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Prólogo - 1.2 Aniversário de seis anos da Rosemary

"- Você parece uma flor - sussurra lentamente.

- Você parece um defunto - a menina comenta com divertimento que logo vai embora ao perceber que os olhos dele tornaram-se negros e suas narinas inflamaram de raiva.

- Odeio crianças. - murmura para si mesmo.

- Que lugar é este? - pergunta ignorando a fala anterior.

Rosemary observa com admiração o local composto por tamanha beleza das árvores de cerejeira que formam um arco na direção em que ela esta e transforma tudo numa bela mistura do rosa das flores com o azul do céu.

- Estamos na sua mente - responde secamente, sua resposta faz a menina arregalar os olhos com incredulidade. - e eu vim visitá-la para lhe desejar feliz aniversário - diz andando na direção dela e sentando na grama verde. - e dizer que em alguns anos irei buscá-la na sua casa para vir comigo.

- Mas eu... - para de falar ao se lembrar do que sua mãe e pai a alertam toda hora. - Meus pais não me deixam falar com estranhos. Foi mal. Não posso falar contigo. – Cruza os braços e fecha a cara.

Suas palavras genuínas fazem o homem sorrir inesperadamente, mesmo que seja um sorriso que não chegasse aos olhos, tocou profundamente o coração do mesmo. Então se levanta e a encara por longos minutos, suspira e por fim diz:

- Até logo... Pirralha. - sussurra a última palavra"

A pequenina criança abre os olhos assustada e aperta com força o ombro do pai.

- Pai, tô com medo – comprime sua cara numa expressão de possível choro - um homem assustador apareceu nos meus sonhos e disse que vai me levar embora - sussurra com pesar, percebendo a confusão do pai, resolve emendar. - fui tudo real, tá, por mais que ele fosse pálido como um fantasma, foi real.

Christopher a encara erguendo a sobrancelha e parece absorver aos poucos o que sua filha disse. Quando fica claro para ele o que acabou de acontecer, começa a ficar em dúvida se acredita ou não. Por fim escolhe acreditar.

- Angie! - chama a esposa, que aparece no mesmo instante. - Ele apareceu, conseguiu se conectar com ela, precisamos esconde-la - a mulher apenas concorda (como se já estivesse preparada para isso faz tempos) e sobe a escada com pressa e um charme de se admirar, caso leve em conta a situação.

- Ryan! - exclama chamando o amigo que aparece tão rápido quanto a mãe da garotinha. - Ligue para Gum e avise que precisamos dele com urgência.

Antes de se virar para ir ao escritório, Ryan olha para Rosemary com compaixão e sorrir abertamente, como se soubesse o que está acontecendo e quisesse reconfortar a menina.

- Papai, o que ta acontecendo? - pergunta com medo crescendo em seu peito de forma dolorosa.

- Filha, dará tudo certo, ele não encontrará você.

Christopher sai do salão discretamente com a garota em seu colo e sobe as escadas para o quarto dela, o qual parecia ter diminuído consideravelmente. Angie já estava lá andando de um lado para o outro, colocando roupas nas duas malas pretas que têm em cima da cama.

- Mamãe, o que ta acontecendo? - perguntou a menina com uma pontada de desespero na voz por não entender o desespero.

De repente, foi como se tudo tivesse indo em câmera lenta. A mãe dobrava as roupas com calma, querendo demorar nessa parte para que deixasse tudo mais lento, pois sabia o quanto ficará machucada ao ver a filhar sair pela porta.

Nesse mesmo momento, a porta foi aberta bruscamente, entrando um homem de altura mediana e de cabelo alaranjado todo bagunçado, seu nariz de batata avermelhado, parecendo estar gripado e usando uma roupa de dormir azul com estrelas amarelas, parece que acabou de acordar.

- Christopher, me teletransportei no momento em que Ryan me ligou. - explica com seus olhos azuis abertos em desespero. - O que houve?

Então para abruptamente e percebe a presença de uma menininha de olhos esverdeados, no meio desse clima tenso.

Para acalmá-la um pouco, sorrir prontamente mostrando sua fileira de dentes brancos. Depois caminha até Rosemary e aperta sua mãozinha com cuidado

- Então é você. - sussurra maravilhado. – Já é uma fofura agora, imagino que quando for mais velha fará William derreter por ti.

- Cale-se. - vocifera o pai com raiva explicita. - não pronuncie o nome desse homem na minha casa, muito menos em frente à minha filha.

