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Você me Pertence {5}

Eu vou morrer!

Essas três palavras se repetem diversas vezes na minha cabeça, e quando eu fecho os meus olhos, é como se eu já tivesse certeza de que realmente iria acontecer. Eu já esperava por essa sentença, e estaria tudo bem para mim, se eu não sentisse que queria aproveitar um pouco mais da minha vida. Eu gostaria de viver mais, e talvez a ideia de assinar um contrato já não parecesse tão absurda para mim. Acho que gostaria de experimentar algo mais obsceno antes de morrer, gostaria também de realizar os meus sonhos. Talvez até mesmo ter um romance de verdade. Mas isso não iria me acontecer pois esse poderia ser o segundo antes da minha morte, e ao invés de ter aproveitado lá em cima com Benjamin, eu joguei tudo para o ar. Eu preferiria estar lá com ele, fazendo amor ao invés de morrer.

O som do freio brusco do carro fez com que eu abrisse os meus olhos, desnorteada e sentindo o ar voltar aos meus pulmões. Eu estava com o corpo trêmulo, mas ainda assim, quando a forte luz vinda dos faróis do carro, cegou a minha visão, eu pus um braço por cima do meu rosto, sentindo que a qualquer momento as minhas pernas desabariam.

— Mel?

Dois braços acolhedores seguram os meus braços, me impedindo de cair. Tiro o braço do meu rosto, tentando me acostumar com a claridade que logo se cessa, então vejo dois olhos extremamente familiares me olhando de forma preocupada.

— Você está bem?

Como sempre, o seu olhar tão examinador me analisa por inteira, procurando por um machucado, e mesmo sabendo que estou segura, não posso evitar de me sentir congelada no lugar, assustada pelo o que me acabou de acontecer.

— Jerry? — Suspiro aliviada, fazendo o mesmo me encarar. — Deus, Jerry…

O encaro como se ele fosse um anjo que apareceu no momento certo. Eu não sei como poderia me sentir mais aliviada do que com a sua presença, por isso sinto a borda dos meus olhos se encherem de lágrimas, talvez por saber que não irei mais morrer e que terei tempo de aproveitar tudo o que iria deixar para trás. Acho que uma sacudida é tudo o que nós precisamos para podermos refletir sobre como não devemos deixar passar aquilo que realmente queremos. Eu poderia ter perdido tudo…

— Eu liguei para ver se estava tudo correndo bem na festa, minutos depois o seu amigo me ligou e avisou que você saiu acompanhada de alguém. Quando eu te liguei novamente e você não me atendeu, eu comecei a ficar preocupado. Pensando que algo grave poderia ter acontecido, então eu rastreei o seu celular. Você está bem? Estava chorando?

Ele levanta a minha cabeça pelo queixo, me encarando preocupado. Tudo o que eu posso fazer no momento é abraçar o meu próprio corpo, já que o mesmo se encontra trêmulo.

— Eu estou bem, só… discuti com uma pessoa. Só quero ir para casa. — A minha voz vacila na última frase, e talvez seja porque isso não é uma completa verdade.

Eu realmente quero estar no conforto da minha casa, mas eu já me sinto carregada demais, e talvez se eu o visse mais uma vez… mas agora não é o momento certo. Acabamos de brigar por conta das nossas diferenças…

O olhar de Jerry varre todo o local, principalmente o prédio, e pela expressão em seu rosto eu tenho certeza de que ele sabe de quem se trata. Até mesmo porque ele trabalha para Benjamin, e deve ter vindo aqui diversas vezes. Acho que ele entendeu exatamente o que eu vim fazer aqui, pois rapidamente a sua expressão se fechou.

— Está muito frio e já é tarde. Vamos para o carro que eu levarei você de volta para a sua casa.

Assinto e me deixo ser guiada por ele até o banco traseiro do carro, e ele abre a porta para que eu entre. Antes mesmo que eu pudesse entrar, o meu olhar se encontrou com as mesmas íris escuras que tanto me enlouquecem. Eu fiquei ali, paralisada o encarando parado na entrada do seu prédio, com um olhar preocupado em minha direção. Ao notar o meu estado, Jerry seguiu o meu olhar e uma expressão de entendimento surgiu em seu rosto.

Acho que não estava pensando direito quando a minha mente gritava que eu não queria ir embora tão rapidamente.

— Precisa de alguns minutos antes de irmos? — Jerry questiona ao meu lado, atraindo a minha atenção.

Quando eu olho novamente para Benjamin, e o vejo com a minha bolsa, eu invento uma desculpa na minha mente.

— Eu esqueci uma coisa com ele.

Jerry assente e então volta a fechar a porta do carro.

— Estarei te esperando.

São as suas últimas palavras antes de ele dar a volta e sentar no banco do motorista, fechando a porta em seguida. Porque é que eu estou sentindo um tom mais áspero em sua voz? Talvez seja só coisa da minha cabeça, mas é que ele é sempre tão profissional que quando ele demonstra algum tipo de emoção, é quase surpreendente e eu me pergunto se eu realmente consigo entender o que ele está querendo passar.

