo lado de fora e aberto pelo lado de dentro, sendo que, um de nós, seus pais, deveria se sacrificar para que o outro cuidasse de você e eu decidi que seria eu a partir e assim sua mãe cuidaria de você. Eu espero que estejam bem e assim que tudo estiver seguro, na porta do meio do armário de sementes encontra-se a alavanca que abre a porta do abrigo. Amos vocês pra sempre!
Papai!
Mas não foi como o pai imaginou. “Se existir mesmo vida após a morte como dizem por aí, você deve estar bem chateado, ou não”, pensou o rapaz enquanto verificava a referida porta. Mas o problema de tudo isso é que agora Cale estava sozinho. Um garoto de treze anos completamente sozinho.
O jovem se virou do jeito que eu podia. Uma semana depois saiu do abrigo e quando olhou em volta tudo era destruição. O céu estava escurecido pela fumaça que vinha das cidades incendiadas e os pastos verdejantes eram cinza e cheiravam a queimado. Mas ele precisava sobreviver, caminhou até um rio que passava ali perto e o mesmo ainda estava lá. Cale procurou purificar água, pois certamente muitos corpos passaram por ali. Ele também procurou pelo corpo de sua mãe, mas nada foi encontrado. Ela deve ter sido pulverizada pelo raio de plasma utilizado para queimar as cidades.
***
Os Zinker´s seguiam com sua devastação. Os humanos que não foram mortos no dia D, eles escravizaram para trabalhar em minas de metais, ou para servirem de cobaias em experiências macabras. Mas até então Cale não sabia o que era o líquido ao qual ingeriu a pedido de sua mãe, então buscou se informar.
Ao abrir a caixa de papelão levada por Catarina, Cale fez descobertas que o deixaria abismado. Os Zinker´s estavam fazendo experimentos genéticos com humanos a fim de criarem super soldados. Eles injetavam o fluido medular modificado alienígena em homens e isso lhes proporcionava força sem igual. Mas segundo os arquivos de Catarina, havia um problema. O fluido causava uma dependência ainda mais severa do que às drogas conhecidas por humanos. Os homens não aguentavam sequer um minuto sem o fluido e muitos tiveram de ser eliminados para não pôr em risco a população.
― Não acredito que você fazia isso, mãe! Você não! ― ele chorou enquanto lia aqueles arquivos. Aqueles homens, segundo ela mesma dizia, eram obrigados em nome da nação, a se submeterem aquelas experiências horríveis. Mas eram os filhos de alguém, os pais de alguém, o namorado de alguém, o marido de alguém.
Os que não eram afetados com a dependência de curto prazo eram colocados para engravidar mulheres e assim, as crianças nascidas daquela união poderiam não desenvolver a dependência e ter a mesma força que os pais. Só que mais uma vez deu errado e o resultado foi ainda pior. As crianças nasciam sem consciência alguma, eram verdadeiras bestas sem alma e quando foram crescendo, se tornaram assassinas. E o que era pior, crescia em um curto período de tempo.
― A cada parágrafo um filme de terror! Quanta decepção minha mãe! E tudo para suprir a ganância e a sede de poder dos maiorais. Que tenha encontrado um triste fim, todos eles! ― desejou Cale ao saber de tamanha abominação e crueldade.