- Por que precisa de mim? - pergunta voltando-se ao pai e ignorando a rivalidade típico entre suas duas pessoas queridas.

- Preciso que faça um feitiço nela - o homem começa a se explicar. - William não pode ser companheiro da futura suprema dos lobisomens. Você sabe que existe uma grande possibilidade dele torturar, escravizar ou até mesmo briga entre os lobos. Se William tiver o mínimo poder nas matilhas, caos será instalado, ninguém o quer com poder sobre os lobos e ao marcar minha filha, como nas tradições, tudo estará acabado... - mira a filha em seus braços. - Eu não a quero com um sangue suga traidor.

- Mas Christopher... Ela pode curar ele, há alguns anos atrás fiz o feitiço da alma gêmea para que William lembre-se do que é sentir. - a pequenina criança esconde a cabeça no pescoço do pai sentindo tensão demais no ar. - Rosemary será uma mulher forte capaz de lidar com qualquer adversidade! Além disso ela pode desencadear sentimentos nele...

- Papai, to com medo papai. - murmura interrompendo o ruivo, fazendo com que todos no recinto a encarem com pena.

Um clima depressivo passa a crescer nesse quarto, deixando todos apreensivos e sem saber ao certo o que fazer. A garotinha sente o medo aumentar em seu pequeno coração e lágrimas caem lentamente pelo seu rosto avermelhado por ter tentado segurar o choro, funga alto.

O ruivo a encara de modo triste e com melancolia nos olhos.

- Por favor, Gum, ela é só uma criança, não está na hora de conhecer o mal. - desta vez, Angie quem pede com forte convicção na voz e os olhos ferozes igual ao de uma mãe leoa. Por ela, escondia Rosemary num buraco para a filha nuca precisar conhece-lo.

- Por vocês, que devem saber o melhor pra própria filha, e este anjinho aqui. - disse com um pequeno sorriso crescendo no rosto arredondado, cutucando o narizinho da garotinha. - Deixe-a de pé.

Rosemary é posta no chão e o mago se ajoelha para ficar do mesmo tamanho. Apóia as mãos nos ombros dela e fecha os olhos, sentindo-os ficar claros e tão brilhantes quanto seu colar mágico.

- O lobo dentro de ti será contido, até que complete dezoito anos, quem a procura não poderá encontrá-la. - o colar em seu pescoço brilha mais ainda, juntamente com seus olhos e então ninguém consegue entender nada do ele diz, pois da sua boca saem apenas palavras desconexas.

De repente, a garotinha sente uma força desconhecida entrar nela e possuir cada veia do seu corpo com ardor. Queimando e tomando o lugar do sangue. Por fim, cai sentada de modo violento, causando um estrondo quando o corpo se choca no chão.

- Obrigado, meu amigo e irmão. - agradece o pai. - Por enquanto isso basta.

- Pra quando precisar, cara. - os dois apertam a mão um do outro, num comprimento amigável de velhos conhecidos. - Não foram mais de cem anos de amizade, para quando um amigo precisar não poder ajudar.

Os passos da Angie param e as malas são fechadas.

- Ryan, você e Estefani estarão encarregados de protegê-la a partir de agora. Irão para longe e se mudarão constantemente, onde minha filha não será encontrada. Ensinarão os valores de uma matilha, sem realmente revelar quem ela é e a amarão o máximo que puderem. - ordena o alfa com voz firme.

- Christopher... - Estefani o chama antes de sair do quarto para arrumar suas coisas. - você não pode fazer isso, ela precisa crescer perto de vocês, ela precisa do pai e da mãe...

- Vocês farão. É uma ordem direta. - diz firme ao perceber que o marido permaneceria calado. - Deêm o melhor ensino a ela, mas não a mimem muito... - ao perceber que se falasse mais, desabaria, apenas diz: - Arrumem suas malas. Sinto que William está por perto e o feitiço só fará com que ele não possa rastreá-la, mas se minha filha estiver aqui quando ele chegar poderá levá-la e não é isso que queremos certo? - Angie argumenta, escondendo o sofrimento tão mal quanto as lágrimas que desabam de seus olhos.

- Certo. - respondem Ryan e Estefani em uníssono. Em seguida os dois saem juntos de cabeça baixa, completamente convencidos.

Os pais, nada mais têm a dizer. Pois o silêncio mortal toma o lugar.

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