Capitulo 5: Jogos de Poder
O carro estacionou na entrada da imponente propriedade de seu pai, ela ainda permanecia completamente ansiosa depois da sua breve conversa com Damien. No final, ele era ou não responsável pela morte da sua mãe?
Sophia desceu em silêncio, os saltos ecoando pela calçada. Matteo, a passos calculados, seguia logo atrás. Ele estava ali como uma sombra constante, um lembrete do controle que Damien exercia sobre ela.
Sophia lançou um olhar rápido para Matteo enquanto subia os degraus da entrada. Ele não dizia nada, mas o jeito como a observava, como se tentasse prever cada movimento dela, tornava-se ainda mais desconfortável.
Ela pode ver a mulher sorrir ao abrir a porta, a governanta da casa Santorini, uma senhora de meia-idade que havia cuidado dela desde a morte da sua mãe.
— Sophia, eu não esperava você aqui tão cedo.
— Senhora Monika, eu vim falar com meu pai, parece que ele não mandou as minhas malas.
O rosto da senhora se retorceu, ela levou as mãos no queixo como se pensasse em algo.
— Eu pedi para deixar ontem à noite na casa do seu marido. — A velha senhora respondeu, deixando as coisas ainda mais confusas para Sophia.
Sophia só pode ter certeza de que isso era algo que seu pai era responsável. Os olhos dela seguiram para a longa escadaria que havia ali, ela achou que poderia resolver isso rapidamente, mas estava enganada.
— Eu irei procurar por suas malas, minha filha.
— Obrigada, Monika, eu irei falar com meu pai. Matteo, por favor, espere aqui, aonde eu vou. Não podem entrar pessoas sem a permissão do meu pai.
— Sim, senhora Fabbri.
Os corredores desta casa sempre pareciam sombrios, como se houvesse algo terrivelmente errado, e as paredes, frias como aço. Sempre com o mesmo cheiro familiar de madeira polida e um leve toque de tabaco pairava no ar. Ao passar pelo corredor que levava aos quartos, ela notou algo estranho: a porta do quarto de seu pai estava entreaberta.
Sophia hesitou, seus olhos pousando na abertura. Da posição em que estava, conseguia ver parte da cama, onde algo parecia estar repousado sobre os lençóis. Por um momento, ela pensou em se aproximar, mas sabia das regras.
"Nunca entre sem permissão."
Sophia, enquanto estava parada ali, só pôde engolir a curiosidade, ela sabia como seria repreendida se fosse pega, por isso apertou o passo e seguiu até o escritório do seu pai, ela bateu na porta, esperando para que pudesse entrar.
Ela ouviu sua voz firme antes de entrar, deixando o suspiro sair de seus lábios. Quando ele a viu, ergueu-se de sua cadeira de couro, abrindo os braços como se fosse um pai carinhoso.
— Sophia, querida! — Sua voz era calorosa, mas Sophia sabia reconhecer as camadas de frieza escondidas ali, apenas uma falsidade coberta por carinho.
— Pai. — Ela respondeu, tentando manter a voz neutra.
Enquanto ele se aproximava, ela notou algo na mesa: um envelope grosso de papel pardo, parcialmente aberto, mas não havia nenhuma pista do que seria. Mas não teve tempo de analisar mais de perto antes que ele segurasse suas mãos.
— Eu sei que você deve estar ajustando-se a esta nova vida... — Ele começou, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Mas preciso lembrar que isso tudo é apenas temporário.
— Temporário? — Sophia arqueou as sobrancelhas, confusa.
O pai soltou suas mãos e voltou para trás da mesa, os olhos avaliando-a como se estivesse medindo sua reação. Ela sabia o que isso significava, ele realmente estava planejando algo.
— Assim que Damien estiver morto, tudo o que ele tem será nosso.
As palavras caíram sobre ela como um golpe, do que seu pai estava falando? Por que estava falando que Damien morreria?
— Morto? — Sua voz saiu em um sussurro incrédulo, Sophia encarou o seu pai.
— Você está falando sério, pai?
— Completamente.
Ele respondeu com naturalidade, como se estivesse planejando isso há um tempo, ela levou a mão sobre o rosto, sentindo stress lhe atingir de repente.
— Pense, Sophia. Se ele morrer logo após o casamento, você será uma viúva muito rica, com muitas propriedades.
— Eu serei a principal suspeita, você sabe que a família Fabbri executa os traidores? — Ela retrucou, dando um passo para trás.
Sabia que seu pai não se importava com ela, mas ele poderia ao menos tentar esconder isso. Se Damien morresse agora de qualquer forma, ela seria considerada culpada.
