Capítulo 3
Mas, além do charme e do poder que sua riqueza incompreensível lhe conferia, Nicolás emanava uma aura de perigo; uma presença opressiva o envolvia. As pessoas literalmente se afastavam quando ele caminhava pela rua, e isso pouco tinha a ver com a equipe de segurança que o acompanhava aonde quer que fosse. Havia simplesmente algo em Nicolás, um ar de absoluta confiança e poder que as pessoas geralmente reconheciam. Ela sabia bem disso. Tinha sido vítima de sua personalidade devastadora desde o primeiro instante em que o conheceu.
Piscando, Elena sentou-se na cadeira, embora ele não a tivesse oferecido. "Você me obrigou a segui-lo?", perguntou ela, horrorizada com o que ele poderia ter visto ou com o que poderiam ter lhe contado.
Sua raiva estava sob controle, mas a frustração com a ingenuidade dela cresceu até que ele revirou os olhos para o céu. "Você é minha esposa! É claro que eles estavam te seguindo. Eles estão te seguindo desde que eu te pedi em casamento. Você simplesmente não sabia."
Elena sabia que a riqueza de Nicolás significava que ele e toda a sua família corriam o risco de serem sequestrados. Mas ela não sabia que ele havia contratado um segurança para vigiá-la. Era invasivo, como se ele a estivesse espionando. Ela estremeceu e baixou o olhar para o tapete para que ele não visse a raiva em seus olhos. "Bem, tudo isso é passado. Não há motivo para você continuar me seguindo. Chame seus cachorros e me deixe em paz", implorou Nicolás. "Você não tem muito poder de persuasão, Elena. Se você quer alguma coisa de mim, não é uma boa ideia dar ordens. Aliás, eu nunca as recebi muito bem, não é?"
O rosto de Elena corou, sabendo que ele se referia à vida sexual deles. Muitas noites, Nicolás a tomava em seus braços e fazia amor com ela até que ela implorasse para que ele a soltasse, exigindo. Mas ele apenas intensificava seu desejo a cada vez que ela pedia, esperando até que ela se contorcesse sob ele antes de lhe dar o que ela precisava.
"Isso foi há muito tempo", disse ela. "Não tem nada a ver com esta conversa."
Seu rosto estava duro e implacável quando disse: "Não vou assinar os papéis, Elena. E proíbo você de ir a outro banco."
Ao ver o olhar de desapego nos olhos dele, o rosto de Elena quase se desfez em lágrimas. Somente com um esforço supremo ela conseguiu contê-las. Deixou-as cair quando estava sozinha, não diante daquele homem que a olhava como se ela fosse um inseto em seu tapete, indigna até mesmo de ser esmagada por seus próprios esforços.
Ela a havia derrotado. Era seu último recurso. Não tinha motivos para temer que ela fosse a outro banco. Não havia mais nenhum que sequer considerasse seu empréstimo. Ela visitara os grandes e a maioria dos de médio porte. Quanto menores, mais rigorosos eram com relação aos empréstimos. Seria inútil tentar qualquer outro. Nicholas fora seu último recurso, e agora até isso havia desaparecido. Ela falhara, e essa falha doía mais do que ela poderia imaginar. Gabriel não se recuperaria, e tudo era culpa dela.
Ela se levantou e respirou fundo. Não conseguia encará-lo, mas ao menos tentou, por cortesia. "Muito obrigada por me atender. Desculpe se o incomodei." Virou-se para sair, rezando para conseguir chegar à porta e recuperar um pouco de privacidade antes de desabar em lágrimas. A última coisa que queria era que aquele homem enérgico e poderoso a visse em desespero. Depois de tudo o que havia suportado desde que ele a deixara, essa seria a maior humilhação.
Ela estava quase na porta quando as palavras dele a detiveram. "Mas eu tenho uma alternativa", disse ele em voz baixa. "Sente-se", ordenou.
