As Primas das Noiva (PARTE 4)
OS GALOS AINDA ESTAVAM cantando ao longe anunciando que a manhã de segunda-feira havia chegado, porém, não foi o canto dos galináceos que nos despertou abruptamente. Eu e Nat estávamos sendo atacados por alguém muito animado e elétrico que pulou sobre nós dois na cama e começou a falar sem parar.
— Bom dia! Bom dia! Hora de acordar, seus dorminhocos!
Kelly estava em cima de nós provocando cócegas por cima do lençol que nos cobria e tinha estampado no rosto um sorriso largo de felicidade. Estava vestida com um baby-doll bem curto e não parou de nos sacudir.
— Anda, levanta! Vamos voltar para São Paulo! Anda, anda!
Nat foi a primeira a ganhar um abraço de bom dia da prima, em seguida, ela já veio para o meu lado afoita e pegajosa. Um beijo molhado estalou em minha bochecha pouco antes da voz rouca da minha namorada indagar a ela:
— Que agitação toda é essa, menina? Parece que nem dormiu durante a noite…
Ajoelhada à nossa frente, Kelly confirmou as suspeitas da prima e disse com alegria:
— A minha mãe me deixou dormir com o Rique e a Val no quarto deles. Nós três viramos a noite conversando e fazendo um monte de brincadeiras. Eu estava muito elétrica pra pegar no sono. Acho que só vou dormir quando chegar em casa agora!
Nat e eu nos entreolhamos sem mais nada a acrescentar e a dúvida foi minha:
— E cadê a sua mãe?
Ela deu de ombros, mas depois deu seu palpite:
— Ela tinha me dito que faria companhia para a tia Miriam e os meus avós um pouco mais antes da viagem de Lua de Mel do casal. Acho que ela dormiu por lá.
Nat começou a ajeitar os cabelos desgrenhados para trás e comentou que precisava terminar de organizar tudo para a viagem de volta. Saiu da cama em direção ao banheiro e ela me recomendou que eu acompanhasse Kelly até onde estava a sua mãe. A menina ficou radiante só em saber que ficaríamos sozinhos por aquele período até que eu encontrasse Claudia, mas eu estava mais interessado em rever a linda publicitária uma vez mais antes de retornar a São Paulo.
Após uma ligação providencial para o número de telefone de Claudia que a Kelly havia me oferecido, descobri que a moça tinha voltado para o seu bangalô ainda de madrugada e que àquela hora os seus pais já tinham retornado para Betim onde moravam enquanto a irmã seguia em Lua de Mel. Kelly quis segurar a minha mão até que chegássemos ao bangalô mais afastado onde a sua mãe estava instalada e no caminho até lá éramos só sorrisos.
Bati na porta esperando encontrar Claudia pronta para partir, uma vez que dali à meia hora no máximo todos estariam dirigindo seus carros para a saída, em direção ao aeroporto, mas qual não foi minha surpresa quando a surpreendi com a boca cheia de pasta de dente a atender a porta.
— Oh, meu Deus! Me perdoa estou muito atrasada!
Seus olhos arregalados e a espuma a escorrer da boca voando para cima de mim enquanto pedia desculpa foi algo inusitado, porém, divertido. Kelly desatou a gargalhar da cara da mãe.
— Nossa! Sou toda enrolada. Entra por favor, Rodrigo. Termino de escovar os dentes em um minuto.
Claudia confessou que tinha sido despertada pela minha ligação de mais cedo e que havia dormido pesado assim que chegou no bangalô. Assim como ela pediu, eu entrei na estalagem, e só então reparei em seus trajes. Um baby-doll cor de rosa curtíssimo e deliciosamente transparente. Rindo feito uma adolescente, ela se encaminhou até o banheiro nos fundos da casa e a sua voz ecoava de lá:
— Você deve estar me achando uma doida, Rodrigo. Acabei dormindo demais. — Ouvi barulho de água e um gargarejo — Kelly! Termine de arrumar nossas malas lá em cima. Saímos em alguns minutos!
— Já vou! Já vou! — A menina ficou emburrada por querer ficar mais tempo e minha companhia e não poder. Subiu as escadas até o andar superior pisando duro no chão e pouco depois o som de coisas sendo batidas e zíperes abrindo e fechando começou a soar lá em cima.
A imagem da bunda rija, grande e perfeita de Claudia caminhando de volta ao banheiro não saía da minha cabeça. Ela já voltava pra sala enxugando o rosto com uma toalha e não demorou a continuar o nosso diálogo.