Volto a olhar para Benjamin, que por perceber a situação, começa a caminhar na minha direção. O seu olhar transmite um pouco de incerteza, e talvez sejam o reflexo do meu. Eu estou com as costas encostadas no carro quando ele finalmente para na minha frente. Ficamos nos encarando por longos segundos, em completo silêncio e talvez tentando ler o olhar um do outro. Eu não sei o que dizer ao certo sobre ele, somente em como o mesmo me parece inseguro, tanto quanto para se aproximar quanto à nossa conversa anterior. Talvez ele queira tentar alguma coisa, mas somente não consiga dar esse passo. Eu deveria o ajudar, certo? Mas como posso ajudá-lo a caminhar, se nem mesmo eu enxergo o caminho?

— Ruiva…

Sinto os seus braços me ao meu redor e eu solto um suspiro aliviada, me sentindo confortável em finalmente sentir o seu calor e carinho. Ele me aperta contra o seu corpo, depositando um beijo em minha têmpora, talvez tentando passar algum tipo de tranquilidade.

— Benjamin… — Sussurro encostando o meu nariz em sua camisa, bem em cima do seu peitoral, e eu sinto o seu cheiro me embriagar.

Após alguns segundos, eu sinto Benjamin depositar um beijo terno em minha testa, se afastando somente para me encarar.

— Vai para casa, está bem? Pensa com carinho em tudo, descansa e nos vemos quando estiver mais leve.

Um sorriso se desenha em meus lábios enquanto eu assinto, contente que ele não esteja tentando me sobrecarregar ainda mais com esse assunto do contrato. Ele abre a porta e volta a me encarar, pegando a minha bolsa e a pendurando em meu ombro.

— Nós nos falamos outro dia, está bem?

— Obrigada — Murmuro suavemente antes de entrar no carro, sentindo mais uma vez que um peso foi tirado do meu ombro.

Jerry da partida no carro e eu o vejo se afastando de mim, ficando parado no mesmo lugar com as mãos no bolso da sua calça e eu não consigo evitar de pensar em como somos tão diferentes um do outro, e ainda assim, a química que existe entre a gente chega a parecer ser palpável. Da mesma forma que ele diz como eu faço bem a ele, ele também me faz bem. Quando estamos juntos tudo é tão intenso, desde os gestos mais doces até os mais selvagens, e eu amo tudo isso. Eu me sinto no paraíso, mesmo que nem sempre os momentos acabem como esperamos.

Encosto a minha testa no vidro da janela, tentando mesmo que em vão, controlar as batidas do meu coração. Ele sempre causa isso em mim, e mesmo que eu tenha os meus vários princípios, às vezes sinto vontade de jogar tudo para o alto e aproveitar o momento. Mas tenho que me manter firme naquilo que acredito. Se ele quiser que eu lute por ele, também terá que lutar por mim. Não aceito nada menos do que reciprocidade de sua parte.

E com esses pensamentos, Jerry me leva até o meu prédio, e também à frente da porta do meu apartamento, já que o mesmo insistiu que eu parecia fraca e que estava lá para garantir a minha segurança.

— Tem certeza que ficará bem? — Ele pergunta no mesmo instante em que eu abro a porta, e então, eu me viro para ele.

— Não se preocupe, Jerry. Irei tomar um banho e vou dormir. Só estou cansada e precisando pensar um pouco.

Ele assente verificando as horas no seu relógio de pulso.

— Irei voltar para a minha casa, mas me ligue se precisar de algo. Estou à sua disposição.

São as suas últimas palavras antes de caminhar até o elevador. Como plano do seu trabalho, ele tem uma casinha aqui na frente do meu prédio, alugada em nome da empresa de Benjamin. Eu nunca entrei lá, mas por fora me parece um lugar pequeno e confortável, perfeito para quem mora sozinho e não passa muito tempo em casa. Eu, que tenha optado por algo mais luxuoso, não veria problema nenhum em alugar uma casa como aquela.

Entro no meu apartamento, fechando a porta em minhas costas. A tranquilidade me invade rapidamente e eu jogo a minha bolsa no sofá, indo direto para o banheiro do meu quarto. As minhas roupas já estavam no chão quando eu entrei no banheiro e fui direto para o chuveiro. Eu não faço ideia de quanto tempo eu fiquei debaixo da água, sentindo os meus músculos relaxarem, mas quando eu saí eu senti que não havia mais problemas me rodeando, somente o sono circula ao meu redor. Vesti uma camiseta e um short folgado, me jogando na cama logo em seguida. Antes dos meus olhos se fecharem em um sono tranquilo, a única pessoa que ocupava os meus pensamentos era Benjamin e alguma forma de resolver a diferença que existe entre nós.

Ao menos eu esperava que isso pudesse acontecer algum dia…

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