Elena queria sair, encontrar um lugar escuro e reservado para cuidar dos ferimentos e se curar. Mas não podia. Estaria ele lhe oferecendo uma concessão? Se possível, ela teria que engolir o orgulho e aceitar. Era tudo por Gabriel, lembrou a si mesma. Ele lhe dera tanto que ela precisava encontrar uma maneira de retribuir. Retornou cuidadosamente ao assento que acabara de deixar e esperou nervosamente que ele continuasse.
Elena observou-o contornar a mesa, dirigindo-se a um balcão no canto. Ele serviu-se de uma xícara de chá quente e fumegante. Ao entregar-lhe a bebida, disse: "Vou lhe dar o dinheiro."
Elena quase deixou a caneca cair. Se Nicolás não tivesse mantido o líquido quente em equilíbrio, ela teria derramado tudo nas pernas. "Com licença?" Nicolás se encostou na mesa, cruzou as pernas pelos tornozelos e parecia mais sexy do que qualquer homem deveria se permitir ser. "Você me ouviu."
Elena olhou para ele esperançosa. "Por que você faria isso?"
"Porque eu quero algo de você, é claro." Vendo sua expressão surpresa, ele riu asperamente. "Sim, Elena, o mundo é um lugar cruel e impiedoso, e você não consegue nada de graça. Ninguém nunca consegue", disse ele com severidade.
Elena engoliu em seco e ouviu a xícara de chá começar a tremer enquanto suas mãos tremiam novamente. "Você quer o divórcio", disse ela, mal conseguindo pronunciar as palavras. Ela odiava a ideia, mas sabia que era o melhor a fazer. "Pelo contrário. Isso exigiria que nosso casamento permanecesse intacto. Pelo menos por mais algum tempo."
Elena relaxou um pouco, mas a confusão era evidente em seu rosto. "Receio não entender."
—Eu quero ter filhos.
Elena paralisou, com a xícara de chá a meio caminho dos lábios. Lentamente, abaixou-a e colocou-a sobre a mesa à sua frente. "Com licença?", perguntou, incapaz de olhá-lo, pois uma dor aguda lhe dilacerava o coração. As palavras dele eram como uma faca cortando sua pele, deixando-a em carne viva e dolorida.
"Você me ouviu corretamente. Eu quero filhos e já esperei tempo suficiente para tê-los. Você quer dinheiro, uma quantia extremamente grande", enfatizou ele, olhando para os documentos ainda sobre a mesa, "para que tenhamos algo em troca."
"Não consigo", murmurou ela, com a garganta apertada pelas palavras. Ela odiava dizê-las, odiava como se sentia. Era quase como se dizê-las em voz alta tornasse seu dilema real e menos feminino.
Ela nem conseguia olhar para ele, com medo do que ele pudesse ver nela.
Houve um longo momento de silêncio antes de Nicholas dizer, asperamente: "Então você nunca terá esse dinheiro".
Elena abriu a boca e sentiu o coração apertar. "Por quê?"
Nicholas já estava se afastando. "Por que eu deveria? Se você não me dá nada, não recebe nada. É assim que o mundo funciona."
Ela olhou para os ombros largos dele e soube que ele não ia recuar. Não tinha nada a perder. Uma parte dela se rebelou com as próximas palavras dele, mas não havia outra escolha. "Tudo bem."
Nicholas olhou para ela. "Você aceita?" Seus olhos não demonstravam nenhuma emoção, mas ele permaneceu imóvel enquanto a encarava.
Elena ignorou a culpa que sentia e continuou. Certamente eles a perdoariam nessas circunstâncias, não é? Era tudo por Gabriel. Ela lhe devia um favor. "Sim. Mas preciso do dinheiro imediatamente."
Nicholas caminhou lentamente de volta para a cadeira e parou bem em frente a ela. "Quero que você aja como minha esposa o tempo todo. Você vai morar comigo e viajar comigo. Não será como da última vez, quando você ficou em casa. Se você quiser me dar um filho, terá que projetar a imagem de uma esposa feliz para que não haja dúvidas sobre a legitimidade da criança. E não quero que meus pais ou minha família descubram sobre esse acordo."
A pior parte não era o acordo... mas tudo o que estava prestes a despertar entre eles.