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Capítulo 3 - Enrolados

ERA UM DIA MUITO ENSOLARADO na praia naquele fim de semana e as meninas estavam empolgadas para visitarem a praia que ficava praticamente do outro lado da calçada da nossa casa. Eu e Claudia preparamos um “kit de sobrevivência” para que não morrêssemos queimados embaixo do sol de quase 40° que estalava sobre as nossas cabeças e eu carreguei todas as tralhas embaixo do braço, segundo ela, para “justificar o peso que eu levantava na academia”.

Era dezembro, grande parte das pessoas que estavam ali na areia ocupando as casas da redondeza já estavam de férias em seus trabalhos, por isso, nem tínhamos a pretensão de querer exclusividade aquele horário do dia. Haviam muitas famílias além da nossa aproveitando o mar e tivemos que brigar por um cantinho na areia para montar as esteiras, abrir o guarda-sol e encostar nossas coisas.

Claudia estava usando um biquíni azul cortininha e reforçou o protetor solar em minhas costas enquanto Rachel, Kelly e Micaela corriam para dar seu primeiro mergulho. Antes de fazer o mesmo, fiquei na esteira um tempo curtindo a visão do corpo espetacular daquela loira linda que eu havia fisgado. Trocávamos beijos apaixonados o tempo todo.

Eu caí na água por volta das onze horas e Rachel quis me acompanhar num mergulho bem além da areia, onde o mar quebrava em ondas mais fortes. Ela estava acostumada com as praias de Florianópolis onde morava com nosso pai e tinha a pele mais bronzeada de todos nós. Estava usando um biquíni amarelo que mal escondia seus seios pequenos em formato cônico. O traje era de amarrar atrás e toda hora ficava soltando. Num dado momento, com nós dois ainda imersos até a cintura, ela se virou de costas e me pediu ajuda.

— Amarra pra mim, maninho. Tô pagando peitinho aqui!

A ajudei com o laço e em seguida, ela se virou para me abraçar, dengosa. Haviam outras pessoas no mar àquela hora em volta de nós e tive que relembrar nosso combinado:

— Sem agarramento em público, maninha. Lembra do que conversamos em casa, não lembra?

Rachel havia aparecido nas nossas vidas há poucos anos, mas já tinha conquistado a parte paulista da sua família com todo o seu carisma. Era fruto de um caso extraconjugal que meu pai havia mantido por muito tempo enquanto ele ainda morava em nossa casa, em Perdizes, e o seu nascimento tinha sido mantido em segredo. Minha mãe, Laura, ficou inconsolável quando descobriu a traição de meu pai, mas anos mais tarde, quando a menina nos foi apresentada já crescida, nem mesmo ela teve coragem de rejeitá-la. Todos nós morríamos de amores por aquela coisinha.

— Tô com saudades, Ralph. — Rachel torceu o nariz e fez beicinho despejando todo o seu dengo sobre mim. Depois de um estranhamento inicial comum a meios-irmãos, ela tinha ficado muito apegada a mim e queria demonstrar o seu carinho o tempo todo —

Você só quer ficar se agarrando com aquela loira chata agora. Nem liga mais pra mim!

Minha irmã estava me segurando bem forte com os seus braços em torno do meu pescoço e o seu quadril perigosamente encostado ao meu na parte de baixo. Meu pai tinha criado o hábito de mandar a filha para São Paulo sempre que se iniciavam as férias escolares da menina em Santa Catarina e sempre que ela nos visitava, gostava de testar a minha resistência. Havia se insinuado para mim por mais de uma vez desde que havia perdido a sua virgindade com um guri do colégio onde estudava e se demonstrava cada dia mais fogosa na minha presença.

— É claro que eu ligo pra você, bebê — respondi, tentando aplacar a sua chateação —, só que agora é diferente. A Cacau é a minha namorada, eu preciso dar mais atenção a ela.

Me encarou parecendo zangada.

— Você disse que nada ia mudar entre nós dois, que não ia deixar de me amar…

Eu havia feito aquela promessa no dia em que ela pisou de volta em São Paulo tão logo descobriu que eu estava namorando Claudia. Tinha ficado incomodada em me ver compromissado e achava que eu não a amaria mais por causa disso. Rachel sabia fazer uma encenação de manha que merecia Oscar. Eu tinha que admitir que ela era boa naquilo.

— E eu ainda te amo — respondi tentando transmitir sinceridade —, sempre vou te amar. Só que você precisa ter paciência.

Ela deu um pulinho na água e começou a sorrir.

— Quer dizer que a gente vai fazer saliência bem gostosinho mais tarde?

O quadril enfim tinha me alcançado e ela começou a fazer pressão na minha região de alerta.

— Eu vou tentar te dar mais atenção, Rachel. Mas agora você precisa me soltar antes que aconteça um acidente.

