Você me Pertence {3}
Sinto o meu corpo suado e as batidas do meu coração aceleradas à medida que eu abro os meus olhos, me sentindo cansada e trêmula. Minha boca está seca e eu fecho os meus olhos, percebendo como tudo não passou de um sonho. As memórias ainda estão gravadas na minha mente, mas me parecem tão reais… Acho que estou ficando louca ao ponto de ter alucinações com Benjamin. Mas a verdade é que eu não gostaria que tivesse se tratado somente de um sonho. O seu beijo em meu sonho, foi tudo o que eu mais estava precisando, mas acho que de certa forma, isso me tranquilizou e me deixou mais segura, mesmo que não tenha sido real.
A realidade volta como um soco no estômago quando eu me sento na cama e meus olhos varrem todo o local, procurando por uma única coisa que me é familiar. Mas absolutamente nada me vem à mente. Lorena dorme no dormitório da faculdade, já Alan tem um pequeno apartamento e a casa dos seus pais, mas eu não poderia estar em nenhum desses lugares, nem mesmo no meu apartamento pois eu não teria condições de pagar por algo tão caro.
A enorme cama dossel em que eu estava sentada estava forrada com sedas tão macias que eu custava a acreditar, e a parede ao meu lado, completamente de vidro com uma vista incrível para as estrelas me revelavam que eu estava em um prédio, provavelmente no último andar a julgar pela altura.
As batidas do meu coração se intensificaram à medida que eu observava todo o lugar, de repente me sentindo nervosa. Assustada, eu me levantei em um pulo mas antes que eu pudesse raciocinar, o lençol deslizou pelo meu corpo até o chão, revelando a minha nudez. As memórias voltam como uma pancada, quase como se eu tivesse saído do agora e tivesse voltado no tempo.
"— Unhum!
Ouço alguém limpando a garganta e isso já é o suficiente para eu me afastar dos braços de Benjamin, assustada.
— Então… — Lorena começa, de repente parecendo sem graça.
Deus, eu poderia enterrar a minha cabeça debaixo da terra nesse momento para não ter que encará-los após eles terem me flagrado o beijando. O olhar de Alan alterna entre mim e Benjamin, parecendo estar surpreso e desconfiado enquanto Lorena parece espantada e envergonhada.
— Está tudo bem aqui? — Alan questiona, franzindo o cenho na minha direção.
Ele sabe de tudo o que houve entre mim e Benjamin, inclusive, há alguns dias foi ele que me aconselhou a esperar que o mês acabasse para que eu viesse tomar uma decisão definitiva, já que no momento eu estava bem relutante quanto seguir com as minhas palavras. Eu nem faço ideia do que pode estar passando por sua cabeça, mas definitivamente ele deve estar surpreso por encontrar Benjamin me beijando quando já alguns minutos atrás eu quase fui violentada junto com Lorena.
— Sim… — Minha voz falha e eu limpo a garganta, ainda me sentindo afetada pelo beijo. — Eu estou bem.
Alan assente parecendo estar mais aliviado e então o seu olhar se volta para Benjamin, que parece mais tranquilo que eu.
— Foi você; — Lorena sussurra abrindo os seus olhos, espantada. — Foi você que nos ajudou! Meu Deus!
Ela põe as mãos em sua boca, tentando conter a sua surpresa. Essa situação seria engraçada se eu não estivesse tão envergonhada. Benjamin me lança um sorriso convencido e eu reviro os meus olhos, desviando o meu olhar.
— O táxi está nos esperando. Podemos ir? — Alan sugere parecendo estar impaciente quanto a algo.
— Ah, claro…
— Não; — Benjamin segura o meu braço, me impedindo de ir até eles. — Ela vai comigo.
Ele me lança um olhar que não me deixa espaços para contestar. Alan parece estar em dúvida quanto a isso, mas eu desvio o meu olhar rapidamente. A verdade é que eu quero gritar e dizer que ele não pode simplesmente me dar ordens, mas eu acho que ainda estou abalada demais. É quase como se eu estivesse dentro de um transe, e se eu falar qualquer coisa a minha voz não vai sair tão confiante quanto espero que ela pareça. Droga, eu odeio que ele me afete dessa forma!
— Mel; — Lorena se aproxima e logo segura minhas mãos, me lançando mais uma vez, um olhar arrependido. — Me desculpe, de verdade. Prometo que da próxima vez que sairmos, eu não vou beber sequer uma dose. Vou tomar muito cuidado e também não vou me afastar de vocês.
Um sorriso se desenha em nossos lábios simultaneamente e ela trata de me abraçar.
— Não acho que seja preciso que você não beba nenhuma dose. Mas não exagere, pelo amor de Deus. Você já é difícil de controlar estando sóbria, bêbada se torna impossível.
Ela ri e então se afasta dos meus braços, me lançando um olhar carinhoso e mais aliviado.
— Você tem certeza que vai com ele? — Ela olha de soslaio para Benjamin que neste momento está cumprimentando Alan, ambos de cara fechada. — Quer dizer, ele é bonito… muito bonito. Mas que sortuda, Mel! Nem eu já fiquei com um cara tão lindo assim!
Ela bate em meu ombro e eu ponho minha mão sobre a sua boca, tentando conter o meu riso.
— Deus, você fala alto demais! E sim, eu quero ir com ele, está bem? — Murmuro baixinho retirando minha mão da sua boca e ela me lança um olhar sugestivo.
— Safada… vai ter que me contar tudo assim que nos vermos novamente, hein; — Sinto as minhas bochechas corarem ao pensar nessa possibilidade. — Aproveite a noite, e não se preocupe, eu dou um jeito em Alan.
Ela começa a caminhar até ele, enroscando o seu braço no dele, que a lança um olhar confuso.
