Capítulo 4
“Tudo bem”, disse ela, lutando contra as lágrimas. “Mas tem que haver um prazo. Afinal, vivemos juntos como marido e mulher por dois anos, e eu não usei nenhum método contraceptivo durante esse tempo. Eu já disse isso. Eu avisei, e se ele não ouviu, a culpa não foi dele.” “Quando você vai me dar o dinheiro?”
Seu cinismo estava estampado em seu rosto. "Você se tornou um negociador mercenário de repente? Não me lembro de você estar tão focado em dinheiro quando estávamos juntos da primeira vez."
Dessa vez, ela conseguiu disfarçar a careta, mas continuou. "Desculpe se estou sendo assim, mas preciso do dinheiro com urgência." Ela respirou fundo e prosseguiu: "Vamos voltar ao prazo, que tal um mês?"
"Um mês para engravidar?" Ele riu sarcasticamente e se aproximou dela. "Não acho isso muito justo. Você acabou de apontar que aparentemente estamos tentando há dois anos sem sucesso", ele se inclinou um pouco para frente e piscou, acrescentando: "embora eu não tenha me dedicado tanto quanto me dedicarei no futuro."
Os lábios de Elena se contraíram em frustração e medo enquanto as lembranças de sua vida sexual a invadiam. Se ela fosse completamente honesta consigo mesma, elas nunca haviam realmente desaparecido. Pelo menos uma vez por semana, ela acordava ofegante, presa em um sonho onde Nicolás fazia amor com ela novamente. Pelo menos agora era apenas uma vez por semana. Antes, era todas as noites, e ela acordava chorando, desesperada para sentir seus braços ao redor dela. "Vamos a uma clínica de fertilidade, e eles farão o que puderem para acelerar as coisas."
Nicolás riu, e desta vez foi com genuíno bom humor. "Oh, não, querida. Faremos as coisas à moda antiga. Eu costumava gostar muito disso." Ele olhou para os seios dela, os mamilos já eretos e prontos para serem tocados. "E vejo que você também está ansiosa por isso."
Seus braços se ergueram instantaneamente para cobrir os seios, envergonhada por ter reagido tão rapidamente à ideia de fazer amor com Nicolás novamente. "Não! Eu não quero. Eu não quero dormir com você." Ela não conseguia. Abandoná-lo da primeira vez tinha sido horrível. Fazer isso duas vezes poderia matá-la, pensou. Ela ainda amava aquele homem com todo o seu coração e alma, mesmo que ele tivesse todo o direito de estar zangado com ela. E quando tudo isso acabasse, ele ficaria ainda mais zangado. Ele perceberia que ela havia mentido para ele de propósito e ainda assim ficaria com o dinheiro dele. Se houvesse outra opção, ela a teria escolhido, mas por enquanto, ele era sua única esperança.
—Mas você quer dinheiro.
“Preciso de dinheiro, sim”, esclareceu ela, enfatizando o “preciso” em vez do “quero”. “Mas tenho um emprego e uma vida em Sevilha. Se eu não conseguir engravidar”, disse ela, respirando fundo, “terei que parar de trabalhar para você.”
Ela percebeu que o maxilar dele estava tenso e entendeu que ele estava furioso. "Um ano."
"Dois meses", ela respondeu imediatamente.
-Nove.
-Seis.
"Fechado", disse ele e se afastou. "Primeiro você terá que fazer um teste de gravidez. Não vou deixar você fazer passar o filho de outro homem como se fosse meu."
Elena virou o rosto como se ele a tivesse esbofeteado, mas se recompôs rapidamente. "Concordo. Mas assim que eu provar que não estou grávida, você transfere o dinheiro?"
-OK.
Chocada, Elena mal podia acreditar que acabara de fechar um negócio desses. Teria ela perdido completamente o juízo? No entanto, não havia mais volta. Ela precisava sair dessa.
