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As Primas da Noiva (PARTE 3)

OS HOMENS QUE TINHAM sido convidados para o casamento — e o noivo — se reuniram algumas horas mais tarde no campo society do clube para uma animada partida de futebol no famoso “casados contra solteiros” e eu fui chamado para participar. A temperatura era bastante amena e o clima estava realmente muito gostoso para se praticar exercícios físicos, mas eu preferi declinar ao convite para mais ter mais tempo a sós com Natalie e as outras meninas.

Henrique, que desde sempre era adepto de todo e qualquer esporte — e ele adorava usar aquilo como pretexto para poder tirar a camisa e exibir os músculos —, não esperou nada para se juntar ao time dos solteiros do lado esquerdo da quadra. Ele era provavelmente o único cara em plena forma física num raio de uns cem quilômetros e deu para se ouvir os suspiros das garotas que se aglomeraram em torno do campo para assisti-lo jogar.

Alguns degraus abaixo de nós na arquibancada, um grupo de amigas de Miriam, incluindo uma de suas madrinhas, mal conseguia disfarçar o fascínio pelo moço sarado a demonstrar habilidade com a bola no pé, e de onde eu estava, era possível ouvir seus gritinhos excitados e elogios ao abdômen definido de Henrique. Valéria não fazia o tipo mulher ciumenta, mas dava para ver o desconforto em seu rosto enquanto ela percebia que o noivo estava fazendo mais sucesso que o normal com a ala feminina.

— Vontade de deitar essas vacas no soco!

Natalie estava sentada entre mim e a moça carioca de seios fartos e prontamente tentou fazer com que ela segurasse a onda.

— Calma, Val. Olhar não tira pedaço, e depois, você conhece o Rique. Ele deve estar adorando ficar se exibindo em quadra pra essa mulherada!

Meu amigo era mesmo um exibicionista e durante todo aquele jogo de futebol, ele foi o grande destaque, tanto por seu talento com o esporte quanto pelas poses quase halterofilistas que fazia retesando os músculos de vez em quando só para que as moças babassem por ele do lado de fora. Estava divertido de ver a Val quase se rasgando de ciúmes perto da gente.

Depois do futebol, as pessoas dispersaram pelas outras áreas recreativas do clube e eu decidi retornar para o bangalô onde estava hospedado com a Natalie. Naquele horário, a maioria dos convidados estava concentrada do outro lado da ala dos aposentos e a convenci de que o sossego do nosso canto seria um bom atrativo para que nós nos divertíssemos como há um bom tempo não acontecia.

Tão logo havia se formado em sua faculdade de Designer de Moda e Fotografia, a caçula dos Schneider tinha embarcado em uma sociedade com um colega de curso para a abertura do seu estúdio de fotografia próprio, e assim como eu, a garota andava trabalhando muito a fim de estabelecer a marca Infinite no concorrido ramo da moda.

Depois que eu havia começado firme no escritório administrativo da Monterey, cumprindo as minhas oito horas diárias de segunda a sexta-feira, os meus horários quase não batiam com os de Nat. Por conta das campanhas que tinha que cuidar, era muito comum que, às vezes, ela precisasse se ausentar da cidade por dias e até semanas, o que fazia com que nos desencontrássemos. Quando ela estava em São Paulo, era a minha agenda que acabava ficando complicada com compromissos inesperados até altas horas da noite no prédio da construtora e assim, Nat e eu quase não estávamos tendo tempo de namorar.

— Quero ver quem vai me tirar de cima de você hoje!

Assim que nos vimos solitários em nosso bangalô, Natalie começou a atiçar os meus desejos com beijos e carícias em zonas mais sensíveis do meu corpo. Chegamos rápido à cama de casal instalada no aposento e afoita, ela me empurrou de costas sobre o colchão para se deitar por cima, me presenteando com beijos úmidos de desejo.

— Pode ficar em cima à vontade, gata. Hoje quem não vai pedir pra parar sou eu!

A minha namorada se livrou da blusa regata que estava vestindo por cima de um sutiã de renda branco pouco antes de inclinar seu tronco sobre o meu voltando a colar os seus lábios em mim. O corpo de Nat estava quente além de macio e não a poupei de agarrões mais ousados conforme nos soltávamos mais.

