Capítulo 4: Coração inquieto
Damien fechou a porta atrás de si, ele colocou a mão sobre o peito, sentindo o seu coração bater fortemente. Um sentimento de felicidade tomava o seu peito, ele levou a mão sobre o rosto, escondendo o sorriso que aparecia em seus lábios.
Há quanto tempo ele esperava por isso? Sophia finalmente estava em suas mãos, mas ele não tinha nenhuma intenção de apressar as coisas, ainda mais quando sabia que ela viria até ele no momento certo.
Ele se afastou da porta do quarto, o seu corpo cheio de energia. Apenas olhar para Sophia era o suficiente para lhe encher de felicidade, ainda mais agora que ela era sua. Não era completamente, mas logo seria, logo ele poderia estar aos seus pés, lhe adorando como uma deusa.
Sua mente foi inundada por pensamentos pecaminosos, a pergunta dela ecoava em sua mente, com aquela voz nervosa e tímida.
“— Eu terei que cumprir o meu papel com a esposa? Você entende o que eu quero dizer?”
Papel de esposa? Damien pensou enquanto entrava no quarto de hóspede, ele era o único que podia entrar ali, nem mesmo suas empregadas poderiam entrar. Ele parou em frente à parede, puxando a sua gravata, seus olhos percorreram cada foto ali, sentindo a felicidade lhe tomar ainda mais. Os dedos dele foram para o bolso do paletó, tirando a foto.
Pegou o alfinete, colocando a foto dele e de Sophia bem no meio, o sorriso dele estava ainda maior. O que ela faria se entrasse ali e visse uma parede coberta com suas fotos? Ele sentiu a ansiedade se misturar com excitação.
— Ela me chamaria de louco? Ou me olharia com nojo? Ah, céus, eu tenho que tomar cuidado com isso.
Damien sussurrou aquelas palavras, sentindo que ela poderia odiá-lo ainda mais, embora tivesse uma esperança no fundo do seu coração de que ela pudesse gostar de todas aquelas lindas fotos.
Sophia abriu os olhos, sentindo a claridade tomar conta do quarto. Ela se sentou na cama, abraçando os seus joelhos, apoiando o seu rosto sobre os braços, vendo o nascer do sol das grandes janelas. Acordar dessa forma não era algo ruim.
De repente, ela pode ouvir as batidas na porta, puxou o lençol cobrindo o seu corpo, infelizmente não havia uma roupa para que pudesse se trocar quando foi para cama, teve que tirar tudo ou quase tudo para dormir confortavelmente.
— Bom dia, Sophia, eu preciso usar o quarto por um momento.
Damien falou, empurrando a porta, mas parou quando viu a figura de Sophia se mover rápido.
— Bom dia, Damien, você poderia trazer as minhas malas? Eu não estou vestida apropriadamente.
Damien parou na porta, ele conteve os seus olhos para que não descessem para onde os braços dela seguravam o lençol, sobre os seios, ele deu um passo atrás, sentindo o seu coração querer acelerar, ela estava nua em sua cama.
Sophia pode ver quando Damien adentrou o quarto de mãos vazias, ele se aproximou da cama, parando alguns passos dela.
— Seu pai não mandou suas malas, ele deixou um recado falando que você tem que ir buscar.
— Ele quer que eu vá com o vestido de noiva, eu imagino. — Sophia suspirou frustrada, ela só conseguia pensar no que seu pai estava planejando.
— Pedi para Matteo providenciar uma muda de roupa. Enquanto isso, pode usar uma das minhas camisetas, ela vai ficar grande o suficiente em você.
Damien pode ver o olhar desconfiado de Sophia lhe atingir, ele quis rir, mas se conteve. Sem demora ele foi para o closet, pegando uma das suas camisetas.
— Vista-se, eu quero que tome café da manhã comigo.
Sophia odiou como aquilo parecia uma ordem, mas ela deixou isso de lado, afinal, ela queria perguntar algo para Damien, mesmo que soubesse que ele poderia mentir, ainda assim queria perguntar para ele.
Ela deixou o quarto em que estava, de alguma forma ela estava nervosa, podia sentir suas mãos suarem, até o momento Damien não se demonstrava uma pessoa que estava disposta a se livrar dela, mas isso poderia mudar a qualquer momento.
A empregada que estava no corredor a guiou para a cozinha, ela ainda não conhecia o lugar, embora fosse um apartamento, aquele lugar era grande.
Sophia cruzou a porta, vendo Damien sentando, os seus olhos se cruzaram quando ele a olhou. Algo nele fazia o seu corpo se arrepiar, segurando a camiseta, ela se aproximou, tinha medo de que acabasse subindo demais.
— Antes de qualquer coisa, tenha algo que deseja comer?
— Não, estou ótima com qualquer coisa?
Sophia olhou para a mesa, vendo-a farta, mas ela não sentia nenhuma fome, devia ser porque a sua mente estava completamente voltada para a pergunta que iria fazer para Damien.
— Damien, eu estou curiosa com uma coisa?
— O quê? — Damien perguntou, enquanto levava a xícara de café para os lábios.
— Por que aceitou este contrato? Ele não tem nenhuma vantagem, mesmo que você não aceitasse, eu ainda não teria escolha a não ser me casar com você.
Damien olhou para Sophia, ele aceitou o contrato, porém os termos poderiam ser anulados caso ela resolvesse ficar com ele.
— Se eu for honesto com você, Steelina, não pretendo me divorciar de você, mas caso chegarmos ao 1 ano de contrato e você não sentir nada por mim, eu posso aceitar o divórcio.
Pode ver o rosto dela retorcido pela dúvida, Damien não falou que ele poderia mudar de ideia sobre isso também, mantê-la apenas para si não parecia algo ruim.
— Na verdade, eu tenho outra pergunta para você, Damien.
— Faça.
— Você matou a minha mãe?
Damien olhou para ela, por isso ela parecia tão nervosa? Calmamente, ele colocou a xícara sobre a mesa.
— Mesmo que eu negue, você acreditaria em mim?
Sophia olhou para ele, se fosse honesta quando sua mãe morreu, Damien ainda era apenas um adolescente, ele não era exatamente o mais perigoso, naquela época ele sofria bullying constantemente, mas ela não podia negar que havia visto ele sair de onde mais tarde foi achado o corpo de sua mãe, mas qual motivo ele a mataria?
— Mostre a sua sinceridade, talvez eu possa acreditar em você?
— Eu não matei a sua mãe, mas eu sei quem fez isso.
Ela olhou para a xícara, à sua frente. Damien poderia estar mentindo, ela sabia disso, podia lembrar que o consigliere do seu pai sempre apontou ele como responsável, ela tinha visto ele sair da onde encontraram o corpo da mãe dela. Mas não havia provas de que ele havia feito isso.
— Quem foi?
Damien olhou para Sophia, logo ela iria descobrir que não havia motivos para apressar as coisas, por isso ele se levantou. Vendo-a, ela lhe olhar apreensiva, sabia que isso a deixava irritada, mas ele tinha certeza de que ela seria incapaz de acreditar nele sem provas.
— Não se preocupe com isso, logo você vai descobrir. Eu tenho um compromisso, irei deixar Matteo à sua disposição.
