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3.2 Enfim, meu lar?

Abro-os novamente e me vejo em um cômodo.

Suas paredes tem diversos quadros que não consigo ver direito pela mal iluminação.

A minha frente tem um homem de olhos fechados, seus lábios carnudos são apreciativos, sua pele pálida é bela, seus cabelos brancos estão arrumados com gel num topete. Sua roupa se resulta apenas em uma camisa e calça de moletom cinza.

Seu ar é de confusão.

Por mais que eu saiba quem ele é, algo em meu sonho não me deixa compara-lo com qualquer outra pessoa.

Nem saber seu nome.

Como se todos fossem completos estranhos, por mais que eu tenha esse mesmo pesadelo todos os dias.

Lágrimas rolam de seus olhos, tornando sua dor aparente para qualquer um.

Compaixão cresce em meu peito, deixando-o cheio de vontade de abraçar esse homem e nina-lo até faze-lo dormir.

Começo a andar em sua direção, mas cada passo parece me distanciar cada vez mais dele, deixando-me aflita.

Começo a correr com meu braços estendidos para toca-lo, tentando chegar nele para poder abraça-lo, o que não resulta em nada.

Como pode ele estar a minha frente e ao mesmo tempo ser inalcançável?

Então uma leve brisa passa e começo a me arrepiar, medo enche meu peito e olho apreensiva para os lados. Volto minha atenção para frente, mas ele não esta mais lá.

De repente, o homem branco com o rosto borrado aparece a centímetros de mim, inclina seu rosto medonho para o lado e então avança em meu pescoço..."

Abro os olhos assustada.

Tento respirar mas parece ser cada vez mais difícil e cansativo, a sensação de estar sufocada toma conta de mim sem nem esperar por permissão. Meu coração palpita freneticamente em meu peito, imagino até se poderia sair de lá.

Calafrios junto com formigamento passam pelo meu corpo. Minhas mãos começam a tremer ligeiramente e náuseas tomam conta de mim.

Nesse momento toda a turma olha em minha direção.

Grande hora para meu ataque de pânico querer aparecer...

Bia aparece em minha frente e fala para eu me concentrar em sua voz, mas não consigo. Por mais que eu tente.

Minha garganta parece fechar cada vez que meu coração palpita frenético, enquanto o cérebro parece não receber meus comandos e o desespero toma conta de mim.

Para meu alívio, ouço uma voz rouca em minha mente, sussurrando lentamente: "-Inspira, expira. Inspira, expira..." imediatamente obedeço essa voz grossa de fazer arrepiar. Então aos poucos consigo me normalizar.

Todos me encaram preocupados e Bia me envolve com seus braços, murmurando maldições em meu ouvido.

Em toda minha vida, tive três ataques de pânico, quatro agora. Cada um pior que o outro, mas sempre pelo mesmo motivo: o pesadelo.

Nem deve ser um pesadelo tão tenebroso, mas para mim é horrível. Infelizmente ao acordar não consigo me lembrar do que sonhei, apenas de um homem branco sem face avançando em mim, o que me deixa apavorada.

- Esta melhor? - Bia pergunta preocupada.

- Sim amiga. - respondo para não deixa-la mais preocupada. - Obrigada.

- Senhorita Rose, seus pais a esperam na diretoria. - diz o professor se referindo a Estefani e Ryan.

Apenas concordo e saio da sala de cabeça baixa. Devem ter ligado para eles assim que comecei a passar mal. Inferno. Tomara que não façam muitas perguntas.

Ao chegar na porta da diretoria, vejo pelo vidro Estefane e Ryan sentados, olhando apreensivos um para o outro. Parece que estavam aqui antes mesmo de eu passar mal... Meu tio segura a mão dela, apertando de vez enquanto. Parecem estar conversando algo sério com a diretora. Não entendo, o que aconteceu lá não foi grande coisa, apenas um ataque de pânico.

Então Estefani encosta a cabeça no ombro do Ryan, depositando um leve beijo ali. Fico estupefata. De todos esses anos, em momento algum eles mostraram intimidade para mim, no máximo um aperto de mão. Mas isso? É surpreendente.

Eu apoio.

Eles formam um perfeito casal, mesmo que nunca os tenha visto se beijarem, a sintonia deles é perfeita e eu acharei perfeito ter os dois juntos, não que eles precisassem da minha permissão para...

- Senhorita Rosemary. - diz a diretora que nem percebi ter aberto a porta.

Apenas balanço a cabeça e sorrio para meus tios com os olhos brilhando de expectativa exagerada, por perceber que estão em pé de mãos dadas. Ryan passa por mim, me puxando pelo cotovelo para irmos embora, fazendo o sorriso murchar imediatamente.

- Oi para vocês também. - falo divertida e feliz demais por eles para me preocupar com a ignorância do meu tio.

- Não é hora para brincadeiras, vamos embora. - diz ríspido.

Apenas me deixo ser guiada até o carro e irmos para casa. Para que tanta urgência em ir me buscar? Não foi grande coisa o que aconteceu, que dizer, não é como se fosse novidade.

Chegando em casa, sou guiada pela Estefane até a sala, eles se sentam no sofá e eu na poltrona de frente para os dois. Suas expressões me deixam apreensiva, ela me encarando tão intensamente que chega a incomodar. Pelo que eu saiba, não há motivo para esse show todo. Ou talvez eu não saiba de nada.

Será que eles me contarão sobre meus pais?

Esse pensamento faz com que um sorriso de orelha a orelha apareça em meus lábios. Seria fantástico saber deles.

- Rosemary, querida. - a primeira a quebrar o silêncio é Estefani. - Sabemos que você esta amando este país, que fez amigos e até um namoradinho. No entando...

- Não! - exclamo a interrompendo imediatamente.

Sei aonde ela quer chegar, pois ha alguns anos atrás tivemos essa mesma conversa. Não estou pronta para deixar esse lugar.

- Eu não irei embora. - digo sentindo o nervosismo tomar conta de mim. - depois de todas as raízes que eu mantive aqui, todo meu aconchego, vocês querem partir? - me levanto e começo a andar de um lado para o outro. - Têm noção do quanto isso é irritante? Não posso nem ser feliz e até o motivo para isso tudo vocês escondem de mim! Faz com que eu pareça ser uma mentira e é assim que eu me sinto, uma mentira!

- Por favor, Mary, entenda! - exclama Estefane, tentando falar mais alto que eu. - seus pais pediram para sairmos daqui!

Isso sai como um tapa na minha cara. O nervosismo é tamanho que começo a rir, sem conseguir conter as lágrimas. Encaro os dois que só agora parecem ter percebido o que falaram.

Meus pais sabem aonde estou e mesmo assim não vêm me ver. Saber disso dói mais do que eu imaginava. Minhas pernas se amolecem, abrigando-me a apoiar os braços na poltrona.

- Meus pais falam com vocês esse tempo todo e em momento algum puderam me dar um oi? - digo com o fio de voz que ainda me resta. - Por quê?

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