Capítulo 3: Noite de Núpcias?
Enquanto eles se dirigiam para a saída do salão de festa, Sophia pensou como as coisas aconteceriam com Damien? Ela teria que cumprir com o seu dever de esposa? Ela não tinha pensado nisso, até aquele momento.
— Sophia, você pode ir à frente, tem alguém que lhe guiará até minha casa na saída do salão de festa.
— Você não virá?
— Não, acredito que você terá uma experiência melhor se for sozinha, creio que eu a deixo desconfortável.
Ela não respondeu, mas ele não pareceu se importar com isso. Podia sentir os olhos de Damien em suas costas quando se afastou, Sophia não sabia o que esperar do homem que poderia ter matado a sua mãe, mas estava claro como água que ele não gostava de seu pai.
Quando ela chegou na saída, podia sentir o cansaço lhe afligir, ela queria desesperadamente sair dali. Pode ver quando o homem se aproximou, usando o terno azul-escuro, lembrava-me dele estar ao lado de Damien durante a festa, ele a cumprimentou formalmente.
— Eu sou Matteo, sou assistente pessoal de Damien, estaria a servindo a partir de hoje. — ele falou calmamente, mas algo em sua voz parecia incomodado com isso.
— Mesmo que você já saiba, eu prefiro me apresentar formalmente, meu nome é Sophia e é um prazer conhecê-lo.
Ele a olhou apenas acenando com a cabeça, Matteo a guiou para o carro, abrindo a porta para ela, enquanto a mulher adentrava o carro. Não deixou de notar, distante Damien a observava, ele não saiu do lugar até que aquele carro se distanciou.
Matteo se aproximou de Damien, parecia que os planos dele estavam saindo exatamente como ele havia esperando. Mas ele ainda não sabia ao certo o que seu chefe esperava da mulher que havia se casado.
— Matteo, observe os passos de Santorini, quero cada detalhe.
— Apenas segui-lo?
— Sim, acredito que assim que acordar amanhã teremos notícias de como Alessandra apareceu milagrosamente?
A noite ainda não havia acabado, Sophia pode observar o grande prédio surgir em sua vista, ela estava chegando ao luxuoso apartamento de Damien Fabbri, mas não importava quando quão imponente ela fosse, para Sophia era um lugar frio, refletindo perfeitamente o homem que agora era seu marido. A empregada guiou até o quarto preparado para eles, podia sentir o suor se acumular nas palmas das suas mãos. Damien exigiria que ela oficializasse o casamento?
Ao entrar no quarto, Sophia observou por um momento o lugar, ela era uma mulher que havia crescido em meio ao luxo, mas ela nunca tinha estado em lugar com uma vista tão maravilhosa.
Sophia se aproximou da janela, ela observou o seu reflexo, o vestido luxuoso parecia ainda mais pesado agora, não foi assim que ela imaginou que seria o seu casamento, por que logo ele? Por que Damien?
Sophia não sabia o que esperar. Ela conhecia as histórias sobre ele, sobre a maneira calculista como lidava com inimigos e aliados. Mas agora, ela estava casada com ele, tudo parecia ainda mais real e assustador.
— O que eu deveria fazer, mãe? — Ela falou, aproximando-se ainda mais da janela, onde repousou a mão no frio vidro, por algum motivo aquilo lembrou os frios lábios de Damien.
Sophia permaneceu em silêncio, perdida em seus pensamentos enquanto a cidade abaixo brilhava como um mar de luzes. Lá fora, tudo parecia seguir normalmente, mas dentro dela havia um caos. O peso do casamento, do nome Fabbri, a incerteza sobre Damien e as suspeitas que pairavam sobre ele, tudo parecia esmagá-la de uma vez. Ele era ou não o responsável pela morte da sua mãe?
Ela passou os dedos pelo vidro, tentando encontrar alguma resposta, mas nada vinha. Sua mãe onde quer que esteja teria entendido a sua decisão? Ou ela poderia ter feito algo diferente? Às vezes, Sophia sentia que estava vivendo a vida de outra pessoa, um papel que lhe foi imposto sem permissão. Ela fechou os olhos por um momento, respirando fundo, tentando se acalmar.
Damien... A ideia de ser esposa dele era desconcertante. Ele era enigmático, perigoso, e, ao mesmo tempo, havia algo magnético nele. Sophia odiava admitir, mas a intensidade nos olhos dele, o controle que ele parecia ter sobre cada situação... tudo a confundia. Mesmo que não quisesse, ela se pegava olhando para ele, e se perguntando se não fosse daquela maneira, eles poderiam ter sido amigos ao menos?
— Ainda posso lembrar dele quando era apenas um adolescente, magro e quieto, quem diria que ele iria virar um homem como esse, ele nunca teria sofrido tanto se tivesse conhecimento disso.
Sophia falou, ela sabia que estava divagando, fugindo do que realmente lhe amedrontava nesse momento, a pergunta que ecoava em sua mente naquele instante.
"Eu terei que cumprir meu dever de esposa?"