— Às vezes, é complicado ser uma mãe viúva. Ainda mais atabalhoada assim como eu! Eu preciso do meu assistente pessoal pra tudo, até pra organizar a minha própria vida!
Ela deu um risinho um tanto quanto encabulado. Estacou a menos de um metro e meio de onde eu estava, deixou a toalha de rosto de lado para me encarar melhor e ficou em silêncio. Não havia qualquer sinal de sutiã por baixo da blusinha de alças finas. Eu não estava sendo nada discreto enquanto conferia o seu belo corpo embaixo daquele pijaminha e ela reparou que eu secava seus peitos com os olhos.
— Me desculpa os trajes…
Fui rápido:
— Que isso. De forma alguma. Não estou incomodado.
Ela ficou ali parada de pé por alguns instantes a me olhar. Mordiscou de leve os lábios como numa tentativa de me seduzir, então desceu os olhos até o meio das minhas pernas. Eu estava usando uma bermuda mais larga. Ela fugiu totalmente do assunto quando comentou:
— A Nat é realmente uma menina de sorte por ter você!
Eu não estava esperando por aquilo, mas de repente, Claudia ergueu uma das pernas apoiando o pé sobre o sofá e percebi logo pelo vão do baby-doll que não havia também nenhum sinal de calcinha por baixo da peça. Uma vagina rosada coberta por pelos loiros delicados se apresentou úmida para mim, e devo confessar que ela havia inovado no convite para o sexo. Nada seria mais explícito, nem se ela dissesse com todas as letras “vamos trepar gostosinho”.
Podíamos ouvir Kelly no quanto acima a arrumar as malas puxando zíperes e afofando roupas e o nosso ímpeto nos levou até o banheiro. O beijo de Cláudia era devastador como eu supunha cheio de mordidas e saliva. Seus seios eram incrivelmente firmes além de fartos, tinham mamilos grandes, rosados e intumescidos. Eu os apertei com força para experimentar a sua maciez e aquele toque foi inesquecível.
Não tínhamos muito tempo até que a menina na parte de cima resolvesse descer inadvertidamente ao andar térreo, por isso, agimos de maneira rápida. Coloquei o meu membro para fora sem abaixar muito a bermuda e procurei me encaixar nela com pressa. Ela se retesou toda ao sentir que eu a estava penetrando e a sua expressão inicial foi a de dor. Por incrível que aquilo pudesse parecer, ninguém invadia aquela zona erógena há muito tempo.
— Coloca devagar… isso, assim… deixa eu me acostumar primeiro… assim!
O desejo exalava pelos poros da publicitária que me agarrou de maneira intensa enquanto tentava disfarçar os gemidos intensos colando os lábios nos meus. Comi Cláudia em pé com as suas pernas entrelaçadas ao redor do meu quadril e usei a parede atrás dela como apoio para sustentar o seu corpo sinuoso.
Apertada no início e um pouco acanhada, assim que entramos no mesmo ritmo, a mulher se tornou um furacão. Claudia se tornou insaciável e me fez suar para dar conta de tudo que ela tinha a me oferecer. Gozamos juntos de forma tão intensa que senti como se o banheiro tivesse girado ao nosso redor enquanto eu esporrava dentro dela. Nem Natalie me fazia sentir nada sequer parecido. Fora uma das melhores trepadas de minha vida sem sombra de dúvidas e quando terminamos, ficamos ainda alguns segundos nos encarando tentando entender o que é que tinha acabado de acontecer dentro daquele lugar estreito.
— Foi… Foi incrível — disse ela com uma das mãos apoiada em minha nuca me despenteando os cabelos — eu… eu nem sei o que dizer… era como se eu estivesse sido tomada por algo… fiquei fora de controle…
Eu também não entedia ao certo que onda arrebatadora de tesão era aquela que tinha nos atingido de maneira tão intensa, mas quando começamos a nos vestir novamente, eu sentia que ainda não tinha acabado, nem com o meu gozo.
— Foi realmente algo de muito especial…
Assim que eu disse aquilo, nós dois ouvimos movimento nas escadas e Claudia se trancou no banheiro para evitar um flagra. Andei de volta até a sala e quando olhei, Kelly estava vestida com um short jeans desfiado nas barras, uma blusa caída nos dois ombros e um par de tênis nos pés. Parecia pronta para a viagem de volta.
A nossa pequena comitiva seguiu em carros separados até próximo ao aeroporto. Nat viajou ao meu lado no banco do carona sem desconfiar de nada que havia acontecido há pouco tempo no bangalô de Claudia e foi o caminho todo tagarelando a respeito dos vestidos das convidadas do casamento, da organização da cerimônia religiosa, da capela toda trabalhada em madeira de lei, da festa ocorrida após o casório e até o gosto do bolo que, segundo ela, estava um pouco rançoso.
