Biblioteca
Português
Capítulos
Configurações

Capítulo 3

— É verdade. Vocês devem-me isso. Aqueles cupcakes foram a única razão pela qual os vossos pais não se assustaram quando vocês disseram que iam deixar de tentar arranjar namoradas, se quisessem ter um par. Lembram-se?

— Sim, sim. Eu disse-lhes que, se quisessem arranjar-me um par, podiam concentrar-se em alguns dos rapazes bonitos do escritório do meu pai.

Ele sorriu para a empregada de mesa e tirou o seu próprio cocktail das mãos dela. — Estes bolinhos interromperam o que era claramente um momento constrangedor e transformaram-no numa conversa mais descontraída.

A felicidade encheu o peito de Valéria. Adorava que algo tão pequeno que ela tivesse feito tivesse ajudado o Matías Arriaga a assumir-se.

Ele tinha feito a sua família, muito religiosa, saber que era um homem feliz e gay e que não iria mudar. — Não precisa de fazer isso, D. — A tensão tomou conta dos músculos de Valéria. A primeira vez que veria Gael em quase quinze anos não seria agradável. Aperteou a ponte do nariz e fechou os olhos. A última coisa que ela queria era parecer uma perdedora sem namorado. E nem falar do que a sua mãe e o seu padrasto diriam quando descobrissem que ela continuava solteira; provavelmente, iriam apresentá-la a um rapaz a cada dois minutos durante todo o fim de semana. — Acho que preciso de outra bebida.

Matías Arriaga riu. A sua pele morena e dourada, muito semelhante à dela, brilhava. — Valeria Sarmiento! — Apoio-te, amiga. Fingirei ser o teu namorado, o teu noivo... o que precisares. Diabos, serei o teu marido ou o pai do teu bebé, se quiseres.

Abril Montenegro engasgou-se de tanto rir. — Pai de um bebé? Os meus pais notariam se eu estivesse grávida. Eles notariam. Acho que te devias contentar em ser o meu melhor amigo noivo. Aposto que vai resultar melhor.

Matías Arriaga beijou a cabeça de Valéria. — Já te amo muito, por isso, não vai ser muito difícil.

Um sorriso formou-se nos lábios de Valéria. Ergueu os olhos para os olhos cor de chocolate escuro dele. — Amas-me como a uma irmã, não como uma rapariga com quem queres ter filhos.

— Ei, estudei artes dramáticas na faculdade. Posso canalizar a minha heterossexualidade interior.

— Vai ser muito interessante. Abril Montenegro riu, ainda a balançar-se na cadeira. Gael olhou para a sua cerveja, pensativo. — Acha que ela virá?

Nicolás Sarmiento, o seu melhor amigo e braço direito, terminou a cerveja. — Com a Vale, nunca se sabe. Um dia diz que sim e no outro, que não. Provavelmente, ela está à procura de uma desculpa para não vir.

Gael sorriu.

— Ela não pode. É o casamento dela. Ela tem de vir. Ele contava com a presença dela. Era o seu maior desejo desde que se mudou. Que ela regressasse apenas uma vez para a poder tornar sua. No entanto, Valéria não era uma mulher tímida. Tinha mais coragem do que a maioria dos homens que ele conhecia e não gostava de estar perto de Gael nem ficar a sós com ele. Gael ainda não tinha compreendido por que razão ela era fria com ele. Tinham tido apenas um encontro, que, embora ele tivesse de admitir, tinha sido o pior de todos, mas ele sabia que ela era feita para ele: "Pareces a minha mãe." Comprou o vinho favorito de Valéria: dez garrafas. Não sei o que ela espera dela com todo aquele vinho, quero dizer, ela só vai ficar aqui alguns dias, não, não alguns dias, se o Gael tiver sucesso. Valéria ficaria, porque pertencia-lhe. Essa era a realidade. Como alfa da matilha Brumaria, Gael tinha recebido todas as fêmeas, mas rejeitara todas, porque Valéria era a única que queria. Valéria era a única que ele queria. A única.

Sem saber, ele estava a um passo de cruzar uma linha sem volta.
Baixe o aplicativo agora para receber a recompensa
Digitalize o código QR para baixar o aplicativo Hinovel.