Capítulo 2
Uma das raparigas tinha dito a Valéria que ele nunca a veria como uma companheira. O sensual Gael precisava da capacidade de se transformar para liderar a matilha. Bonito. De que adiantava voltar a vê-lo depois disso?
— Boa observação. Então, tragam alguém. Pelo amor de Deus, contratem um homem e levem-no a um encontro.
Sabem que vivem entre humanos e não têm muito a ver com o mundo dos metamorfos.
O telefone da Valéria tocou quando o seu bom amigo, o Matías Arriaga, se juntou a eles. Apareceu uma mensagem de texto da sua mãe no ecrã.
"Espero que venhas ao casamento do teu irmão este fim de semana. Sabes que sentimos a tua falta e que estamos ansiosos por te ver.
— Droga! Ela disse à mãe que estava doente. Não era culpa da mãe o facto de ela ser humana. A mãe também o tinha sido, até se casar com Esteban Llerena, o seu padrasto, e se transformar.
Ser a única da família incapaz de se transformar era horrível. Mas já se tinha habituado. A sua mãe casou-se com Esteban Llerena quando ela era pequena, pelo que cresceu cercada por metamorfos. Ela fascinava-se com eles, mas eles não se fascinavam com ela. De facto, as mulheres não gostavam muito dela quando era pequena. — Olá, meninas. Matías Arriaga beijou as duas nas bochechas.
Era a sua forma favorita de cumprimentar os amigos.
— Oh! — Os olhos de Abril Montenegro arregalaram-se tanto que Valéria pensou que fossem sair das órbitas.
— O quê? — perguntaram Matías Arriaga e Valéria em uníssono.
— Leve-me, Matías Arriaga! Ela contorceu-se no assento e os seus longos cachos escuros balançaram com ela.
— Levar-te para onde? — A cabeça morena de Matías Arriaga movia-se de um lado para o outro, como se estivesse a acompanhar uma partida de pingue-pongue.
— O quê? — exclamou Valéria, muito mais alto do que o necessário. As coisas começaram a ficar confusas. Ela só tinha bebido algumas... ou seis bebidas, mas não o suficiente para perder o fio à meada tão rapidamente.
— É o plano perfeito. — Abril Montenegro inclinou-se sobre a mesa, olhando sucessivamente para Matías Arriaga e para Valeria.
— Que plano? — Levá-la para onde? O pobre Matías Arriaga parecia tão perdido. Quase tão perdido quanto Valéria se sentia com o plano disparatado de Abril Montenegro.
— Ela precisa de um acompanhante para o casamento do irmão. Então, deveria ser você a levá-la.
— Porque não leva alguém de verdade?
Valéria revirou os olhos. — Porque não tenho ninguém. Há meses que não tenho um encontro a sério. Esqueceu-se que trabalho muitas horas?
Com o rosto franzido num gesto de simpatia, ele assentiu com a cabeça. — Trabalhas muitas horas, mas és padeira, portanto, é compreensível.
— Obrigada. Agora compreende por que razão não tenho namorado?
— É por isso que deverias aceitar. Abril Montenegro interveio novamente.
— Qual é o problema? Não vais ao casamento, Abril Montenegro? — Pelo que sei, você também não tem namorado.
Abril Montenegro deu um passo para trás e cruzou os braços. — Não tenho namorado, mas os meus pais pensam que tenho. Ele está a viajar para o estrangeiro e não poderá comparecer ao casamento.
— O momento perfeito — murmurou Valéria.
Era o seu sarcasmo novamente. Ela precisava de um estalo. Talvez pudesse usar isso como desculpa para escapar ao temido casamento.
— Sério, meninas, vocês precisam de um par — disse Abril Montenegro, olhando para as duas. Ela apontou o seu cocktail para Valéria. — E tu deves-lhe isso desde que ela te ofereceu aqueles cupcakes de última hora.
— É um bom momento para falar sobre isso — protestou Matías Arriaga.
E, bem naquele momento, alguém disse o seu nome.