A minha mente tinha divagado um pouco enquanto a minha namorava falava ao meu lado e eu só conseguia pensar em Claudia e em quanto aquela mulher — que até pouco tempo eu nem conhecia — conseguia ser tão absurdamente linda e gostosa. Ninguém, até então, tinha conseguido me tirar o juízo daquela maneira tão intensa e era total mérito do seu charme que eu tivesse caído em tentação tão rápida e facilmente com ela.
Bastava eu fechar levemente os meus olhos para que aqueles olhos verdes e aquele sorriso estonteante aparecesse em minha mente e eu quase conseguia sentir o cheiro da sua pele exalando bem perto de mim.
Eu tinha ficado encantado.
A viagem de volta no avião foi tranquila e sem maiores contratempos. Nat tinha preferido cochilar nas horas até São Paulo, mas eu não consegui pregar os olhos. Henrique e Valéria ocupavam assentos na fileira ao lado e assim como Nat, ambos também dormiram o caminho de volta inteiro.
Eu só conseguia pensar em onde dentro daquela classe executiva estavam sentadas mãe e filha naquele momento e no que Claudia estaria pensando depois da loucura que tínhamos feito juntos no interior daquele banheiro em Minas Gerais.
“Teria ela sentido o mesmo que eu? Estaria ela agora pensando em mim e no quanto aquele nosso primeiro contato foi tão intenso e inesperado? Ou pra ela não significou tanto assim? ”.
A minha mente estava em polvorosa e nada que eu tentasse pensar me fazia esquecer de Claudia.
Na hora da despedida da saída do Aeroporto Internacional de Guarulhos, tanto Kelly quanto Claudia vieram nos abraçar pouco antes de embarcar no táxi e Natalie ficou sem entender de onde vinha tanto carinho repentino. Ela também não entendeu nada quando Claudia me convidou para visitar o apartamento dela em São Paulo pouco antes de entrar no carro e ouviu com desconfiança a desculpa da prima de que a ideia da visita tinha partido de Kelly.
— Você também é muito bem-vinda em meu apartamento no Itaim Bibi, Nat — disse a moça em direção à prima —, nós podemos marcar um jantarzinho dia desses, quem sabe?
Nat sorriu e comentou que podíamos marcar sim.
— Vamos tentar agendar algo antes que o Henrique e a Valéria se mudem definitivamente para o Rio de Janeiro. Até lá, nós podemos marcar algo.
Henrique e Valéria concordavam e pouco depois, as despedidas se intensificaram. As nossas bagagens já ocupavam o porta-malas dos táxis que nos conduziria para nossas respectivas casas e antes de entrar no carro, Kelly me deu mais um abraço apertado, carinhosa.
— Vê se para de me esquecer e vai me visitar, seu chato!
Dei-lhe um beijo no topo da cabeça e a tranquilizei:
— Vou tentar trabalhar menos para poder te visitar mais vezes, gatinha. Pode deixar.
Algum tempo depois, o motorista do veículo começou a tocar em direção ao meu apartamento da Vila Mariana. Nat aninhou a cabeça em meu ombro optando pelo silêncio até que chegássemos em casa e eu fui observando a paisagem caótica de São Paulo pelo meu lado da janela. Ainda tinha aquele dia de folga para aproveitar ao lado da minha namorada e já estava começando a pensar no prato que encomendaria mais tarde para o jantar. Sempre que me visitava, Nat curtia comidas tailandesas, chinesas ou qualquer outra coisa que viesse da Ásia e eu estava a fim de lhe agradar. A minha transa com a prima mais velha da moça tinha sido extremamente prazerosa, mas não podia deixar de sentir uma pontada de culpa pelo que estava fazendo com Nat.
“E se a Kelly descobrir e contar tudo para a prima? E se a própria Claudia resolver abrir o jogo e explanar a nossa relação proibida para a Nat? O que eu faço? O que eu faço? ”.
Apesar das minhas neuroses ao pisar em território paulista, o resultado daquele fim de semana havia sido positivo e eu teria lembranças boas de Minas Gerais graças a sedenta mãezinha de Kelly. Nós dois morávamos na mesma cidade, trabalhávamos relativamente perto um do outro, tínhamos pessoas próximas que nos ligavam e as chances de um reencontro eram muito grandes. Eu não sabia o que o futuro me reservava, mas por alguma razão, tinha certeza que o meu caminho e o de Claudia voltariam a se cruzar em algum momento. Eu esperava que sim.
