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Capítulo 4 - Ele te acha uma maluca

— Oque??? — Sarah gritou no meu ouvido

— Um stripper?? — ela gargalhou feito uma hiena engasgada por uns cinco minutos parecendo que ia ter um ataque. A vaca até chorou de tanto rir e eu revirava os olhos enquanto ela secava suas lágrimas de zombaria. — Quem diria, a garota mais certinha que eu conheço fazendo uma proposta indecente a um stripper cujo a boate ela nem queria ir. Viu como coisas boas também acontecem com pessoas bêbadas?

— Isso nao tem graça. Eu me meti nessa enrascada e nem sei como sair.

— Eu é que iria adorar me meter numa enrascada dessas com um puta gostosão daqueles. Porque essas coisas nunca acontecem comigo?

— Ele é um um profissional do sexo, Sarah. As mulheres pagam pra transar com ele e não para sair por aí fingindo que são namoradinhos. — eu a repreendi levantando da cama — Essa é uma péssima ideia, eu vou ligar pra ele e desfazer essa loucura.

— Ah mais não vai mesmo! —Sarah me agarrou pela blusa, me puxando de volta

— Para de ser medrosa, garota, eu hein!

Vem cá — ela me pegou pela mão, me arrastando até o espelho.

— Olha pra você e me diz o que vê?

Eu fiz uma careta e revirei os olhos —Isso é ridículo — tentei fugir, mas ela foi mais rápida.

— Vamos, me diz o que você vê quando se olha no espelho?

Eu bufei — Uma mulher descabelada usando um pijama velho.

— Tá bom, fora esse pijama horroroso que cabe duas de você dentro, o que mais você vê?

Eu encarei meu reflexo no espelho por alguns segundos, enquanto meus olhos exploravam o contorno do meu rosto arredondado sob a pele pálida, que parecia não saber o significado da palavra "sol" a muito tempo. Percebi que gostava do contorno da minha boca, meus lábios bem que poderiam ser mais grossos, mas pelo menos eram bem desenhados. Eu também gostava dos meus olhos apesar de achar que eles poderiam ser menores. Mais de tudo o que eu poderia enchergar em mim mesma, só tinha uma coisa que eu desejava naquele momento:

— Eu não quero mais ser a coitada que foi abandonada no altar.

— Isso! — Sarah comemorou —Agora eu vou te falar o que eu vejo quando olho pra você. Eu vejo a única garota que em apenas dois anos já coordena a própria equipe de analistas júnior em uma das maiores empresas acionistas do país. Eu vejo uma garota determinada e inteligente que é uma fera nos negócios — ela me virou segurando meus ombros e olhando fundo nos meus olhos — Usa isso pra fazer aquele cretino do seu ex implorar pra que você o aceite de volta.

Eu sorri. Sim eu podia fazer isso. Era só usar a tática dos negócios: impor condições, respeito e auto confiança. Isso tudo eu já sabia, só precisava achar um jeito de aplicar essa técnica na minha vida pessoal desastrosa.

— Só fica longe do gostosão. Não vai querer se apaixonar por um garoto de programa.

— Isso não vai acontecer. Eu me mantive longe de caras como Retty por anos e não é um rostinho bonito e um corpo sarado que vai me fazer perder a cabeça — respondi, colocando o resto das minhas roupas na mala de viagem —Além do mais eu tenho minha lista que é um lembrete perfeito para me manter bem afastada de homens-problema como Retty.

— Só me promete uma coisa — Sarah pediu — Não deixa ele saber dessa lista ou vai te achar uma completa maluca.

— Tarde demais, ele já acha — respondi e nós duas rimos, terminando de arrumar minhas coisas para o vôo que pegaria mais tarde com destino a Melbourne na Flórida, a cidade onde o fantasma do meu passado habitava.

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