— Não, minha querida.
Ele sorriu, como se estivesse tranquilizando uma criança. Sophia revirou os olhos, ele queria apenas uma bucha de canhão para conseguir realizar os seus planos.
— Eu andei fazendo umas pesquisas, sabia que seu marido tem um histórico médico realmente difícil de ter acesso.
Sophia franziu a testa, por que seu pai estava tentando ter acesso ao histórico médico de Damien?
— Histórico médico de Damien?
Seu pai inclinou-se, o tom agora conspiratório era óbvio, era óbvio que ele estava tentando envolvê-la em alguma das suas merdas.
— Descobrimos que Damien tem alergia a nozes. É perfeito. Um toque de nozes na comida dele, ou produtos que contenham óleo de amêndoas... Isso será suficiente.
— Você está me pedindo para envenená-lo? — Sophia perguntou, a voz cheia de indignação e incredulidade.
— É um plano infalível, Sophia. — Ele disse, gesticulando como se fosse óbvio.
— E tudo o que ele tem se tornará seu. Nosso.
Sophia sentiu o estômago revirar. A ideia de trair alguém, mesmo Damien, era repulsiva. Ainda mais quando ele podia ser a resposta para quem havia assassinado a sua mãe, isso era algo que nem mesmo o seu pai havia feito questão de descobrir.
— Pai, isso é monstruoso.
Ele deu de ombros, era óbvio que ela seria morta se algo assim acontecesse, mas ele só ligava para conseguir o seu objetivo, mas qual era esse objetivo?
— Monstruoso é deixar que ele nos derrote. — Ele rebateu, os olhos ficando sombrios.
— Esse casamento foi para que não começasse uma guerra, mas agora você fala em matar Damien? Eu sinto que estou enlouquecendo.
Sophia pode ver quando seu pai levantou rapidamente da cadeira, ele se aproximou sem hesitar, depositando a mão sobre o ombro dela, seus olhos fixos nos dela.
— Minha filha. Você não tem escolha. Isso vai acontecer mesmo que você não me ajude.
— Foi por isso que Alessandra fugiu?
Sentiu quando os dedos do seu pai apertaram ainda mais seu ombro, ela desviou dos olhos dele, olhando para frente. Sophia não iria participar dessa loucura, ainda mais quando era a sua cabeça que iria rolar.
— Saía, e só volte aqui quando tiver certeza de que vai nos ajudar.
Sophia saiu do escritório atordoada, podia sentir o seu coração repleto de melancolia, ele realmente não se importava com ela. Se seu pai não se importasse em protegê-la, teria que fazer isso por conta própria. Parece que ela teria que se apoiar em Damien mais do que realmente queria, afinal, ela era alguém sem nenhum poder.
Sophia passou por frente da porta do quarto do seu pai novamente, mas dessa vez a porta estava fechada. Algo parecia errado, mas ela achou melhor não se meter, afinal, se seu pai estivesse dormindo com alguma esposa dos seus subordinados, ela não queria fazer parte do drama familiar que se tornaria.
Quando desceu as escadas, pôde ver as malas ao lado de Matteo. Chegando ao final da escada, a velha mulher se aproximou. Monika pegou nas mãos de Sophia.
— Suas malas estavam com Alexander.
O suspiro saiu pelos seus lábios, Alexander era o cachorro louco de seu pai, embora ela nem sequer tenha se lembrado desse assunto com seu pai. Estava óbvio o porquê de não haver mandando suas malas, se soubesse que esse era o plano do seu pai desde o começo, teria fugido assim como sua irmã.
— Obrigada, Monika, eu já vou indo.
Monika sorriu para ela, Sophia se despediu mais uma vez, Matteo pegou as malas, seguindo silenciosamente atrás dela. Ela não era uma mulher que sorrisse muito, notou isso muitas vezes, mas mantinha sempre o olhar calmo, seu rosto neutro, porém, quando a viu descer as escadas naquele minuto atrás, pode notar que ela estava visivelmente incomodada.
A cada passo, a ideia do que seu pai esperava dela pesava mais, sua liberdade estava sendo ameaçada pelos planos de seu pai, ela teria que ter uma longa conversa com Damien para que ele não achasse que ela também estava envolvida nisso.
"Como ele pode esperar que eu faça isso?"
Ela pensou, mas se fosse honesta consigo mesma, no fundo, sabia que o casamento com Damien era uma armadilha. Mas agora, estava claro que ela era apenas uma peça no jogo doentio de seu pai.