"Certo. Vou pedir à minha ginecologista que lhe envie uma confirmação. Devo conseguir uma consulta esta semana." Ela começou a caminhar em direção à porta do consultório, desesperada por ar fresco. Não sabia como voltaria para Sevilha, mas se fosse preciso, pegaria carona. Ela teria dinheiro! Seu coração se encheu de alegria ao pensar na cirurgia de Gabriel. Era arriscado, mas também oferecia a esperança de que ele pudesse andar novamente. Era tudo o que importava agora. Sua vida mudara para sempre no momento em que viu aquele pedaço de papel no consultório da ginecologista, quatro anos atrás. Aquilo destruíra toda a sua felicidade. Agora era a vez de Gabriel viver. Ela acelerou o passo, precisando se distanciar daquele homem de seu corpo, que só o desejava.
“Não vou trabalhar, Elena”, disse ele, e as palavras a fizeram parar abruptamente. Ele esperou que ela se virasse para olhá-lo antes de dizer: “Não vou permitir que você volte para aquele homem”. Contornou a mesa e pegou o telefone. “Claudia, por favor, ligue para Samuel Rivas e diga que estou levando minha esposa para vê-lo. Chegaremos em quinze minutos.” A garganta de Elena se fechou. “Você quer que eu consulte um médico agora?”, perguntou ela, apavorada com o que o médico poderia descobrir.
Nicolás ergueu uma sobrancelha. "Sim. Imediatamente. Algum problema?" Ela podia ver a raiva crescendo nele, sentia-o se preparando para más notícias, e desejava ir até ele e abraçá-lo, contar-lhe a verdade. Mas isso não daria certo. Ela não teria dinheiro, não havia solução para o problema dele, e ele precisava de uma mulher que pudesse lhe dar filhos, e essa mulher não seria ela. Elena sabia que era praticamente impossível.
Elena mordeu o lábio inferior e balançou a cabeça. Sentia o coração acelerado e o sangue pulsando na cabeça. Certamente o médico não conseguiria saber apenas com um teste de gravidez, conseguiria? Ela saiu do consultório antes de Nicolás, apertando a bolsa com tanta força que suas mãos ficaram brancas. O curto trajeto de limusine foi doloroso porque ela se sentou ao lado de Nicolás, sentindo o calor dele contra o corpo nos luxuosos bancos de couro, sabendo o quanto ele era apaixonado, quantas outras viagens no banco de trás da limusine já haviam acontecido. Ela estava perdida. Era doloroso, mas ela afastou as lembranças, sabendo que precisaria se concentrar na próxima meia hora.
O médico que os recebeu foi gentil e simpático, e os levou imediatamente para uma sala de exames, onde ouviu atentamente Nicholas explicar o que desejava.
"Claro. Se você só quer um exame de sangue, não tem problema", disse ele. "Não. Eu quero certeza absoluta de que não há um bebê agora", disse Nicholas.
O médico sorriu gentilmente. "Os exames de sangue agora são tão precisos que conseguem detectar uma gravidez poucos dias após a concepção. É a maneira mais confiável de determinar se há uma gravidez."
"Tudo bem. Vamos acabar logo com isso", disse Nicholas, ainda olhando para Elena.
Elena mal se mexeu quando a enfermeira coletou seu sangue, embora tenha precisado respirar fundo para não desmaiar. Ela tinha nojo de sangue e não conseguia olhar para o braço, pois sabia que desmaiaria se o fizesse. Colocaram um curativo e, enquanto ela e Nicolás esperavam no consultório particular do médico, a enfermeira fez o exame. Dez minutos depois, o médico voltou e balançou a cabeça. "Sem gravidez no momento." Sentou-se atrás da mesa e entrelaçou os dedos. "Imagino que vocês dois vão tentar engravidar, não é?" Esperou que Nicolás assentisse antes de continuar. "Vocês sabem qual é a melhor época para engravidar?" perguntou, olhando diretamente para Elena.
Porque um único teste não foi suficiente para acalmar o medo que Elena vinha escondendo há anos.