A pergunta surgiu de forma inevitável. Ela sentiu o coração acelerar. Haveria uma expectativa implícita? Damien parecia tão distante que era difícil dizer o que ele realmente queria dela. Ela balançou a cabeça, tentando afastar o pensamento. Não era o momento de se perder em suposições.
Soube muito cedo que ele não era um homem que mantém relacionamentos, mas as histórias que ocorriam nos corredores das sedes das casas Fabbri, era que ele nunca repetia uma mulher, um homem com um longo histórico de amantes, enquanto ela, nunca pode chegar perto de um homem em sua vida, porque ela era uma mercadoria, uma mercadoria usada valia menos.
A família Santorini tinha uma longa tradição, quando o Capo Crimine ou Don tinha uma filha, ela era obrigada a manter sua pureza, até completar 24 anos, que é quando casamentos arranjados são decididos, ela havia completado 23 alguns meses, ela achou que conseguiria passar por isso, quando completasse os seus 24 anos poderia dizer adeus esse maldito mundo.
Por isso, se sentia ainda mais ressentida com Alessandra, sua irmã sábia que não tinha desejo de continuar na máfia, tudo o que ela queria era viver em um lugar longe de tudo isso. Mas não, Alessandra, ela queria aquela vida, ela gostava daquela vida.
O tempo passou sem que Sophia percebesse. O silêncio no quarto era tão profundo que a fez relaxar por um instante, até ser interrompida por um som discreto atrás dela. Antes que pudesse reagir, ouviu passos firmes se aproximando.
— Sophia.
Ela girou o corpo rapidamente, o coração disparado. Damien estava ali, na entrada do quarto. Sua presença era como uma sombra que se expandia, mas algo estava errado. O olhar dele parecia mais sombrio do que antes, e havia algo em seu rosto que a fez congelar.
Sangue.
— Meu Deus! O que aconteceu? — ela exclamou, dando um passo para trás instintivamente, sentindo a janela fria em suas costas. Seus olhos estavam fixos na mancha vermelha que escorria pela lateral do rosto dele.
Damien levantou uma mão calmamente, como se quisesse tranquilizá-la.
— Não é meu.
Essa resposta não a confortou. Na verdade, fez seu estômago revirar.
— De quem é então? — ela perguntou, tentando soar firme, mas sua voz saiu em um sussurro trêmulo.
Ele deu alguns passos para dentro do quarto, mantendo os olhos fixos nela. Vê-la agir como gata medrosa lhe causou uma reação satisfatória, afinal, ela raramente tinha uma expressão diferente da sua habitual face de indiferença.
— Apenas... negócios, Sophia. Nada que você precise se preocupar.
Ela não sabia o que era pior: o sangue no rosto dele ou a naturalidade com que ele falava sobre isso. A cada passo que ele dava, ela sentia uma tensão crescer no ar, como se algo invisível estivesse prestes a explodir.
— Negócios? — Ela cruzou os braços, tentando esconder o nervosismo.
— Sim.
Ele falou, era estranho como ela se comportava como se nunca tivesse visto sangue antes, afinal, o ramo do seu pai não era nenhum pouco diferente do seu.
— Você acha que isso me conforta? Que essa explicação é suficiente? Hoje é o dia do nosso casamento, e você chega aqui com sangue em seu rosto.
Damien parou a poucos passos dela, seu olhar frio como gelo. Ele tinha gostado de como parecia que ela estava preocupada com ele, mas ele sabia que isso era um pensamento ilusório seu.
— Eu sei que isso não conforta. Não se preocupe, Sophia. Mas o mundo em que vivemos é assim. Sangue, lealdade, dívidas... você sabia disso quando aceitou ser minha esposa, você cresceu vendo isso.
Damien notou quando os olhos dela desceram para o chão, ela parecia envergonhada.
— Você fala como se eu pudesse ter escolhido isso?
— Seu pai poderia ter recusado assim que Alessandra desapareceu, mas fico feliz que ele não tenha feito, eu gosto mais de você, Steelina.
Ela levantou o olhar rapidamente, arqueou a sobrancelha, ele havia a chamado de Steelina? Era uma forma carinhosa com que geralmente homens tratavam suas amadas. Steelina significava estrelinha.
Sophia queria dizer que nunca aceitou nada, que foi obrigada a isso. Mas ao olhar para ele, com aquela mistura de poder e cansaço, ela percebeu que, de alguma forma, eles estavam presos no mesmo jogo cruel. E, ainda assim, ele parecia comandar as regras enquanto ela era apenas uma peça deslocada no tabuleiro.
— Você poderia ao menos tentar me explicar o que está acontecendo? — perguntou, sua voz carregada de frustração.
Damien deu um leve sorriso, mas não era um sorriso amigável. Era um sorriso de alguém que sabia mais do que deixava transparecer.
— Explicações virão com o tempo. Por agora, você deveria descansar. Amanhã será um longo dia.
— Por que isso parece mais um jogo que eu vou ser movida conforme você quer?
— Minha Steelina, eu nunca faria minha rainha uma peça de um jogo, mesmo que seja um casamento arranjado. Você e minha esposa, até o final daquele contrato, você será minha rainha.