Ela olhou com curiosidade para baixo como se pudesse enxergar através da água do mar a ereção que tinha me causado, e então, me massageou de maneira travessa, se afastando em seguida com uma tremenda cara de safada no rosto. Eu não conseguia resistir àquele seu jeito despojado e tinha certeza que teria problemas para conter por mais tempo os seus anseios.

Algum tempo depois do mergulho com a minha meia-irmã, eu voltei para a companhia da minha namorada na areia da praia e não foi difícil perceber o quanto ela estava radiante aquele dia. Claudia era com segurança a mulher mais bonita da redondeza e por onde ela passava, causava torcicolos nos marmanjos que nem se davam ao trabalho de disfarçar as secadas em seu corpo voluptuoso. Ela deu um mergulho enquanto Kelly cuidava das esteiras e voltou para a areia como que andando em câmera lenta. Parei para apreciar os cabelos molhados, os seios grandes bem seguros em seu biquíni, as pernas naturalmente torneadas e o bumbum perfeito sem marcas ou sinais evidentes. Trinta e poucos anos. Estava no auge da beleza. Cada dia que passava, eu ficava ainda mais incrédulo que aquele monumento tinha mesmo ficado a fim de mim.

— Pode ir agora, filha. A água tá uma delícia.

Claudia estava meio ofegante e pegou uma toalha na bolsa que ela estendeu na areia enquanto Kelly se levantava e corria em direção ao mar para se juntar à Micaela e Rachel. Colocou os óculos escuros e se deitou de bruços perto de onde eu estava sentado a observar a movimentação da praia. Pelo menos cinco pares de olhos curiosos deram aquela secada na raba linda virada para cima na areia. Eu fiz questão de passar mais protetor solar em suas costas e ela desamarrou o biquíni atrás para facilitar meu serviço.

— Você sabe que nesse momento tá matando do coração metade dos senhores de meia-idade dessa praia com essa raba gostosa virada pra cima, não sabe?

Ela deu um risinho malicioso dobrando os braços e pousando o queixo sobre um deles. Apertei o tubo em minha mão e senti o creme pegajoso se espalhar na minha palma direita. Não demorei a espalhar o filtro solar em suas costas bem devagar.

— Deixa que olhem! — Disse ela, confiante — O homem que eu quero está bem aqui do meu lado, me lambuzando todinha.

Ela me encarou da areia e deu para ver o brilho dos seus olhos através da lente do seu Gucci. Continuei o meu “ingrato trabalho” de alisar aquele corpo delicioso por um tempo e olhei ao longe as meninas se divertindo na beirada do mar. Rachel estava ainda mais entrosada com as outras duas e começava a sentir que a partir de então, seria bem difícil separá-las.

— Você já deu uma olhada nas nossas passagens para Minas Gerais, amor? — Indagou Claudia enquanto eu passava protetor em sua pele. — Não é bom deixar para última hora. Sabe que no final de ano passagens aéreas se esgotam num estalar de dedos!

Já tinha alcançado o seu cóccix e caprichei na massagem.

— Fica tranquila. Assim que você mencionou que queria visitar os seus pais, eu já dei uma checada no site da agência e reservei três passagens de primeira classe para Minas Gerais. Não vamos correr o risco de ficar sem.

Claudia se mexeu sobre a toalha, e em seguida, ergueu o tronco segurando o biquíni frente aos seios para não ficar nua em público. Colou o corpo no meu e enlaçou os braços em volta do meu pescoço. Deu para sentir aqueles mamilos intumescidos em contato com a minha pele.

— Sabia que você é o namorado mais lindo e prestativo desse mundo? — Ela me deu um beijo na boca. Segurei a sua cintura. — Amo saber que você sempre pensa com antecedência e que já deixou tudo certo pra gente visitar os meus pais semana que vem. Seu lindo!

Estávamos os dois ali de joelhos em meio à praia. Os olhares se voltaram para nós rapidamente em nosso abraço.

— E você sabia que nesse momento a única coisa que está impedindo todo mundo à nossa volta de ver esses peitos lindos sou eu, né?

Ela desceu os olhos para os próprios seios comprimidos contra minha pele e depois, voltou a me encarar.

— Eu não vejo mais ninguém aqui. Só você!

Eu precisava confessar que não estava mais acostumado a receber aquele tipo de afeto e que estava morrendo de medo de não ser capaz de corresponder ao amor de Claudia, porém, estava curtindo muito ver aquela mulher toda apaixonada por mim. Antes dela, eu havia me relacionado com duas garotas que eram completamente diferentes dentro de um relacionamento e que não se entregavam da maneira que aquela publicitária maravilhosa parecia estar a fim de se entregar. Eu me via como um imenso oceano onde ela estava querendo mergulhar de cabeça, mas eu temia que as rochas ao fundo da minha essência acabassem ferindo Claudia irreversivelmente nesse mergulho. Eu tentava dar o máximo de mim para retribuir aquele carinho, mas começava a achar que não era suficiente.

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