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Voltei para o rebanho e apareci marcada

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Marialysaman
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Resumo

Valeria jurou nunca mais regressar à matilha de Brumaria. Lá, sempre a consideraram "aquela que não se encaixa", aquela que não merecia um lugar entre os metamorfos. No entanto, um casamento na família obriga-a a regressar e, para evitar humilhações, Valeria chega acompanhada por um "noivo" que não é real. O que ela não esperava era acordar com uma marca na pele e com o olhar do alfa Gael Ferrer sobre si, como se ele a tivesse esperado a vida toda. Para a matilha, uma marca significa destino. Para Valéria, significa guerra. Porque, se ele acha que pode reivindicá-la, terá de prová-lo... e ela terá de decidir se foge novamente ou se fica para lutar por si mesma.

romanceamorAmor trágico / Romance angustianteVidas passadas e presenteslobisomemalfa

Capítulo 1

— Não gosto da minha família, nem dos meus casamentos... E agora também não gosto de homens. Um gemido escapou-lhe da garganta. Valéria quase se engasgou com o copo ao tentar acalmar a fúria que sentia.

— Valeria Sarmiento! Acalme-se. Pela sua reação, dir-se-ia que está a acontecer algo horrível.

Querida, não é o fim do mundo. É apenas um casamento.

Geralmente, era fácil prestar atenção à voz tranquilizadora de Abril Montenegro. Mas desta vez não foi assim. Tudo o que ela queria era dar uma surra ao irmão no casamento, algo que a sua mãe provavelmente não permitiria: o casamento do seu melhor amigo, Gael Ferrer.

O alfa da matilha de Brumaria, que por acaso era a mesma a que a sua família pertencia. Mas tinha de ser também um safado sexy? Sim, que injustiça! Para piorar as coisas, ele também era o homem por quem se tinha apaixonado desde o ensino básico.

Mas isso mudou. Ela estava apaixonada por ele desde o seu único encontro, há quinze anos. Aquele maldito casamento causava-lhe pesadelos, e ela nem sequer estava presente na cerimónia. — Tenho a certeza de que a tua família não ficará furiosa se não levares ninguém. — Abril Montenegro deu-lhe um tapinha na mão com um sorriso.

Tinha aquele olhar de "estou tão feliz por não fazer parte da tua família". E por que não estaria?

Ela não precisava de se preocupar com isso, pois Valéria já o tinha feito.

— Incomoda-me ter de participar nessas tradições arcaicas.

Abril Montenegro deu um gole no seu cocktail e olhou para Valéria com os seus olhos castanhos brilhantes. — Levar alguém a um casamento não é arcaico. — Às vezes, perguntava-se se Abril Montenegro se tinha esquecido de que era humana. — Se eu não levar ninguém, vão começar a enviar-me homens solteiros mal-humorados. Talvez até o próprio Gael. A minha mãe gosta demasiado do Gael para mim.

— A minha família nunca me apresentou homens solteiros. — Abril Montenegro sorriu.

— Isso é porque mentiste aos teus pais ao telefone sobre os teus encontros e eles não sabem, por isso, acreditam em ti. Os teus pais vão perceber um dia e, quando perceberem...

O rosto de Abril Montenegro empalideceu. — Eu não sou metamorfa. Sou uma híbrida entre humana e metamorfa e não me consigo transformar.

Valéria tomou outro gole do seu martini. — Não interessa. Os teus pais vão enviar um grupo de homens solteiros, altos e sensuais, do tipo "sou um lobo, ouça o meu uivo", quando perceberem que os enganaste.

— Eles não farão isso. — Ela tentou parecer segura, mas Valéria notou o tremor na sua voz.

— Droga! O que estava a acontecer-lhe? Depois, vão começar a chutar os filhotes e tudo o resto. Pobre Abril Montenegro. Ela queria um companheiro tanto quanto Valéria queria ver Gael.

— Continuo a achar ótimo que a tua mãe se tenha casado com um metamorfo como a minha mãe. O teu padrasto é o braço direito do novo e sensual alfa que todos conhecemos. Um bad boy com um corpo de dar inveja, também conhecido por Gael Ferrer.

Valéria bebeu o cosmopolita que a empregada de mesa lhe servira um segundo atrás e levantou a mão para pedir outro. A situação tinha-se tornado real. Abril Montenegro não vivia com a matilha, mas visitava-a com muito mais frequência do que a Vale. Abril Montenegro adorava contar-lhe detalhes sobre o que a família fazia, visto Valeria demorar uma eternidade a regressar.

Gael. O alfa. Ela tinha de deixar de pensar nele, ou acabaria bêbada, deitada ao lado da sanita e a chorar no tapete da casa de banho. Ela tinha marcado de encontrar o homem que tinha ido para o sul assim que o boato se espalhou na escola. Ainda nem se tinham encontrado e já a avisaram sobre Gael.

No entanto, sentia que aquilo estava apenas a começar.