— Estava com saudades de sentir você me pegando assim com força, com vontade… me enche de tesão. Eu fico cheia de fogo!

Natalie e eu tínhamos uma química única que era quase palpável. Tinha bastado poucos encontros entre nós dois ainda na adolescência para perceber que uma energia fortemente sexual vibrava entre a gente. Todo mundo percebia. Não tinha como esconder. A nossa relação acabou acontecendo de maneira muito natural e um tanto quanto explosiva.

— Adoro quando você fica fogosa desse jeito.

— É? — Perguntou ela com os olhões azuis fixos nos meus castanhos — Está esperando o que pra apagar o meu fogo então?

A área do lado de fora do clube era bastante arborizada e havia vários metros quadrados de verde circundando o espaço dos bangalôs. Enquanto eu e ela nos despíamos, o vento estava sacudindo a copa das árvores causando um assovio. Vozes muito longínquas eram trazidas vez ou outra até a janela aberta, mas Nat e eu não estávamos mais prestando a atenção. Quando começamos a nos entregar ao prazer, todo o restante do mundo desapareceu ao nosso redor.

À noite, o silêncio voltou a imperar na área dos quartos do clube após o tropel causado pela volta dos hóspedes dos espaços recreativos. Além dos convidados mineiros, que em sua grande maioria, era de parentes e conhecidos do noivo, havia também muitos visitantes de outros pontos do país, sobretudo, os que vinham da região Centro-Oeste. Durante os dias do final de semana, todos eles tinham se arranjado no alojamento do clube e pelo que eu sabia, tudo aquilo estava sendo custeado pelo próprio Cássio.

Natalie e eu embarcaríamos de volta a São Paulo na manhã do dia seguinte já sabendo de antemão que Henrique, Valéria, Kelly e Claudia estariam no mesmo voo que a gente. Augusto e Stephanie tinham se despedido dos parentes mineiros logo após o final da festa pós-casamento e àquela hora já deviam estar em Ipanema, bairro onde haviam se estabelecido há algum tempo no Rio de Janeiro. Nat tinha ficado levemente chateada pela maneira meio seca com que seu pai havia me tratado ao longo do dia todo, mas enquanto descansávamos em nossa cama, pedi para que ela não esquentasse com isso.

— O seu pai ainda tem a visão de que eu sou aquele mesmo garoto vagabundo que ele conheceu anos atrás, Nat. Lá do Rio ele não sabe que nesse tempo todo eu concluí a minha faculdade, comecei o meu mestrado e tenho dado duro para assumir um lugar na presidência da empresa do meu pai. É natural que o velho Augusto Schneider seja um pouco ressabiado comigo. Ele acha que eu não sou um bom partido pra sua filhinha caçula.

Nat tinha vestido uma camiseta sobre o corpo nu e permaneceu deitada ao meu lado depois que fizemos amor. Ela emitiu um muxoxo e disse, com tom divergente:

— Passou da hora de ele aceitar as escolhas que eu faço, Digo. Eu escolhi estar com você, sou eu quem tem que saber se você “serve” ou “não serve” pra mim. Meu pai não tem mais que te tratar mal pela imagem que ele tem do Rodrigo de quinze anos que ele conheceu. Isso me irrita!

Já tinham alguns anos que Natalie não convivia mais diariamente com os pais. Enquanto Augusto conduzia do Rio a cadeia de imobiliárias que ele detinha em São Paulo, a sua filha tinha se estabelecido em outro estado e não tinha planos de sair de perto de mim, Volta e meia ela me apresentava aquela mágoa que sentia pelo pai ainda a tratar como a garotinha manipulável que sempre estivera embaixo da sua asa e eu sentia que aquele era um problema que os Schneider precisavam resolver entre si. Eu não tinha como me meter.

— Eu não me importo, Nat, de verdade. Se ele quer me odiar, que odeie. Um dia ele terá a prova que tanto quer de que eu mereço estar ao lado da sua filha, mas até lá, eu e você vamos continuar vivendo o nosso amor.

Ela ficou comovida ao me ouvir dizer aquela frase, pouco depois, se aninhou em meu peito e nós acabamos dormindo juntinhos sobre a cama, com os sons noturnos de Minas Gerais a nos ninar.

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