— Você disse que o táxi está à nossa espera. E você; — Lorena direciona o seu olhar até Benjamin, que põe as mãos no bolso da sua calça. — Muito obrigada por ter nos ajudado, mesmo que agora esteja claro que foi por causa da Mel.
— Eu faria de qualquer jeito caso eu visse qualquer uma naquela situação. — Ele responde seriamente e então Lorena assente com um sorriso em seu rosto.
— Vamos, eu quero ir para casa.
Ela puxa Alan pelo braço que logo trata de me lançar um olhar frustrado.
— Tchau, Mel. Ligo para você em uma hora para ter certeza de que você chegou bem.
O meu sorriso se alarga em meu rosto à medida que vejo os dois se afastarem. Eu fico até emocionada quando paro para pensar que eu finalmente tenho amigos que se importam comigo. Eu não fazia ideia de como essa sensação era boa, pois fui privada disso durante toda a minha vida, por isso, quero aproveitar.
Benjamin se vira na minha direção com a cara fechada.
— Eu não gosto dele.
Há tanto desgosto em sua voz que eu me pergunto se Alan já fez algum mal a ele, porque não é possível odiar alguém gratuitamente.
— Pois bem, eu não lembro de ter perguntado, Benjamin. Lembre que ele é o meu amigo e eu gosto muito dele.
Ele arregala os olhos com as minhas palavras e eu somente cruzo os meus braços na altura do meu peito, não gostando que diga qualquer coisa sobre Alan. Um sorriso se desenha em seus lábios enquanto nos encaramos por longos segundos.
— Ah, essa sua boca ousada; — Ele sussurra se aproximando de mim com o seu olhar escurecido, ao mesmo tempo em que eu sinto um friozinho na minha barriga. — Eu quero dar um jeito nela nesse exato momento.
Dou um passo para trás, de repente me sentindo fraca sob o seu olhar. A minha boca fica seca enquanto ele levanta a minha cabeça, me encarando com tanta luxúria que eu até poderia ver o que ele planejava fazer comigo, e em quais posições. Ele acaricia a minha bochecha e o seu olhar desce de encontro aos meus lábios.
— Onde foi que paramos, ruiva?"
Após ele me beijar, tudo na minha mente é muito vago. Lembro de estarmos dentro de um elevador enquanto nos beijamos, com a sua mão em meu bumbum, e depois posso sentir claramente a sensação dele me penetrando. Dos seus beijos e toques, até mesmo do meu corpo tremendo sobre o seu. Tudo aconteceu nesse quarto. No mesmo lugar que eu me encontro nesse momento. Arfo olhando ao redor, percebendo que não conversamos sobre o contrato e que provavelmente agora ele deve estar achando que eu irei concordar.
As memórias ainda estão frescas na minha mente, e talvez por isso, eu me sinta levemente dolorida. Caminho até o meu vestido que está jogado no chão, junto com sua camisa, mas o que mais me chama a atenção, é a minha calcinha rasgada num canto da cama. Meu Deus, não tivemos nem senso, parecia que estávamos desesperados por isso, mas também, já faz um mês que eu anseio por sentir o meu corpo no seu novamente, com ele não deve ter sido diferente.
Vou até a minha bolsa, também no chão, e pego o meu celular verificando as horas. Eu quase caio para trás com o susto. Quase três horas da manhã, e eu sequer vi o tempo passar. As várias ligações perdidas de Jerry e Alan estão logo no visor do meu celular, alertando que eles podem estar preocupados ou com algum problema. Aperto para retornar a ligação de Jerry, mas sou impedida quando ouço vozes vindo de fora do quarto, um pouco mais longe que isso, mas estão bem claras.
Sou surpreendida quando Benjamin aumenta o tom de voz, me assustando de certa forma por pensar que ele pode estar brigando com alguém. Me levanto, deixando o meu celular de volta na bolsa e logo vou a passos lentos até a porta, encostando a minha orelha na mesma. A verdade é que não estou conseguindo conter a curiosidade, e eu não entendo quem poderia estar aqui uma hora dessa e que tenha deixado Benjamin tão bravo quanto ele parece.
Fico surpresa com o que eu escuto. Benjamin parece hostil, e algumas das suas falas parecem embaralhadas quando chegam no meu ouvido, porém uma de suas falas não me passa despercebida.
"Eu não os contratei à toa. Não é permitido que essa pessoa suba para o meu apartamento, você entendeu? Essa pessoa está proibida de chegar perto de mim, quero que siga todos os seus passos. Eu não quero mais nenhuma ameaça."
Suas palavras me pegam desprevenidas me fazendo dar um passo para trás, surpresa. Alguém está o ameaçando? Ele está em perigo? Suspiro sentindo meu coração acelerar cada vez mais, me sentindo preocupada por imaginar que alguém esteja o ameaçando e o pondo em perigo. Porque alguém faria algo assim com ele? Encosto a minha orelha na porta mais uma vez, não querendo perder tempo e ouvir do que se trata.
"Senhor Hunter, mas não há nem sinal dessa pessoa andando pelo prédio. Eu não faço ideia de como, mas ela deu um jeito de corromper as imagens das câmeras."
A voz abafada da mulher parece extremamente séria quanto ao assunto. Pelo jeito em que conversam, ela pode ser sua assistente ou fazer parte da sua equipe de segurança, que eu descobri através de Jerry, ser muito grande.
"Eu não me importo com as imagens. Essa pessoa esteve aqui, e eu a vi. Eu só quero impedir que ela chegue até mim novamente. Quero que projete mais sistemas de segurança, ela deve estar procurando mais uma forma de chegar até mim, e não quero que ela ache sequer uma falha."
